
*Edição nº 461 da Revista da Previdência Complementar – uma publicação da Abrapp, ICSS, Sindapp, UniAbrapp e Conecta
Por Débora Diniz
Quando representatividade vira estratégia: o protagonismo das mulheres – A Previdência Complementar Fechada vive um momento de inflexão. Depois de décadas sendo um setor predominantemente masculino nos espaços de decisão, um novo movimento começa a transformar o sistema: o avanço das mulheres em cargos de liderança e a consolidação de uma agenda estruturada de diversidade e inclusão. O marco mais visível dessa virada é a criação do Subcomitê de Liderança Feminina na Previdência Complementar, vinculado ao Comitê de Sustentabilidade e ao Fórum de Equidade e Diversidade da Abrapp.
“Tudo começou com uma inquietação compartilhada”, recorda Cristina Schmidt, Coordenadora do Subcomitê e uma das idealizadoras do movimento “Mulheres na Previdência”. “Em 2023, criamos um grupo de WhatsApp para trocar experiências e fortalecer conexões entre mulheres do setor. Hoje somos mais de mil, reunidas em torno de um propósito: fortalecer a liderança feminina na Previdência Complementar e mostrar que inclusão é inteligência coletiva”, diz.
De uma rede informal, o movimento cresceu e se institucionalizou. “A transformação não acontece quando se cria um ‘nós contra eles’, mas quando homens e mulheres caminham juntos. Equidade não é disputa, é construção coletiva”, resume.
O Subcomitê foi desenhado para refletir a diversidade do próprio sistema: 17 líderes representam os segmentos S1 a S4 das EFPCs, reunindo diferentes perfis de entidades, portes e realidades regionais. Cada representante atua como elo, disseminando práticas inspiradoras e promovendo engajamento. A governança segue os princípios de legitimidade e pluralidade. “Queríamos evitar a concentração de poder. O Subcomitê é horizontal, operado em rede. Cada uma de nós representa um pedaço do sistema, e juntas conseguimos enxergar o todo”, explica Schmidt.
Propósito estratégico – O Subcomitê se conecta diretamente à agenda ESG do setor e reforça o papel da Abrapp como articuladora. “A inclusão da mulher não é um tema lateral. É parte da agenda de sustentabilidade e da inovação institucional. Diversidade é inteligência coletiva em ação”, afirma a Coordenadora.
Os dados do “Raio X da Participação Feminina nas EFPCs”, pesquisa realizada pelo Ministério da Previdência Social (MPS) em parceria com a Abrapp, mostram avanços, mas também distâncias. As mulheres representam 45% a 50% da força de trabalho, porém ocupam apenas 27% dos cargos de liderança e 15% das cadeiras em conselhos deliberativos. “Essa fotografia evidencia o que todas nós já percebíamos: há muitas mulheres preparadas, mas poucas oportunidades de ascensão”, comenta Schmidt.
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Fonte: Abrapp em Foco, em 24.12.2025