Falso médico é preso no Rio de Janeiro

Um idoso de 71 anos, com Parkinson, hidrocefalia e autismo, foi atendido por um falso médico carioca, que já havia sido preso dias antes, ao tratar uma criança de 10 anos com tumor cerebral. Sem formação, sem registro e sem responsabilidade técnica, esses indivíduos colocam vidas em risco a cada consulta, diagnóstico ou prescrição.
O ato médico privativo existe para proteger quem mais importa: o paciente. Para o CFM, essa segurança é inegociável.
V Fórum de Segurança do Paciente vai debater qualidade no atendimento
O Conselho Federal de Medicina (CFM) vai realizar na manhã do dia 7 de outubro o V Fórum de Segurança do Paciente do CFM, que terá como tema central “Qualidade e Segurança do Paciente”. “Teremos palestras, debates e o mais importante: a troca de experiências numa área vital, que a é segurança do paciente”, destaca o coordenador da Câmara Técnica de Segurança do Paciente, Domingos Sávio.
As inscrições estão abertas e podem ser feitas AQUI.
Programação – O evento vai debater temas como a cultura de segurança e sua implementação nos estabelecimentos de saúde brasileiros, o papel dos núcleos de segurança na prevenção de eventos adversos, os aprendizados advindos da pandemia de covid-19 e os desafios éticos no cuidado do paciente, entre outros.
Também serão apresentadas ferramentas práticas para monitorar e corrigir falhas de segurança, desafio contemporâneos, gestão de riscos e a importância da interdisciplinaridade nas equipes de saúde. Acesse a programação AQUI.
Após morte de paciente por biomédica, CFM alerta para riscos de procedimentos invasivos

Uma biomédica foi condenada em Minas Gerais por causar a morte de uma paciente e deixar outro com sequelas irreversíveis. Ela praticava procedimentos estéticos invasivos que deveriam ser executados exclusivamente por médicos. Em um dos casos, a paciente foi submetida a uma lipoaspiração e enxerto de glúteos em uma clínica sem estrutura adequada, sem equipamentos de suporte à vida e com alvará de funcionamento vencido.
A vítima foi uma mulher de 46 anos que sofreu uma parada cardiorespiratória e morreu horas depois de ser atendida pela biomédica. Em outro episódio, um paciente teve partes da boca e do queixo necrosados, sequelas permanentes após um preenchimento labial realizado pela mesma profissional.
Para o Conselho Federal de Medicina, esses casos não são exceções e expõem o risco real. “Procedimentos como esses, que envolvem potenciais complicações graves, exigem conhecimento médico, capacidade de diagnóstico preciso e preparo para agir diante de emergências. Por isso, fique atento: a invasão do ato médico coloca a sua vida em risco. Para o CFM, a segurança do paciente é inegociável”, afirma o presidente da autarquia, José Hiran Gallo.
Em debate no Senado, CFM se posiciona contra cotas em residência médica

O Conselho Federal de Medicina (CFM) se posicionou contra a adoção de cotas nos processos seletivos para residência médica durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, nesta terça-feira (18), por entender que, nessa etapa da formação, devem prevalecer critérios técnicos e acadêmicos. Para a autarquia, as políticas afirmativas cumprem sua função de inclusão no acesso à graduação, enquanto a residência médica constitui uma etapa de especialização na qual todos os médicos já formados devem concorrer em igualdade de condições, independentemente da forma como ingressaram na faculdade.
Representando o CFM, o conselheiro federal Alcindo Cerci alertou para o déficit de vagas de residência diante da expansão desordenada dos cursos de medicina e sustentou que a seleção de especialistas deve priorizar competência técnica e segurança dos pacientes. “Para o Conselho, o problema central está na insuficiência de vagas de residência diante do crescimento desordenado da formação médica, e não na criação de critérios diferenciados entre profissionais já graduados. Não podemos utilizar a residência para corrigir um problema que foi criado pela abertura indiscriminada de cursos de medicina”, afirmou Cerci.
A posição foi apresentada no debate sobre o Projeto de Lei (PL) 452/2025, de autoria do senador Dr. Hiran (PP-RR), que proíbe a adoção de sistemas de cotas nos processos seletivos para programas de residência médica em instituições de ensino e unidades hospitalares públicas e privadas.
Cerci ressaltou que a posição da autarquia não representa oposição às políticas afirmativas na graduação ou no acesso a empregos públicos. “Não estamos aqui para combater o sistema de cotas. Não é isso. Essa é a primeira premissa: não podemos confundir ações afirmativas na graduação com ações afirmativas na residência médica. Para nós, professores, não há qualquer diferença entre um aluno de medicina que entra no curso de medicina por um programa de cotas ou pelo sistema universal. Ele é submetido às mesmas provas, mesmas avaliações e tem os mesmos professores”, comentou.
Para o CFM, estabelecer uma nova diferenciação no acesso à residência pode transmitir à sociedade a ideia de que médicos formados por diferentes modalidades de ingresso não possuem a mesma qualificação. “Concordar com a política de cotas na residência especificamente é dizer que, sim, os médicos formados por cotas e os formados por entrada de vaga universal são diferentes – e não são”, reforçou o conselheiro federal.

Déficit de vagas – Durante a audiência, ele também chamou atenção para a diferença entre a expansão da graduação e das oportunidades de especialização. Entre 2018 e 2024, houve aumento de 71% nas vagas de medicina, enquanto as vagas de residência cresceram apenas 26%. Em 2024, havia 11 mil vagas de primeiro ano de residência (R1), diante de um contingente superior a 210 mil médicos generalistas.
O conselheiro destacou ainda que a residência envolve assistência direta aos pacientes e exige elevado nível de preparação. “A residência médica lida com a vida humana em estado crítico. É um aperfeiçoamento contínuo. Não podemos admitir que coloquemos no mercado de trabalho especialistas que não foram especialistas pelo seu mérito acadêmico ou pela sua competência técnica, mas sim por uma questão social. Isso gera um risco à sociedade”, declarou.
Cerci lembrou que o posicionamento do CFM sobre o tema é anterior ao atual debate e está expresso, entre outros documentos, no Parecer CFM nº 21/2015. Para ele, o enfrentamento das desigualdades deve ser acompanhado sobretudo pela garantia da qualidade da formação. “O que precisamos é ter uma fiscalização rigorosa na infraestrutura das faculdades, porque, de fato, um médico mal formado no mercado de trabalho é algo socialmente inaceitável. A população não pode ter médico especializado por questões afirmativas, mas sim pela sua competência técnica”, concluiu.
Fonte: Portal CFM, em 18.08.2026.