Encontro reuniu especialistas para discutir evidências científicas e a importância do cuidado integral ao paciente

O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou, nesta quarta-feira (2), o II Fórum da Comissão de Saúde e Espiritualidade. Com o tema “Integrando a Espiritualidade na Formação e na Prática Clínica: Experiências e Desafios”, o encontro discutiu evidências científicas sobre a relação entre espiritualidade e saúde e as possibilidades de abordagem do tema na assistência aos pacientes. Para acompanhar os debates na íntegra, clique aqui.
Na abertura, o presidente do CFM, José Hiran Gallo, ressaltou que a discussão deve ocorrer de forma equilibrada e ética, sem interferência das crenças de médicos ou pacientes. Para ele, considerar o indivíduo em sua integralidade é especialmente importante em situações nas quais as possibilidades de cura se tornam limitadas.
“O ser humano que adoece não pode ser reduzido à doença que apresenta. Essa pessoa tem também história, valores e sentimentos, e tudo isso a acompanha quando entra em um consultório ou em um hospital”, afirmou.
A 2ª vice-presidente do CFM e coordenadora da Comissão de Saúde e Espiritualidade, Rosylane Rocha, destacou que espiritualidade não deve ser entendida necessariamente como religião ou filiação religiosa, mas a partir de uma perspectiva mais ampla, relacionada também a valores, sentimentos e à forma como cada indivíduo compreende a própria existência.
“A ciência é e continuará sendo ferramenta essencial na busca do melhor diagnóstico, tratamento e cura. Contudo, é impossível não aceitar o peso desses processos que devem ser atribuídos à espiritualidade de todos os que estão neles envolvidos”, pontuou.
Longevidade – A primeira conferência do Fórum foi conduzida pelo cardiologista Mário Henrique Elesbão de Borba, que abordou as relações entre espiritualidade e longevidade. Durante a apresentação, ele defendeu uma medicina que, além do tratamento das doenças, esteja atenta à pessoa e aos sentimentos envolvidos no processo de adoecimento.
Borba apresentou estudos e reflexões sobre fatores relacionados à longevidade e ao bem-estar, como relações sociais, saúde mental, sono, hábitos de vida e conexão com outras pessoas. Entre os pontos discutidos esteve o impacto do isolamento social, associado a maior risco de morte prematura, estresse crônico e eventos cardiovasculares.
O conferencista também abordou a importância da promoção de hábitos saudáveis ao longo do envelhecimento, como alimentação adequada, atividade física, sono restaurador, redução do estresse e abstinência de álcool e cigarro. Práticas como meditação, altruísmo, compaixão, leitura e contato com a natureza também foram apresentadas no contexto da promoção do bem-estar e do chamado “florescimento humano”. “Epidemias de doenças mentais apontam para a necessidade de iniciativas que aumentem a sabedoria”, defendeu.
Evidências – Na sequência, o professor da Harvard University, Tyler J. VanderWeele, ministrou a conferência “Overview of the evidence and reasons why R/S should be included into clinical practice and public health” (Visão geral das evidências e razões pelas quais a religiosidade e a espiritualidade devem ser integradas à prática clínica e à saúde pública). O pesquisador apresentou resultados de estudos sobre as relações entre religiosidade, espiritualidade e diferentes desfechos de saúde.
Segundo VanderWeele, mais de 10 mil estudos já abordaram as relações entre religião e saúde. Ele destacou a necessidade de avaliar essas pesquisas a partir de diferentes níveis de evidência e de aprimorar os métodos para investigar possíveis relações causais.
Entre os resultados apresentados, estão associações entre participação religiosa e menores índices de depressão, uso de álcool e outras drogas e comportamentos suicidas. O pesquisador também destacou que as necessidades espirituais são comuns entre pacientes, especialmente aqueles que enfrentam doenças graves, embora o cuidado espiritual ainda seja pouco presente na assistência médica.
Para VanderWeele, reconhecer essas necessidades não significa induzir práticas ou crenças religiosas, mas permitir que o médico identifique se a espiritualidade é relevante para aquele paciente e, quando for o caso, considere essa informação no cuidado. Ele ressaltou ainda que essa abordagem deve respeitar as convicções individuais e pode incluir tanto o apoio de comunidades religiosas, quanto outras formas de interação e conexão social para pessoas que não possuem religião.
A Revista Bioética não cobra nenhuma taxa para publicação de artigos
O CFM alerta: página usa o nome da Revista Bioética e cobra por uma suposta publicação de artigos
O Conselho Federal de Medicina (CFM) alerta autores, pesquisadores e a comunidade científica sobre a existência de uma página eletrônica que utiliza indevidamente o nome, o ISSN e informações de indexação da Revista Bioética, publicação científica oficial do CFM.
