
*Edição nº 464 (maio e junho de 2026) da Revista da Previdência Complementar – publicação da Abrapp, ICSS, Sindapp, UniAbrapp e Conecta.
Por Alexandre Sammogini
Sistema brasileiro no centro do debate mundial de políticas ASG – O maior fundo de Previdência Complementar da América Latina, a Previ, está presente mais uma vez no board do Principles for Responsible Investment (PRI) – uma das principais organizações internacionais que promove as práticas de investimentos ASG (ambientais, sociais e de governança). O Diretor de Investimentos da entidade, Cláudio Gonçalves, foi eleito no final do ano passado e começou a participar do conselho do PRI neste início de 2026.
Mais que uma conquista institucional, a eleição representa a oportunidade de ampliar a contribuição da Previ e dos fundos brasileiros para o fortalecimento de mercados financeiros mais sustentáveis, inclusivos e alinhados ao longo prazo. Reconhecido mundialmente, o PRI é uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) que atua para incentivar investidores institucionais a integrar fatores ASG ao centro de suas decisões, promovendo maior transparência, melhor gestão de riscos e geração de valor sustentável ao longo do tempo.
Segundo o Diretor, o propósito do investimento responsável conjuga desempenho financeiro com engajamento ativo, fortalecimento da governança corporativa e estímulo a práticas mais éticas, transparentes e sustentáveis nas empresas e nos mercados. “Quando falamos de investimento responsável, falamos de alinhar retorno financeiro com impacto positivo. Estar no board do PRI é uma oportunidade de colaborar para que esse entendimento avance globalmente”, diz.
Não é a primeira vez que a Previ está representada no board deste organismo. O ex-Diretor da entidade, Denísio Liberato, já tinha ocupado uma vaga entre janeiro de 2023 e setembro de 2025. Mesmo depois de deixar a diretoria da Previ para assumir uma posição na BB Asset, o executivo continuou como membro do conselho da organização.
Cláudio Gonçalves explica como surgiu a oportunidade para alcançar a vaga no conselho do PRI. “A Previ é signatária e fundadora do PRI na América Latina desde 2006 e, ao longo desses quase 20 anos, tem atuado de forma consistente no engajamento de fundos de pensão, gestores e empresas na adoção de práticas de investimento responsável. Essa trajetória inclui participações anteriores em instâncias de governança do PRI, o que consolidou a Previ como uma referência na promoção da agenda ASG”, lembra.
Sua eleição para o Conselho, na categoria Asset Owner, representa não apenas o reconhecimento desse histórico, mas também a oportunidade de ampliar a contribuição da Previ – e das fundações brasileiras e sul-americanas – para o fortalecimento de mercados financeiros mais sustentáveis e inclusivos. “Nossa região reúne desafios e oportunidades únicos, que exigem abordagens próprias para que o investimento responsável seja, de fato, efetivo. Levar essa perspectiva ao conselho é contribuir para que o PRI construa soluções mais inclusivas, conectadas aos contextos locais e capazes de gerar transformação real”, afirma.
Prioridades na atuação – Após a eleição e posse, Gonçalves participou de reuniões formais, incluindo o encontro presencial do board realizado na África do Sul, em março deste ano, além das reuniões do Comitê de Finanças, Auditoria e Compliance, do qual faz parte desde o início do mandato. Ele avalia que essa primeira experiência foi especialmente relevante para aprofundar o alinhamento estratégico entre os conselheiros, discutir as prioridades do PRI para o próximo ciclo e avançar em temas centrais da agenda ASGI, como governança, engajamento colaborativo e os desafios regionais do investimento responsável.
As prioridades devem se organizar em três eixos principais, diz Gonçalves. O primeiro é fortalecer a integração efetiva dos fatores ASGI às decisões de investimento, reforçando a visão de que risco ASGI é risco financeiro e que sua adequada gestão é parte central do dever fiduciário dos investidores de longo prazo.
O segundo eixo é ampliar o protagonismo dos mercados emergentes no debate global sobre investimento responsável, levando ao PRI as especificidades de países como o Brasil, onde o investimento institucional pode ser um vetor relevante de desenvolvimento econômico e social.
Por fim, o dirigente pretende contribuir para o avanço de práticas mais robustas de engajamento colaborativo, transparência e mensuração de resultados, ajudando o PRI a evoluir cada vez mais de uma agenda de princípios para uma agenda orientada à implementação e ao impacto concreto.
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Fonte: Abrapp em Foco, em 02.07.2026.