
*Edição nº 463 (março e abril de 2026) da Revista da Previdência Complementar – publicação da Abrapp, ICSS, Sindapp, UniAbrapp e Conecta.
Por Débora Diniz
Abrapp leva debate sobre reforma estrutural da previdência aos presidenciáveis – A rápida transformação demográfica do Brasil e as profundas mudanças no mercado de trabalho voltaram a colocar no centro do debate a sustentabilidade do sistema previdenciário. Em meio a esse cenário, a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) concluiu a elaboração de um documento que será apresentado aos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. A iniciativa busca estimular uma reflexão estruturada sobre o futuro da previdência no País e abrir diálogo com as equipes econômicas que deverão formular propostas para o próximo ciclo de governo.
O documento, que deverá ser encaminhado aos presidenciáveis após a definição oficial das candidaturas, parte de um diagnóstico claro: o Brasil vive uma transformação demográfica profunda, marcada pelo rápido envelhecimento da população e pela redução da taxa de natalidade. Para o Diretor-Presidente da Abrapp, Devanir Silva, trata-se de um processo silencioso, mas de grande impacto sobre o sistema de proteção social. “Em poucas décadas deixamos de ser um país jovem para nos tornarmos uma nação que envelhece rapidamente. E a longevidade precisa ser segura, com autonomia. Isso exige que o Estado brasileiro esteja preparado para garantir proteção na velhice”, afirma.
Ao mesmo tempo, mudanças estruturais no mercado de trabalho ampliam os desafios. O crescimento da informalidade e o surgimento de novas formas de ocupação vêm reduzindo a base contributiva tradicional da previdência, o que pressiona a sustentabilidade do modelo vigente. Segundo Silva, milhões de trabalhadores hoje vivem à margem do sistema previdenciário. “Essas pessoas que hoje são invisíveis no sistema podem se tornar os excluídos de amanhã. Sem ajustes estruturais, transferiremos um problema enorme para as próximas gerações”, alerta.
A proposta da Abrapp busca justamente provocar esse debate antes mesmo da campanha eleitoral ganhar intensidade. “Queremos perguntar aos presidenciáveis se eles reconhecem que o modelo atual não está preparado para o envelhecimento acelerado da população e se estão dispostos a conduzir uma modernização estrutural da previdência, que combine proteção para os mais vulneráveis com mecanismos de capitalização que garantam sustentabilidade ao sistema”, explica o dirigente.
Em sua avaliação, a reforma aprovada em 2019 representou um avanço importante, mas não enfrentou plenamente os desafios estruturais. “A reforma de 2019 tratou basicamente de questões paramétricas. Ela equilibrou o orçamento por um período curto, mas não resolveu o problema de fundo. Sempre digo que o nosso problema não é apenas déficit, é o nível de gasto que temos para um país que ainda está envelhecendo”, argumenta.
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Fonte: Abrapp em Foco, em 22.04.2026