CFM debate formação do psiquiatra e critérios para certificação na especialidade
Encontro realizado em Brasília discutiu conteúdos essenciais para a formação, avaliação e certificação dos médicos especialistas na área

O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou, nesta terça-feira (15), o II Fórum de Psiquiatria, com o tema “A Psiquiatria e o Conteúdo Programático de sua Formação: Reflexões”. O encontro reuniu especialistas para debater diferentes etapas e aspectos da formação médica na área, desde o ensino da psiquiatria na graduação até a residência médica, a prova de título e a psiquiatria forense.
Na abertura, o 1º vice-presidente do CFM e coordenador da Câmara Técnica de Psiquiatria, Emmanuel Fortes, destacou a importância da psicopatologia como um dos fundamentos da formação e da prática médica. Segundo ele, esse conhecimento, associado à identificação de sinais e sintomas, é essencial para a elaboração de diagnósticos e prognósticos em Psiquiatria.
Fortes lembrou ainda que a psicopatologia foi expressamente incorporada à Lei nº 12.842/2013, conhecida como Lei do Ato Médico, ao tratar dos elementos relacionados ao diagnóstico nosológico. Para ele, compreender sua importância é fundamental para a construção do saber médico e para o fortalecimento da relação entre médico e paciente.

“A medicina é ciência e arte. As grandes evidências são importantes porque consolidam saberes. As diretrizes são importantes porque fazem convergir o entendimento para todas as nossas ações”, afirmou. Ele também defendeu que a formação preserve as características próprias da prática médica e rejeitou a compreensão da medicina como uma mercadoria.
O conselheiro federal Flávio Freitas Barbosa, que coordenou uma das mesas do Fórum, trouxe ao debate reflexões sobre a teoria do desenvolvimento humano e os efeitos das transformações nos modelos de formação. Ele destacou que, historicamente, a construção do conhecimento esteve associada à observação e ao acompanhamento longitudinal do desenvolvimento humano. Na avaliação de Barbosa, a expansão de modelos de formação em massa exige atenção para que o aumento do número de pessoas formadas não ocorra em detrimento da qualidade e da profundidade do conhecimento adquirido.
Outro eixo das discussões foi a necessidade de coerência entre aquilo que é ensinado aos futuros especialistas e o conhecimento exigido para sua certificação. O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, abordou a relação entre a matriz de competências da especialidade e o conteúdo programático da prova de título de especialista.

Entre os conteúdos que convergem nas duas etapas estão semiologia, psicofarmacologia, psicoterapias, urgências e ética. Segundo ele, formação, certificação e registro constituem elos distintos de uma mesma responsabilidade: enquanto a matriz de competências estabelece o que deve ser ensinado, a prova de título verifica os conhecimentos necessários à certificação e os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) realizam o registro da especialidade.
Os debates também abordaram a expansão da psiquiatria no País. Desde 2011, o número de especialistas cresceu 113%, enquanto as inscrições na prova de título aumentaram 69% desde 2022. Apesar desse avanço, o Brasil conta com 6,69 psiquiatras por 100 mil habitantes, diante de uma média internacional de 17,83.
Nesse cenário, Antônio Geraldo ressaltou que a ampliação do número de especialistas deve caminhar ao lado do rigor, da transparência e da clareza dos critérios utilizados para sua certificação. “A pergunta que fica não é apenas quem pode ser psiquiatra , é também como que alguém está pronto para ser”, afirmou.
CFM lança livro “Viventes: Crônicas de vida sem ponto final”
Obra reúne relatos reais de pessoas que passaram por tentativas de suicídio e reforça a importância da prevenção, do acolhimento e do tratamento adequado

O Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou, nesta terça-feira (15), durante o II Fórum de Psiquiatria do CFM, o livro “Viventes: Crônicas de vida sem ponto final”. A obra, escrita pelas psiquiatras Ana Yuri Matsumoto e Carla Gaiger, reúne histórias reais de pessoas que passaram por tentativas de suicídio e, por diferentes razões, encontraram caminhos para continuar vivendo.
O lançamento foi anunciado pelo 2º secretário do CFM, Estevam Rivello, que destacou o caráter inédito e o relevante alcance social da publicação. Para ele, o livro representa uma experiência singular na literatura brasileira ao dar voz a pessoas que estiveram diante da possibilidade de interromper a própria vida e conseguiram seguir adiante.
“É uma experiência única na literatura brasileira. O livro tem um enorme apelo social e certamente vai despertar o interesse de todos que tiverem contato com seu conteúdo”, afirmou. Ele também ressaltou a importância de levar a discussão sobre o suicídio para além do ambiente médico. Segundo Rivello, trata-se de um problema de saúde pública que deixa marcas profundas em famílias e amigos. “Essa é uma pauta que passa por muitas famílias brasileiras. São índices e histórias que machucam familiares e amigos”, observou.

