Quarentena pode ser boa oportunidade para planejamento financeiro
Momentos de crise nos permitem reavaliar comportamentos e escolhas diárias. Nesse sentindo, este período de quarentena e home office mostra-se oportuno para rever o orçamento, melhorar a saúde financeira e se preparar para o futuro com ainda mais atenção. “A educação financeira tem um papel muito importante na vida das pessoas, e em tempos complicados como o que estamos vivendo passa a ser fundamental”, afirma Fabio Gallo Garcia, professor da Fundação Getúlio Vargas.
Autor de diversos livros sobre o tema, Gallo explica: “Muitas são as propostas para resolver ou minimizar a situação das famílias no pós-quarentena. Embora muitas medidas corretas estejam sendo veiculadas, os canais de solução econômica do problema serão o maior obstáculo. Assim, as famílias que obtiverem maior conhecimento sobre suas finanças e como tratar o seu dinheiro poderão desbloquear muitos desses canais para obtenção de recursos e reorganização financeira”.
Os “canais” aos quais Gallo se refere são as informações, as habilidades, a clareza, a confiança e a tranquilidade de que os indivíduos precisam para tomar decisões.
“Dessa forma, esse indivíduo terá os elementos conceituais que lhe permitirão conhecer, entender e ponderar sobre como organizar o seu orçamento para ultrapassar este período e como organizar a sua vida financeira no pós-isolamento, como obter os melhores financiamentos, como tratar os tributos e como mitigá-los, como não entrar em dívidas e evitar carregar juros muito altos que comprometam o seu futuro, como negociar as dívidas etc”, enumera o professor.
Um dos instrumentos mais eficazes de educação financeira é o planejamento: estabelecer objetivos de vida, organizar entradas e despesas, comprometer-se com investimentos contínuos. “Dá trabalho e exige dedicação, já que é preciso realizar manutenção no planejamento, mas os resultados sempre são compensadores”, diz o especialista.
Mesmo aqueles que possuem bom conhecimento financeiro têm ajustes a fazer diante desta nova realidade. Muitos comportamentos financeiros estão desatualizados e precisam ser corrigidos para a nova realidade. “Ter alto grau de bem-estar não é ter riqueza pessoal, muitas são as pessoas ricas que não se sentem felizes. Em contrapartida, viver como se planejou leva as pessoas a um alto nível de bem-estar mesmo quando não são ricas”, salienta Garcia.
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Estudo constata que isolamento social pode levar a recuperação econômica mais rápida
A notícia foi dada ela “Folha de S. Paulo”. A adoção duradoura de isolamento social durante uma pandemia, como a causada atualmente pelo coronavírus, pode levar a uma recuperação econômica mais rápida e robusta após o seu término. A conclusão baseia-se na experiência dos Estados Unidos durante e após a chamada gripe espanhola, que se estendeu entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920, causando ao menos 50 milhões de mortes e infectando cerca de um terço da população mundial.
Segundo um novo estudo, localidades norte-americanas que reagiram mais prontamente à pandemia de 1918 registraram uma retomada mais forte no ano seguinte. A pesquisa intitula-se Pandemics depress the economy, public health interventions do not: evidence from the 1918 flu, e seus achados mostram que cidades que adotaram intervenções não-farmacêuticas (NPIs em inglês), como medidas de isolamento social, 10 dias antes à chegada da pandemia registraram um aumento adicional de 5% no emprego industrial no ano seguinte em relação à média analisada.
De acordo com a pesquisa, a extensão das chamadas NPIs por 50 dias adicionais –em comparação com a média– garantiu um crescimento extra de 6,5% no emprego no setor manufatureiro depois da pandemia.
O estudo foi feito pelos economistas Sergio Correia, Stephan Luck, ambos do Fed, e Emil Verner, da escola de negócios Sloan School of Management, do MIT (Massachusetts Institute of Techonology). Os autores afirmam que, ao reduzir o impacto sobre a saúde pública, o isolamento social surte efeito também na economia.
Fonte: OABPrev SP, em 08.04.2020