Educação moral e ética é apontada como base para transformar a formação dos profissionais da saúde

O painel Educação Moral e Ética (EME): Pilar para a Construção de uma Ética Real e Efetiva na Formação Psicossocial e Profissional do Cidadão colocou a educação moral e ética como um dos pilares centrais para transformar o ecossistema da saúde no Brasil. O debate reuniu representantes da medicina, enfermagem, educação, gestão e poder público para defender a inclusão transversal da ética e da integridade na formação dos profissionais da área da saúde, desde a graduação até a atuação prática.
Com mediação de Cristiene Castilho, diretora-executiva da MegaEdu, o painel contou com a participação de Débora Popov, gestora de cursos e treinamentos da SOBECC; Etelvino Trindade, vice-presidente da Região Centro-Oeste da Associação Médica Brasileira (AMB); Pedro Westphalen, deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Serviços de Saúde; além de Sérgio Rocha, presidente do Conselho de Administração do Instituto Ética Saúde (IES).
Durante o encontro, os participantes destacaram a entrega oficial ao Ministério da Educação (MEC) e ao Conselho Nacional de Educação (CNE) de uma proposta para inclusão permanente da ética e integridade nos currículos da área da saúde. Segundo os debatedores, a iniciativa busca transformar a ética em prática cotidiana dentro da formação acadêmica e profissional.
Sérgio Rocha afirmou que o maior beneficiário da ética e da transparência é o próprio paciente e defendeu que o debate sobre saúde vá além do acesso, alcançando qualidade assistencial e desfechos completos dos tratamentos. Já o deputado Pedro Westphalen, em participação por vídeo, destacou o trabalho desenvolvido pelo Instituto Ética Saúde ao longo dos últimos 11 anos e afirmou que o fortalecimento da integridade depende da união entre setor público, privado, academia, tecnologia e órgãos de controle.
Durante a mediação, Cristiene Castilho ressaltou a importância de preparar professores e instituições para trabalharem ética de forma contínua e aplicada. Um dos destaques do painel foi a fala de Etelvino Trindade, que criticou o excesso de tecnicismo na formação médica e alertou para a perda da visão humanística no ensino da saúde. Segundo ele, o avanço tecnológico e o crescimento desordenado de cursos exigem maior atenção à formação ética dos profissionais e dos próprios docentes. “O médico não deve se enxergar como curador, mas como cuidador”, afirmou.
Representando a enfermagem, Débora Popov destacou que a ética faz parte da essência do cuidado e precisa estar presente em toda a trajetória profissional. Ela ressaltou que enfermeiros convivem diariamente com dilemas morais, sofrimento humano e decisões complexas, defendendo uma formação baseada em pensamento crítico, humanização e responsabilidade social.
Ao final, os participantes reforçaram que a construção de uma cultura ética no setor da saúde depende de esforço coletivo, participação institucional e continuidade das ações voltadas à formação humanística e à integridade profissional.
Homenagem marca retomada da programação da tarde no seminário sobre ética na saúde

A retomada da programação da tarde do seminário foi marcada por um momento de homenagem às pessoas que participaram da criação, estruturação e consolidação do Instituto Ética Saúde (IES) ao longo dos anos. A cerimônia relembrou o surgimento do movimento liderado por empresários e representantes do setor de dispositivos médicos que, diante das denúncias de irregularidades, da falta de transparência e dos desafios enfrentados pelo mercado da saúde, decidiram construir uma iniciativa voltada à ética, integridade e autorregulação do setor.
Durante o momento, os organizadores destacaram que a criação do instituto nasceu da mobilização coletiva de profissionais e empresas comprometidos com a construção de relações mais transparentes e responsáveis dentro da cadeia da saúde. Também foi ressaltado que o fortalecimento do IES ao longo do tempo contou com a participação de colaboradores, parceiros, consultores e profissionais que contribuíram diretamente para consolidar ações ligadas à governança, compliance e combate às práticas antiéticas.
As falas reforçaram ainda que a construção de uma cultura de integridade depende do envolvimento permanente da sociedade civil, do setor privado, das entidades representativas e dos órgãos de controle. Segundo os organizadores, a homenagem teve como objetivo reconhecer o legado construído por todos que ajudaram a transformar o Instituto Ética Saúde em referência nacional no debate sobre ética, transparência e boas práticas no setor da saúde.
