CFM recebe apresentação de documentário sobre prevenção ao suicídio e saúde mental

O Conselho Federal de Medicina (CFM recebeu, nesta segunda-feira (3), representantes do documentário Além da Escuridão – Razões para Ficar, em reunião realizada na sede da autarquia, em Brasília. O encontro teve como objetivo a apresentação do projeto audiovisual, que aborda a prevenção ao suicídio e a promoção da saúde mental sob uma perspectiva multidisciplinar e humanizada.
Idealizado pelo psicoterapeuta André Baldo, o documentário nasceu a partir de uma experiência pessoal marcada por perdas familiares relacionadas ao suicídio e à depressão. A proposta é transformar a dor em reflexão, conscientização e estímulo ao cuidado, rompendo estigmas e ampliando o diálogo sobre saúde mental na sociedade.
Durante a reunião, a equipe apresentou os objetivos do filme, que já se encontra em produção, e destacou que a iniciativa vai além do formato cinematográfico. O projeto está inserido em um movimento mais amplo, que inclui ações sociais, atendimentos gratuitos em saúde mental, programas de desenvolvimento humano para jovens e campanhas de conscientização.
De acordo com os idealizadores, o documentário reúne entrevistas com profissionais de diferentes áreas do conhecimento, como psicologia, psiquiatria, filosofia e espiritualidade, incluindo especialistas nacionais e internacionais. A expectativa é de que o lançamento ocorra durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção ao suicídio.
Participaram da reunião, pelo CFM, o 3º vice-presidente Jeancarlo Fernandes Cavalcante, e o conselheiro federal suplente pelo estado do Rio de Janeiro, João Helio Leonardo de Sousa. Também estiveram presentes, além de André Baldo, Anderson de Almeida Rocha e Nilso Francisco Baldo.
A apresentação permitiu a troca de informações sobre o escopo do projeto, seus objetivos e a relevância do tema para a saúde pública. Eventuais desdobramentos institucionais relacionados à iniciativa ainda serão oportunamente analisados no âmbito do Conselho.
CFM prepara Congresso e concursos de fotografia e literatura para 2026, fortalecendo diálogo entre medicina, arte e filosofia

A Comissão de Humanidades do Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou, na manhã desta quarta-feira (4), reunião para avançar na organização das ações previstas para o ano de 2026. O encontro teve como foco a consolidação de iniciativas que fortalecem o diálogo entre a medicina, a arte, a literatura e a reflexão ética.
A reunião foi conduzida pela conselheira federal Maíra Dantas, coordenadora da Comissão de Humanidades Médicas, com a participação dos conselheiros federais Krikor Boyaciyan, José Elêrton, Raphael Câmara Parente e Eduardo Jorge Fonseca, além de outros membros da Comissão.
Entre os principais pontos de pauta, destaca-se a realização do II Concurso de Fotografias do CFM, que dará continuidade ao tema “Sob o olhar compassivo do médico”, sucesso na edição de 2025. O pleito será ampliado com uma segunda categoria. Outra novidade é o lançamento do I Concurso Literário do CFM, que entregará o Prêmio Guimarães Rosa.
O grupo já se dedica à organização do X Congresso de Humanidades Médicas do CFM, previsto para setembro. O evento deverá abordar temas diversos e interligados, resgatando as raízes da medicina e seus símbolos, além de promover o diálogo entre medicina e filosofia.
Após o debate inicial, a coordenadora da Comissão reunirá as contribuições apresentadas para a definição do eixo central do congresso e a estruturação de uma programação preliminar. Novas reuniões serão realizadas ao longo do ano para dar continuidade às ações.
Os médicos interessados em humanidades médicas devem acompanhar as redes sociais do CFM. Em breve, serão divulgados os editais, a programação e os links para as inscrições.
CFM promove I webinar com foco no papel do diretor técnico na segurança do paciente
O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou, nesta terça-feira (3), o I Webinar de Administração em Saúde, que teve como tema central o papel do diretor técnico nas políticas e práticas para segurança do paciente. O evento foi promovido em parceria com a comissão de segurança do paciente do CFM e reuniu especialistas de diferentes áreas para debater desafios estruturais, gerenciais, jurídicos e assistenciais relacionados à segurança do cuidado em saúde.

Na abertura do encontro, a coordenadora da câmara técnica de administração em saúde, conselheira federal Maíra Dantas, destacou que a escolha do tema reflete o compromisso do CFM com uma gestão ética, orientada não apenas por resultados econômicos, mas pela qualidade da assistência e pelo cuidado centrado no paciente. Segundo ela, discutir segurança do paciente desde o primeiro webinar da área de administração em saúde reforça a necessidade de integrar gestão, ética e assistência clínica.
Já o 3º vice-presidente do CFM, Jeancarlo Cavalcante, ressaltou que a administração em saúde deve ter como finalidade primordial garantir o melhor atendimento e os melhores desfechos para o paciente. Para ele, o diretor técnico exerce papel estratégico nesse processo, ao articular a gestão institucional com a autonomia técnica do médico, contribuindo para a construção de ambientes assistenciais mais seguros.
Durante o evento, o médico patologista Fábio Lima Sodré, membro da câmara técnica de patologia e patologia clínica/medicina laboratorial do CFM, abordou os riscos da verticalização na saúde suplementar. Ele alertou que, embora esse modelo possa gerar ganhos de eficiência, também pode criar conflitos de interesse, reduzir a autonomia clínica e impactar negativamente a segurança do paciente, caso não haja governança clínica robusta e núcleos de segurança com autonomia real.
O diretor técnico do Hospital da Criança e do Adolescente de Campina Grande (PB), Pablo Emmanuel Nunes, por sua vez, tratou da autonomia gerencial nos hospitais públicos, enfatizando que o diretor técnico não é um cargo meramente formal, mas a última barreira entre falhas sistêmicas e o dano ao paciente. Segundo ele, decisões técnicas bem fundamentadas e liderança clínica são essenciais para enfrentar cenários de superlotação, escassez de recursos e fragilidades organizacionais.

