Primeiro encontro do CFM sobre a subespecialidade discute desafios da assistência

Os dilemas que afligem os médicos que atuam nos cuidados e tratamento de recém-nascidos no País são o tema do primeiro encontro do CFM sobre a subespecialidade da pediatria. Na abertura do encontro, o pediatra e coordenador da Câmara Técnica de Neonatologia do Conselho, Eduardo Jorge da Fonsêca Lima, destacou o propósito do evento, o de “contribuir para uma assistência neonatal mais segura, mais equânime e mais consistente, independentemente da região, do serviço ou do nível de complexidade”.
Também durante a abertura, a presidente da Sociedade de Puericultura e Pediatria do Maranhão (SPPMA), Marynea Silva do Vale, destacou a importância dos assuntos discutidos no encontro: “O tema central desse fórum traduz com precisão os dilemas contemporâneos da nossa especialidade”, avaliou a representante da Sociedade Brasileira de Pediatra e conselheira regional no CRM-MA.

Dando início à programação, a primeira conferência tratou do tema “Prematuridade Extrema: O Limite da Viabilidade e as Implicações Éticas no Cuidado”, apresentada pela pediatra Rita de Cássia dos Santos Silveira, professora titular do Departamento de Pediatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Durante a palestra, Rita de Cássia apresentou um panorama mundial sobre prematuros extremos e apontou dados que indicam tendências em morbidade e mortalidade e práticas de cuidados e aumento da taxa de sobrevida, em outros países. Quanto ao Brasil, a conferencista destacou que o país possui dados falhos, com baixos índices de sobrevida no segmento.
Cuidados Paliativos em Neonatologia – Dando continuidade às discussões, o fórum contou com mesa redonda sobre o tema. A primeira das conferências discutiu o tema Comunicação de Más Notícias e Suporte Parental, apresentada pela médica pediatra e neonatologista Alessandra Costa de Azevedo Maia. Conforme analisou a palestrante, “na neonatologia, a comunicação não é um momento. É um processo clínico”. Aos participantes do encontro, Alessandra destacou: “pais não se lembram de tudo o que foi dito, mas nunca esquecem como se sentiram”.

Os dilemas da Neonatologia nas tomadas de decisão compartilhadas foram também abordadas na mesa redonda, em conferência apresentada pela pediatra Ana Cláudia Yoshikumi Prestes, professora da disciplina da Pediatria Neonatal na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo. “A neonatologia envolve decisões de alto impacto, incerteza prognóstica e cenário tão amplo com desfechos variáveis”. A palestrante defendeu a importância do fortalecimento do vínculo e da comunicação empática com a família em sofrimento agudo. “Na primeira consulta, já vamos escutar mais do que falar, como esses pais estão entendendo o diagnóstico, os desejos das famílias, seus valores e crenças”.
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Encerrando a mesa redonda, a pediatra e neonatologista Lilia Maria Caldas falou sobre os Aspectos Bioéticos do Paliativismo em Neonatologia. A conferencista destacou a dificuldade em fazer prognósticos na neonatologia, a importância da compaixão com os pacientes e as diferenças culturais entre os pacientes atendidos no país.
Assista abaixo à íntegra do evento.
Câmara Técnica confirma Fórum da especialidade para o 1º semestre

Na tarde desta quinta-feira (29), integrantes da Câmara Técnica de Medicina de Emergência se reuniram para dar início aos trabalhos da especialidade neste ano de 2026.
Conduzido pelo 2º secretário do CFM e coordenador da Câmara Técnica de Medicina de Emergência, Estevam Rivello Alves, o encontro contou com a participação virtual de médicos representantes de todas as regiões do país. “Ficamos muito honrados com o quórum desta reunião, que reforça a importância crescente da especialidade”, afirmou Rivello.
Em pauta, a criação de Câmaras Técnicas de Medicina de Emergência nos Conselhos Regionais, a promoção de eventos na área e a formação médica. “Os resultados do Enamed mostram como é preocupante a situação de quem chega ao pronto-socorro, por exemplo; em casos emergenciais, o paciente não tem tempo de escolher quem vai lhe atender, mas ele espera que seja o melhor médico, com a melhor formação. Por isso, precisamos, também, fortalecer a qualidade do ensino”, apontou Maria Detanico, médica emergencista no Rio Grande do Sul.
A primeira iniciativa anunciada para 2026 é o Fórum da especialidade, que será promovido pelo Conselho Federal de Medicina no mês de abril. “Além das palestras e mesas-redondas, teremos a apresentação de trabalhos. Nosso objetivo é fomentar o estudo e a pesquisa de qualidade”, completou o coordenador da Câmara Técnica.
III Webinar da Integração do Médico Jovem debate IA, empreendedorismo e o papel das entidades médicas
Como a Inteligência Artificial pode ser uma aliada do médico jovem empreendedor? E o que as entidades médicas podem fazer para apoiar o recém-formado que sai da faculdade desempregado? Essas foram algumas das questões debatidas no III Webinar de Integração do Médico Jovem, realizado na tarde desta quinta-feira (29), em Brasília, que teve como tema central “Empreendedorismo, Inovação e Gestão”.
O evento já está disponível na internet e pode ser assistido AQUI.
Na abertura, o coordenador da Comissão de Integração do Médico Jovem, Bruno Leandro de Souza, enfatizou que os temas abordados no webinar preocupam hoje os médicos de todas as idades e não apenas os recém-formados, “pois a realidade nos impõe uma renovação contínua”. Argumentou, também, que hoje o empreendedorismo médico não é uma opção, mas uma necessidade.
Falando em nome do presidente do CFM, a 2ª vice-presidente da entidade, Rosylane Rocha, analisou o mercado de trabalho enfrentado pelos recém-formados, “cada vez mais complexo, com vínculos trabalhistas frágeis, pressões constantes e com rápidas inovações tecnológicas”, o que tem exigido do médico jovem “uma qualificação contínua” e uma preocupação diária com a gestão da carreira, empreendedorismo responsável e o uso ético e responsável das novas tecnologias.

