
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi uma das autoridades presentes na cerimônia de posse da nova diretoria do CFM
Autoridades e dirigentes de entidades médicas nacionais e internacionais prestigiaram a sessão solene de posse da nova diretoria do Conselho Federal de Medicina (CFM), realizada na noite de sexta-feira (1º), em Brasília. O evento reuniu mais de 400 participantes na sede da Associação Médica de Brasília (AMBr) e foi acompanhado por quase 1.500 internautas por meio do perfil da autarquia no YouTube.
O novo grupo diretor, coordenado pelo ginecologista e obstetra José Hiran da Silva Gallo, responderá pela entidade até o dia 30 de setembro de 2024. Em seu discurso, o presidente empossado agradeceu aos que fizeram parte de sua trajetória e apontou os rumos que a autarquia deverá trilhar a partir de agora, enfatizando a necessidade de união para enfrentar os desafios impostos à Medicina brasileira.
“Neste dia festivo, não tenho dúvidas de que todos os conselheiros do CFM, independentemente de cargos e funções, reafirmam publicamente seus compromissos com a medicina, a saúde e a população”, pontuou. “Temos a convicção que nos próximos 30 meses os valores e princípios que norteiam nossa profissão serão honrados pelo nosso Plenário”, complementou José Hiran Gallo.
Para ele, o País deve esperar deste grupo dedicação para entender os desafios que se impõem; empenho para lutar pela qualificação da assistência na saúde; disciplina para buscar na ciência as melhores evidências para a prática médica; responsabilidade para defender e cuidar dos interesses da sociedade e da classe; e ética para manter o CFM independente, autônomo, isento e idôneo.
Ao transmitir o cargo para seu sucessor, Mauro Ribeiro, que deixou a Presidência e assumiu a Tesouraria do CFM, relembrou alguns dos momentos de sua gestão e disse ser um dia de muita gratidão. “Quando assumimos [em outubro de 2019] tínhamos todo um planejamento. De repente, fomos surpreendidos pela maior crise sanitária do mundo”, lembra. Para ele, foram muitas as provações e embates, sobretudo no campo político. No entanto, avalia, “foi um período de ouro na minha vida, o ponto alto da minha carreira e acho que valeu muito a pena. Foi um grande privilégio e uma hora!”.
Autoridades – Presente no evento, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, agradeceu a todos os médicos brasileiros, “que dedicaram suas vidas ao enfrentamento da pandemia”. Segundo ele, o governo brasileiro precisou assumir a direção de um grande avião chamado “pandemia” e sob um céu “bastante turbulento”. Segundo ressaltou, “nos aproximamos do momento de fazer essa aeronave aterrissar em segurança. Tenho certeza que vocês [médicos] vão nos ajudar a fazer uma aterrisagem tranquila”, destacou, ressaltando a importância do papel do CFM na defesa da ética.
O senador Marcos Rogério (PL-RO) disse ser um dia histórico para o seu estado. “Rondônia está em festa. O dr Hiran Gallo é reconhecido em Rondônia, mas é também muito respeitado em todo o Brasil por sua capacidade de construir convergências em ambientes de divergências”, destacou o parlamentar, que também aproveitou a cerimônia para prestar homenagem aos médicos de todo o País.
O presidente da Frente Parlamentar da Medicina (FPMed), deputado federal Hiran Gonçalves ((PP/RR), ressaltou alguns dos desafios a serem superados nos próximos anos e pediu a união das entidades médicas. “Desejo que José Hiran Gallo ocupe este espaço brilhante tendo a certeza de que estaremos juntos. Este momento é emblemático, ao reunir parlamentares, Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar e entidade médicas para defender, principalmente, os interesses da saúde do povo brasileiro”.
