CFM aprova novo tratamento para o câncer de próstata

Homens com câncer de próstata terão mais duas opções para o tratamento da neoplasia: o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação. O uso das duas terapias focais foi autorizado pela Resolução CFM nº 2.457/26, publicada hoje (27) no Diário Oficial da União, a qual regulamenta a indicação e execução dos dois procedimentos.
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A vantagem da terapia focal é que ela permite a ablação, ou seja, a destruição local de áreas afetadas pela neoplasia com margem de segurança, poupando os tecidos adjacentes e com menos efeitos colaterais. O relator da nova norma do CFM, conselheiro federal e urologista José Elêrton Secioso de Aboim, informa que a terapia focal não é o tratamento primário padrão ouro para o câncer de próstata, mas que pode ser muito resolutiva em alguns casos, , com a vantagem de que produz menos efeitos colaterais.
“É uma técnica menos invasiva, capaz de controlar ou até curar o câncer, com menos impactos negativos na qualidade de vida, especialmente em relação às funções sexual e urinária”, explica. “A terapia focal tem como propósito oferecer um tratamento oncológico eficaz, preservando as estruturas adjacentes à próstata e, consequentemente, a função sexual e a continência urinária”, complementa Aboim.
Indicações – Porém, nem todos os casos são indicados para receber o tratamento. De acordo com a Resolução CFM nº 2.457/26, as terapias focais devem ser indicadas para pacientes com câncer de próstata de risco intermediário favorável, unifocal e unilateral, não podendo haver discordância de lateralidade entre os exames de imagem e o anatomopatológico. É vedada a realização dos procedimentos em pacientes com câncer de próstata de risco intermediário desfavorável, alto e muito alto.
A Resolução estabelece que a terapia focal pode ser indicada para o tratamento de resgate de pacientes tratados previamente com radioterapia externa ou braquiterapia e, excepcionalmente, em casos bem selecionados, para pacientes com câncer de próstata de baixo risco que apresentarem lesões de grande volume ou não forem aderentes à vigilância ativa.
Revisão – O texto do CFM recomenda que os pacientes submetidos à terapia focal devem realizar dosagem de PSA a cada três meses durante um ano. Nos dois anos seguintes, o controle deve ser feito a cada seis meses, passando a ser anual após esse período. Os pacientes também devem realizar biópsia prostática randômica e sistemática entre seis meses e doze meses após o tratamento, para comprovação da eficácia imediata. Também devem realizar ressonância magnética multiparamétrica da próstata anualmente.
De acordo com a Resolução CFM nº 2.457/26, continuam sendo realizadas como experimentais ou investigacionais e de acordo com o sistema de Comitês de Ética em Pesquisa da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CEP/Conep) as seguintes terapias focais: fotodinâmica, eletroporação irreversível, ablação a laser focal e ablação transuretral da próstata com ultrassom (Tulsa).
CFM abre fórum para debater impactos da nova lei da acupuntura no Brasil


