Fórum do CFM debate integração, epidemiologia e logística na saúde de fronteiras

A programação da manhã do I Fórum Internacional e do VI Fórum de Médicos de Fronteira do Conselho Federal de Medicina (CFM), iniciado nesta quarta-feira (29), em São Luís (MA), reuniu especialistas para discutir desafios estruturais e soluções práticas voltadas à assistência em regiões fronteiriças. Os debates abordaram desde a organização dos sistemas de saúde até a logística de atendimento e as especificidades culturais das populações atendidas.
Na aula magna que abriu a programação, o coordenador do projeto HÄMY, Gumercindo Leandro da Silva Filho, destacou a complexidade da saúde nas fronteiras, que abrangem 15,7 mil quilômetros, 588 municípios e cerca de 12 milhões de pessoas. “A resposta em saúde não pode ser uniforme onde a população é plural. Precisamos sair daqui com medidas concretas para melhorar a assistência nesses territórios”, afirmou. O palestrante defendeu a integração regional, o uso estratégico da telessaúde e iniciativas como o corredor de imunização e a cooperação entre países. “Nas fronteiras, cuidar é integrar”, resumiu.
No Painel 1, dedicado à epidemiologia nas fronteiras, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Maranhão, José Albuquerque de Figueiredo Neto, apresentou um panorama da saúde indígena no estado, destacou a ação fiscalizatória do Conselho e apontou fragilidades estruturais das unidades que prestam atendimento. “A medicina de fronteira não exige apenas coragem clínica, mas também recursos. Fiscalizar é cuidar”, afirmou, ao relatar irregularidades administrativas e riscos à qualidade da assistência.
Ao tratar da cooperação binacional, a presidente da Associação de Médicos do Alto Paraná, Idalia Medina, destacou a sobrecarga dos serviços na tríplice fronteira e a necessidade de integração entre países. “As enfermidades seguem as regras da biologia. A segurança sanitária não se constrói com barreiras, mas com pontes de cooperação”, disse, ao defender regulação conjunta, corredores sanitários e protocolos compartilhados.
Já Edén Galan-Rodas, vice-presidente da Rede Peruana de Saúde Coletiva, abordou os desafios da população migrante, marcada por barreiras administrativas, tecnológicas e culturais. “Estamos diante de um sistema em tensão, com mais demandas, menos recursos e fuga de profissionais”, afirmou, ao destacar a necessidade de inclusão sanitária, retenção de talentos e fortalecimento da infraestrutura.
No Painel 2, voltado à logística de transporte de paciente em áreas de fronteira, o inspetor de saúde da 12ª Região Militar, Cel. Med. Alessandro Sartori Thies, destacou o papel das Forças Armadas na assistência em áreas remotas. “Na Amazônia, os rios são as nossas estradas. Levar atendimento e transportar pacientes exige estrutura, capilaridade e preparo especializado”, afirmou, ao apresentar dados de atendimentos e operações aeromédicas e fluviais.
A diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena da SESAI, Putira Sacuena, chamou atenção para os desafios estruturais e culturais na remoção de pacientes. “Não se trata apenas de logística, mas de compreender o território, a cultura e o cuidado. A saúde precisa ser falada de outro lugar”, afirmou, defendendo a revisão das estratégias de atendimento.
Encerrando o painel, a consultora da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, Maria Cristina Hoffman, enfatizou a dimensão relacional do cuidado em saúde nas fronteiras. “O cuidado efetivo depende do reconhecimento das culturas e da construção de vínculos. Protocolos precisam dialogar com a realidade das populações”, afirmou, ao defender redes integradas, sistemas interoperáveis e cooperação internacional.
A primeira manhã do fórum destacou a necessidade de integrar políticas, fortalecer a cooperação entre países e adaptar estratégias às realidades locais, apontando que o enfrentamento das desigualdades em saúde nas fronteiras passa por soluções combinadas — clínicas, logísticas e culturais. Para acompanhar as discussões na íntegra, acesse aqui.
CFM abre Fórum Internacional e destaca desafios e soluções para a saúde nas fronteiras
O Conselho Federal de Medicina (CFM) abriu, nesta quarta-feira (29), em São Luís (MA), o I Fórum Internacional e o VI Fórum de Médicos de Fronteira, com foco nas desigualdades em saúde e na construção de estratégias para regiões de difícil acesso. Na mesa de abertura, representantes do Sistema Conselhos e de organismos internacionais ressaltaram a necessidade de integrar conhecimento técnico, respeito cultural e cooperação institucional.

Ao declarar abertos os trabalhos, o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, destacou a relevância do encontro e homenageou a médica Dilza Teresinha Ambrós Ribeiro, pela atuação em áreas remotas. “Ela sabe como fazer medicina em regiões com pouca infraestrutura e população carente de cuidados”, afirmou, ao defender o compromisso com uma assistência digna.