Participando de forma on-line, o bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal, Miguel Guimarães, saudou o novo presidente e os médicos brasileiros. “Temos mais de quatro mil médicos estrangeiros e os médicos brasileiros são maioria. E são estes que, com generosidade e desempenho, têm ajudado Portugal na assistência à saúde contra a covid-19”, ressaltou. De Portugal, também participou da cerimônia o professor catedrático e coordenador do Programa Doutoral em Bioética da Faculdade portuguesa, Rui Nunes.
Além do professor Rui Nunes, também compuseram a mesa de honra o diretor-presidente da ANS, Paulo Rabello Filho; a deputada federal Mariana Carvalho (PSDB-RO); o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Gutemberg Fialho; o presidente da Federação Médica Brasileira (FMB), Tadeu Calheiros; o presidente da Academia Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Waldemar Naves do Amaral; e o jornalista Alexandre Garcia.
Também enviaram mensagens em vídeo o bastonário da Ordem dos Médicos de Moçambique, Gilberto Manhiça; o reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira; o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Altamiro Costa Pereira; e o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Fernandes. Prestigiaram ainda a solenidade familiares da nova diretoria e representantes dos Conselho Regionais de Medicina, Associações, Sindicatos e Sociedades de Especialidades Médicas, além de funcionários e colaboradores da autarquia.
Confira aqui outras fotos da solenidade de posse da nova Diretoria do CFM.
José Hiran Gallo é o novo presidente do CFM

Rondoniense filho do Seu Adalberto e da Dona Maria Inácia, José Hiran da Silva Gallo passou a infância à beira do Rio Madeira, formou-se médico na capital do Pará em 1979 e, neste 1º de abril de 2022, tomou posse como presidente eleito do Conselho Federal de Medicina (CFM).
“O que acontece hoje é resultado de tudo aquilo que vivi, de uma trajetória construída com muitos dias e noites de estudo e de trabalho, de conversas e de silêncios, de choro e de alegria, de retrocessos, avanços e longas esperas”, afirmou Hiran Gallo em seu discurso de posse, realizada em Brasília, na presença de expoentes da história da medicina brasileira.
O presidente destacou que já era aluno de medicina quando encontrou as paixões de sua vida: a ginecologia e obstetrícia, sua prática diária por mais de 40 anos; e sua esposa, Élida Maria. Pedindo licença para quebrar o protocolo, Gallo a convidou ao palco e lhe presenteou com flores. “Ela me deu uma família e tem apoiado cada passo que dou. Homenageio essa mulher e médica, pois sem ela nada disso estaria acontecendo. Ela é minha colega de profissão, minha esposa, minha companheira de vida”.
Destacando que dedicação, disciplina, responsabilidade e ética são valores e princípios honrados pelo Plenário do CFM, José Hiran Gallo pontuou não ter dúvidas de que “todos os 55 conselheiros, independentemente de cargos ou funções, reafirmam publicamente seus compromissos com a medicina, a saúde e a população”.
Reconhecimento – Gallo agradeceu a confiança dos médicos de Rondônia, que durante 20 anos o escolheram para representá-los no CFM, e destacou a importância dos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), “peças fundamentais para que os projetos de valorização da medicina e da saúde no País alcancem pleno êxito”.
As entidades médicas nacionais e as 55 sociedades de especialidades médicas também foram citadas pelo novo presidente.
“É preciso interagir. Uma instituição que se fecha em suas próprias convicções não cresce. As entidades podem estar certas que encontrarão no CFM um aliado disposto ao diálogo e à construção de uma agenda convergente em torno de temas que sejam de importância aos diferentes públicos que transitam pelo universo da saúde e da medicina”, destacou Hiran Gallo, concluindo que, “com amplo respeito às especificidades das instituições, previstas em lei e regramentos, o CFM quer somar”.
A nova diretoria do CFM inicia sua gestão neste 1º de abril de 2022. “912 dias nos separam do fim desta gestão e temos a convicção de que, neste período, valores e princípios que citei serão honrados pelo nosso Plenário, ecoando o poder de forças positivas que se unem para derrotarmos nossos inimigos comuns: a doença, a desigualdade, a injustiça, os abusos de toda ordem, o descaso com a saúde e a desvalorização da medicina”. Assim, José Hiran da Silva Gallo concluiu seu discurso de posse enquanto presidente do CFM.
