“Encontro de Gerações” leva mulheres médicas à emoção durante evento do CFM

No mês em que se comemora o Dia da Mulher, o Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou o 2º Fórum da Mulher Médica. O evento aconteceu no dia 06 de março de 2026, colocando em pauta “Uma Nova Realidade da Medicina: Já somos a maioria. E agora?”. Fórum realizado sob coordenação da conselheira federal eleita pelo Distrito Federal, Rosylane das Mercês Rocha, 2ª vice-presidente da autarquia e coordenadora da Comissão da Mulher Médica do CFM.

A programação do evento teve como um dos destaques a mesa “Encontro de Gerações”. Os trabalhos foram coordenados pela conselheira federal Graziela Schmitz Bonin, representante do estado de Santa Catarina. Na qualidade de secretária, esteve Leopoldina Milanez da Silva Leite, conselheira federal pelo estado do Maranhão.
As palestrantes Anamaria Cavalcante, 2ª vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP); Cibele Alves de Carvalho, conselheira federal por Minas Gerais; e Kelre Wannlen Araújo, secretária geral da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR), apresentaram a realidade da mulher médica em diferentes fases da vida, gerando grande identificação e emoções.
“A apresentação das nossas palestrantes demonstra que a presença feminina na medicina não é somente legítima ou merecida, mas transformadora. Vimos aqui a dedicação de quem construiu políticas públicas que salvaram tantas vidas e a liderança de quem ocupou espaços institucionais”, arrematou a conselheira Graziela.
Clique abaixo para assistir à íntegra do evento!
Desafios – O evento também colocou em pauta uma questão alarmante: “Violência no Trabalho”. A mesa foi coordenada pela conselheira federal Leila Katz, eleita pelo estado de Pernambuco.

A palestra “Violência e Assédio” foi ministrada pela conselheira federal, Viviana de Mello Guzzo Lemke, representante dos médicos eleita pelo estado do Paraná. Ela apresentou fatores organizacionais que criam um ecossistema que facilita o abuso.
“A gente sabe que vive sob uma pedagogia do medo. O abuso verbal é a porta de entrada e se ele não for contido pelas instituições, invariavelmente, vai progredir para o assédio e depois até para a violência física”, destacou Lemke entre dados sobre assédio moral, gender gap, assédio sexual e violência obstétrica/reprodutiva.
Na sequência, o tema foi “Adoecimento Mental: Panorama Brasil”, apresentado pela conselheira Rosylane. Ela destacou que a saúde do médico é a saúde de todos. “A exaustão ameaça a medicina em um efeito dominó, que afeta do médico ao paciente. Quando o médico adoece, a qualidade do cuidado diminui e os pacientes são impactados. Existem consequências pessoais, profissionais e impacto econômico”, disse.
A programação continuou com a discussão de outros temas que impactam a jornada da mulher médica. O debate completo pode ser conferido no canal do CFM no YouTube.
Cases de sucesso no empreendedorismo e na ciência são apresentados no 2º Fórum da Mulher Médica

A última mesa do 2º Fórum da Mulher Médica debateu casos de sucesso e realização profissional na área empresarial e na ciência. Enquanto a fundadora do Grupo Cirandinha, Bernadeth Martins, deu dicas práticas para as médicas empreendedoras; a cardiologista e cientista Glaucia Maria Moraes Oliveira falou sobre a participação das médicas na produção científica brasileira.
O 2º Fórum da Mulher Médica já está disponível na plataforma do CFM no YouTube. Assista abaixo:
Em sua apresentação, Bernadeth Martins deu dicas práticas que devem ser seguidas pelas médicas empreendedoras. “Ter excelência técnica não garante competência administrativa. É preciso sair da cadeira de operadora e sentar na cadeira de dona”, aconselhou. “A empreendedora deve ser persistente e não sucumbir diante do primeiro fracasso. A persistência é a chave do sucesso”, completou.
Ela também alertou que os desafios serão grandes. “Vocês ainda terão chefes: seus clientes. Trabalharão mais do que seus funcionários e terão de enfrentar a concorrência”, alertou. Apesar dos desafios, a empresária defendeu que mais médicas abram seus negócios, pois a medicina ganhará com o empreendedorismo das mulheres médicas. “Vocês são mais cuidadosas, mas preocupadas com a segurança do paciente e empáticas. É importante que continuem empreendendo”, aconselhou.
Ciência – Professora titular de Cardiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e editora-chefe dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, a médica Glaucia Maria Moraes Oliveira falou sobre a presença da mulher nas pesquisas realizadas no Brasil. “O Brasil é o terceiro país com maior presença feminina nas pesquisas científicas na área médica. 49% das pesquisas brasileiras são feitas por mulheres. É um bom percentual, mas ainda temos muito o que avançar”, argumentou.
O principal problema, segundo a pesquisadora, é que as mulheres, apesar de produzirem muito, não chefiam os projetos com maior aporte de recursos. “As mulheres captam menos recursos, apesar de apresentarem mais projetos. Produzimos, mas não conseguimos ocupar cargos de liderança”, constatou. Para dar mais protagonismo às mulheres cientistas, Glaucia Oliveira defendeu protagonismo nas inovações, esperança e compromisso e inspiração das novas gerações.
No encerramento do evento, a 2º vice-presidente do CFM e coordenadora da Comissão de Mulher Médica, Rosylane Rocha, elogiou a qualidade das apresentações e defendeu o protagonismo feminino. “Temos de construir autoridade científica, alcançar espaços de referência, conquistar cargos e produzir mudanças”, elencou. “Estamos encerrando o Fórum, que foi um sucesso, mas continua o movimento em prol de mais conquistas para a mulher médica”, afirmou.
Fonte: Portal CFM, em 09.03.2026.