IES coordena construção de Aliança para fortalecer o letramento social em saúde no ambiente escolar
Primeira reunião de trabalho reuniu representantes de diferentes segmentos para estruturar governança, Carta de Intenções e agenda permanente voltada à autonomia em saúde e ao controle social

O Instituto Ética Saúde (IES) realizou, em 29 de setembro, a 1ª Reunião de Trabalho sobre Letramento Social em Saúde no Ambiente Escolar, dando continuidade às discussões iniciadas em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP). O encontro reuniu representantes de associações de pacientes, entidades representativas da cadeia de valor do setor da saúde, representantes do setor educacional, órgãos públicos de saúde e educação, academia e outras instituições para avançar na construção de uma agenda conjunta, permanente e nacional sobre o tema.
A iniciativa parte de uma premissa central: ampliar o acesso à informação, por si só, não é suficiente. O letramento social em saúde deve contribuir para que o cidadão compreenda informações, tome decisões mais conscientes, conheça os serviços disponíveis e exerça seus direitos, fortalecendo sua autonomia e sua participação social. A escola foi apontada como espaço estratégico para iniciar essa construção, com potencial de levar o conhecimento também às famílias, comunidades e, progressivamente, a outros ambientes da sociedade.
Durante a reunião, foi apresentada a proposta de formação da Aliança Brasileira para o Letramento Social em Saúde, movimento que pretende articular diferentes atores em torno de objetivos, responsabilidades e entregas comuns. O IES atuará na coordenação e no gerenciamento do processo, enquanto a construção técnica e as decisões deverão ocorrer coletivamente entre as instituições participantes. Entre os princípios operacionais destacados do programa estão a participação, a transparência, a integridade, o respeito à autonomia institucional, o apartidarismo e a busca pelo consenso.
As contribuições apresentadas ao longo do encontro evidenciaram a amplitude do desafio. Foram discutidos temas como definição do público-alvo e das prioridades do programa; formação de professores e profissionais da comunidade escolar; participação das famílias; inclusão de pessoas com deficiência e de estudantes com doenças raras, crônicas e condições não visíveis; compreensão do funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS); direitos e deveres dos cidadãos; vacinação, alimentação, saúde mental, uso seguro de medicamentos e enfrentamento à desinformação em saúde.
Outro ponto de convergência foi a necessidade de aproveitar iniciativas e estruturas já existentes, evitando sobreposições e buscando caminhos que possam efetivamente ser implementados. Também foi ressaltada a importância de considerar as diferenças regionais brasileiras e de estabelecer metas e indicadores que permitam acompanhar resultados ao longo do tempo. Nesse sentido, o grupo deverá trabalhar não apenas na produção de conteúdo, mas na construção de um programa permanente, capaz de produzir transformação sociocultural e impacto intergeracional.
A governança terá papel central nessa construção. Entre as propostas discutidas estão a elaboração de um regimento e de um Código de Ética para orientar o funcionamento do grupo, a indicação de um ponto focal por instituição e a definição de critérios para priorização de temas e tomada de decisões. A estrutura busca assegurar que a diversidade de atores seja uma força do movimento, preservando a independência das organizações participantes e evitando dispersão diante da abrangência da pauta.
Como primeiro instrumento de formalização da iniciativa, será estruturada a Carta de Intenções da Aliança Brasileira para o Letramento Social em Saúde. O documento deverá registrar o compromisso das instituições que aderirem ao movimento e estabelecer as bases para a continuidade do trabalho conjunto. Após essa etapa, cada entidade será convidada a apresentar contribuições técnicas relacionadas à sua área de atuação, que serão consolidadas para a construção de uma proposta comum.
Para Venturini, o desafio é transformar uma pauta amplamente conhecida e discutida, mas ainda pouco operacionalizada na prática no País, em ações que possam ser implementadas e avaliadas. “Estamos falando de um programa, e não de uma ação pontual e/ou um projeto específico com começo, meio e fim. Precisamos construir uma estrutura que permaneça, seja mensurável, contínua e ajude a formar uma cultura em que as pessoas compreendam melhor a própria saúde, os serviços disponíveis e o papel que exercem na sociedade. O impacto deve ser intergeracional, influenciando o comportamento do cidadão nas presentes e futuras gerações. Esse é um trabalho de longo prazo e que só será possível com a participação de todos”, afirmou.