Ética e Integridade no Direito ao Acesso e à Qualidade dos Desfechos em Tratamentos Médico-Hospitalares

Em um dos momentos mais sensíveis e impactantes da programação, o painel Ética e Integridade no Direito ao Acesso e à Qualidade dos Desfechos em Tratamentos Médico-Hospitalares, ao reunir especialistas, pesquisadores, representantes de associações de pacientes e lideranças da sociedade civil para discutir ética, integridade e acesso aos tratamentos médicos-hospitalares, teve como eixo central a necessidade de colocar o paciente no centro das decisões do sistema de saúde, ampliando mecanismos de participação social, transparência e acesso efetivo aos tratamentos.
Com mediação de Julino Rodrigues, pesquisador da área de inovação farmacêutica, saúde pública e participação social, coordenador do Observatório de Direitos dos Pacientes da Universidade de Brasília (UnB) e consultor da Voz & Gov, o painel contou com a participação de Andréia Bessa, coordenadora jurídica da Casa Hunter e integrante de iniciativas ligadas à Casa dos Raros, FEBRARARAS e Associação Brasileira de Epilepsia (ABE); Sylvia Thomas, médica hematologista e representante da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia (ABRAPHEM); e Mariana Moyses Oliveira, pesquisadora na área de desenvolvimento de medicamentos para doenças raras e coordenadora de Pesquisa da Associação do Fundo de Incentivo à Pesquisa.
Na abertura, Julino Rodrigues, pesquisador da área de inovação farmacêutica, saúde pública e participação social, coordenador do Observatório de Direitos dos Pacientes da Universidade de Brasília (UnB) e consultor da Voz & Gov, destacou que ética e integridade precisam estar diretamente conectadas à realidade enfrentada pelas famílias brasileiras, especialmente pacientes em situação de vulnerabilidade. Segundo ele, muitas falhas de governança e gestão acabam recaindo justamente sobre quem mais depende do sistema de saúde. O mediador também defendeu maior participação social na formulação das políticas públicas e chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelas famílias para terem voz nos debates do setor.
Um dos momentos mais emocionantes do painel ocorreu quando Julino apresentou o relato de uma mãe de paciente com epilepsia grave, descrevendo as dificuldades enfrentadas para conseguir acesso a tratamento, medicamentos e acompanhamento especializado. O depoimento expôs a realidade de milhares de famílias que convivem diariamente com barreiras de acesso, crises severas e sensação de abandono institucional.
Durante sua participação, Sylvia Thomas, médica hematologista e representante da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia (ABRAPHEM), abordou os desafios enfrentados por pacientes com hemofilia no Brasil e afirmou que muitos convivem com dores severas e danos irreversíveis pela falta de diagnóstico precoce e tratamento adequado. A médica criticou a omissão de informações aos pacientes e alertou que, em muitos casos, tratamentos disponíveis e eficazes sequer são apresentados às famílias. “Negar informação ao paciente é uma grave infração ética”, afirmou.
Já Andréia Bessa, coordenadora jurídica da Casa Hunter e integrante de iniciativas ligadas à Casa dos Raros, FEBRARARAS e Associação Brasileira de Epilepsia (ABE), aprofundou o debate sobre transparência, participação social e governança, defendendo que muitas falhas do sistema decorrem da ausência de controle social efetivo e da pouca inclusão dos pacientes nos processos decisórios. Ela também criticou restrições impostas à participação de associações de pacientes em discussões sobre incorporação de tecnologias e acesso a tratamentos, afirmando que o direito à informação e à participação precisa ser fortalecido.
A pesquisadora Mariana Moyses Oliveira, coordenadora de Pesquisa da Associação do Fundo de Incentivo à Pesquisa e especialista na área de desenvolvimento de medicamentos para doenças raras, trouxe ao debate a perspectiva das doenças raras, destacando os impactos sociais, emocionais e econômicos enfrentados pelas famílias e cuidadores. Ela ressaltou a importância do acolhimento aos pacientes, da pesquisa científica e da construção de políticas públicas mais sensíveis às necessidades reais das famílias que convivem com doenças de alta complexidade e difícil acesso terapêutico.