Para assistir a solenidade completa acesse o canal da autarquia no YouTube: youtube.com/user/cfmedicina.
Emocionado, Mauro Ribeiro deixa a Presidência do CFM e afirma gratidão pela experiência de liderar a autarquia

“Hoje é um dia de gratidão. Eu sou um médico de Campo Grande (MS), do meio do mato. Quando assumi o CFM, junto com toda a diretoria, tinha um planejamento. Mas, o mundo parou. O Brasil foi tomado pela maior crise sanitária de sua história e a medicina brasileira foi atingida naquilo que nos é mais caro: a autonomia médica. Hoje, vemos que fomos bem-sucedidos na defesa dessa autonomia, mas não foi fácil”.
Assim Mauro Luiz de Britto Ribeiro, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), na gestão 2019-2022, abriu seu discurso de transmissão de cargo na solenidade de posse da nova diretoria da autarquia, realizada em Brasília (DF), na noite de 1º de outubro.
Emocionado, agradeceu aos médicos de Mato Grosso do Sul, que o elegeram por três mandatos; aos ex-presidentes que o antecederam no cargo – Roberto Luiz d’Ávila e Carlos Vital -, que nortearam seu crescimento como membro da autarquia; e aos conselheiros que compuseram a diretoria na gestão 2019-2022. “É um privilégio e uma honra estar aqui e dividir este momento com vocês”
A defesa da autonomia médica foi um marco da gestão de Mauro Ribeiro, que se manteve firme na defesa de prerrogativas médicas. Em sua gestão, o CFM obteve inúmeras vitórias em decisões da Justiça, aprovou 46 pareceres e 38 resoluções, dentre elas a de nº 2.311/2022, que regulamenta a prática de cirurgias robóticas no Brasil.
Conselheiro federal pelo estado de Mato Grosso do Sul, Mauro Ribeiro esteve à frente da autarquia durante 30 meses e coordenou os trabalhos da Comissão para Avaliação de Novos Procedimentos em Medicina e os da Comissão Mista de Especialidades, além de integrar as Comissões de Assuntos Políticos, de Ensino Médico, Nacional Pró – SUS, para Controle de Drogas Lícitas e Ilícitas e também a de Direito Médico.
Entre as Câmaras Técnicas, foi membro das que abordam os seguintes temas: Clínica Médica, Medicina Aeroespacial, Medicina de Emergência, Medicina do Esporte, Cirurgia Geral, Medicina do Tráfego, Medicina Marítima, Medicina Paliativa, Cirurgia Bariátrica e Metabólica e Morte Encefálica. Neste 1º de abril de 2022, Ribeiro transmitiu o cargo de presidente para o conselheiro José Hiran da Silva Gallo e assumiu o cargo de diretor tesoureiro do CFM.
Discurso de posse do presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo

Solenidade realizada em 1º de abril de 2022
Boa noite a todos.
Cumprimento aos presentes nas pessoas dos ministros Damares Alves e Marcelo Queiroga que, assim como as senhoras e os senhores, gentilmente abriram espaço em suas agendas para prestigiar essa solenidade de posse, promovida pelo Conselho Federal de Medicina.
Pessoalmente, e em nome de todos os conselheiros federais, agradeço a deferência e espero manter vivo o interesse de cada um dos presentes neste auditório e daqueles que nos acompanham pelas redes sociais durante a apresentação desta mensagem.
Minhas amigas e meus amigos, o que acontece hoje é resultado de tudo aquilo que vivemos. Vocês sabem que uma trajetória não se constrói do dia para a noite. Ela vem da soma de muitos dias e de muitas noites de estudo e de trabalho; de longas esperas; de conversas e de silêncios; de choro e de alegria; de retrocessos e avanços.