IES apresenta na Health Meeting Brasil iniciativas que transformam ética e integridade em ferramentas para a gestão da saúde

O Instituto Ética Saúde (IES) participou, no dia 24 de setembro, da 4ª edição da Health Meeting Brasil/SINDIHOSPA, realizada no Centro de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre (RS). Representaram o Instituto o presidente do Conselho de Administração, Sérgio Rocha, e o diretor-executivo, Filipe Venturini, que apresentaram iniciativas desenvolvidas pelo IES para transformar ética, integridade e transparência em instrumentos capazes de apoiar a gestão e a tomada de decisão no setor da saúde.
Realizada entre os dias 22 e 24 de setembro, a Health Meeting reuniu profissionais, gestores, empresas, instituições, universidades e lideranças em uma programação voltada à integração do ecossistema da saúde. Em sua quarta edição, o encontro promoveu debates e conexões em áreas como gestão, inovação, tecnologia e assistência, aproximando diferentes atores em torno dos desafios e das transformações do setor.
Durante a participação do IES, Sérgio Rocha e Filipe Venturini apresentaram iniciativas e ferramentas desenvolvidas pelo Instituto para transformar os princípios de ética e integridade em instrumentos aplicáveis à gestão da saúde. Venturini abordou o tema “Ética e integridade que geram indicadores para decisão na Saúde”, detalhando o trabalho desenvolvido a partir do EESEE – Ecossistema Ética Saúde de Ética Empresarial e do Núcleo Técnico de Ética e Integridade. A proposta é integrar autorregulação privada, produção de evidências, cooperação com órgãos públicos, governança e capacitação em uma estrutura capaz de identificar riscos, monitorar o setor e produzir informações que contribuam para decisões mais qualificadas.
Um dos pontos centrais apresentados foi justamente a possibilidade de transformar princípios e regras de integridade em indicadores comparáveis e úteis à gestão. O Núcleo Técnico foi apresentado como estrutura permanente dedicada a compliance, controle e fiscalização, reunindo, entre suas frentes, metodologia de avaliação da maturidade em integridade, tratamento de denúncias, produção de indicadores setoriais e suporte técnico a órgãos de controle, associados e gestores públicos.
A palestra também destacou os levantamentos realizados em 2026 pelo IES junto à sua base associada e à cadeia de valor da saúde, contemplando maturidade dos programas de integridade, riscos de fraude e desperdício nas relações público-privadas, percepção da corrupção e práticas antiéticas no setor. A produção dessas evidências reforça uma das premissas apresentadas pelo Instituto: fazer com que a integridade deixe de ser percebida apenas como uma obrigação de conformidade e passe a contribuir concretamente para prevenção de riscos, redução de desperdícios, fortalecimento reputacional e maior eficiência das organizações.
Outro eixo apresentado foi a experiência do IES com a autorregulação privada, estruturada por suas Instruções Normativas e pelo Marco de Consenso, além do Programa QualIES, voltado à avaliação da maturidade dos Sistemas de Integridade. Esse conjunto de instrumentos busca estabelecer padrões de conduta, fortalecer controles e incentivar práticas capazes de reduzir riscos de corrupção e suborno e ampliar a confiança nas relações que integram a cadeia de valor da saúde.
“A integridade precisa produzir resultados concretos para a gestão. Quando conseguimos transformar normas, pesquisas e experiências do setor em indicadores, ampliamos a capacidade de identificar riscos, prevenir desperdícios e apoiar decisões mais seguras e transparentes. Levar essa discussão à Health Meeting também significa aproximar a agenda da ética dos desafios cotidianos enfrentados por quem administra e transforma a saúde”, destacou Filipe Venturini.
“Quando conseguimos traduzir ética e integridade em instrumentos que apoiam a gestão e a tomada de decisão, mostramos que esses princípios fazem parte da própria sustentabilidade do setor. O papel do IES é contribuir para que essa agenda avance de forma prática, reunindo diferentes atores da saúde em torno de soluções que gerem confiança e resultados para toda a sociedade”, afirmou Sérgio Rocha, presidente do Conselho de Administração do IES.
A participação de Sérgio Rocha e Filipe Venturini na Health Meeting reforça a atuação do IES em espaços de diálogo e construção conjunta com diferentes segmentos da saúde. Para o Instituto, aproximar ética, evidência e gestão é um caminho para ampliar a confiança nas relações do setor e contribuir para uma saúde mais sustentável, eficiente e centrada no interesse do paciente – princípio que também orientou a mensagem final levada ao evento: norma, evidência e cooperação como instrumentos para decisões melhores, menos desperdício e mais confiança.
Fonte: Instituto Ética Saúde, em 02.10.2026.