Representando a Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde, Maria Cristina Hoffman ressaltou que as fronteiras concentram vulnerabilidades e exigem respostas integradas. “Precisamos transformar as fronteiras em pontes de cuidado, com respeito às culturas e compromisso contínuo com as comunidades”, disse.

Coordenadora da Comissão de Médicos de Fronteira, Dilza Teresinha Ambrós Ribeiro destacou os avanços na produção de dados e na articulação de ações voltadas às populações vulneráveis. “A realidade das fronteiras é diferente, e nós, enquanto médicos, podemos — e precisamos — ajudar essas populações”, afirmou.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Maranhão, José Albuquerque de Figueiredo Neto, defendeu uma abordagem que vá além da técnica. “É preciso dialogar com os saberes dos povos e construir uma medicina mais inclusiva, sensível e justa”, pontuou.

O conselheiro federal Nailton Jorge Ferreira Lyra chamou atenção para a complexidade do tema. “As fronteiras não se limitam às linhas do mapa. Envolvem fluxos migratórios, escassez de recursos e exigem responsabilidade na tomada de decisões”, afirmou. Já a conselheira federal suplente Leopoldina Milanez da Silva Leite destacou o papel dos profissionais que atuam em áreas de difícil acesso. “A medicina de fronteiras exige mais do que tecnologia: exige respeito, escuta e compromisso com a dignidade humana”, disse.

Ao longo das falas, os participantes convergiram na defesa de uma atuação integrada, sensível às especificidades culturais e sociais, e orientada pela redução das desigualdades em saúde, reforçando o papel estratégico do Fórum na formulação de políticas e práticas voltadas às populações de fronteira. Para assistir as discussões do primeiro dia do evento, clique aqui.
Jornal britânico reverbera as críticas do CFM à má formação dos médicos brasileiros
Um em cada três recém-formados em medicina no Brasil não domina os conhecimentos necessários para exercer a prática médica. Os dados, obtidos no último Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), foram expostos em um artigo publicado no BMJ (British Medical Journal), publicação britânica especializada em assuntos médicos.
O artigo apresenta os dados do Enamed, traz uma entrevista com o conselheiro federal Alcindo Cerci Neto e evidencia a necessidade de criação do ProfiMed como forma de assegurar que médicos ingressem no mercado com a qualificação mínima exigida, em proteção à sociedade e ao exercício ético da medicina.
Saiba mais sobre a publicação nas redes sociais do CFM.
CFM pede ao STF restabelecimento de resolução sobre assistolia fetal

O Conselho Federal de Medicina (CFM) voltou a defender que o Supremo Tribunal Federal (STF) restabeleça a Resolução nº 2.378/2024, que veda a prática de assistolia fetal em gestações a partir de 22 semanas. A norma estabelece limites éticos para a atuação médica em situações nas quais já há possibilidade de vida fora do útero (depois de 22 semanas).
Para o presidente do CFM, José Hiran Gallo, a medida é necessária diante da gravidade do procedimento. “A assistolia fetal mata bebês com injeção direta em seus corações e dentro do útero materno. Por isso, o CFM clama que a resolução seja restaurada pelo plenário da Suprema Corte”, afirmou.
Gallo lembrou que o tema já foi objeto de manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, que, em parecer encaminhado ao STF, indicou não haver impedimento para a vigência da norma. “No Brasil, a prática é vedada em animais desde 2012 por ser considerada cruel, mas permanece permitida em humanos, o que reforça, evidentemente, a necessidade de revisão”, disse.
De acordo com o presidente, o CFM busca assegurar parâmetros éticos para a medicina, reiterando a defesa da vida, da prática médica responsável e da segurança jurídica na atuação dos profissionais de saúde.
CFM reforça importância da vacinação na Semana Mundial de Imunização

Na Semana Mundial de Imunização, o Conselho Federal de Medicina (CFM) destaca que vacinar é um direito da população e um compromisso coletivo. A entidade alerta que, diante da queda das coberturas vacinais, é essencial fortalecer a confiança na ciência e ampliar o acesso à informação qualificada.
Para o presidente do CFM, José Hiran Gallo, a imunização é uma medida central de proteção em saúde pública. “Vacinar é um direito da população e um compromisso coletivo. Manter o calendário em dia e buscar orientação segura protege não só o indivíduo, mas toda a sociedade brasileira”, afirma.
O conselheiro Eduardo Jorge da Fonseca reforça que o enfrentamento à desinformação passa pela valorização de fontes confiáveis. “Diante da queda nas coberturas vacinais, informação qualificada e confiança na ciência são fundamentais para enfrentar a desinformação. O CFM convida à reflexão: você tem feito sua parte para fortalecer a cultura da imunização?”, questiona.
O Conselho orienta a população a manter o calendário vacinal atualizado e a buscar sempre orientação segura com profissionais de saúde, como forma de proteção individual e coletiva.
Fonte: Portal CFM, em 29.04.2026.
