
*Edição nº 461 da Revista da Previdência Complementar – uma publicação da Abrapp, ICSS, Sindapp, UniAbrapp e Conecta
Por Flávia Silva
Papel de destaque na promoção do envelhecimento saudável – O aumento da longevidade e o envelhecimento populacional são fenômenos amplamente reconhecidos e documentados na literatura internacional. Muito também já se sabe sobre os desafios que vidas mais longas impõem aos sistemas previdenciários baseados na solidariedade e à constituição de poupança para a aposentadoria, cada vez mais focada no esforço individual em função da popularização dos planos de Contribuição Definida (CD). Todavia, a longevidade também abre oportunidades para os fundos de pensão, que atuam como estrategistas do futuro financeiro de seus participantes. Uma dessas dimensões é o envelhecimento saudável; afinal, viver mais não significa necessariamente viver bem. Iniciativas voltadas à promoção da saúde e da qualidade de vida, além de agregar valor à gestão e reforçar o papel social das entidades, geram um ciclo virtuoso de crescimento econômico, beneficiando o País como um todo.
Adiamento da mortalidade – O planejamento para um envelhecimento saudável e uma aposentadoria financeiramente bem-sucedida depende, em grande parte, da capacidade das pessoas em estimar, com a maior precisão possível, quanto tempo terão de vida, destaca David McCarthy, Professor de Gestão de Riscos e Seguros da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos. Ele analisou dois possíveis padrões de envelhecimento nos países industrializados: a mortalidade “comprimida” e a mortalidade “adiada” em idades avançadas.
No artigo de sua autoria intitulado “Mortality postponement and compression at older ages in human cohorts”, o estudioso destaca a abordagem inovadora utilizada para investigar a mortalidade de pessoas mais velhas em diferentes países. “Se estivéssemos chegando a um limite biológico máximo, seria de se esperar que, à medida que a mortalidade em idades menos avançadas diminui, a taxa de agravamento da mortalidade em idades mais elevadas aumentaria, preservando esse limite biológico. Mas não foi isso que encontramos”, explica McCarthy.
A taxa de aumento da mortalidade por idade desacelerou tanto entre as coortes nascidas na primeira metade do século XX quanto entre as coortes um pouco mais jovens, nota o especialista. “Isso sugere que a idade máxima de morte poderá aumentar de forma significativa nas próximas décadas, à medida que os sobreviventes dessas gerações atingem idades muito avançadas.”
McCarthy assinala que os cálculos-padrão de expectativa de vida são apenas referências das taxas de mortalidade esperada de uma população em determinado ano. “Esses dados só corresponderão à expectativa de vida real das pessoas se as taxas de mortalidade permanecerem inalteradas”, explica, acrescentando que os demógrafos utilizam essas medidas para mostrar que a expectativa de vida média aumentou porque mais pessoas estão vivendo mais tempo, “e não porque os mais velhos estão vivendo mais”.
Já os cálculos de dados de coorte, utilizados no estudo de sua autoria, analisam as mudanças na mortalidade que pessoas reais podem esperar ao longo da vida, à medida que as taxas de mortalidade se alteram. A pesquisa de McCarthy revela que tais mudanças condizem com o que os demógrafos chamam de “adiamento da mortalidade”, ou seja, quando a idade máxima de morte aumenta, e não de “compressão da mortalidade”, que é quando essa idade permanece fixa. “Os recordes de longevidade não aumentaram porque as pessoas que poderiam superá-los pertencem a coortes que ainda não passaram pelo processo de adiamento da mortalidade. Quando as novas gerações atingirem idades mais avançadas, é provável que esses limites sejam, de fato, ultrapassados.”
(Continua…)
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Fonte: Abrapp em Foco, em 26.12.2025.