CFM reforça apoio ao exame de proficiência médica em defesa da qualidade da assistência
Grandes lideranças políticas e médicas do País têm reforçado apoio à criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (ProfiMed) como instrumento para assegurar qualidade na formação profissional e segurança no atendimento à população brasileira. O tema voltou a ser defendido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) durante agendas institucionais em São Paulo.
O secretário de Projetos Estratégicos do estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, destacou a necessidade de rigidez na formação médica. “Nós precisamos ser rigorosos na formação de médicos. O CFM está preparado, como o caso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), para poder garantir à população um atendimento médico à altura da sua expectativa”, afirmou.

Eleuses Paiva, secretário de saúde do governo de São Paulo
O secretário de Saúde de São Paulo, Eleuses Vieira de Paiva, também reforçou a importância do debate. “Quando a gente discute qualidade da formação profissional, nós estamos também falando sobre a qualidade da assistência à saúde no nosso País. Estamos neste momento pedindo o apoio de todos para apoiar no Congresso Nacional o projeto da criação do exame de proficiência pelo CFM”, declarou.
Para o conselheiro federal José Eduardo Dolci, o tema une as entidades médicas brasileiras. “Tenho plena convicção de que as entidades médicas, na sua totalidade, estão dando apoio a esse projeto, que é fundamental à saúde da população brasileira”, disse.
O presidente do CFM, José Hiran Gallo, reforçou que o exame busca fortalecer a qualidade da assistência médica no País. “Nós pedimos o apoio de todos para a aprovação do exame de proficiência, que irá trazer qualidade no atendimento do cidadão. A sociedade brasileira clama por uma medicina de qualidade”, concluiu.
Veja AQUI o vídeo com as entrevistas das lideranças políticas..
III Fórum de Medicina do Tráfego debate a atuação do especialista como perito e novas diretrizes da Abramet

As atividades da tarde do III Fórum de Medicina do Tráfego do CFM, realizado nesta quarta-feira (6), debateram a atuação do especialista como perito e as diretrizes da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) para considerar apto, ou não, à carteira de motorista um candidato com comorbidades.
O evento foi transmitido pelo canal do CFM no YouTube e pode ser acessado AQUI.
O primeiro palestrante da tarde foi o vice-corregedor do CFM e perito médico federal, Francisco Cardoso, que falou sobre o tema “Entre cuidar e julgar: a distinção entre o ato assistencial e o ato pericial na prática médica”.
Para o conferencista, o médico do tráfego realiza perícia médica. “Ele não é um médico assistente e não deve agradar o paciente, nem o governo. Deve dizer se o motorista tem condições físicas e mentais para dirigir. Se é seguro para a população que àquele candidato assuma o volante de um carro”, defendeu.
Cardoso afirmou, no entanto, que o médico do tráfego pode atuar como assistente quando for contratado por empresas transportadoras. “Ele teria condições de dizer, por exemplo, se um motorista teria condições de fazer uma viagem entre São Paulo e Maranhão, por exemplo”, defendeu.
Diretrizes – A conferência seguinte foi dada pelo diretor financeiro da Abramet, Adriano José Fontes Isabella, que falou sobre “Fundamentos médicos para a definição do prazo de validade do Exame de Aptidão Física e Mental para candidatos e condutores de veículos automotores”, que explicou os vários fatores que podem levar o médico do tráfego a considerar que um motorista não está apto para dirigir.

O paciente por ter problemas cardiológicos, neurológicos, cognitivos, endócrinos, do sono, otorrinolaringológicos, neoplasias e renais. “Para todos esses problemas, a Abramet tem diretrizes científicas com critérios claros das situações em que não será possível conceder a autorização”, afirmou Fontes Isabella.
“São muitas as situações em que o candidato pode ser inabilitado. Porém, se a Medida Provisória 1.327/25 for aprovada como quer o governo, o motorista pode passar 30 anos dirigindo sem passar por um exame médico para avaliar suas condições de saúde. E, como sabemos, o médico do tráfego é, às vezes, o único médico que alguns homens consultam, principalmente os motoristas profissionais”, argumentou.
Epilepsia – A última conferência, por videoconferência, foi dada pelo diretor científico da Abramet, Flávio Adura, que falou sobre “Epilepsia e condução veicular: critérios atualizados de avaliação e tomada de decisão segundo a nova Diretriz da ABRAMET”. Em sua fala, ele explicou as diferenças entre a diretriz anterior, de 2003, e a atual, aprovada ano passado. “A diretriz de 2003 foi um avanço, pois permitiu que pessoas com epilepsia pudessem obter a carteira de motorista, mas ela precisava ser atualizada”, argumentou.
A nova diretriz, que contou com a colaboração da Associação Brasileira de Epilepsia (ABE), da Liga Brasileira de Epilepsia (LBE) e do departamento científico de Epilepsia da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), incluiu critérios para a avaliação de candidatos com crises epilépticas de acordo com as evidências científicas mais recentes e incluindo várias situações, desde pessoas que tiveram uma única crise, que fazem uso ou não de medicamentos, entre outras situações. Acesse AQUI a nova diretriz da Abramet.
II Fórum CFM e Escolas Médicas vai debater ética, identidade profissional e desafios da formação médica

