O Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio de sua Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial, realizou um webinar sobre o tema “Embarque de passageiros com doenças contagiosas na aviação comercial”. O evento aconteceu exclusivamente na modalidade virtual, pelo canal do CFM no YouTube, no dia 6 de setembro, das 17h às 19h. O evento foi gravado e está acessível no Canal do CFM no YouTube. Clique aqui
O presidente do CFM, José Hiran Gallo, abriu a sessão: “Este evento me chamou atenção pelos temas palpitantes, como a qualidade do ar em aeronaves. A medicina aeroespacial é de grande importância para o Conselho Federal de Medicina”.
O conselheiro Emmanuel Fortes Cavalcanti, 3º vice-presidente do CFM e coordenador da Câmara Técnica, juntamente com os membros do grupo, preparou programação de interesse amplo, alcançando todos os médicos do Brasil, independentemente de suas especialidades. Na coordenação da mesa, Helvio Chagas Ferro; e, como secretário, Ronald Stephen Coelho – ambos são membros da Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial.
A primeira palestra, ministrada por Kleber Giovanni Luz – membro da Câmara Técnica de Infectologia, teve como tema “Doenças infecciosas em aeronaves”. Ele apresentou os principais conceitos da especialidade para alinhar o entendimento do público sobre o eixo central das apresentações. Na sequência, elucidou questões que, popularmente, ainda geram dúvidas: “Febre é indicativo de doença infecciosa, provavelmente, contagiosa, mas, a ausência da febre não significa que o período de transmissão já acabou”.
“Qualidade do ar na cabine do avião” foi o tema da segunda palestra, conduzida por Isabel Cristina Vieira Botelho – Certificada pela ANAC em SGSO – Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional. A qualidade do ar e sua circulação, o quanto ele permite ou não a dispersão ou a eliminação de patógenos, pode ser a diferença entre manter uma boa saúde ou se contaminar. Ficou claro que segurança é prioridade máxima da aviação:
“As aeronaves usam o filtro HEPA, que remove poeira, sujeira, umidade, bactéria e vírus do ar. A pandemia trouxe essa curiosidade à tona. As saídas de ar tendem a criar uma cortina de ar fresco ao redor da cabeça do passageiro. Por isso é importante evitar a movimentação na cabine para não atrapalhar/limitar a eficácia da circulação do ar”.
Na sequência, Vânia Elizabeth Ramos Melhado – Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial – falou sobre “Triagem e critérios para liberação de Passageiro Enfermo na Aviação Comercial”. Ela trouxe informações técnicas relevantes, como o fato da frequência respiratória e cardíaca ficar um pouquinho aumentada durante os voos. E alertou que as companhias aéreas são responsáveis por levar os passageiros em segurança ao destino, mas que elas não têm a dimensão real do estado de saúde no embarque dos passageiros.
“Existe complexidade nesse assunto, não é só um desenho de fator de risco como estamos acostumados nos hospitais. Às vezes, eu escuto ‘Está sem febre há 48h, está seguro’. Mas não é bem assim. Pessoas com infecção não devem viajar. Para ser um bom médico aeroespacial é preciso primeiramente ser um bom médico”, complementou.
Por fim, a fala foi passada ao palestrante Cristiano Gregis – Coordenação de Vigilância Epidemiológica em Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegados, que falou sobre o papel da ANVISA na regulação sanitária nas aeronaves (embarque e desembarque). Ele resgatou elementos históricos para dizer que a vigilância epidemiológica não é recente. Lembrando, por exemplo, que a peste negra levou as autoridades da República da Ragusa a inventar o sistema de quarentena em 1377.
Ele citou as orientações de 2005, definidas na publicação “Internacional Health Regulations”: “A todo momento, deve haver acesso a assistência médica; equipamento pessoal para remoção; pessoal treinado para inspeção de meios de transporte; segurança sanitária dos ambientes; e programa de controle de vetores. Em situações de emergência, deve haver plano de contingência; isolamento, quarentena e tratamento de suspeitos; espaço para entrevistas; aplicação de medidas sanitárias; e controles de entrada e saída”.
Setembro amarelo: CFM participa de campanha de prevenção ao suicídio

O suicídio é uma das principais causas de morte no mundo, matando mais do que o HIV, malária ou câncer de mama. Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 700 mil pessoas tiram suas vidas por ano. Para diminuir essa triste marca, foi instituído o dia 10 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. O Conselho Federal de Medicina (CFM) também faz parte dessa iniciativa e exorta todos a se engajarem na campanha.
