
*Edição nº 462 (janeiro e fevereiro de 2026) da Revista da Previdência Complementar – publicação da Abrapp, ICSS, Sindapp, UniAbrapp e Conecta
Por Flávia Silva
Previdência desde a infância é aposta alemã para aliviar pressão demográfica – Berço da seguridade social contributiva, sistema inaugurado pelo Chanceler Otto von Bismark no final do século XIX, a Alemanha tem hoje um dos melhores regimes públicos do mundo. No entanto, o país também enfrenta desafios demográficos significativos, particularmente, o aumento acelerado da razão de dependência de idosos: em 1992, cerca de 2,7 trabalhadores financiavam os benefícios de cada aposentado. Em 2020, essa relação caiu para 1,8 e projeções indicam que, até 2050, chegará a 1,3 indivíduos em idade ativa para cada beneficiário.
Moritz Kraemer, Economista-Chefe e Diretor de Pesquisas do Banco LBBW, explica que a taxa de fecundidade caiu para uma média de 1,5 filho por mulher desde o início dos anos 1970, o que significa que cada nova geração é cerca de um quarto menor do que a anterior. “Até agora, apenas a imigração líquida impediu uma contração demográfica mais acentuada. Mesmo assim, a alíquota de contribuição para o sistema previdenciário permaneceu estável, em 18,6%, o mesmo nível de 1995”, observa.
O custo do aumento no número de beneficiários de aposentadorias e pensões foi, por muito tempo, compensado pela expansão do emprego e pelo crescimento real dos salários, que ajudaram a reforçar a arrecadação, continua o especialista. Todavia, os aportes do governo mantiveram curva ascendente, representando, hoje, o maior item individual de despesa do orçamento federal, com cifra superior a €90 bilhões em 2024. “Esses recursos financiam os benefícios de pessoas que contribuíram pouco ou nada para o sistema, incluindo muitos trabalhadores da antiga Alemanha oriental”, pondera Kraemer.
E a pressão só tende a aumentar. “Anos de estagnação econômica somados a questões demográficas devem limitar o crescimento do número de postos de trabalho com contribuição previdenciária”, alerta o especialista. O mais impactante, segundo Kraemer, é o início da fase de aposentadoria dos chamados baby-boomers – as grandes coortes nascidas na década de 1960. “Ignorar essa realidade não é uma opção”, afirma, categórico.
De acordo com um relatório do Ministério do Interior, a população economicamente ativa da Alemanha deve diminuir em 6,3 milhões de pessoas até 2030 em comparação a 2010. Estimativas do Departamento Federal de Estatísticas indicam que quase 30% da atual força de trabalho deverá se aposentar antes de 2036.
Valor preservado – Frente a esse cenário preocupante, em dezembro último, o Bundestag (parlamento alemão) aprovou a Lei BRSG II, destacando, no entanto, que se trata “apenas do início” de um processo reformador mais amplo, com continuidade prevista já para este ano. As mudanças aprovadas são controversas e, para muitos, inadequadas.
O valor médio das aposentadorias, que seria desvinculado da evolução dos salários a partir de 2026, permanecerá em 48% da renda média do trabalho até 2031. A partir daí, o índice deve recuar gradualmente para 46,3% até 2039. Projeções indicavam uma redução para 44,9% até 2040 caso a desvinculação fosse mantida.
Especialistas argumentam que a medida reverte parcialmente a reforma de 2005, concebida justamente para limitar o valor das aposentadorias caso o número de beneficiários aumentasse mais rapidamente que o de contribuintes ao sistema. Segundo dados oficiais, a decisão de preservar o valor dos benefícios pagos pelo regime de repartição terá um custo total de €122 bilhões até 2039.
(Continua…)
Clique aqui para ler a matéria completa na íntegra.
Fonte: Abrapp em Foco, em 12.02.2026.