Em Goiânia, CFM debate uso ético da inteligência artificial na medicina e avanços na fiscalização
Em nova edição do Divulga CFM, o 3º vice-presidente do Conselho, Jeancarlo Cavalcante, apresentou as principais regras da Resolução CFM nº 2.454/2026 e
mostrou como a IA está sendo incorporada às ações de fiscalização dos Conselhos de Medicina

Os impactos da inteligência artificial (IA) na prática médica, os limites éticos para a incorporação das novas tecnologias e seu uso para aprimorar a fiscalização foram temas de mais uma edição do Divulga CFM, realizada nesta quarta-feira (30/09), em Goiânia (GO). Promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), o encontro apresentou aos médicos os principais pontos da Resolução CFM nº 2.454/2026.
A palestra foi conduzida pelo 3º vice-presidente do CFM, Jeancarlo Fernandes Cavalcante, que também coordena a Comissão de Inteligência Artificial na Medicina do Conselho e foi relator da resolução.
Durante a apresentação, Cavalcante abordou princípios que devem orientar a utilização da IA na medicina, como segurança do paciente, transparência, proteção de dados, supervisão humana, autonomia médica e responsabilidade profissional. “As tecnologias mudam em uma velocidade impressionante e, por isso, desde a discussão falamos que a resolução do CFM seria revista sempre que necessário”, afirmou.
Publicada no Diário Oficial da União em 27 de fevereiro, a Resolução CFM nº 2.454/2026 está em vigor desde 26 de agosto e estabelece normas para pesquisa, desenvolvimento, governança, auditoria, monitoramento, capacitação e uso responsável de soluções de inteligência artificial na medicina. A norma busca conciliar inovação e eficiência com segurança, transparência, ética e respeito aos direitos fundamentais dos pacientes.
Tecnologia apoia, médico decide – Um dos pontos centrais destacados pelo diretor do CFM foi a preservação da autonomia médica. Segundo ele, a inteligência artificial pode auxiliar na análise de informações e apoiar decisões clínicas, mas não substitui o julgamento do profissional.
Cavalcante explicou que a decisão sobre diagnóstico, prognóstico, prescrição, tratamento e demais atos médicos continua sob responsabilidade do médico. Cabe ao profissional avaliar criticamente as informações e recomendações apresentadas pelos sistemas, podendo acolhê-las ou rejeitá-las de acordo com seu julgamento clínico.
“A inteligência artificial amplia a capacidade médica, mas não substitui a inteligência clínica humana”, destacou.
A resolução também proíbe que seja delegada à inteligência artificial a comunicação de diagnósticos, prognósticos ou decisões terapêuticas. Na relação com o paciente, estabelece garantias relacionadas ao direito à informação, à privacidade e à proteção dos dados de saúde. Quando a IA for utilizada como apoio relevante no cuidado, o paciente deverá ser informado de forma clara e acessível.

Governança e responsabilidade – Outro eixo da apresentação foi a governança dos sistemas de inteligência artificial. A Resolução CFM nº 2.454/2026 estabelece parâmetros para auditoria, monitoramento e transparência das tecnologias utilizadas na medicina, com critérios proporcionais ao impacto de cada aplicação.
Cavalcante abordou ainda o avanço da IA generativa, incluindo os modelos de linguagem, e os cuidados necessários diante de riscos como produção de informações incorretas, vieses algorítmicos e utilização inadequada das ferramentas.
A apresentação também estabeleceu um paralelo com referências internacionais, entre elas o AI Act da União Europeia, destacando pontos como supervisão humana, transparência, proteção de direitos e adoção de controles proporcionais aos riscos das tecnologias.
IA também na fiscalização – Além da regulamentação da IA na assistência, Cavalcante apresentou os avanços do CFM no uso da inteligência artificial como instrumento de apoio à fiscalização da prática médica.
O módulo de IA da Plataforma Nacional de Fiscalização, lançado pelo CFM em junho, foi desenvolvido para ampliar a capacidade de análise, monitoramento e identificação de situações que demandem a atuação dos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs). A ferramenta cruza informações e identifica padrões e possíveis inconformidades, oferecendo suporte ao trabalho dos médicos fiscais.
A plataforma reúne dados das bases institucionais do CFM e dos CRMs, históricos de vistorias, cadastros profissionais e informações públicas sobre estabelecimentos de saúde. Também podem ser analisados conteúdos disponibilizados em ambientes digitais e redes sociais.

Entre as aplicações apresentadas estão a identificação de estabelecimentos sem Comissão de Ética Médica constituída, a sinalização de padrões recorrentes de possíveis irregularidades, alertas sobre certificados vencidos e a busca automatizada por publicidade médica em possível desacordo com as normas do CFM.