Hoje, diante desse auditório lotado, eu tenho a oportunidade de lançar um olhar sobre o meu passado e vislumbrar um pouco do que me fez chegar até aqui. Lembro do José Hiran Gallo, filho do Seu Adalberto e da Dona Maria Inácia, que era tão magro quanto traquina.
A infância à beira do Rio Madeira passou leve no riso solto durante as partidas de futebol sob a chuva. Claro que não faltaram puxões de orelha, como quando pintei com tinta fresca os bancos de concreto onde sentavam as autoridades da minha cidade para falar de política.
Naquela época, minha amada Porto Velho tinha três ruas por onde circulavam dois jornais – O Alto Madeira e O Guaporé. Assim, as notícias que chegavam de longe enchiam os olhos do jovem José Hiran Gallo, que com menos de 15 anos, foi enviado para Belém para concluir o que hoje é chamado de ensino médio e continuar a sonhar. Na capital do Pará, descobri que para isso – SONHAR – não bastava fechar os olhos. Foi preciso empenho para entrar na faculdade de medicina da Universidade Estadual do Pará e decolar para voos maiores.
Já aluno de medicina, encontrei minhas paixões de vida: a ginecologia e obstetrícia, que se tornaram minhas especialidades e prática diária por mais de quatro décadas; e Élida Maria, que me deu família e tem apoiado cada passo que dou.
Quando me preparava para essa solenidade, recordei nosso primeiro encontro, na cantina da universidade, onde o aluno de Rondônia pediu dicas à estudante nota 10. Na conversa, eu disse que queria ajuda para melhorar o meu desempenho. Desde então, Élida me dá lições diárias e me faz ser um homem melhor. Élida é minha colega de profissão, minha amiga, minha esposa, mãe de meus filhos, minha companheira de vida. Peço licença a todos para quebrar o protocolo e fazer uma singela homenagem a essa mulher e médica, pois sem ela nada disso estaria acontecendo. Élida Maria, por favor, convido você a subir a este palco.
Minhas amigas e meus amigos, vamos retomar nossa solenidade e peço a compreensão de todas e todos. Prometo que serei breve e que não vou neste discurso fazer menção a cada ano de minha existência. A cada encontro magnífico.
Na verdade, aqui desaparece o indivíduo José Hiran Gallo e surge o membro do Conselho Federal de Medicina.
Não falarei em meu nome, mas tentando expressar o pensamento dos 56 conselheiros do CFM, que comungam experiências que têm moldado o nosso trabalho à frente dessa autarquia, a qual conta com sete décadas de serviços prestados ao País.
Por isso, neste dia festivo, não tenho dúvidas de que todos os 56 conselheiros do CFM, independentemente de cargos e funções, reafirmam publicamente seus compromissos com a medicina, a saúde e a população, sempre amparados nos valores e princípios que acumularam ao longo de suas próprias histórias.
Esperem desses homens e mulheres: dedicação, para entender os desafios que se impõem para a medicina que, no nosso País, enfrenta as consequências deixadas pelas desigualdades econômicas e sociais sobre a saúde da população; empenho, para lutar sem tréguas pela qualificação da assistência na saúde, sempre em busca da oferta de condições de trabalho dignas para o médico e da ampliação do acesso ao atendimento para os brasileiros, em especial para aqueles dos grupos mais carentes e vulneráveis; disciplina, para buscar na ciência as melhores evidências para a prática médica, as quais, portanto, devem nortear o trabalho do médico em todas as fases do atendimento, com respeito integral aos dois princípios básicos da medicina – o sigilo e a autonomia – que só encontram limites na ética e na lei; responsabilidade, para defender e cuidar dos interesses dos médicos, que têm nos conselhos de medicina seus legítimos representantes, e da população, cujo bem-estar e saúde devem ser protegidos pelo CFM de modo leonino diante do descaso de alguns e da lógica economicista de outros ao dar mais valor ao lucro do que aos seus compromissos com a vida; e ética, para manter o CFM independente, autônomo, isento e idôneo sob quaisquer circunstâncias diante de interesses econômicos, políticos, partidários, e ideológicos, mantendo a credibilidade de nossa instituição e a confiança dos brasileiros na medicina e nos médicos, enquanto defensores das melhores práticas, da justiça, da igualdade, da solidariedade, e do bem: acima de tudo, do bem.