“A data é importante para estimularmos uma reflexão sobre as causas do suicídio no Brasil e no mundo, levando as famílias a dialogarem sobre esse grave problema” argumenta o presidente do CFM, Hiran Gallo. Ele enfatiza a necessidade de todos estarem atentos aos sinais emitidos por amigos e familiares.
“Ao perceber mudanças de hábitos alimentares ou de sono, irritabilidade, pessimismo, tristeza ou apatia, entre em ação. Estimule o diálogo, não tenha de medo de perguntar e escute esta pessoa, sem julgamentos”, aconselha. Hiran Gallo lembra que também é possível encaminhar esta pessoa para atendimento em um Centro de Atendimento Psicossocial, onde ela receberá atendimento médico e multidisciplinar. “Além disso, ofereça seu abraço e sua escuta”.
Fatores de risco – O suicídio é uma complicação dos transtornos mentais e uma das principais causas de mortalidade preveníveis em todo o mundo. Os principais fatores de risco relacionados a esta triste situação são a presença de algum Transtorno do Humor (Depressão, Transtorno Bipolar), Transtorno por uso de Substâncias e tentativas de suicídio prévias.
Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro de 2022, entre 2016 e 2021 houve um aumento de 49,3% nas taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos, chegando a 6,6 por 100 mil, e de 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos, chegando a 1,33 por 100 mil. Estes dados são muito preocupantes e políticas públicas são fundamentais para enfrentar a situação.
Desde 2014, o CFM e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) são aliados na campanha Setembro Amarelo de esclarecimento sobre o problema e incentivando as pessoas em sofrimento a procurarem ajuda. Como diz a campanha, “se precisar, peça ajuda!”
CFM realiza fórum sobre campos de estágio para cursos de medicina em 11 de outubro
O Conselho Federal de Medicina (CFM) irá realizar, no próximo dia 11 de outubro, o XIII Fórum da Comissão de Ensino Médico, que terá como tema central “Campos de Estágio de Cursos de Medicina”. O seminário está sob a responsabilidade da comissão da autarquia que se debruça sobre o tema, coordenada por Julio Braga, conselheiro federal pela Bahia.
“Sabemos que a falta de estágios adequados faz com que o aluno comece a trabalhar como médico sem ter desenvolvido as habilidades necessárias para se tornar um bom profissional”, afirmou. Segundo ele, a expectativa é que, durante o encontro, possam ser debatidas questões complexas relacionadas ao tema, desde a quantidade limitada de campos de estágio até estratégias para melhor qualificá-los.

“Debateremos com especialistas em educação médica, gestores de educação e saúde nacionais e com uma convidada internacional. A doutora Maria do Patrocínio compartilhará experiências como ex-presidente da Associação Europeia de Educação Médica (Amee) e propostas da Universidade de Lisboa sobre o tema”, resumiu Braga.
Certificados – A participação no evento será gratuita e aberta para todos os médicos interessados, mediante preenchimento do formulário de inscrição. Serão 600 vagas. Aos inscritos previamente para participarem pela plataforma Zoom, serão enviados certificados de participação no evento. A videoconferência também será transmitida ao vivo pelo canal do CFM no YouTube, a partir das 9h do dia 11 de outubro, mas sem direito a comprovação de presença.
O presidente do CFM, José Hiran Gallo, abrirá os trabalhos. Para ele, o debate em torno do tema é fundamental para que o País melhore a formação do estudante de medicina e, assim, ofereça atendimento de qualidade à população lá na ponta. “Sem infraestrutura, corpo docente qualificado e campos de estágio, o universitário não consegue obter boa formação para ingressar no mercado de trabalho. Vamos discutir esses e outros importantes assuntos no seminário”, afirmou.