O Conselho Federal de Medicina (CFM) abriu, nesta terça-feira (27), o I Fórum da Câmara Técnica de Acupuntura, que reúne médicos, representantes do Ministério da Saúde, operadoras de planos de saúde, entidades médicas e parlamentares para discutir os impactos da Lei nº 15.345/2026, que regulamentou o exercício da acupuntura no Brasil.
Com o tema central “A nova era da acupuntura médica no Brasil”, o encontro acontece em formato online, com transmissão pelo Zoom para inscritos e pelo canal do CFM no YouTube. O debate busca analisar os reflexos da nova legislação sobre a prática médica, a segurança do paciente e a organização da assistência em saúde.
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Na abertura do evento, o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, destacou que o Conselho seguirá atuando em defesa das especialidades médicas e da segurança da população. “O CFM está e sempre esteve ao lado das 55 especialidades médicas. Assim como todas as outras, a Acupuntura conta com nosso reconhecimento por sua importância histórica, científica e assistencial no país”, afirmou.
Ao comentar a nova legislação, Gallo ressaltou que a autarquia acompanhará atentamente sua aplicação. “Buscaremos impedir que traga impacto negativo à segurança no atendimento da população, na observação aos princípios de base da ética e no respeito às competências médicas exclusivas”, declarou.
O presidente do CFM também reforçou que, para a entidade, a Acupuntura envolve diagnóstico, prescrição e avaliação clínica, etapas que exigem formação médica adequada. “Ao defender o ato médico na Acupuntura, também defendemos a formação adequada dos seus especialistas, com a realização do diagnóstico nosológico e prescrições decorrentes feitas por médicos com atuação ética e responsável”, disse.
O presidente também anunciou o lançamento da Plataforma Medicina Segura, iniciativa do CFM destinada ao recebimento de relatos sobre danos causados por atendimentos realizados por não médicos em procedimentos privativos da medicina. “Esses atos que causam adoecimento, sequelas e mortes serão levados à Polícia, à Vigilância Sanitária e ao Ministério Público em busca de punição dos culpados”, afirmou.
O coordenador da Câmara Técnica de Acupuntura do CFM e 2º tesoureiro da autarquia, conselheiro federal Carlos Magno Pretti Dalapicola, ressaltou que o fórum foi concebido como um espaço de diálogo sobre os desafios trazidos pela nova legislação.
“O Conselho Federal de Medicina entende que a acupuntura, por ser um procedimento invasivo, é um ato médico e deve ser realizado por médicos. Apesar do trabalho do CFM, o Congresso Nacional aprovou uma lei que amplia para outros profissionais a realização da acupuntura”, declarou.
Segundo Dalapicola, o objetivo do encontro é construir um posicionamento técnico e institucional diante da nova realidade. “Precisamos entender como essa nova situação impactará o dia a dia dos consultórios médicos, o credenciamento junto aos planos de saúde, a sustentabilidade do setor e, acima de tudo, o acesso do paciente a um tratamento seguro, ético e baseado em evidências científicas”, afirmou.
A programação do fórum inclui debates sobre os impactos da Lei nº 15.345/2026 para os médicos, o posicionamento de entidades médicas, operadoras de saúde, seguradoras e do Ministério da Saúde, além de discussões jurídicas e institucionais sobre a regulamentação da acupuntura no Brasil.
CFM orienta que diagnósticos graves em exames específicos sejam comunicados pelo médico

É adequado que um paciente receba diretamente o resultado de seu exame, como por exemplo uma biópsia indicativa de um câncer grave, diretamente do laboratório de anatomia patológica? Foi esta pergunta que o parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM) de número 21/2026 procurou responder para reafirmar que o mais apropriado é estabelecer um procedimento onde o médico informa o resultado ao paciente, priorizando a segurança emocional e assistencial.
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O documento trata da comunicação de diagnósticos graves identificados em exames anatomopatológicos e reforça que a entrega de laudos críticos deve ocorrer com responsabilidade, acolhimento e contextualização clínica. De acordo com o texto, o médico anatomopatologista deve comunicar o resultado ao médico assistente, que então deve informar o paciente.
Relatado pela conselheira federal Maíra Dantas, o parecer destaca que o laudo anatomopatológico constitui documento de interconsulta médica e que sua correta interpretação depende da integração com dados clínicos, radiológicos e laboratoriais. Nesse contexto, o CFM considera que a comunicação de diagnósticos graves configura ato médico qualificado, devendo ser realizada, preferencialmente, pelo médico assistente escolhido pelo paciente.
Impactos emocionais – A análise leva em consideração não apenas o dever de informar previsto no Código de Ética Médica, mas também os impactos emocionais envolvidos na transmissão de más notícias. Segundo o parecer, informações sensíveis comunicadas sem preparo ou acolhimento adequado podem gerar sofrimento psicoemocional relevante e comprometer a experiência do paciente durante o cuidado em saúde.
O documento também ressalta que a preocupação com a forma da comunicação não deve atrasar o início do tratamento. Por isso, o CFM recomenda que laboratórios estabeleçam protocolos objetivos para resultados considerados críticos, assegurando rapidez na comunicação entre patologistas e médicos assistentes.
Interpretação equivocada – De acordo com o parecer, embora o paciente tenha direito de acesso ao próprio exame, a simples retirada do laudo não se confunde com a comunicação técnica do diagnóstico. Nesses casos, o CFM recomenda que os laboratórios adotem advertências escritas orientando o paciente a não interpretar autonomamente o documento e a procurar imediatamente o médico assistente.
Entre as recomendações aos laboratórios, o parecer orienta que seja obtida, por escrito, a indicação do médico assistente responsável pelo acompanhamento do paciente, além da criação de protocolos institucionais que definam critérios para resultados críticos e prazos de resposta compatíveis com a gravidade dos casos.
O CFM reforça que o fluxo tecnicamente mais adequado é aquele em que o médico patologista comunica rapidamente o resultado crítico ao médico assistente, permitindo que o paciente receba a notícia de forma humanizada, contextualizada e com definição de plano terapêutico, preservando tanto a tempestividade quanto a qualidade da assistência médica.
Evento com apoio do CFM debate medidas para reduzir os sinistros com motociclistas no Brasil