Ao longo do painel, os participantes reforçaram a necessidade de ampliar mecanismos permanentes de escuta, acolhimento e representação social dos pacientes, além de fortalecer associações e iniciativas voltadas à defesa do acesso digno à saúde. Representantes do Instituto Ética Saúde também defenderam a construção conjunta de um código de controle social voltado ao fortalecimento da ética, integridade e participação dos pacientes no sistema.
Ao final, o painel consolidou-se como um dos debates mais ricos e humanos do seminário ao unir conteúdo técnico, experiências reais e reflexões sobre dignidade, acesso, transparência e responsabilidade institucional no setor da saúde.
Integridade no Setor da Saúde e Identificação de Riscos

O painel Integridade no Setor da Saúde: Identificação de Riscos, debateu os desafios da integridade e da identificação de riscos no setor, reunindo especialistas das áreas de compliance, governança corporativa, ética e saúde suplementar. Participaram da mesa Giovani Saavedra, coordenador do Núcleo Técnico de Ética e Integridade do Instituto Ética Saúde; Reynaldo Goto, conselheiro do FGV Ethics e integrante do CTAP do Estado de São Paulo; Vivian Sueiro, gerente de Compliance da ANAHP; e Wilson Shcolnik, diretor de Relações Institucionais da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML).
Ao abrir o debate, Giovani Saavedra destacou que um dos principais desafios do compliance na saúde é compreender os riscos sistêmicos que envolvem toda a cadeia do setor. Segundo ele, não basta criar estruturas formais de integridade sem entender os mecanismos que produzem vulnerabilidades dentro das organizações. O especialista também ressaltou a necessidade de ampliar a produção de dados qualificados sobre governança e integridade no Brasil.
Representando a ANAHP, Vivian Suiero afirmou que os hospitais se tornaram o principal ponto de convergência das relações institucionais da saúde, reunindo operadoras, indústria, fornecedores, médicos e pacientes. “O hospital é o centro de convergência do compliance na saúde”, declarou. Durante sua participação, ela alertou para os riscos sistêmicos presentes nos processos de contratação, fornecimento de materiais e relações econômicas da cadeia da saúde, destacando que falhas de governança impactam diretamente a qualidade assistencial e a segurança do paciente.
Reynaldo Goto levou ao painel uma reflexão sobre cultura ética e governança corporativa, defendendo que programas de compliance só se tornam efetivos quando conseguem promover transformação cultural dentro das instituições. Segundo ele, integridade não pode ser tratada apenas como obrigação regulatória, mas precisa fazer parte da tomada de decisão das lideranças e das relações institucionais.
Já Wilson Shcolnik apresentou a visão das entidades médicas e laboratoriais sobre os desafios da governança diante da transformação digital da saúde. Em sua fala, destacou temas como inovação tecnológica, interoperabilidade de dados, rastreabilidade e o avanço da inteligência artificial na medicina, reforçando a necessidade de fortalecimento dos padrões éticos e técnicos no setor.
Ao longo do painel, os participantes defenderam uma governança mais integrada, preventiva e transparente para a saúde, com maior capacidade de monitoramento dos riscos e fortalecimento da cultura ética nas organizações.
Autorregulação Privada e Regulação Estatal: Ética em Saúde no Brasil

No painel Autorregulação Privada e Regulação Estatal: Ética Em Saúde no Brasil, foram debatidos os desafios da autorregulação privada e da regulação estatal no setor da saúde, reunindo especialistas das áreas de compliance, direito, governança e saúde digital para discutir mecanismos de integridade, prevenção e fortalecimento das boas práticas institucionais.
A mesa foi mediada por Davi Uemoto, diretor-executivo da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI), que destacou a importância da integração entre setor privado, instituições públicas e sociedade civil para ampliar a transparência e fortalecer a ética concorrencial no setor da saúde.
Durante a mediação, Davi afirmou que o Instituto Ética Saúde tem atuado para fortalecer organizações comprometidas com responsabilidade social, integridade e governança efetiva. “Precisamos eliminar práticas oportunistas e construir um ambiente mais íntegro e sustentável para toda a cadeia da saúde”, destacou.
