VIII Fórum de Cirurgia Geral vai debater melhorias na formação do especialista

“Trauma como política de saúde pública: do atendimento individual à organização do sistema” será o tema central do VIII Fórum de Cirurgia Geral do CFM, marcado para o dia 24 de março. O evento reunirá cirurgiões de todo o país para debater temas como a formação do especialista, o financiamento do Sistema Único de Saúde, mortes evitáveis e segurança do paciente.
As inscrições estão abertas e podem ser feitas AQUI. O evento também será transmitido pelo YouTube, mas o certificado de participação será enviado apenas para os inscritos que acompanharem o VIII Fórum de Cirurgia Geral pela plataforma Zoom.
Para o coordenador da Câmara Técnica de Cirurgia Geral, conselheiro federal Sérgio Tamura, o evento permitirá um aprofundamento das questões relacionadas ao trauma. “Começamos debater esse assunto no último Fórum, mas é imprescindível continuarmos as discussões, com o objetivo de aprimorarmos a assistência em cirurgia do trauma no país”, argumenta. Para o coordenador, o Fórum também possibilitará a identificação de estratégias para melhorar a formação médica, “especialmente no âmbito da residência médica em cirurgia do trauma, área que atualmente apresenta fragilidades significativas.”
Programação – O evento vai começar com a conferência “Contextualização do Trauma como Principal Causa de Morte Evitável no Brasil: Alinhamento entre Assistência, Gestão e Política Pública”. Em seguida, no bloco I, será debatido o tema “O trauma como problema de saúde pública”, o qual será subdividido nos seguintes tópicos: Trauma no Brasil – Epidemiologia, Impacto Econômico e Mortalidade Evitável, Custo direto e indireto do trauma para o SUS, Comparação com modelos internacionais e Trauma como prioridade política.
O segundo bloco debaterá o tema “Gestão, Financiamento e Governança”, o qual será debatido na aula magna sobre o tema Quem Decide, Quem Paga e Quem Responde? Financiamento no SUS, Contratualização e metas, Responsabilidades federativas e Judicialização”. O terceiro bloco vai debater “O atendimento ao trauma na ponta do sistema: da cena ao centro cirúrgico”, abordando os seguintes tópicos: Atendimento pré-hospitalar, Porta hospitalar e emergência, Centro cirúrgico e UTI, Gargalos assistenciais e Liderança médica no trauma.
As atividades da tarde começarão com o quarto bloco, que vai debater a “Organização de sistemas de trauma: conceito, estrutura e realidade brasileira”, dividido nos seguintes subtemas: Regionalização, Níveis de complexidade, Integração SAMU, UPA e Hospitais, Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) no Distrito Federal e Indicadores de qualidade.
O quinto bloco vai debater “Formação, qualidade e segurança: capacitação e cultura de segurança”. As palestras serão sobre Formação profissional, Protocolos e auditorias e Registro de trauma. “Trauma e política pública: ações estratégicas e tomada de decisão” é o tema do último bloco do Fórum, que vai debater o Trauma na agenda política, o Papel das sociedades médicas e propostas práticas
Confira a programação completa na página do evento, acessível em VIII Fórum de Cirurgia Geral do Conselho Federal de Medicina | Portal Médico.
CFM entrega de certificados do Programa Doutoral em Bioética em parceria com a Universidade do Porto

Foto: U.Porto
O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizará, no dia 9 de julho de 2026, em sua sede, em Brasília, a cerimônia de entrega de certificados e placas de conclusão aos participantes do Programa Doutoral em Bioética, desenvolvido em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal).
A solenidade marcará o encerramento do primeiro ano letivo da 15ª turma do programa, além de celebrar a trajetória acadêmica de cinco estudantes que concluíram integralmente o doutorado no último ano. Na ocasião, serão entregues certificados de conclusão (não conferentes de grau) e placas comemorativas aos participantes.
O presidente do CFM, José Hiran Gallo, destaca que o programa resulta de um convênio institucional entre o CFM e a Universidade do Porto: “Nosso objetivo é formar profissionais altamente qualificados em bioética, capazes de contribuir para o aprimoramento das práticas médicas e para o fortalecimento do debate ético na medicina contemporânea”.
A cerimônia ocorrerá logo após a realização do VII Encontro Luso-Brasileiro de Bioética, programado para os dias 7 e 8 de julho, também, na sede do CFM. O encontro reunirá especialistas, pesquisadores e médicos do Brasil e de Portugal para discutir temas centrais da bioética e os desafios atuais da medicina.
Como parte da programação acadêmica do doutorado, os estudantes participam obrigatoriamente do encontro científico. Assim, a entrega dos certificados, no terceiro dia de atividades, terá caráter celebrativo e simbólico, marcando não apenas a conclusão de etapas formativas, mas também o fortalecimento da cooperação científica entre Brasil e Portugal no campo da bioética.
Para o CFM, a parceria com a Universidade do Porto representa um importante instrumento de qualificação de médicos e pesquisadores, além de contribuir para a consolidação de uma cultura de responsabilidade ética, reflexão crítica e excelência na prática médica.
A iniciativa reforça o compromisso das duas instituições com a formação de lideranças médicas preparadas para enfrentar os dilemas éticos da medicina contemporânea, ampliando o diálogo internacional e promovendo avanços no campo da bioética.
Campanha Março Azul 2026 alerta para o silêncio do câncer de intestino
Apesar de atingir mais de 50 mil pessoas por ano no Brasil, a doença não apresenta sintomas na fase inicial. Exames de rotina podem salvar vidas

