
*Edição nº 461 da Revista da Previdência Complementar –
uma publicação da Abrapp, ICSS, Sindapp, UniAbrapp e Conecta
Entrevista com Marcelo Farinha, por Martha Elizabeth Corazza
Há poucos meses à frente da Petros, o Presidente Marcelo Farinha conduz a entidade em um momento de desafios e oportunidades para o sistema de Previdência Complementar. Com um patrimônio de R$ 146 bilhões até setembro deste ano, cerca de R$ 9 bilhões a mais que no encerramento de 2024, a fundação mantém sua estratégia conservadora em renda fixa e imunização das carteiras, ao mesmo tempo em que amplia a gestão ativa em renda variável, especialmente nos planos mais jovens, em busca de maior diversificação.
Nesta entrevista, Farinha detalha as prioridades da atual gestão, que incluem o equacionamento do déficit dos dois maiores planos de Benefício Definido (BD), o fortalecimento da transparência e da eficiência operacional, e o avanço de projetos voltados à inovação e à maturidade tecnológica da entidade.
O tema do equacionamento vem sendo tratado por uma comissão quadripartite, com representantes dos participantes, da patrocinadora e dos órgãos de supervisão. “Esse processo envolve diversas etapas e depende de alinhamentos, negociações e deliberações pelas instâncias de governança das partes interessadas, até que a proposta de solução seja apresentada.”
O dirigente acredita que o segmento vive uma fase de transição. “O setor está atento às transformações do mercado de trabalho, considerando a diversificação das formas de vínculo profissional”, afirma, destacando a necessidade de construir sistemas previdenciários mais democráticos e adaptáveis aos novos tempos.
Em sua apresentação no 46º Congresso Brasileiro de Previdência Privada, o senhor tratou da necessidade de reinvenção e de transformação da Previdência Complementar. Quais são as inovações mais relevantes já implementadas ou em planejamento na Petros?
Marcelo Farinha – Temos como prioridades três pilares para a gestão: melhorar a experiência do participante; a eficiência; e mitigação dos riscos. Estamos trabalhando para melhorar nossos sistemas e ferramentas a fim de elevar a qualidade dos serviços.
Contamos com um projeto específico para promover uma cultura de inovação, conectado aos nossos valores. Esse projeto inclui, por exemplo, a criação de um laboratório de inovação. A Petros já começou a usar inteligência artificial em algumas tarefas, automatizando atividades rotineiras e liberando as equipes para atividades mais estratégicas, com ganho de escala, eficiência e maior produtividade.
Temos ainda um projeto de maturidade tecnológica para modernização dos nossos sistemas previdenciários, com soluções mais atualizadas, arquitetura mais amigável, bases de dados mais acessíveis e tecnologias alinhadas à complexidade e especificidade dos nossos planos. Tudo para melhorar ainda mais a experiência dos nossos participantes.
Dadas as mudanças no mercado de trabalho, qual é a sua avaliação da importância de novos modelos previdenciários, como o de micropensões e outras iniciativas em discussão pelo mercado?
Marcelo Farinha – O setor está atento às transformações do mercado de trabalho, considerando a diversificação das formas de vínculo profissional. A Abrapp vem conduzindo de forma brilhante essas discussões e atuando para buscar sistemas previdenciários mais democráticos e adaptáveis às novas dinâmicas do trabalho. Inclusive, esse tema foi amplamente debatido no 46º Congresso.
Outra importante iniciativa é a Frente Parlamentar Mista para o Fortalecimento das Entidades Fechadas de Previdência Complementar, que visa modernizar os marcos regulatórios e ampliar a inclusão previdenciária. Soma-se a isso a educação financeira e previdenciária, uma frente estratégica e fundamental para conscientizar a população da importância da formação, desde cedo, de uma poupança de longo prazo para melhor qualidade de vida e bem-estar.
Frente às novas demandas da sociedade, qual deverá ser, em sua opinião, a prioridade das Entidades Fechadas de Previdência Complementar para buscar um modelo de poupança previdenciária que tenha um futuro sustentável?
Marcelo Farinha – Precisamos estar preparados para uma sociedade que vive mais. Com uma população mais longeva, a Previdência Complementar assume papel cada vez mais relevante, talvez ainda maior do que tinha nos anos 70, quando as entidades fechadas foram criadas.
A maior longevidade da população brasileira traz desafios, mas também grandes oportunidades de inovação e criação de produtos que possam gerar valor para o participante. Na Petros, a idade média dos nossos participantes é de 61 anos, e a expectativa de vida média alcança 88 anos – um número significativamente superior à média nacional, que é de 76 anos, segundo o IBGE. Além disso, mais de quatro mil assistidos possuem 90 anos ou mais e, desses, 126 são centenários.
As entidades precisam fortalecer a cultura de educação financeira e previdenciária, reforçando a importância de poupar hoje para desfrutar no futuro e, ao mesmo tempo, lançar mão de estratégias mais assertivas de retenção e atração, fortalecendo o negócio. Na Petros, temos o compromisso com a educação financeira e previdenciária por meio de um robusto programa, com uso de linguagem simples, acessível e em diferentes formatos.
(Continua…)
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Fonte: Abrapp em Foco, em 12.12.2025.