Durante o painel, Roberta Codignoto, membro do Observatório Social do Brasil e consultora especializada em compliance, integridade e governança corporativa, ressaltou a importância do controle social e da aplicação prática dos programas de compliance dentro das organizações. Segundo ela, a integridade depende de conscientização, treinamento contínuo e fortalecimento da cultura ética nas instituições.
A presidente da Comissão Estadual de Direito Médico e da Saúde da OAB-SP, Juliana Hasse, abordou os impactos da transformação digital na saúde, destacando os desafios jurídicos e éticos relacionados à inteligência artificial, telemedicina e proteção de dados. “A tecnologia avança rapidamente e exige mecanismos cada vez mais robustos de governança e responsabilidade institucional”, afirmou.
Também participou do debate Edson Vismona, presidente do Conselho de Ética do Instituto Ética Saúde (IES) e presidente executivo do ETCO – Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial, que apresentou um panorama sobre a criação do IES e o avanço das iniciativas de integridade no setor. Segundo ele, o instituto surgiu a partir da mobilização de empresários preocupados com denúncias e irregularidades envolvendo a cadeia da saúde. “Empresários decidiram construir mecanismos próprios de autorregulação voltados à ética concorrencial e à transparência”, destacou.
A presidente da Comissão de Compliance da OAB-SP e membro do Conselho de Ética do Instituto Ética Saúde, Flávia Lepique, também participou das discussões e reforçou a necessidade de que programas de compliance deixem de ser apenas estruturas formais e passem a produzir resultados concretos dentro das organizações, fortalecendo a governança e a responsabilidade institucional no setor da saúde.
Seminário lança ecossistema para controle eficaz das práticas antiéticas no setor da saúde no Brasil

O 1º Seminário Ética na Saúde: Governança e Compliance – Inteligência em Integridade reuniu autoridades públicas, especialistas, representantes do setor jurídico, acadêmico e lideranças empresariais para discutir mecanismos de integridade, transparência e autorregulação no setor da saúde. Realizado pelo Instituto Ética Saúde (IES), em parceria com a Comissão de Compliance da OAB-SP, o encontro marcou o lançamento do EESEE — Ecossistema Ética Saúde de Ética Empresarial, plataforma estruturada para monitoramento, prevenção e enfrentamento de práticas antiéticas nas relações público-privadas da saúde.
Na abertura do evento, o presidente do Conselho de Administração do Instituto Ética Saúde, Sérgio Rocha, destacou que o fortalecimento da ética no setor depende da construção coletiva entre instituições públicas, privadas e sociedade civil. “O que queremos é que as coisas aconteçam corretamente. É isso que nos move”, afirmou. Em outro momento, reforçou a necessidade de transformar o debate ético em ações permanentes dentro das instituições. “Quando existe união e diálogo, conseguimos construir caminhos mais sólidos para a integridade no setor da saúde. Defender a ética, a integridade e a transparência plena precisa fazer parte do nosso cotidiano”, declarou.
A vice-presidente da OAB-SP, Daniela Magalhães, defendeu a construção de um modelo equilibrado entre regulação estatal e autorregulação privada. Segundo ela, o debate sobre integridade precisa superar polarizações ideológicas. “Precisamos de uma corregulação, de uma autorregulação responsiva, voltada para resultados concretos”, afirmou.
Já a presidente da Comissão de Compliance da OAB-SP, Flávia Lepique, ressaltou que programas de compliance precisam ultrapassar o caráter formal e produzir mudanças efetivas nas instituições. “Uma autorregulação não pode existir apenas para demonstrar que algo está sendo feito. Ela precisa gerar eficácia e transformação concreta”, disse.
Outro destaque da abertura foi a participação de Edson Vismona, presidente do Conselho de Ética do IES, que relembrou a origem do instituto e o movimento de empresários que decidiram criar mecanismos próprios de integridade diante de denúncias e escândalos envolvendo o setor da saúde suplementar e de dispositivos médicos. “Empresários decidiram assumir uma postura proativa. Em vez de apenas reagir às crises, optaram por construir uma cultura ética dentro das próprias empresas”, afirmou.