Nas redes sociais, como exemplificou o conselheiro do CFM, a tecnologia poderá auxiliar na identificação de anúncios em que médicos divulguem especialidades sem possuir o respectivo Registro de Qualificação de Especialista (RQE), permitindo que essas situações sejam direcionadas para análise dos Conselhos.
Segundo Cavalcante, a ferramenta permitirá processar e correlacionar grandes volumes de informações de forma contínua, tornando a fiscalização mais proativa e direcionada. A expectativa do CFM é de que a utilização da plataforma proporcione aumento de aproximadamente 30% na produtividade das fiscalizações.
O 3º vice-presidente ressaltou, contudo, que a tecnologia não substituirá o médico fiscal nem resultará em decisões automatizadas. Os dados, alertas e resultados produzidos pelas ferramentas serão checados e avaliados por profissionais antes da adoção de medidas fiscalizatórias.
“A inteligência artificial vai ampliar nossa capacidade de fiscalização, mas os dados e os resultados serão checados por humanos. A decisão continua sendo do médico fiscal”, explicou.
Divulga – O Divulga CFM é uma iniciativa do Conselho Federal de Medicina que leva aos estados debates sobre resoluções e temas com impacto direto sobre o exercício profissional. Realizado em parceria com os Conselhos Regionais, o projeto busca aproximar o CFM dos médicos, esclarecer dúvidas e contribuir para que as normas sejam conhecidas e aplicadas no cotidiano da profissão.
Para o presidente do Cremego, Rafael Martinez, receber mais uma edição do Divulga CFM representa uma oportunidade de aproximar os médicos das discussões conduzidas pelo Conselho Federal sobre temas que já interferem diretamente no exercício profissional. Ao comentar o avanço da inteligência artificial, ele ressaltou a importância de preparar a categoria para utilizar as novas ferramentas de forma ética, segura e responsável.
“A inteligência artificial já é uma realidade na medicina. É fundamental que o médico conheça essas ferramentas, entenda seus limites e saiba utilizá-las com responsabilidade, sempre preservando a ética, a segurança e a relação com o paciente”, destacou Martinez.
Revista Bioética do CFM amplia circulação do conhecimento científico

A Revista Bioética, publicação científica do Conselho Federal de Medicina (CFM), tem ampliado a circulação do conhecimento sobre questões éticas relacionadas à medicina e à saúde. Com acesso aberto e avaliação por pares, o periódico reúne artigos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros e está presente em importantes bases e indexadores científicos nacionais e internacionais.
Entre as bases que indexam a publicação estão Scopus, SciELO, Directory of Open Access Journals (DOAJ), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Redalyc e Latindex. A presença nesses espaços contribui para ampliar a visibilidade e o acesso à produção científica publicada pela revista.
O alcance internacional da Revista Bioética também se reflete na cooperação acadêmica. Artigos publicados no periódico podem ser considerados como um dos critérios para obtenção do grau de doutor em Bioética pela Universidade do Porto, em Portugal. O reconhecimento decorre de convênio firmado entre a instituição portuguesa e o CFM.
Ao reunir estudos produzidos no Brasil e no exterior, a Revista Bioética busca promover a reflexão e o debate científico sobre os desafios éticos relacionados à prática médica, à assistência em saúde e às transformações que afetam essas áreas.
Acesso gratuito – O CFM alerta autores e pesquisadores para a importância de utilizar exclusivamente os canais oficiais da Revista Bioética. Foi identificada uma página que aparentemente reproduz informações e elementos da publicação, mas apresenta conteúdo diferente do acervo oficial e solicita pagamento de taxa para processamento de artigos.
A Revista Bioética é gratuita e não cobra taxas de submissão, processamento ou publicação de artigos. Antes de enviar um manuscrito, o autor deve verificar se está acessando o canal oficial do periódico.
O site oficial da publicação é revistabioetica.cfm.org.br. Em caso de dúvida, o contato pode ser feito pelo e-mail
Fórum CFM discute na próxima semana medidas necessárias para melhoria organizacional dos serviços
Encontro organizado pela Comissão de Segurança do Paciente está com inscrições abertas
Com o tema “Segurança Psicológica e Cultura Justa para Melhoria do Aprendizado Organizacional”, o Conselho Federal de Medicina realiza na próxima quarta-feira (7), das 9h às 14h, o V Fórum de Segurança do Paciente. O encontro será realizado por videoconferência, com transmissão ao vivo pelo YouTube e via plataforma Zoom aos inscritos no evento, que terão direito a certificado de participação. O documento será encaminhado para o participante que assistir a pelo menos 70% do encontro, via link do Zoom. Inscreva-se AQUI.