Sistema destruído – O médico João de Lucena Gonçalves, membro da Comissão de Segurança do Paciente do CFM, chamou atenção para as distorções na atuação dos núcleos de segurança do paciente e para a necessidade de fortalecer a cultura de segurança nos serviços de saúde. Ele destacou que eventos adversos, em sua maioria evitáveis, decorrem de sistemas mal estruturados, e não da atuação isolada de profissionais, defendendo a adoção de uma abordagem sistêmica baseada em processos, protocolos e gestão de riscos.
Já o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Marcos Bosi Ferraz abordou os impactos econômicos relacionados à segurança do paciente, citando, entre outros exemplos, o elevado custo dos acidentes de motocicleta para o sistema de saúde. Para ele, a prevenção de eventos evitáveis exige vontade política e planejamento, sob pena de comprometer a sustentabilidade do sistema.
Encerrando o evento, a presidente da Comissão de Saúde, Bioética e Biodireito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Thais Maia, analisou a responsabilidade médica subjetiva e a responsabilidade institucional objetiva na prevenção de danos. Ela explicou que a responsabilização do médico depende da comprovação de culpa (negligência, imprudência ou imperícia), enquanto as instituições respondem objetivamente por falhas estruturais e organizacionais, reforçando a importância da gestão de riscos e do compliance em saúde.
“O I Webinar de Administração em Saúde do CFM reforçou o entendimento de que a segurança do paciente é resultado direto da integração entre governança clínica, gestão eficiente, autonomia técnica e responsabilidade institucional, com o diretor técnico exercendo papel central na construção de sistemas de saúde mais seguros”, resumiu Maíra Dantas.
Conselho tem luta histórica em defesa da qualificação dos cursos no país

Considerando o cenário de fragilidade que afeta o sistema formador de médicos no País, o CFM tem intensificado esforços na Justiça em defesa do pleno processo de ensino e aprendizagem na medicina. Dentre as ações, a Autarquia comemora novas decisões favoráveis, que podem indicar alguma expectativa de alívio às frequentes agressões sofridas pelo sistema de ensino.
A mais recente das decisões se deu no âmbito da Reclamação nº 89.300, em que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, deferiu medida cautelar para suspender imediatamente os efeitos dos atos administrativos da Universidade de Gurupi (UNIRG) voltados à criação, autorização e reconhecimento do curso de Medicina no campus de Colinas do Tocantins. A decisão vedou expressamente quaisquer atos de matrícula ou preparatórios para o início das aulas, bem como declarou sem efeito eventuais contratações de docentes ou matrículas já realizadas, até decisão final da reclamação, ad referendum da Segunda Turma do STF. Confira a íntegra da decisão.
A iniciativa afrontava liminar concedida em setembro de 2025, pelo ministro Flávio Dino. O magistrado vedou a criação, autorização e reconhecimento de novos cursos e/ou campi fora da sede do Município de origem.
O despacho embasou o entendimento do ministro André Mendonça, que considerou: “A universidade não pode praticar atos preparatórios para uma finalidade que lhe foi expressamente vedada pela Suprema Corte, transferindo a responsabilidade para um futuro e incerto ato de um outro ente federado”.

Os presidentes do CFM e da AMB entregaram ao ministro do STF, Edson Fachin,
documento em defesa de critérios mínimos para boa formação dos estudantes.
CRM-ES – Em decisão anterior, no Procedimento Comum nº 5032292-50.2024.4.02.5001/ES (ACESSE AQUI) também o Conselho Regional de Medicina do Estado do Espírito Santo teve reconhecido pela Justiça Federal o direito da autarquia de alertar sobre a oferta do curso de Medicina pela Fundação de Assistência e Educação (FAESA), no município capixaba de Cariacica, sem a devida autorização do Ministério da Educação (MEC). A instituição pleiteou o ressarcimento por danos morais pela Autarquia e uma retratação pública. O juízo federal no Espírito Santo reconheceu a legitimidade da atuação do CRM-ES e julgou a demanda improcedente.
O Conselho também conta com ações institucionais, como a visita do presidente do CFM, José Hiran Gallo, ao ministro do STF, Edson Fachin, quando o diretor do Conselho Federal apresentou ao magistrado argumentos em relação à abertura de cursos e de vagas de medicina no País.
Fonte: Portal CFM, em 04.02.2026.