
Os posteres da 16ª Conferência são exibidos em displays sensíveis ao toque, permitindo maior interatividade do público com o trabalho científico
A 16ª Conferência Mundial de Bioética, Ética Médica e Direito Médico, que acontece entre 24 e 26 de julho, na sede do Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília (DF), conta também com importantes comunicações científicas de participantes do encontro em formato de pôsteres digitais. Um total de 61 trabalhos foram inscritos e verificados pelo Comitê Científico da Conferência Mundial para serem exibidos em uma mostra criada pelos organizadores.
Com a apresentação no encontro internacional, os pôsteres se tornam uma referência na troca de conhecimentos e experiência, promovendo a partilha entre excelentes profissionais nas áreas de ética, bioética e legislação em saúde. Temas como desafios no processo de morte encefálica e deveres e direitos dos profissionais de saúde durante uma pandemia, entre outros assuntos, são tratados nos trabalhos, apresentados por profissionais da Medicina e do Direito de diversos países. No grupo, se destacam em número representantes do Brasil, Portugal e Japão.
As temáticas abordadas pelos autores abrangem uma ampla gama de tópicos dentro da ética, bioética e direito médico. Segundo a professora Natália Oliva Teles, doutora e mestre em Bioética (2012) e Ética Médica pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em Portugal, essa diversidade permite uma rica troca de conhecimentos e experiências entre os participantes. A apresentação dos pôsteres aconteceu no primeiro dia da Conferência, no período da manhã, e também em outros momentos do encontro internacional.
Para garantir maior compartilhamento de conhecimentos entre os participantes, tanto as apresentações quanto os pôsteres foram estruturados e são apresentados em inglês, com algumas sessões especiais em português/inglês.
Pôsteres digitais – Os trabalhos são apresentados no encontro em 22 displays. Nesta edição, a exibição poderá ser vista inclusive após o evento, na publicação digital dos Anais do 16º Congresso Mundial. “Pela primeira vez, o documento será em formato eletrônico, onde estarão reunidos os abstracts das conferências apresentadas e também os pôsteres”, explica o professor Rui Nunes, presidente da Cátedra Internacional de Bioética (International Chair in Bioethics) ligado à Unesco e presidente da 16ª Conferência.
Professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em Portugal, Rui Nunes destaca a importância da inclusão dos pôsteres no documento digital e também sobre a tradução das conferências e trabalhos apresentados no evento. Na sua avaliação, essas medidas permitirão ao Congresso promover uma distribuição justa do conhecimento gerado em nível global, “para que diferentes povos possam receber informações compartilhadas no encontro”.
Conferência mundial – O maior encontro internacional sobre bioética e direito da saúde acontece na sede do Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília, nesta quarta, quinta e sexta-feira (24, 25 e 26 de julho). Essa é a primeira vez que a atividade acontece no continente americano.
O encontro tem a participação de 500 inscritos, entre eles, médicos, advogados, psicólogos, professores, investigadores e juízes, do Brasil e de Portugal, Alemanha, Argentina, Austrália, Bangladesh, Bulgária, Chile, Emirados Árabes Unidos, Eslovénia, Estados Unidos, Índia, Irlanda, Itália, Reino Unido, Filipinas, Bélgica, Colômbia, Bósnia e Herzegovina, Japão, Israel, Espanha e Roménia. Entre os palestrantes, 90 são brasileiros e outros 121 vindos do exterior.
Autoridades mundiais reconhecem a importância das discussões bioética em encontro no CFM





“É com grande honra que represento o Conselho Federal de Medicina nesta solenidade de abertura de um evento que coloca o nosso País, e sua capital, Brasília, definitivamente no radar dos maiores especialistas que se dedicam ao estudo dos temas que aqui abordaremos. Ao abrir as portas da Casa do Médico Brasileiro, selamos publicamente – mais uma vez – o compromisso destes profissionais com os princípios éticos e bioéticos que orientam a medicina”. Assim o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, abriu a 16ª Conferência Mundial de Bioética, Ética Médica e Direito Médico.