A página hospedada no endereço “revistabioetica.com/journal“, apresenta conteúdo e artigos que não correspondem ao acervo da Revista Bioética e emite cartas de aceitação de manuscritos em nome da publicação. O site também exige o pagamento de uma suposta “taxa de processamento de artigo”.
A Revista Bioética do CFM não cobra taxas de submissão, processamento ou publicação de artigos. Qualquer cobrança feita em nome da Revista é indevida e não tem vínculo com o CFM.
O único endereço oficial da Revista Bioética é: https://revistabioetica.cfm.org.br/index.php/revista_bioetica
Como se proteger:
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Providências do CFM – O CFM já adotou medidas administrativas e jurídicas para a retirada da página do ar e para a apuração do uso indevido do nome, do ISSN e das informações institucionais da Revista Bioética.
CFM debate atualização de critérios de segurança para lipoaspiração
O Brasil ocupa posição de destaque mundial na realização de cirurgias plásticas, e a lipoaspiração está entre os procedimentos cirúrgicos mais realizados no País. Diante das mudanças ocorridas nas últimas duas décadas, com a incorporação de novas técnicas e tecnologias e a ampliação das indicações e modalidades do procedimento, o Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou, nesta terça-feira (1º), o II Fórum de Cirurgia Plástica.
O encontro reuniu especialistas para discutir a atualização da Resolução CFM nº 1.711/2003, que há mais de 20 anos estabelece parâmetros de segurança para a realização de lipoaspirações no Brasil. O debate abordou aspectos como indicação, ambiente cirúrgico, extensão e volume dos procedimentos, associação com outras cirurgias, lipoenxertia, novas tecnologias e critérios específicos para adolescentes.
Na abertura, o presidente do CFM, José Hiran Gallo, destacou que a segurança do paciente deve permanecer como eixo central da regulamentação. “Quem se submete a uma lipoaspiração espera que o procedimento seja realizado dentro dos melhores padrões de segurança e com o resultado esperado. Desde a publicação da resolução do CFM, há mais de 20 anos, houve avanços técnicos e tecnológicos importantes, mudanças na prática médica e novos desafios para a profissão. É necessário que a regulamentação acompanhe essa evolução”, afirmou.
A conselheira Graziela Bonin, coordenadora da Câmara Técnica de Cirurgia Plástica do CFM, lembrou que a Resolução CFM nº 1.711/2003 representou um marco na regulamentação da lipoaspiração no País, ao estabelecer parâmetros objetivos para sua realização. Segundo ela, a norma surgiu em um momento de rápida expansão do procedimento e contribuiu para definir critérios mínimos de segurança e orientar a prática médica.
Para a conselheira, entretanto, as transformações ocorridas desde então justificam a revisão da norma. A lipoaspiração passou a integrar procedimentos de diferentes portes e finalidades, desde pequenas retiradas de tecido adiposo para enxertia até cirurgias extensas de contorno corporal, frequentemente associadas a outras intervenções.
“Não podemos tratar situações substancialmente diferentes como se apresentassem os mesmos riscos. A atualização da norma deve considerar o porte e a finalidade do procedimento, as técnicas empregadas, o ambiente em que ele é realizado e os recursos necessários para prevenir e tratar eventuais complicações. O objetivo é estabelecer critérios que protejam o paciente e, ao mesmo tempo, ofereçam parâmetros claros para a atuação do médico”, afirmou Graziela Bonin.
A expectativa é que as discussões realizadas no fórum contribuam para a elaboração de uma nova resolução do CFM sobre o tema.
Adolescentes – O conselheiro Bruno Leandro de Souza abordou os critérios para indicação de lipoaspiração em adolescentes. Segundo o pediatra, procedimentos de finalidade exclusivamente estética devem, em princípio, ser postergados até os 18 anos, reservando-se eventuais exceções a situações individualizadas, devidamente justificadas e submetidas a critérios rigorosos de avaliação.
Nessas situações, devem ser consideradas a maturidade física e emocional do adolescente, sua compreensão sobre o procedimento e sua participação no processo decisório, além do consentimento dos responsáveis legais. O conselheiro também defendeu avaliações realizadas em momentos distintos, de modo a assegurar período adequado de reflexão, e avaliação da saúde mental sempre que houver indicação.
Cenário mundial – O conselheiro Diogo Sampaio apresentou dados sobre a dimensão da cirurgia plástica no mundo. Em 2024, foram realizadas mais de 17 milhões de cirurgias plásticas, entre elas aproximadamente 2,1 milhões de procedimentos nas pálpebras e quase 2,1 milhões de lipoaspirações.
“Entre as mulheres, a lipoaspiração ocupa a primeira posição, com mais de 1,7 milhão de procedimentos. Quando considerados conjuntamente procedimentos cirúrgicos e não cirúrgicos, o Brasil ocupa a segunda posição mundial. No recorte exclusivo das cirurgias plásticas, porém, o País lidera o ranking, com cerca de 2 milhões de procedimentos, à frente dos Estados Unidos”, destacou.