O coordenador da Comissão que organiza o V Fórum, Domingos Sávio Matos Dantas, destaca a importância do tema para a medicina. No entendimento do conselheiro federal pelo estado de Roraima, “a segurança do paciente não começa só no hospital, mas no ato médico, no diagnóstico correto, na prescrição da medicação certa, na dose certa e no acompanhamento contínuo”, analisa o infectologista.
O encontro contará com 3 mesas redondas, a primeira delas sobre a estruturação e gestão do Núcleo de Segurança do Paciente. A discussão será presidida pelo conselheiro federal Eduardo Jorge da Fonsêca Lima, coordenador da Câmara Técnica de Pediatria do CFM, e terá início com a conferência Cultura de Segurança e sua Implementação no Contexto Brasileiro, apresentada pelo médico intensivista e membro da Comissão de Segurança do Paciente do CFM, João de Lucena Gonçalves, coordenador do Programa Farol de Indicadores de desempenho dos hospitais da Confederação de Saúde (CNSaude), Federação Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (Fenaess) e do Sindicato dos Hospitais do RJ (SINDHRIO).
Além da palestra, a Mesa Redonda terá ainda apresentações sobre o papel estratégico dos núcleos de segurança na prevenção de eventos adversos, proferida pelo diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, Fernando Augusto Marinho dos Santos Figueira; e a conferência “Ferramentas Práticas para Monitorar e Corrigir Falhas de Segurança”, apresentada pelo anestesiologista Fabio Goulart Maron, membro da Comissão de Qualidade e Segurança da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA).
Gestão de riscos – Dando sequência às atividades do encontro, a discussão seguinte analisará estratégias de gestão de risco no ambiente hospitalar, em mesa redonda presidida pelo conselheiro federal Carlos Magno Pretti Dalapicola, também membro da Comissão de Segurança do Paciente do CFM. O debate terá apresentações sobre gestão de riscos, a importância da interdisciplinaridade nas equipes de saúde e ainda sobre os desafios éticos no cuidado seguro ao paciente.
Após debates sobre o tema, acontece a terceira e última mesa redonda do Fórum, sobre os desafios contemporâneos na segurança do paciente. Presidida pela conselheira federal Maíra Pereira Dantas, também membro da Comissão de Segurança do Paciente, a Mesa Redonda terá palestras sobre as medidas necessárias nos casos de erro da medicação prescrita, proferida pela anestesiologista Michele Nacur Lorentz; o estudo em maternidades da Paraíba, apresentado pela ginecologista e obstetra Andrea Correia Nóbrega de Sá, conselheira do CRM/PB, e ainda a conferência sobre prevenção de suicídio intra-hospitalar, apresentada pelo psiquiatra Alexandre Cordeiro Rizkalla, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria. A palestra encerra as apresentações do V Fórum, que será finalizado com um debate entre os participantes sobre os temas discutidos no encontro.
Confira a programação preliminar completa do encontro em V Fórum de Segurança do Paciente | Portal Médico.
CFM destaca: segurança do paciente começa no diagnóstico, na prescrição e no acompanhamento médico
O Conselho Federal de Medicina (CFM) enfatiza que a segurança do paciente começa no ato médico, com diagnóstico correto, prescrição adequada e acompanhamento contínuo. Ao encerrar o mês em que alertou sobre a importância do tema, a entidade chama atenção para as doenças não transmissíveis, responsáveis por quase três em cada quatro mortes no mundo.
Em vídeo publicado nas redes sociais do CFM, o conselheiro federal efetivo pelo estado de Roraima, Domingos Sávio Matos Dantas, aponta como principais doenças não transmissíveis as cardiovasculares, incluindo doenças cardíacas e acidente vascular cerebral, o câncer, o diabetes e as doenças respiratórias crônicas. Muitas delas podem ser evitadas com diagnóstico correto e acompanhamento médico contínuo.
Segundo ressalta o conselheiro, as doenças crônicas são condições que acompanham a pessoa por toda a vida e exigem atenção constante. “A segurança do paciente não começa só no hospital. Ela começa no ato médico”, afirma Dantas. Esse cuidado envolve diagnóstico correto, prescrição e medicação corretos, nas doses certas, além do acompanhamento contínuo realizado pelo médico.
“Diagnóstico, prescrição e acompanhamento são etapas em que o ato médico protege quem mais importa: o paciente”, destaca o conselheiro.
A participação do paciente também é fundamental nesse cuidado. Entre as orientações estão levar às consultas uma lista atualizada dos medicamentos utilizados, com dosagens e horários, não interromper o tratamento sem conversar com o médico e comparecer às consultas de acompanhamento.
“Cuidado seguro é direito de todo paciente e se faz com a presença do médico em cada etapa do tratamento”, conclui Dantas.
Para assistir ao vídeo, clique aqui.
Fonte: Portal CFM, em 01.10.2026.