Se inscreva no XIII Fórum da Comissão de Ensino Médico aqui:
PROGRAMAÇÃOXIII Fórum da Comissão de Ensino Médico do CFM
Campos de Estágio para Cursos de Medicina
DATA: 11/10/2023 HORÁRIO: 09:00 às 18:00h
LOCAL: CFM (Brasília) com transmissão para Zoom e YouTube
09:00 às 09:10h – Abertura
Dr. José Hiran da Silva Gallo – Presidente do Conselho Federal de Medicina
09:10 às 10:30 – Mesa Redonda: “Como Deveriam ser os Campos de Estágio”
Coordenador: Dr. Itagiba de Castro Filho (Comissão Ensino Médico CFM)
Debatedor: Prof. Dra. Helena Sampaio Andery (Sec. Regulação e Superv. Educação Superior-SERES/MEC/INEP)
09:15h às 09:30h – Qualificando os Ambulatórios e Atenção Básica
(15’) Palestrante: Dr. Sandro Schreiber (ABEM)
09:30 às 09:45h – Como deve ser um Hospital de Ensino (15’)
Palestrante: Dra. Monica Neri (ABRAHUE)
09:45 às 10:00h– Residência Médica e a Formação de Graduandos
Palestrante: Dra Viviane Peterle (Sec. CNRM)
10:00 às 10:15h – Definição de leitos de ensino no SUS
Palestrante: Dr. Vinícius Azevedo (Ex Sec. Gestão Trabalho e Educ Saúde- SGTES/MS)
10:15 às 10:50h – Discussão (35’)
INTERVALO: 10:50 às 11:00h
11:00 às 12:30h – Mesa Redonda: Experiências internacionais
Coordenador: Dr. Donizetti Giamberardino (Coord SAEME/CFM) Debatedor: Dr. Jeancarlo Cavalcanti (Vice-Pres. CFM)
11:00 às 11:15h – Avaliação dos Campos de Estágio pelo SAEME/ WFME Palestrante – Prof. Dr. Milton de Arruda Martins (FMUSP/Com. Ensino CFM)
11:15 às 11:45h – Campos de Estágio em Portugal e União Europeia
Palestrante– Profa. Dra. Madalena Patricio (Univ.Lisboa/Ex. Pres. AMEE)
11:45 às 12:30h – Discussão
14:00 às 15:45h – Mesa Redonda: Contratualizando os Campos de Estágio
Coordenador: Dr. José Eduardo Dolci (AMB/Com Ensino CFM)
Debatedor: Dr. Fabio Baccheretti Vitor (Pres do CONASS)
14:00 às 14:15h – Controle da Relação Campos de Estágio/Cursos (15’) Palestrante: Dra. Isabela Cardoso (Sec. Gestão e Trabalho SGETS/MS)
14:15 às 14:30h – O que é necessário para utilização efetiva de campos privados
Palestrante: Dr. Guilherme Succi (Fac São Leopoldo Mandic)
14:30h às 14:45h – Como ofertar vagas no SUS: COAPES ou novas regras?
Palestrante: Hisham Mohamad Hamida (Pres. CONASEMS)
14:45h às 15:00h – Como qualificar o SUS com estágios
Palestrante: Dr. Silvio Pessanha (IDOMED/Com Ensino CFM)
15:00 às 15:45h – Discussão
15:45 às 16:00h – Intervalo
16:00 às 17:45h – Mesa Redonda: Propostas e Inovações para Estágios
Coordenador: Sigisfredo Brenneli (Com Ensino CFM)
Debatedor: Profa. Dra. Denise Carvalho (Sec. de Educação Superior-SESU/MS)
16:00 às 16:15h – É possível suplantar o déficit de campos?
Palestrante: Dr. José Baratella (Ex-Pres Feder. Acad. Medicina/Com Ensino CFM)
16:15 às 16:30h – Formação e Remuneração de Preceptores
Palestrante: Dra. Patrícia Tempsky (FMUSP/Com Ensino CFM)
16:30 às 16:45h – Acompanhando o aluno com MiniCex, DoPs, avaliação 360, portfólio, global rating…
Palestrante: Dr. José Knopfholz (Com Ensino CFM)
16:45 às 17:00h – EPAs e avaliação da capacitação do aluno
Palestrante: Dr. Gustavo Salata Romão (UNAERP/FEBRASGO )
17:00 às 17:45h – Discussão
17:45h às 18:00h– Encerramento – Dr. Julio Braga (Coord. Com. Ensino CFM)
Pelo diagnóstico precoce do retinoblastoma, CFM apoia campanha “De Olho nos Olhinhos”

Nos dias 16 e 17 de setembro, acontece a campanha “De Olho Nos Olhinhos” com o objetivo de conscientizar e alertar sobre o retinoblastoma, um tumor ocular que acomete crianças de até 5 anos de idade. O Conselho Federal de Medicina (CFM) apoia a ação promovida pelos jornalistas Daiana Garbin e Tiago Leifert. A filha do casal, Lua, hoje com quase 3 anos, foi diagnosticada com retinoblastoma quando tinha 11 meses e ainda está em tratamento.
