
*Edição nº 463 (março e abril de 2026) da Revista da Previdência Complementar – publicação da Abrapp, ICSS, Sindapp, UniAbrapp e Conecta.
Por Alexandre Sammogini
Sustentabilidade, menos discurso e mais pragmatismo – A aplicação dos critérios ASG (ambiental, social e de governança) pelas gestoras de recursos e instituições financeiras em geral entrou em uma nova etapa. Se antes havia maior entusiasmo, e até certo modismo, agora a indústria de gestão de investimentos passa a tratar o tema de forma mais crítica e pragmática. É o que aponta a interpretação dos resultados da 4ª edição da pesquisa Retrato da Sustentabilidade no Mercado de Capitais, realizada pela Anbima, que entrevistou 206 instituições associadas. Do total, 74% são gestoras de recursos (assets), 11% bancos, e 15% outras instituições, entre corretoras, distribuidoras e securitizadoras.
“O tema passa a ser tratado menos como discurso e mais como elemento concreto de avaliação de riscos, proteção do investidor e eficiência na alocação de capital, em linha com a evolução da regulação e da autorregulação”, explica Carlos Takahashi, Diretor da Anbima e Coordenador da Rede de Sustentabilidade da associação.
De acordo com o levantamento, 80% das instituições financeiras atribuem notas acima de 7 para a importância do tema e 63% afirmam que a pauta ganhou mais relevância nos últimos 12 meses. A importância conferida ao ASG, contudo, caiu da média de 8,2 na última edição da pesquisa, realizada em 2021, para 7,9 neste levantamento mais recente, com dados de 2025. “A leve queda na nota média mostra que o tema deixou de ser visto como novidade e caminha para se tornar cada vez mais parte do cotidiano das instituições”, analisa Takahashi. “Em 2021, o tema estava no auge da visibilidade, impulsionado pela pandemia, que mostrou o quanto era importante dar atenção às questões sociais e climáticas”.
Ele explica que o resultado geral indica que a sustentabilidade está cada vez mais incorporada à estratégia das instituições, embora avance em ritmos diferentes conforme o segmento ou o porte de cada casa. A pesquisa segmentou as instituições em cinco perfis em relação às questões ASG: Desconfiado (7%); Distante (38%); Iniciado (16%); Emergente (28%); e Engajado (11%).
Desde 2021, quando foi realizada a edição anterior, a principal mudança ocorreu entre os iniciados: o número de instituições nesse perfil caiu pela metade, de 32% para 16%. Os resultados indicam que essas casas migraram em duas direções: parte ganhou maturidade, evoluindo para os perfis mais avançados – emergente e engajado –, enquanto outra parte adotou posturas menos alinhadas ao tema, engrossando os grupos “distante” e “desconfiado”
Embora os grupos dos distantes e desconfiados ainda representem uma parcela significativa do mercado (45%), o principal crescimento ocorreu entre emergentes e engajados. Juntos, esses perfis avançaram 10 pontos percentuais, passando de 29% para 39%, enquanto desconfiados e distantes cresceram 6 pontos percentuais na mesma base de comparação.
Cenário mais desafiador – A pesquisa indica avanços consistentes na consolidação da agenda de sustentabilidade no mercado, mesmo em um contexto macroeconômico mais desafiador. “A comparação com 2021 mostra que as questões ESG deixaram de ser vistas como tendência e se consolidaram com um viés pragmático, se tornando uma ferramenta de gestão de riscos – parte do dever fiduciário da indústria”, reforça o Diretor da Anbima.
Em 2025, o mercado já vinha operando em um ambiente mais desafiador do ponto de vista macroeconômico, com juros elevados, turbulências internacionais e incertezas geopolíticas. Isso levou as instituições a avaliar o ASG de forma mais crítica, o que ajuda a explicar tanto a pequena oscilação da média quanto o aumento das notas mais baixas, sem que isso signifique um recuo estrutural da agenda.
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Fonte: Abrapp em Foco, em 15.04.2026.