912 dias nos separam do fim dessa fase da gestão do CFM que se inicia hoje. Temos a convicção que neste período esses valores e princípios, que acabei de citar, serão honrados pelo nosso Plenário.
Nesta jornada, esperamos receber o apoio daqueles que comungam com os mesmos valores e princípios. Assim, essa aliança de forças positivas trará ainda mais eco às nossas reinvindicações, aos nossos alertas e às nossas recomendações que têm como foco o aperfeiçoamento do exercício médico diário, em benefício de profissionais e pacientes.
Nesta caminhada, o CFM espera contar com as contribuições de diferentes entidades do movimento médico.
Os 27 CRMs serão peças fundamentais para que os projetos que buscam a valorização da medicina e da saúde no País alcancem pleno êxito. A cada um deles, dedicaremos nossa atenção em busca de soluções para seus dilemas específicos e às dificuldades enfrentadas pelos médicos inscritos em cada estado. As diferenças regionais não encontrarão espaço em nosso Plenário, onde os representantes de todos as unidades da Federação terão direito para expressar a voz e a opinião dos médicos que representam, num exercício constante de democracia.
As 55 sociedades de especialidades médicas podem estar seguras de que o CFM continuará aberto a receber sugestões para, assim, contribuir com o fortalecimento da prática clínica no País. Da mesma forma, nossa autarquia permanecerá atenta às distorções que ameaçam os nossos especialistas e o ato médico. Esse estado de vigilância permitirá que estejamos sempre prontos a agir contra tentativas de invasão de competências ou de cercear nossos direitos ou de nossos pacientes.
As entidades médicas nacionais – Academias de Medicina, Associação Nacional dos Médicos Residentes, Federação Médica Brasileira, Federação Nacional dos Médicos e Associação Médica Brasileira – encontrarão no CFM um aliado disposto ao diálogo e à construção de uma agenda convergente em torno de temas que sejam comuns e de importância aos diferentes públicos que transitam pelo universo da saúde e da medicina.
Com amplo respeito às especificidades de todas as instituições, previstas em lei e regramentos, o CFM quer somar esforços numa luta histórica pela saúde e pela medicina. Nas batalhas, irmãos precisam se apoiar e construir, juntos, as soluções para derrotar os nossos inimigos comuns: a doença; a desigualdade; a injustiça; os abusos de toda ordem; o descaso com a saúde; e a desvalorização da medicina. Para fazer frente a essas ameaças, as entidades médicas precisam superar eventuais diferenças na certeza de que ao marchar unidas elas se fortalecem.
Amigos e amigas, volto mais uma vez no tempo. Vamos aos anos 1990. Recordo o convite de Erondício Martins para participar do Conselho Regional de Medicina do Estado de Rondônia. No Cremero, logo me tornei vice-presidente em sua gestão. Na passagem dos anos, aprendi muito no convívio com ele e com outras lideranças que passaram pela minha vida. Jacó Freitas Atalla, Hamilton Raulin Gundim, Rubens Santos, Hermann Alexandre von Tiesenhausen, Edson de Oliveira Andrade, Roberto d’ Ávila e Carlos Vital Tavares Corrêa Lima foram apenas alguns dos que me ensinaram a sutil arte de conduzir uma organização do porte de um conselho de medicina. Mais do que exemplos, se tornaram amigos que compartilham suas visões do mundo.
Uma das coisas que esses mestres deixam como lição é a necessidade de entender nossos próprios limites, de reconhecê-los e de superá-los com a ajuda de quem pode nos guiar.