O CFM, que atua com foco nas melhores práticas médicas, colabora com a saúde da criança brasileira e luta por um acesso justo e com qualidade para todas elas. Donizetti Dimer Giamberardino Filho, conselheiro federal pelo estado do Paraná, participou de uma live na rede social da Daiana Garbin, representando o CFM em apoio ao projeto.
Ele esclareceu dúvidas dos participantes, afirmou que esta é uma questão pública de saúde e destacou: “Do ponto de vista de boas práticas médicas, o Teste do Olhinho, ou seja, a hermenêutica do exame ocular, é um dever do médico. Entre seus deveres de atualização, de informação da família e de diligência do exame físico, do ponto de vista ético do CFM, o médico tem que cumprir com uma boa prática. Nesse sentido, há uma obrigatoriedade, mesmo que não esteja em lei. Todo médico que decide atender crianças, precisa fazer o exame do olho. Você não pode terceirizar esse exame ao oftalmologista. A primeira consulta é fundamental para dar à criança o acesso ao oftalmologista”.
O CFM enviará cartilha sobre retinoblastoma, via e-mail, para todos os médicos do Brasil. O material também está disponível para download no link abaixo.
Cartilha sobre Retinoblastoma – De Olho nos Olhinhos
A campanha
Tiago e Daiana descobriram o retinoblastoma quando ele já estava num grau considerado avançado. “O que mais gostaríamos era de estar navegando na internet e ter tido acesso a um vídeo de um casal dizendo o que está acontecendo com a filha deles”. O vídeo postado pela família Leifert no Instagram, em janeiro de 2022, comoveu milhões de brasileiros. “Queremos que as famílias consigam chegar ao diagnóstico antes do que nós conseguimos, e por isso é fundamental divulgar informação e ficar de olho nos olhinhos”, afirma Tiago.
Daiana Garbin alerta: “Ficar atento a sinais como um reflexo branco, o “olho de gato”, e estrabismo é fundamental para ajudar a detectar não só o retinoblastoma, mas várias outras doenças. O diagnóstico precoce pode salvar a visão e a vida dos nossos filhos”.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) há entre 200 a 250 casos novos por ano no Brasil, 7.500 a 8 mil no mundo, e a grande preocupação é o diagnóstico tardio. No Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) há de 12 a 15% de retinoblastoma extraocular, o que significa um tumor avançado. A Dra. Carla Macedo, oncologista pediátrica do GRAACC explica: “Quando diagnosticado precocemente, e tratado em centros de referência, a chance de cura é de 90%, mas a grande preocupação é quando o câncer já saiu do olho, o que chamamos de metástase. Quanto mais cedo identificar a doença, maior é a chance de cura”.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento, assistência, diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos casos de retinoblastoma, de forma integral e gratuita.
Outras parcerias
Segundo Cristiano Caixeta Umbelino, presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), todas as crianças precisam ser submetidas ao teste do olhinho no primeiro mês de vida, idealmente no berçário da maternidade. É preciso conscientizar as famílias sobre a importância da consulta oftalmológica de bebês e crianças pequenas ao oftalmologista. “Muitas crianças vão ao oftalmologista pela primeira vez na idade de alfabetização, o que está longe do ideal e permite que doenças oculares não sejam precocemente diagnosticadas e tratadas. Além do retinoblastoma, outros problemas oculares podem se desenvolver silenciosamente na infância”, alerta.
Para Clóvis Francisco Constantino, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a visão é uma janela para o mundo, influenciando o desenvolvimento cognitivo e emocional. “Durante as consultas de puericultura, a saúde ocular deve ser uma das mais importantes prioridades. Problemas não diagnosticados precocemente podem afetar o crescimento saudável e, por isso, a SBP apoia esta iniciativa, reforçando a importância de cuidados precoces e contínuos com a visão de nossas crianças”.
Fonte: Portal CFM, em 08.09.2023.