Organizado por Ana e Carla, “Viventes” reúne relatos de profissionais de diferentes áreas e apresentam histórias de pessoas que estiveram diante de situações de sofrimento intenso e tentaram abreviar a própria trajetória, mas permaneceram vivas. A proposta, segundo Ana, é justamente não definir essas pessoas apenas como “sobreviventes”. “O livro é sobre viventes, e não sobre sobreviventes. Em algum momento, eles passaram pelo caminho da morte”, explicou a autora.
A obra procura apresentar essas histórias a partir de uma perspectiva de esperança, sem buscar culpados. O objetivo é estimular a sociedade a reconhecer sinais de sofrimento, acolher quem precisa de ajuda e compreender que uma intervenção adequada pode fazer diferença. “É um livro de esperança. Não é um livro sobre culpas”, destacou Carla.
A publicação também chama a atenção para a responsabilidade coletiva na prevenção do suicídio. Aprender a identificar sinais, oferecer acolhimento, intervir e encaminhar para o cuidado adequado são atitudes que podem abrir possibilidades para quem enfrenta uma crise.
“Muitas vezes, a oportunidade de intervir esteve diante de nós”, lembraram as autoras.
Golpistas fazem ataque coordenado contra médicos de todo o Brasil

Médicos de todos os estados brasileiros estão recebendo mensagens por whatsapp ou por e-mail com links para pagamentos de supostas pendências financeiras com os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). A mensagem também ameaça a suspensão do CRM, caso o pagamento não seja realizado. O Conselho Federal de Medicina (CFM) alerta que essa é uma tentativa de golpe e que os links não devem ser clicados.
É importante ressaltar que o CFM não entra em contato por meio de mensagens de texto para realizar cobranças ou solicitar dados pessoais, fotos ou cópias de documentos. Diante de qualquer suspeita, é fundamental que os médicos contatem diretamente o CRM e denunciem o fato à polícia.
O CFM não cobra nenhum tipo de taxa ou anuidade e os CRMs não utilizam WhatsApp nem e-mail para solicitar pagamentos.
A regularização de pendências e a emissão de taxas ou anuidades ocorrem exclusivamente pelos canais oficiais, como o portal CRM Virtual, por meio de endereço crmvirtual.cfm.org.br.
CFM divulga os vencedores do II Concurso de Fotografias “Juscelino Kubitschek”

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulga o resultado do II Concurso de Fotografias “Juscelino Kubitschek” do X Congresso de Humanidades Médicas. Após reunião da comissão avaliadora, sob coordenação da conselheira federal Maíra Dantas, foram selecionadas 19 fotografias como vencedoras da edição 2026. As imagens têm autoria de 8 diferentes médicos.
A conselheira federal destaca que “o concurso integra as ações da Comissão de Humanidades do CFM, que tem buscado dar espaço, dentro da entidade, a expressões artísticas capazes de traduzir sentimentos e vivências da prática médica sem comprometer o sigilo e a intimidade dos pacientes”.
CONHEÇA OS NOMES DOS VENCEDORES
Rodolfo Augusto Redivo (CRM 24285/PR)
Natanael Alves de Souza (54663/MG)
O concurso foi desdobrado em duas categorias: “Sob o Olhar Compassivo do Médico” e “Paisagens do meu Brasil”. A proposta reuniu médicos regularmente inscritos em seus Conselhos Regionais, convidados a registrar, por meio da fotografia, o olhar que atravessa a prática médica no dia a dia.
A comissão julgadora é formada por membros da Comissão de Humanidades do CFM e pelos curadores convidados para o concurso: Amadeu Martinez e Cláudio Marcelo B. das Virgens.
Na etapa final de deliberação, a comissão julgadora discutiu critério a critério antes de fechar a lista de vencedoras. Entre os aspectos levados em conta, aderência ao tema, o quanto cada imagem expressava, de fato, um encontro humano compassivo e não apenas uma cena do ambiente médico.
Em conformidade com o edital, foram excluídas fotos com elementos de propaganda ou marca visível, e imagens que colocassem em risco a neutralidade política exigida pelo período de defeso eleitoral.
Quanto à qualidade fotográfica e força narrativa, a comissão avaliou, a composição, o uso de cor ou preto e branco, e a capacidade de cada imagem comunicar sua história por si só.
Tendo em vista que o Congresso de Humanidades do ano de 2026 será no formato virtual, a premiação será a publicação das fotografias vencedoras nas redes sociais do CFM, além do envio dos certificados por meio digital. Essa exposição virtual terá início amanhã, dia 16 de setembro de 2026.
Assista ao II Fórum de Psiquiatria do CFM
Fonte: Portal CFM, em 15.09.2026.