O Conselho Federal de Medicina (CFM) vai realizar, no dia 29 de maio, o II Fórum CFM e Escolas Médicas. O tema central do evento, que acontecerá na sede da autarquia, em Brasília, é “Que Médico Estamos Formando?” Ética, Identidade e Cuidado como Fundamentos da Graduação Médica. O encontro reunirá conselheiros federais, representantes do Ministério da Educação, Ministério da Saúde, Ministério Público Federal, gestores acadêmicos, professores e estudantes para discutir os principais desafios da formação médica no país.
Para se inscrever, acesse aqui.
Segundo o coordenador da Comissão de Ensino Médico do CFM, Alcindo Cerci Neto, o fórum busca promover uma reflexão ampla sobre o atual cenário da educação médica e seus impactos na assistência à população. “Discutir a formação médica hoje é discutir o futuro da assistência à saúde no Brasil. Precisamos refletir sobre quais valores, competências e responsabilidades estamos transmitindo aos estudantes de Medicina”, destaca.
A abertura contará com a participação do presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo; do próprio Alcindo Cerci Neto; e do coordenador da Comissão de Elaboração do Projeto de Prova de Proficiência, Diogo Leite Sampaio. Em seguida, a conferência inaugural discutirá a intersecção entre as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de Medicina e as normativas éticas e técnicas do CFM, abordando se os estudantes estão sendo preparados para os desafios reais da profissão.
A programação da manhã inclui a mesa-redonda “O desafio da prática: como estamos preparando o estudante para a realidade?”, que debaterá violência contra o médico, telemedicina, inteligência artificial e responsabilidade técnica. Participam das exposições os conselheiros federais Raphael Câmara Medeiros Parente, Jeancarlo Fernandes Cavalcante e Maira Pereira Dantas.
Para Alcindo Cerci Neto, as transformações tecnológicas e sociais vividas pela medicina exigem atenção especial das instituições formadoras. “O médico do futuro não pode ser formado apenas tecnicamente. É indispensável fortalecer princípios éticos, identidade profissional, capacidade crítica e compromisso com o cuidado humanizado”, afirma.
Outro destaque do evento será a palestra “Quem cuida de quem vai cuidar? Como anda a saúde mental do estudante de Medicina”, ministrada pelo estudante de medicina Vitor Melo, sob presidência do 1º vice-presidente do CFM, Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti. O tema deve ampliar o debate sobre os impactos emocionais da formação médica e a necessidade de fortalecimento de políticas de acolhimento e cuidado aos estudantes.
Na sequência, Rosana Leite de Melo, membro da Comissão de Ensino Médico, ministrará a palestra “Os Dois Lados da Moeda na Gestão Educacional: Fragilidades, Potencialidades e a Construção de uma Rede de Sustentação com o CFM”. A atividade abordará os desafios da gestão educacional, as fragilidades e potencialidades dos cursos de Medicina e a construção de uma rede de sustentação institucional capaz de aproximar escolas médicas, coordenadores de curso e Conselhos de Medicina em favor da qualidade da formação.
Durante a tarde, o fórum abordará temas relacionados à identidade profissional e ao pertencimento à medicina, com discussões sobre bioética, juramento de Hipócrates, liderança colaborativa, interdisciplinaridade e o papel das humanidades na formação médica.
A programação também reserva espaço para um debate sobre o compartilhamento de campos de estágio e seus reflexos na qualidade do ensino. A atividade contará com representantes do Ministério da Educação, Ministério da Saúde, Ministério Público Federal e da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (SERES/MEC).
Na avaliação de Alcindo Cerci Neto, a qualidade da formação médica precisa permanecer no centro das discussões institucionais. “A preocupação do CFM é assegurar que a expansão da formação médica no país ocorra com qualidade, estrutura adequada e compromisso efetivo com a segurança do paciente e a boa prática médica”, pontua.
O encontro ainda terá uma mesa-redonda dedicada aos coordenadores de cursos de Medicina e às Comissões de Ensino Médico dos Conselhos Regionais de Medicina, discutindo os desafios relacionados à Resolução CFM nº 2.434/2025 e à integração entre assistência, academia e preceptoria.
O encerramento do fórum será marcado pela conferência “Sinergia institucional: gestão acadêmica e regulação profissional”, ministrada pelo médico oftalmologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Schor.
Fonte: Portal CFM, em 07.05.2026.