O diretor-executivo do Instituto Ética Saúde, Filipe Venturini, apresentou os objetivos do seminário e detalhou o funcionamento do ecossistema lançado durante o encontro. Segundo ele, o modelo desenvolvido pelo IES reúne tecnologia, inteligência em integridade, conhecimento acadêmico e monitoramento contínuo para identificar riscos e propor soluções concretas para o setor da saúde.
Venturini explicou que o instituto atua na construção de mecanismos de autorregulação privada voltados às relações econômico-financeiras da cadeia da saúde, por meio de instruções normativas, consensos técnicos e diretrizes de integridade adotadas por empresas e instituições. “É quase inédito no mundo ver empresas se autorregulando para garantir que relações econômico-financeiras sejam honestas dentro da cadeia da saúde”, declarou.
Durante sua apresentação, o diretor-executivo também destacou que a proposta do seminário foi ampliar o diálogo entre todos os atores envolvidos na cadeia da saúde — da indústria ao paciente — promovendo relações mais transparentes e responsáveis. “A essência disso tudo é o controle social. Somos nós, sociedade civil organizada, participando do controle da coisa pública e também da coisa privada”, afirmou.
I Seminário Ética Saúde: Governança e Compliance - Inteligência em Integridade

O 1º Seminário Ética na Saúde: Governança e Compliance – Inteligência em Integridade reuniu representantes do poder público, órgãos de controle, especialistas em governança, profissionais da saúde, entidades da sociedade civil e lideranças empresariais para discutir os desafios da ética, da transparência e da integridade no setor da saúde brasileira. Realizado na sede da OAB-SP, o encontro foi promovido pelo Instituto Ética Saúde (IES), em parceria com a Comissão de Compliance da OAB-SP, e marcou o lançamento oficial do Ecossistema Ética Saúde de Ética Empresarial, iniciativa voltada à identificação, monitoramento e construção de soluções para práticas antiéticas no setor.
Na abertura do evento, o presidente do Conselho de Administração do Instituto Ética Saúde, Sérgio Rocha, destacou que a ética precisa sair do campo do discurso para se transformar em prática concreta dentro das instituições. “O que queremos é que as coisas aconteçam corretamente. É isso que nos move”, afirmou. Em outro momento, reforçou que o fortalecimento da integridade depende da união entre setor público, iniciativa privada, órgãos de controle e sociedade civil. “Não temos o direito de nos cansar dessa luta. Defender a ética, a integridade e a transparência plena precisa fazer parte do nosso cotidiano”, declarou.
A cerimônia também contou com a participação da vice-presidente da OAB-SP, Daniela Magalhães, da presidente da Comissão de Compliance da entidade, Flávia Lepique, do presidente do Conselho de Ética do IES, Edson Vismona, e do diretor-executivo do instituto, Filipe Venturini. Durante as falas, os participantes defenderam o fortalecimento da autorregulação privada, da transparência e da governança como instrumentos complementares à atuação estatal no enfrentamento das práticas antiéticas.
Ao longo do dia, o seminário reuniu painéis que abordaram desde regulação, compliance e governança até o impacto das falhas estruturais da saúde na vida dos pacientes. No primeiro painel, mediado por Davi Uemoto, representantes da área jurídica, compliance e governança defenderam que a autorregulação privada pode atuar como mecanismo preventivo de controle e fortalecimento das boas práticas institucionais. Entre os participantes estiveram Roberta Codignoto, Juliana Hasse, Flávia Lepique e Edson Vismona, que destacaram a necessidade de ampliar a integração entre setor público, privado e sociedade civil.
O segundo painel reuniu Giovani Saavedra, Reynaldo Goto, Vivian Sueiro e Wilson Shcolnik em um debate sobre integridade, identificação de riscos e maturidade da governança na saúde. Os especialistas defenderam o fortalecimento da cultura ética dentro das organizações, alertaram para riscos sistêmicos existentes na cadeia da saúde e destacaram os desafios provocados pela transformação digital, pela proteção de dados e pela crescente complexidade das relações institucionais do setor.