Programação – “O papel das entidades médicas na proteção dos interesses da medicina e da sociedade” foi o tema da primeira palestra, proferida pelo membro da Câmara Temática do Médico Jovem do Conselho Regional de Medicina da Paraíba e secretário-geral do Sindicato dos Médicos paraibanos, Fernando Melo Neto. Em sua apresentação, ele mostrou as atribuições e competências de entidades como o sistema CFM/CRMs, Associação Médica Brasileira (AMB), Academia Nacional de Medicina (ANM), sindicatos e federações médicas.
“Os médicos precisam conhecer essas entidades. Todas, com suas características específicas e áreas de atuação distintas, trabalham em um único sentido: o fortalecimento da medicina e, em última análise, a proteção da sociedade”, defendeu Fernando Melo. Ele argumentou que hoje as entidades estão exercendo atividades múltiplas: o sindicato já orienta os médicos que atendem como pessoa jurídica e o sistema de conselhos fiscalizam estabelecimentos que não cumprem regras trabalhista, por exemplo, “sempre com o objetivo maior de defender a medicina”.

Gestão – A palestra seguinte foi dada pela consultora em gestão de clínicas médicas Thaísa Leite Rolim Wanderley, que defendeu uma maior apropriação, por parte dos médicos, dos assuntos relacionados ao empreendedorismo. “Não entender de gestão não torna o médico mais ético. Porém, o deixa mais vulnerável”, argumentou.
A palestrante ensinou que ao pensar em abrir uma clínica, o médico deve pensar na estrutura física, no fluxo de caixa, na formação de uma equipe capacitada “muitas vezes o médico perde pacientes porque a assistente não responde corretamente as mensagens de whatsapp” e nos dados e indicadores.
Também deve buscar o apoio de uma equipe de marketing especializada “é preciso quebrar o paradigma de que o bom médico não precisa aparecer nas redes sociais”, na gestão de processos, de um escritório de contabilidade e de advocacia.

Inteligência Artificial – “IA para o médico jovem: aspectos éticos” foi o tema da última palestra do evento, ministrada pela nefrologista e conselheira da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, Paula Fuscaldo Calderon. Em sua fala, ela enfatizou que a IA não vai substituir o médico, mas que será preciso usá-la a favor da medicina.
Disse, também, que seguir as indicações do algoritmo não isenta o médico das suas responsabilidades. “Temos de usar a IA para otimizar o nosso tempo, mas continua sendo nossa a responsabilidade pela prescrição”, enfatizou.
Ao final da apresentação, o coordenador da Câmara Técnica, Bruno Leandro, fez uma brincadeira e transmitiu uma pergunta que tinha sido formulada pelo Chat GPT para Paula Calderon. “Que tarefa clínica você nunca delegaria a uma IA e por quê?”, queria saber a inteligência regenerativa.
“O acolhimento, a relação médico-paciente, a confiança, são habilidades médicas que nenhuma IA conseguirá suprir. Num tratamento de um paciente com câncer, por exemplo, nós vamos mostrar os prós e os contras e deixaremos para o paciente decidir. Uma IA ficaria insistindo no ‘melhor tratamento clínico’. Quanto maior o avanço da IA, mais nós teremos de desenvolver as nossas habilidades clínicas, as quais nunca serão superadas pela máquina”, respondeu a médica.
Coincidência, ou não, o coordenador da Câmara Técnica perguntou para o Chat GPT o que ele achava que seria uma resposta de Cláudia Calderon à pergunta dele e resposta foi ao encontro do que ela falou anteriormente, ou seja, de que não se deve deixar à cargo de uma IA uma conduta que mude o destino do paciente.
Ao final do evento, Bruno Leandro reforçou o convite para o VI Fórum da Comissão de Integração do Médico Jovem, que será realizado nos dias 12 e 13 de maio, em Campina Grande, na Paraíba.
Temas como empreendedorismo, relações de trabalho, saúde e bem-estar e desenvolvimento da carreira também foram debatidos no I (link)e no II (link) webinares da Comissão de Integração do Médico Jovem e podem ser assistidos na página do CFM do YouTube.
Fonte: Portal CFM, em 30.01.2026.