Responsáveis por cerca de 60% das internações por acidentes viários no Brasil, os acidentes com motos, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), consumiram, em 2024, mais de R$ 270 milhões das despesas públicas hospitalares. Para debater essa situação, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) realizou na tarde desta terça-feira (26), com o apoio do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), o Fórum Duas Rodas: Ciência para Salvar Vidas.
Na abertura, o presidente do CFM, Hiran Gallo, enalteceu o trabalho da SBOT, que tem alertado, junto com Abramet, para os índices de mortalidade causados pelos acidentes de trânsito. “Em Rondônia, meu estado, 70% das internações são por traumatismo, a maioria em decorrência de acidentes com motos. Por isso esse evento é tão importante, pois permite que este problema seja debatido”, afirmou.

“A moto é o veículo que mais fere e mata no Brasil. Nós, como médicos, temos o dever de fazer alertas e apoiar campanhas de esclarecimento”, afirmou o presidente da SBOT, Paulo Lobo. “Não estamos conseguindo realizar as cirurgias eletivas porque os leitos estão ocupados com os pacientes politraumatizados”, complementou o diretor da Comissão de Campanhas Públicas e Responsabilidade Social da SBOT, Marcos Musafir. “Os acidentes com motos são hoje um problema de todo o Brasil, até em cidades pequenas há uma sobrecarga do sistema de saúde devido a esses pacientes”, pontuou o 2º secretário do CFM, Estevam Rivello.
Pesquisa – Durante o evento, Paulo Lobo apresentou o resultado de uma pesquisa feita pela SBOT com ortopedistas. A pesquisa mostrou que 64% das vítimas eram os motoqueiros, 26%, passageiros e 10%, pedestres. Também constatou que 34% dos acidentados ficaram com sequelas permanentes e 40% tinham entre 20 a 29 anos. Em consonância com a pesquisa do IPEA, o levantamento da SBOT constatou que 66% dos sinistros eram causados por acidentes com moto.

Marcos Musafir também apresentou as conclusões de uma enquete nacional feita pela SBOT. O trabalho concluiu que 53% dos acidentados estavam trabalhando no momento do acidente e que os principais locais foram cruzamentos (26%), pontos cegos (23%) e falta de sinalização (13%). Entre as causas dos acidentes, estavam imprudência (92%), excesso de velocidade (83%) e baixa fiscalização (58%). “Temos de fazer campanhas de conscientização para respeitar essa situação”, defendeu.

O presidente da Abramet e conselheiro federal, Antônio Edson Souza Meira Júnior, falou sobre o que pode ser feito para mudar a situação atual. “Uma das propostas da Abramet é que o acidente de trânsito seja um agravo de notificação compulsória. Ele é sinistro que precisa constar nos registros de saúde. Hoje há uma subnotificação muito grande”, argumentou. Foi dado o exemplo de um acidente que gera uma fratura de fêmur, que não é notificado como um sinistro de trânsito.
O conselheiro do CFM também defendeu uma articulação junto ao Congresso Nacional para a aprovação de leis que tragam mais segurança no trânsito. “Temos de procurar os parlamentares que defendem a causa da segurança nas estradas”, afirmou Antonio Meira. A medida provisória 1.360/26, que facilita o registro das atividades de moto-frete e mototáxi foi muito criticada durante o evento, principalmente por representantes dos trabalhadores desse segmento. “A MP deveria exigir que o candidato a moto-frentista fizesse um curso de pilotagem defensiva”, defendeu o presidente do Sindmoto-DF, Luiz Carlos Garcia.
Ao final do evento, Marcos Musafir informou que as propostas apresentadas no evento farão parte de um único documento, a ser entregue futuramente às autoridades governamentais e ao Congresso Nacional.
CFM e Royal College Canada International firmam acordo para fortalecimento da educação médica