Pela primeira vez no continente americano, a Conferência começou na quarta-feira (24), às 10h, na sede do Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília (DF), com 211 palestrantes de 23 países e quase 500 pessoas inscritas para participar. O encontro, que chega à sua 16ª edição e se encerra na sexta-feira (26), oferecerá aos participantes uma plataforma internacional para debates científicos qualificados sobre mais de 70 tópicos e subtópicos em diferentes áreas.
VEJA O VÍDEO DO PRIMEIRO DIA AQUI
Entre os palestrantes, cerca de 90 são brasileiros. Os outros 121 expositores são oriundos de Portugal, Estados Unidos, Argentina, Bangladesh, Índia, Emirados Árabes Unidos, Bulgária, Alemanha, Irlanda, Austrália, Itália, Eslovénia, Chile, Reino Unido, Filipinas, Bélgica, Colômbia, Bósnia e Herzegovina, Japão, Israel, Espanha e Romênia. Todos já começaram a desembarcar na capital federal. Entre os quase 500 inscritos, cerca de 10% estão vindo do exterior.
Abertura – Na cerimônia de abertura, expoentes estrangeiros, como a presidente e o secretário-Geral da Associação Médica Mundial (WMA), respectivamente, Lujain Al-Qodmani e Otmar Kloiber; o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OPAS), o brasileiro Jarbas Barbosa, e o professor Rui Nunes, presidente da Cátedra Internacional de Bioética.
“O CFM é uma das maiores, senão a maior, estrutura médica organizacional no mundo com intervenção disciplinar e deontológica. É também uma organização dedicada à pesquisa, investigação e ensino de ética e bioética há muitos anos no mais alto nível”, afirmou Rui Nunes. Autoridades brasileiras também se fizeram presentes. Na mesa de abertura, estiveram o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha; e o senador Hiran Gonçalves, presidente da Frente Parlamentar Mista da Medicina (FPMed).
Honra – O presidente do CFM, Geraldo Alckmin afirmou ser uma honra para a classe médica nacional e para o Brasil receber esta conferência. Abordando em sua exposição pontos da estrutura dos sistemas de saúde e os problemas globais, incluindo epidemias e pandemias, bem como mudanças demográficas, etárias e tecnológicas que devem ocorrer dentro de padrões éticos e bioéticos, ele considera esse contexto um desafio maior.
Por sua vez, o senador Hiran Gonçalves fez um reconhecimento público ao trabalho que Alckmin desempenhou na reestruturação da paridade na Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e pontuou que a 16ª Conferência é um marco no avanço e na defesa da dignidade e da equidade humana.
“A tecnologia redefine parâmetros e a medicina, em especial, vivencia desafios éticos que se apresentam em temas como pesquisa com seres humanos, biodireito, terminalidade da vida. Esta conferência nos trará uma experiência com diversidade e perspectivas a fim de construir conhecimentos e fortalecer laços globais em prol de um futuro mais ético e saudável para todos”, afirmou o senador, que se comprometeu em levar ao Congresso Nacional “propostas para avançarmos em um marco legal da bioética em saúde”.
Participações – Para Lujain Al-Qodmani, presidente da WMA, o mundo testemunha “violações contínuas do direito à saúde e leis humanitárias, juntamente com ataques aos sistemas de saúde que minam nossa capacidade de cumprir nossas obrigações éticas com os pacientes em várias regiões”. Segundo ela, além disso, a crise climática e a necessidade urgente de estruturas éticas robustas durante pandemias, conflitos e outras emergências são preocupações urgentes.
Lujain pontuou ainda que a WMA iniciou atualizações significativas para abordar em seus documentos questões contemporâneas, como o respeito à autonomia, o respeito entre profissionais de saúde e “enfatizamos também a necessidade de os médicos priorizarem sua própria saúde, reconhecendo que o nosso bem-estar é fundamental para a qualidade do cuidado que oferecemos”. De modo complementar, Otmar Kloiber considerou o encontro uma importante plataforma para discutir “nosso trabalho, a nossa função como WMA bem como para compartilhar experiências e avançar”.
