O novo normal e a nova renda fixa
Ao longo deste primeiro semestre estamos vivenciando uma realidade bastante diferente. A pandemia trouxe novas formas de comunicação; as empresas passaram a funcionar em home office, as lives se tornaram nosso passatempo em casa e a máscara virou acessório de vestuário.
Algumas tendências já eram percebidas, principalmente com o advento das fintechs e tantas outras “techs” que apareceram. No entanto, a crise sanitária provocada pela COVID-19 acelerou algumas destas tendências, como a utilização cada vez maior dos aplicativos de entrega e a utilização do home office pelas empresas. O mercado financeiro não ficou imune a este movimento.
Ao longo do ano de 2019, falávamos de uma nova realidade para os nossos participantes e assistidos, sobre um novo ambiente de investimento que se avizinhava, principalmente no que diz respeito à renda fixa, pois assistimos a uma queda significativa na taxa básica de juros no ano passado, com a SELIC encerrando o ano em 4,50%, reflexo de uma inflação controlada e da retomada, ainda que lenta, da economia.
Chegamos em 2020 e continuamos a ver a Selic em queda – muito mais acelerada, diga-se de passagem, por conta da pandemia.
Ontem o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) realizou mais um corte de 0,75%, levando a Selic para o patamar histórico de 2,25% a.a. Ao que parece, teremos que conviver com uma taxa de juros real próxima a zero, quando descontamos a inflação do retorno obtido com a taxa de juros.
A taxa de juro baixa (ou até mesmo zerada) já é uma realidade em muitos países, o que não significa que deixou-se de investir em renda fixa por lá, pelo contrário, eles continuam a investir, mas tiveram que buscar alternativas para obter retornos maiores. Normalmente, isso significou assumir mais risco nas carteiras de investimentos.
Esta nova realidade exige a revisão de nossas expectativas de retorno para os investimentos. O retorno passado não é garantia de retorno futuro.
Historicamente, as Entidades Fechadas de Previdência Complementar aplicaram grande parte de seus recursos em ativos de renda fixa, por dois motivos: i) liquidez e ii) retornos altos, que permitiam o atingimento das metas dos planos com um baixo nível de risco. Mas isso mudou.
Cada vez mais teremos que conviver com a volatilidade dos mercados. Para conseguir retornos acima da taxa de juro atual é necessário buscar ativos com maior risco e, por consequência, maior volatilidade. Isto quer dizer, que podemos ver as cotas oscilarem tanto positiva quanto negativamente.
O importante é ter consciência que estamos vivendo uma nova realidade nos investimentos, uma nova renda fixa. Cada vez mais o nível de retorno esperado tende a ser compatível com o nível de risco assumido nos investimentos. O que não significa que devemos tomar risco de qualquer forma, é necessário ter cautela e realizar uma análise detalhada do cenário e das probabilidades. É possível ganhar muito, mas também perder muito.
Os desafios da gestão de investimentos estão aí. A renda fixa continua sendo uma alocação importante para as carteiras de investimentos da fundação, porém será uma nova renda fixa, com retornos mais modestos e muito mais complexidade.
Nova newsletter
Com uma proposta visual mais moderna, a newsletter da Fundação – Notícias Faelba apresenta nesta edição de 22/06/2020, o seu novo layout. Com uma diagramação suave e mais intuitiva, o novo layout possibilita uma leitura leve e descomplicada.
Mesmo com as mudanças gráficas, o Informativo continua com a sua essência de informar e levar educação financeira e previdenciária aos seus Participantes e Assistidos. Todas as mudanças foram pensadas para proporcionar conhecimento e integração no relacionamento da Fundação com os Participantes.
Fonte: Faelba, em 22.06.2020