O Conselho Federal de Medicina (CFM) firmou, nesta terça-feira (26), acordo de cooperação com a Royal College Canada International (RCCI), uma das mais renomadas instituições de educação médica e certificação profissional do mundo. O documento, assinado pelo presidente do CFM, José Hiran Gallo, e pelo diretor de Operações do RCCI, Craig Ceppetelli, ocorre em meio à tramitação, no Senado Federal, do projeto de lei que institui o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (ProfiMed) no Brasil. O presidente do RCCI, Anurag Saxena, também, participou da cerimônia.
A parceria tem como foco o intercâmbio de experiências e o desenvolvimento de iniciativas voltadas ao fortalecimento da formação médica, da avaliação profissional e da certificação de competências, contribuindo para ampliar a segurança assistencial e a qualidade da medicina oferecida à população brasileira.
Entre os principais eixos da cooperação está o apoio técnico e institucional ao desenvolvimento do ProfiMed, exame defendido pelo CFM como instrumento de garantia da qualidade da formação médica no País. A experiência canadense em avaliação e certificação profissional deverá contribuir para o aprimoramento das discussões em torno da prova, atualmente em análise no Congresso Nacional.
“Essa aproximação com uma das principais instituições internacionais de certificação médica representa um avanço estratégico para a medicina brasileira. O objetivo do CFM é fortalecer mecanismos que assegurem qualidade na formação, atualização profissional e segurança da assistência prestada à população”, afirmou Gallo.
O presidente Saxena reforçou esse compromisso: “Uma educação médica de qualidade está vinculada a uma assistência médica de qualidade. E pude perceber que o CFM está muito preocupado com a qualidade do ensino médico no país. Me sinto honrado de estar aqui hoje, firmando esse acordo. Quando trabalhamos juntos, aprendemos um com o outro. Tenho certeza que será uma parceria longa”.
Saeme CFM – Além disso, o acordo prevê colaboração em iniciativas ligadas à acreditação e certificação médica conduzidas pelo CFM, como o Sistema de Acreditação de Escolas Médicas (Saeme), reconhecido internacionalmente pela World Federation for Medical Education (WFME).
“O SAEME é um braço do processo de medidas que o CFM tem adotado internacionalmente, na defesa das melhores práticas médicas nos últimos anos. Nós temos uma série de outras parcerias, por exemplo, com a IAMRA (International Association of Medical Regulatory Authorities); com a Universidade do Porto, com um programa de doutorado em Bioética que é o segundo maior programa do mundo; e com os países que falam a língua portuguesa. A cooperação com o Royal College do Canadá, talvez, seja, neste momento, o ápice dessas nossas parcerias em relação ao que nós temos no mundo”, destacou Mauro Ribeiro, tesoureiro do CFM e conselheiro federal responsável pelo SAEME-CFM.
Na ocasião, o diretor também anunciou um projeto de expansão do SAEME com a criação de um sistema de acreditação para as Residências Médicas. O que também vai ser beneficiado com essa cooperação.
Ações – O acordo também prevê a realização de workshops, conferências, atividades científicas, intercâmbio acadêmico e projetos conjuntos nas áreas de pós-graduação médica, avaliação profissional e pesquisa. “Estamos construindo pontes internacionais importantes para o desenvolvimento científico e educacional da medicina brasileira, sempre com foco na qualidade da assistência e na proteção da sociedade”, destacou o conselheiro federal Alcindo Cerci, coordenador do Departamento de Ciência e Pesquisa do CFM e coordenador da Comissão de Ensino Médico do CFM.
A expectativa é que a cooperação internacional contribua para a construção de novos programas conjuntos de avaliação, qualificação e certificação, oferecendo à população brasileira maior segurança e transparência sobre a formação e as competências dos médicos que realizam seu atendimento.
O diretor Ceppetelli afirma entusiasmo para as próximas ações: “Após a conversa desta manhã, saio daqui energizado. Ficou claro que temos muitas similaridades em nossas atividades e, também, em nossos desafios. Todos queremos ver esse projeto ser um sucesso”.
A cooperação terá vigência inicial de três anos, podendo ser renovada mediante concordância entre as partes, sempre respeitando a autonomia institucional, as legislações brasileira e canadense, a proteção de dados pessoais e a propriedade intelectual das entidades envolvidas.
CFM debate nesta quarta-feira os impactos da nova lei
Fonte: Portal CFM, em 27.05.2026.