Finalizando as participações na mesa de abertura, Jarbas Barbosa, diretor da OPAS, destacou que a entidade “compromete-se com o avanço da Bioética desde 1993, quando nosso programa regional de Bioética foi criado a pedido de nossos estados membros dez anos antes de a Organização Mundial da Saúde criar sua unidade de Ética. Hoje, temos orgulho de ser a única região da OMS que possui um programa regional de bioética. A OPAS tem um mandato específico de seus estados membros para integrar a ética em todas as nossas áreas de trabalho. Com base nesse mandato, os pilares do nosso trabalho sobre bioética são a pesquisa e a ética em saúde pública”.
Exposição sensibiliza conferencistas ao estimular diálogo entre arte e bioética



A artista plástica portuguesa Isabel Saraiva é o destaque da programação cultural da 16ª Conferência Mundial de Bioética, Ética Médica e Direito da Saúde que acontece até a próxima sexta-feira (26), em Brasília (DF), na sede do Conselho Federal de Medicina. Com ampla trajetória internacional, ela foi convidada pelos organizadores a expor seus trabalhos durante o encontro.
A definição por seu nome aconteceu em função de sua abordagem artística caracterizada pelo aprofundamento nas relações humanas, priorizando empatia, compreensão e harmonia. Na mostra exibida na 16ª Conferência, arte e a bioética dialogam, estimulando discussões críticas e ampliando a compreensão das complexidades da vida e da ética.



Arte e bioética – Para atingir seus objetivos, Isabel Saraiva se utiliza de aquarelas, videoarte e instalação interativa com impressões sobre lona. Todos refletem interseções entre arte e bioética. Com curadoria do professor Rui Nunes, presidente da Cátedra Internacional de Bioética e da 16ª Conferência, as obras selecionadas abordam vários aspectos, como a interação entre quem cuida e quem está sendo cuidado, a compaixão.
De acordo com Rui Nunes, a seleção está em sintonia com um dos principais temas em debate na programação científica da conferência, a inteligência artificial também é retratada pela artista. “Tenho uma produção alinhada com a Cátedra, que já acompanha meu trabalho há muitos anos, inclusive escrevendo textos críticos”, comenta.
Violência – Entusiasmada com sua participação no evento, a artista portuguesa acredita que sua exposição Arte Compassiva é oportuna, “neste momento de grande violência velada acontecendo nos lares”. Na sua visão, as peças ressaltam que o amor salva. “Escolhi sensibilizar as pessoas para o amor, para a dádiva que a mulher tem em sua gravidez”, conta.
Quem admira os trabalhos produzidos se deleita com os recorrentes traços curvos, as famosas pontes de Isabel, que também estão presentes na mostra de Brasília. “Eu faço pontes e não é a ponte JK e nem as pontes do rio Douro que eu tanto amo. Faço pontes de luz, conectando pessoas, construindo laços de amor”, complementa a artista.
No entanto, é preciso abrir mão de discussões teóricas e lógicas. Segundo Isabel Saraiva: “não há um elo explícito entre os trabalhos e uma corrente artística específica. Com processos transdisciplinares, exploro as conexões entre a ética, a vida e o mundo sensível”, acrescentou, antes de, presentear a cidade que a acolhe durante essa semana com um haikai:
Conferência mundial – O maior encontro internacional sobre bioética e direito da saúde acontecerá na sede do Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília, nesta quarta, quinta e sexta-feira (24, 25 e 26 de julho). Essa é a primeira vez que a atividade acontece no continente americano.
O encontro terá a participação de 500 inscritos, entre eles, médicos, advogados, psicólogos, professores, investigadores e juízes, do Brasil e de Portugal, Alemanha, Argentina, Austrália, Bangladesh, Bulgária, Chile, Emirados Árabes Unidos, Eslovénia, Estados Unidos, Índia, Irlanda, Itália, Reino Unido, Filipinas, Bélgica, Colômbia, Bósnia e Herzegovina, Japão, Israel, Espanha e Roménia. Entre os palestrantes, 90 são brasileiros e outros 121 vindos do exterior.
Fonte: Portal CFM, em 25.07.2024.