Detectar o câncer de intestino antes que ele emita qualquer sinal de alerta. Esse é o objetivo da sexta edição da campanha Março Azul, que em 2026 tem como tema a “Jornada da Vida”. A proposta da mobilização nacional é ampliar a detecção precoce da doença, já que ela é a segunda mais comum no Brasil, atrás apenas dos cânceres de mama e de próstata, quando excluído o câncer de pele não melanoma. O público-alvo da campanha são homens e mulheres com idades entre 45 e 70 anos.
Realizada pela Sociedade Brasileira de Endoscopia e Endoscopia Digestiva (SOBED), Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a campanha chama a atenção para o papel decisivo do diagnóstico precoce do câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal. Entre as ações que serão realizadas pelas sociedades médicas está a iluminação de prédios públicos nas principais cidades brasileiras, além de difundir um gesto simples no cuidado com a saúde: a realização do teste FIT, exame utilizado para detectar sangue oculto nas fezes.
Como exemplo de ação prática, a organização da campanha, em parceria com o Governo do Estado da Bahia, a Prefeitura de Seabra, o Hospital Regional da Chapada/FABAMED e a Secretaria de Saúde (SESAB), realizará a maior ação de prevenção do câncer de intestino do Brasil, no município baiano. Ao todo, serão realizados 8 mil testes FIT, que já começaram a ser distribuídos por agentes comunitários previamente capacitados. O paciente que apresentar alteração no resultado do exame será encaminhado para o mutirão de colonoscopias, que deverá ocorrer de 1º a 7 de março em Seabra.
Segundo a organização da Campanha Março Azul, a expectativa é que sejam realizados 500 exames de colonoscopia no período. Considerado o padrão-ouro para a detecção do câncer de intestino, o exame permite a visualização detalhada da mucosa intestinal e a identificação precoce de lesões.
O presidente da SOBED, Eduardo Hourneaux, explica que quando a detecção acontece na fase inicial do câncer de intestino, quebrando a barreira do silêncio, as chances de sucesso do tratamento podem atingir até 90%. “A ação em Seabra tem como objetivo mobilizar toda a população, e não apenas o público-alvo da campanha, porque acreditamos que a prevenção do câncer de intestino precisa fazer parte da rotina das pessoas, começando com a conscientização sobre o tema”, afirma.
A conscientização sobre a prevenção também é essencial, segundo a organização do Março Azul, para combater o medo e a vergonha que ainda cercam os exames. “É importante lembrar que os exames existem para proteger a saúde. Eles podem evitar um problema grave no futuro. Cuidar da saúde não deve ser motivo de vergonha, e sim de responsabilidade com a própria vida e com a família”, observa o presidente da SOBED.
A preocupação em trazer a pauta do câncer de intestino para as discussões do dia a dia, sem preconceito, encontra respaldo na última estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), que estima 53.810 casos novos no Brasil, para cada ano do triênio de 2026 a 2028.
Sinais de alerta – Apesar de silencioso na fase inicial, o câncer de intestino emite alguns sinais de alerta, sendo os mais comuns: presença de sangue nas fezes (às vezes só detectável através do exame), mudança no hábito intestinal como diarreia ou prisão de ventre por várias semanas, dor abdominal frequente, sensação de intestino que não esvazia completamente, perda de peso sem causa aparente e fraqueza ou anemia.
“Entre as principais estratégias para a detecção precoce do câncer colorretal está o teste FIT, realizado por meio de um exame de fezes. Ele é capaz de identificar a presença de sangue oculto, geralmente imperceptível a olho nu, um dos sinais iniciais mais comuns da doença. Em caso de resultado positivo, o paciente é encaminhado para a realização da colonoscopia. Simples e eficaz, o teste FIT é uma importante ferramenta de rastreamento do câncer de intestino. E, uma vez detectado um câncer colorretal, o coloproctologista deve ser procurado o mais breve possível, pois é o especialista que fará o tratamento cirúrgico com maiores chances de cura para o paciente”, alerta Olival de Oliveira Júnior, presidente da SBCP.
Prevenção começa antes dos 45 anos – A detecção precoce tem como alvo pessoas acima de 45 anos, em especial se tem histórico da doença na família, uma vez que aumenta as chances de diagnóstico da doença. A redução da idade de 50 para 45 anos ocorreu no ano passado após a organização da Campanha Março Azul adotar os mesmos critérios de rastreios de sociedades internacionais, como a American Cancer Society, que perceberam o aumento da doença em pessoas mais jovens.
“Cuidar da saúde intestinal é uma construção ao longo de toda a vida. Além dos exames preventivos, hábitos simples como uma alimentação rica em fibras, a prática regular de atividade física, a hidratação adequada e a redução do consumo de álcool e do tabaco têm impacto direto na prevenção do câncer de intestino. A Campanha Março Azul reforça que prevenção não é apenas um ato médico, mas uma escolha diária em favor da própria saúde e da qualidade de vida”, destacou o presidente da FBG, Áureo de Almeida Delgado.
Fonte: Portal CFM, em 10.03.2026.