
*Edição nº 463 (março e abril de 2026) da Revista da Previdência Complementar – publicação da Abrapp, ICSS, Sindapp, UniAbrapp e Conecta.
Por Débora Diniz
Linguagem simples transforma-se em ferramenta estratégica – Clareza, objetividade e acesso à informação passaram a ocupar um lugar central na agenda institucional da Previdência Complementar brasileira, em linha com tendências observadas em diferentes países. Impulsionada pela recente Política Nacional de Linguagem Simples e por iniciativas regulatórias e institucionais lideradas pela Previc, a busca por uma comunicação mais direta e compreensível começa a ganhar espaço também entre as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC). Em um setor tradicionalmente marcado por terminologia técnica e documentos complexos, cresce a percepção de que tornar a informação mais acessível não é apenas uma exigência normativa, mas também um movimento estratégico para aproximar participantes, fortalecer a transparência e ampliar a compreensão sobre os planos previdenciários.
Estimuladas pela nova diretriz federal e por iniciativas da própria Previc para tornar a comunicação institucional mais clara e acessível, entidades do setor vêm revisando documentos, contratos, regulamentos e canais de atendimento com o objetivo de facilitar o entendimento dos participantes. Mais do que uma mudança de estilo, trata-se de uma resposta a um desafio estrutural: comunicar temas técnicos e complexos a um público cada vez mais diverso, reforçando a confiança e o engajamento no sistema previdenciário.
Desde a antiguidade – Embora muitas vezes associada apenas à simplificação de textos burocráticos, a linguagem simples é, na verdade, parte de um movimento internacional voltado à democratização da informação. A ideia central é que documentos institucionais sejam redigidos de modo que as pessoas consigam não apenas encontrá-los, mas compreendê-los e utilizá-los na prática. “A grande ideia da linguagem simples é que a informação seja fácil de encontrar, compreensível para o leitor, e que ele possa usá-la na vida real”, explica a linguista e pesquisadora Heloisa Delgado, consultora em linguagem acessível e não violenta.
O movimento tem raízes antigas. Já na Antiguidade, pensadores como Cícero defendiam que a comunicação deveria ser clara o suficiente para que as pessoas comuns pudessem compreender os discursos públicos. A consolidação contemporânea da linguagem simples, no entanto, ocorreu a partir da década de 1940, quando servidores públicos nos Estados Unidos e na Europa começaram a revisar documentos oficiais para torná-los mais compreensíveis aos cidadãos. Desde então, organizações internacionais e associações dedicadas ao tema passaram a difundir princípios e metodologias para tornar textos institucionais mais acessíveis.
No Brasil, o debate ganhou força sobretudo na última década e se intensificou durante a pandemia, quando a necessidade de comunicar informações complexas à população se tornou evidente. Heloisa Delgado destaca, porém, que o País ainda enfrenta desafios importantes nessa agenda, em razão da diversidade social e educacional da população. “Quando falamos do público brasileiro, precisamos considerar que grande parte das pessoas tem apenas o ensino fundamental completo e muitas vezes encontra dificuldades de interpretação de texto”, detalha.
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Fonte: Abrapp em Foco, em 24.04.2026.