
O coordemador da Câmara Técnica, Donizetti Giamberardino, apontou os desafios impostos à sociedade pela pandemia
O II Fórum Virtual de Pediatria do CFM também realizou uma mesa redonda sobre o cenário atual das infecções respiratórias, com amplo debate acerca dos dados epidemiológicos mais recentes de infecções respiratórias; a atual cobertura vacinal do Programa Nacional de Imunizações (PNI); os mitos e verdades da imunização infantil para Covid-19; e a morbidade pós-Covid em crianças e adolescentes.
Andréa Silva do Amaral, membro da Câmara Técnica de Pediatria do CFM, apresentou dados epidemiológicos de infecções respiratórias durante os últimos anos, destacando que, inicialmente, houve redução de todos os vírus respiratórios no primeiro e segundo anos da pandemia, com crianças pouco sintomáticas, mesmo na sazonalidade.
Já a pediatra, patologista e conselheira federal licenciada, Natasha Slhessarenko, abordou o PNI e atual cobertura vacinal no País. “A vacinação é um direito constitucional e um dever da proteção coletiva”, ressaltou, lembrando que doenças antes erradicadas, com a não vacinação estão voltando a causar morbidade e mortalidade. “Antes da autonomia, é importante a solidariedade, o respeito ao outro, questão de princípios morais, responsabilidade e justiça social”, defendeu.
O pediatra Juarez Cunha ressaltou o valor da imunização, enfatizando que as vacinas são consideradas a maior conquista no campo da saúde pública. “As vacinas proporcionam prevenção e promoção da saúde, tanto para o indivíduo e, em especial, para a coletividade”. Ele lembrou que as vacinas evitam aproximadamente 3 milhões de mortes ao ano em todo o mundo e contribuíram com aumento de aproximadamente 30 anos na expectativa de vida do brasileiro.
Eduardo Jorge, pediatra e conselheiro regional de Pernambuco, reforçou que milhares de crianças e adolescentes foram hospitalizadas por Covid-19 e cerca de 3.000 morreram no Brasil. Durante sua fala, ele defendeu que “o aumento da cobertura vacinal em crianças será fundamental para o efetivo controle da pandemia”.
Impacto devastador – “As evidências atuais, existem recomendações sólidas para a vacinação em crianças e adolescentes. O impacto oculto da pandemia na infância foi muito mais devastador e pouco valorizado. Os órfãos, os prejuízos educacionais, o impacto nutricional e, especialmente, as consequências emocionais requerem indignação e luta de todos os pediatras na tentativa de minimizar os danos. É imperioso garantir a vacinação das crianças”, concluiu Eduardo Jorge.
Para o coordenador da Câmara Técnica de Pediatria do CFM, Donizetti Giamberardino, a pandemia se tornou um grande inimigo desconhecido, que causou um enorme estresse moral em toda a sociedade. “Foi uma verdadeira guerra e não podemos olhar para traz. É preciso reconstruir as conquistas, entre elas voltar à ampla cobertura vacinal, retomando a credibilidade das imunizações e evitando sua a hesitação. O conhecimento traz a luz!”, finalizou.
O II Fórum Virtual de Pediatria, realizado em 12 de agosto de 2022, está disponível no canal do CFM no YouTube.
CFM debate repercussões da pandemia na saúde mental de crianças e adolescentes
“A pandemia trouxe uma grande ruptura na rotina, na educação e na recreação das crianças. Até mesmo a queda da renda das famílias repercutiu na saúde mental dos pequenos, o que nos trouxe a essa importante discussão”. Assim foi aberta a primeira mesa do II Fórum Virtual de Pediatria do Conselho Federal de Medicina (CFM), pela secretária-geral da autarquia e membro da Câmara Técnica sobre o tema, Dilza Terezinha Ambrós Ribeiro.

Secretária-Geral do CFM, a pediatra Dilza Ambrós Ribeiro destacou as repercussões da pandemia na saúde mental das crianças
Estima-se que 1 em cada 5 pessoas no mundo terá algum transtorno mental ao longo da vida. Além disso, 50% dos distúrbios mentais aparecem antes dos 14 anos e 75% antes dos 24 anos. As conclusões foram apresentadas pelo psiquiatra e psicólogo Rodrigo Bressan, que abordou os impactos no desenvolvimento cognitivo da criança e do adolescente pela pandemia de Covid-19.
Segundo ele, quase 80% das crianças e jovens que apresentam algum tipo de distúrbio ou problema de saúde mental não faz o devido acompanhamento. “O principal motivo, infelizmente, é o preconceito dos próprios pais, por falta de conhecimento sobre o assunto”, disse.
Outro estudo apresentado, desta vez pelo psiquiatra Guilherme Polanczyk, mostrou que estudantes de escolas de alto desempenho dos Estados Unidos apresentam taxas de depressão, ansiedade, quebra de regras e abuso de substâncias muito maiores que a de estudantes em situação de pobreza, por exemplo.
“A pandemia representa uma situação de estresse que contribui para o surgimento de transtornos mentais em crianças e adolescentes. As características da pandemia são muito propensas para que surjam a partir dela problemas emocionais”. Ele lembra que a pandemia muitas vezes trouxe ameaça à vida, luto, restrições a atividades lazer, educacionais e sociais, além de stress, ansiedade e depressão de pais.
Conectados – Outro problema decorrente da pandemia foi a chamada fobia social, conforme destacou Alexandrina Meleiro, psiquiatra e integrante da Comissão de Atenção à Saúde Mental do Médico da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Ao falar sobre o possível aumento da ansiedade, depressão e ideação suicida, ela destacou que, em idade escolar e universitária, foi observado aumento de tédio, desatenção, isolamento social, falta de capacidade para brincar fora e desfrutar de atividades extracurriculares.
Além disso, verificou-se ainda aumento do uso de mídias sociais e falta de serviços legais e preventivos para prevenir violência, abuso e danos em casa, entre outros reflexos. “Pudemos observar durante a pandemia um aumento do apego, medos, distúrbios do sono, falta de apetite, agitação, desatenção e distúrbios de separação”, disse.
E como cuidar da saúde mental da criança e do adolescente neste cenário? Para responder a esta questão, a pediatra e vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Luciana Rodrigues Silva, destacou o importante papel das famílias.
“A família é indispensável para a estruturação da saúde mental da criança. Na família que se vai construir a independência e o ‘estar no mundo’ dos indivíduos. Por isso, é fundamental que os pais precisam estar preparados para dar a seus o melhor que tiverem em relação ao amor, o bom senso, a orientação e estímulos para que a criança possa desenvolver o seu pleno potencial”, ressaltou.
O II Fórum Virtual de Pediatria, realizado em 12 de agosto de 2022, está disponível no canal do CFM no YouTube.
Fonte: Portal CFM, em 15.08.2022.