Um dos momentos mais impactantes do seminário ocorreu no terceiro painel, que discutiu ética, integridade e o direito de acesso e desfecho completo aos tratamentos médicos-hospitalares. Mediado por Julino Rodrigues, o debate reuniu representantes de associações de pacientes, pesquisadores e especialistas ligados às doenças raras e à saúde pública. Participaram Andréia Bessa, Sylvia Thomas e Mariana Moyses Oliveira, que trouxeram relatos sobre as dificuldades enfrentadas por pacientes e familiares para conseguir acesso a tratamentos, medicamentos e acompanhamento especializado. O painel destacou a necessidade de colocar o paciente no centro das decisões do sistema de saúde, ampliando mecanismos de participação social, transparência e acolhimento.
Na retomada da programação da tarde, o seminário promoveu um momento de homenagem às pessoas que participaram da criação e da consolidação do Instituto Ética Saúde ao longo dos anos. Os organizadores destacaram o papel de empresários, profissionais e colaboradores que ajudaram a estruturar iniciativas voltadas à ética, integridade e autorregulação no setor da saúde brasileira.
Em seguida, o Instituto Ética Saúde realizou o lançamento oficial do Ecossistema Ética Saúde de Ética Empresarial, considerado um dos principais marcos do encontro. A iniciativa reúne ferramentas como o Radar Ética Saúde, a plataforma ITES – Inteligência e Transparência da Ética na Saúde, o programa EME – Educação Moral e Ética e o Núcleo Técnico de Ética e Integridade.
Durante a apresentação, Filipe Venturini explicou que o ecossistema é resultado de mais de 11 anos de monitoramento de práticas antiéticas relacionadas à corrupção, fraudes e desvios de finalidade no setor da saúde. Segundo ele, o objetivo é consolidar mecanismos permanentes de identificação de riscos, monitoramento contínuo e construção de soluções voltadas à promoção da transparência e do controle social.
Um dos destaques da apresentação foi a plataforma ITES, desenvolvida para monitorar práticas antiéticas utilizando inteligência de dados, informações abertas e cruzamento de bases públicas. O levantamento apresentado pelo instituto apontou mais de 622 mil reclamações contra operadoras de planos de saúde registradas junto à ANS entre janeiro de 2024 e março de 2026. Entre os principais problemas relatados pelos consumidores estão negativas de cobertura, demora na autorização de procedimentos e restrições de acesso a serviços de saúde.
Outro eixo debatido durante a programação foi o projeto EME – Educação Moral e Ética, voltado à inclusão transversal da ética e integridade nos cursos da área da saúde. O painel reuniu Cristiene Castilho, Débora Popov, Etelvino Trindade, o deputado federal Pedro Westphalen e Sérgio Rocha. Os participantes defenderam que a transformação do setor da saúde depende diretamente da formação ética dos futuros profissionais e do fortalecimento da humanização, da responsabilidade institucional e do cuidado centrado no paciente.
O encerramento do seminário foi marcado por um painel dedicado às práticas antiéticas na saúde e seus impactos para a sociedade. Mediado por Filipe Venturini, o debate reuniu Adriana Ventura, Anna Carolina Lemos Rosal, Cristine Ganzenmuller, Silvio Luiz Ferreira da Rocha e Gleice Mara Brandão da Costa. Os participantes discutiram temas como corrupção, judicialização da saúde, fragilidades na fiscalização, riscos em compras públicas, governança institucional e necessidade de integração entre órgãos de controle, universidades e sociedade civil.
O evento foi encerrado com uma mensagem em vídeo do deputado federal Dr. Zacharias Calil, presidente da Frente Parlamentar Mista da Saúde, reforçando a importância da ética, da transparência e do combate à corrupção no setor. O parlamentar também destacou a tramitação do projeto que institui o “Mês da Ética na Saúde”, iniciativa voltada à promoção permanente de ações de conscientização, prevenção e fortalecimento da integridade nas relações entre os setores público e privado.
Ao final do encontro, os organizadores defenderam que o seminário representou um passo importante para consolidar uma agenda permanente de ética, integridade, governança e controle social na saúde brasileira, reunindo diferentes setores em torno da construção de soluções concretas para o fortalecimento institucional do país.
Fonte: Instituto Ética Saúde, em 12.05.2026.