Tecnologia e evidências – O conselheiro Alcindo Cerci Neto apresentou uma revisão da literatura científica sobre a segurança de técnicas e tecnologias incorporadas à lipoaspiração e à lipoenxertia. A análise reuniu 30 estudos e discutiu, entre outros aspectos, os riscos relacionados à lipoenxertia intramuscular em diferentes regiões anatômicas.
Ao final, o conselheiro ressaltou a necessidade de aperfeiçoar a padronização técnica e ampliar a produção de evidências científicas sobre procedimentos que vêm sendo incorporados à prática. Também destacou o papel do CFM e das sociedades de especialidade na definição de parâmetros de segurança e no estímulo à produção científica capaz de subsidiar futuras recomendações.
CFM recebe delegação da Ordem dos Médicos de Angola para ampliar cooperação entre os dois países
Visita institucional à sede da autarquia, em Brasília, discutiu intercâmbio em ética médica, fiscalização profissional, formação de especialistas e revisão de estatutos




O Conselho Federal de Medicina (CFM) recebeu nesta terça-feira (1º), uma delegação da Ordem dos Médicos de Angola (OMA), liderada pela bastonária Jovita Cachequele André. A visita institucional dá continuidade a tratativas iniciadas em reunião virtual entre as duas entidades e teve como objetivo reforçar os laços de cooperação, promover a troca de experiências no campo da regulação e do exercício da medicina e conhecer o modelo brasileiro de ética e deontologia, fiscalização, formação e certificação de especialistas.
O presidente do CFM, José Hiran Gallo, abriu o encontro destacando a importância do diálogo entre as duas instituições. “É com muita alegria que recebemos vocês aqui. Essa interlocução é muito importante e, sempre que precisarem, estamos à inteira disposição para trocar ideias e experiências de um lado e do outro”, afirmou. Gallo lembrou que a cooperação deve beneficiar as duas entidades, com aprendizado mútuo sobre os sistemas de regulação profissional de cada país.
A bastonária Jovita André agradeceu a acolhida e ressaltou a proximidade entre os dois países. Segundo ela, a Ordem busca no CFM referências de organização técnica e administrativa. “Sabemos que o Conselho Federal de Medicina tem tradição de uma instituição superorganizada. Do ponto de vista técnico e administrativo, viemos buscar esse intercâmbio, essa experiência”, afirmou.
Reestruturação da Ordem angolana – Empossada em novembro, a atual direção da OMA relatou que dedicou o primeiro ano de mandato, que em Angola tem duração de três anos, à constituição dos órgãos da entidade.
Jovita André informou que a Ordem, com 35 anos de existência, conta com aproximadamente 12.600 médicos, dos quais em torno de 4 mil são especialistas, para uma população de cerca de 38 milhões de habitantes distribuídos em 21 províncias.
“Estamos com a tarefa de elevar a dignidade do médico e o respeito da população, e de valorizar a classe médica em todos os sentidos, para empoderar o médico não só do ponto de vista social, mas técnico, para que possa servir melhor a população com uma assistência de qualidade”, declarou.
Programação – Pela manhã, a delegação angolana reuniu-se com a presidência e conselheiros do CFM. À tarde, a programação contemplou a apresentação dos setores de Fiscalização e de Processos da autarquia. A expectativa das duas entidades é identificar mecanismos para a constituição de um instrumento formal de cooperação técnica estruturada e sustentável, com intercâmbio de conhecimentos, aproveitando a proximidade linguística e histórica entre Angola e Brasil.
Participaram do encontro, pelo CFM, além do presidente Gallo; o vice-presidente Emmanuel Forte; o 3º vice-presidente Jeancarlo Fernandes Cavalcante; o vice-corregedor Francisco Cardoso; o 2º tesoureiro Carlos Magno Dalapicola; a conselheira federal Maíra Pereira Dantas, representante do CFM na Comunidade Médica de Língua Portuguesa (CMLP); e o conselheiro federal Bruno Leandro de Souza.
Pela Ordem dos Médicos de Angola, além da bastonária Jovita, integraram a delegação o diretor de gabinete Osvaldo Sanjimbi; a presidente do Conselho Regional Centro, Victória Botelho; o 1º secretário da mesa da Assembleia do Conselho Regional do Norte, António Capita; o presidente do Colégio de Especialidade de Medicina Reprodutiva, Pedro de Almeida; e a assessora para relações institucionais e marketing, Alexandra Telles.
CFM AO VIVO: Assista às apresentações e discussões do II Fórum da Comissão de Saúde e Espiritualidade
Fonte: Portal CFM, em 02.09.2026.