Neste ponto, quero agradecer de antemão o apoio que os funcionários e colaboradores do Conselho Federal de Medicina têm dado a nossa autarquia. Graças ao compromisso de cada um deles, o CFM tem brilhado. Na impossibilidade de citar nominalmente a todos, quero agradecer de público a esse trabalho nas pessoas de: Vilma Gomes, Erika Ferreira, José Alejandro Bullon, Paulo Henrique de Souza, Gleidson Porto, Maristela Barreto, Kelly Oliveira, Antônio Carlos de Oliveira, Carlos Souza, Giselle Crossara e João Ferreira. Se o CFM alcançou o espaço que hoje ocupa, isso se deve muito ao apoio de vocês e de suas equipes. A todos, a nossa gratidão.
Nós, conselheiros, contamos com essa dedicação permanente, o que nos obriga a reconhecer esse mérito e estimular o seu desenvolvimento de forma justa, ética e transparente. Da mesma maneira, os meus mestres da medicina também me mostraram que é importante manter as portas do CFM abertas para o mundo.
É preciso interagir com outras instituições para, inclusive, defender nos debates as nossas propostas. Uma instituição que se fecha em suas próprias convicções não cresce e amadurece. Por isso, o CFM continuará a buscar interlocução com espaços privilegiados de tomadas de decisões.
Estaremos no Congresso Nacional, com o apoio da Frente Parlamentar da Medicina – coordenada pelos deputados e médicos Hiran Gonçalves e Doutor Luizinho –, monitorando os projetos que afetam diretamente a prática médica e o atendimento em saúde.
Também buscaremos estar próximos do Ministério Público e do Poder Judiciário – em todas as suas instâncias – para apresentar os argumentos legais e éticos em defesa dos interesses da medicina.
Igualmente, manteremos a disposição de atuar junto ao Ministério da Saúde e a outros órgãos da administração pública, como Anvisa e ANS, levando nossas contribuições e apoiando ações que possam tornar as políticas públicas de saúde efetivas.
Finalmente, quero destacar um outro aprendizado deixado pelos meus mestres da medicina: a necessidade de sermos leais aos nossos próprios princípios e também aos outros companheiros de jornada. Por isso, não posso deixar de destacar três exemplos dessa lealdade.
Neste espírito, agradeço publicamente aos conselheiros e amigos Tatiana Bragança de Azevedo Della Giustina, Alexandre de Menezes Rodrigues, e Salomão Rodrigues Filho. Todos os três – generosamente – se doaram pela integridade e harmonia que devem prevalecer nos espaços coletivos. Pessoas sábias que são, tomaram decisões que entenderam ser fundamentais para preservar interesses maiores.
Minhas amigas e meus amigos, os círculos simbolizam o movimento, a mudança, o avanço ordenado. Por outro lado, os círculos também representam o caminho perfeito ao unirem os pontos de saída e de chegada de uma jornada. No início dessa fala, evocamos nossa história, a importância das raízes, e como as experiências nos moldam para a vida. Ao terminar essa participação, volto a lembrar de valores primordiais, a confiança, como as demonstradas pelos médicos de Rondônia que me escolheram para representá-los no CFM por 20 anos, e o amor incondicional exalado pela família, onde sempre busco abrigo e inspiração, e que, no meu caso, se materializa nos nomes de: minha amada esposa, Elida Maria; nossos filhos – Hiran (oftalmologista) e Daniela (advogada), e nosso neto Ian, um presente que nos foi dado por Daniela e meu genro Raimundo Maia.
Meu querido Ian, pode estar certo que o vovô vai fazer o possível para deixar você e nossa família e nosso Estado orgulhosos. Ian, pode estar certo que vou dar tudo de mim para que o Brasil conte com a medicina e a saúde que merece!
Muito obrigado!
Fonte: Portal CFM, em 04.04.2022.