Crise climática pode levar empresas a criar uma proteção semelhante à que já existe nos Estados Unidos, voltada para regiões que estão cada vez mais sujeitas a destruição por fenômenos naturais

Centro de Porto Alegre volta a ser inundado pelas chuvas na maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul. 24/05/2024. Crédito da foto: Henrique Lessa – CB – DS Press.
O avanço da crise climática pode levar as seguradoras brasileiras a criarem uma modalidade semelhante à que já existe nos Estados Unidos, voltada para regiões que estão cada vez mais sujeitas a catástrofes. A avaliação é de Daniel Caiche, professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em mudanças climáticas e mercado de carbono, alertando que eventos extremos causados pela natureza resultam em custos crescentes de sinistros — pressionando as seguradoras a pagarem indenizações mais elevadas.
Isso pode colocar em risco a sustentabilidade do setor, uma vez que a expectativa é que as catástrofes climáticas tendem a se agravar. “O aumento da exposição a riscos relacionados ao clima pode levar a uma reavaliação dos modelos de precificação de seguros e concessão de crédito. Isso reverbera na economia como um todo”, adverte.
Balanço das perdas
Levantamento parcial da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) revela que as tempestades registradas desde 29 de abril no Rio Grande do Sul provocaram pelo menos R$ 10,4 bilhões em prejuízos financeiros, R$ 800 milhões a mais ante o reportado há uma semana. Os números contabilizam perdas de municípios que enviaram os dados à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
A CNM esclarece, porém, que os impactos são informados pelos próprios municípios — dados parciais, relatados à medida que os danos são contabilizados. A confederação estima que 3,6 milhões de pessoas e 469 municípios foram afetados, sendo 340 com reconhecimento estadual e federal de situação de emergência e 78 em estado de calamidade pública.
Destes, apenas 94 municípios informaram os valores de danos e prejuízos públicos e privados, o equivalente aos R$ 10,4 bilhões. No relatório, a CNM lembra que as chuvas no Rio Grande do Sul iniciaram-se em 24 de abril.
Segundo a confederação, dos danos financeiros relatados, R$ 4,6 bilhões referem-se ao setor habitacional, com 108,6 mil casas danificadas ou destruídas; R$ 3,4 bilhões foram relatados no setor privado e R$ 2,4 bilhões no setor público.
A agropecuária é o setor econômico privado com mais perdas financeiras levantadas — R$ 2,945 bilhões. Dos municípios que contabilizaram prejuízos, R$ 2,7 bilhões estão relacionados à agricultura e R$ 245,4 milhões, à pecuária. A indústria reportou um rombo de R$ 267 milhões e outros R$ 130,2 milhões foram relatados por comércios locais.
No setor público, o levantamento contabilizou prejuízos de R$ 1,7 bilhão em obras de infraestrutura (como pontes, estradas, drenagem urbana) e R$ 428,6 milhões em instalações públicas (como escolas, hospitais e prefeituras).
Doações
Pessoas físicas de todo o país destinaram R$ 35 milhões do Imposto de Renda deste ano a fundos para proteção de crianças e idosos no Rio Grande do Sul. O estado tornou-se o maior beneficiário desse tipo de direcionamento do IRPF, seguido por São Paulo (R$ 33 milhões até o momento) e Paraná (R$ 18 milhões). Os números foram obtidos junto à Receita Federal pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), responsável por gerir o Pacto Nacional da Primeira Infância.
A situação do Rio Grande do Sul vem mobilizando doações e uma das maneiras de garantir recursos para o estado é por meio da ajuste anual com o fisco — cujo prazo de entrega de declarações encerra-se na próxima sexta-feira. Pela legislação, o contribuinte pode destinar até 6% do imposto devido para fundos estaduais e municipais vinculados ao Estatuto da Criança e do Adolescente e ao Estatuto do Idoso.
Ao preencher a declaração, o contribuinte pode identificar o estado e até a cidade onde os fundos atuam. A opção por destinar os recursos públicos a projetos sociais está disponível somente para quem preenche a declaração completa.
No ano passado, mais de 4.712 Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (FDCA) e Fundos dos Direitos da Pessoa Idosa (FDPI), de municípios e unidades da Federação, receberam mais de R$ 282 milhões em destinações do Imposto de Renda de Pessoa Física, uma das formas mais diretas e efetivas de o contribuinte direcionar recursos do orçamento público federal.
Já o Tesouro Nacional remeteu, ontem, R$ 189,856 milhões, para um total de 47 municípios gaúchos. O valores, creditados no Banco do Brasil, referem-se ao apoio financeiro estabelecido pela Medida Provisória (MP) 1.222. Porto Alegre receberá o maior valor — R$ 31,192 milhões. (Com Agência Estado)
Indenizações de seguros chegam a R$ 1,6 bilhão após cheias no RS; 8 mil veículos sofreram danos
Estado tem 23,4 mil avisos de sinistro, envolvendo imóveis, automóveis, propriedades agrícolas, entre outros. Temporais e cheias deixaram 163 mortos no Rio Grande do Sul.
Os danos provocados pelas cheias, que já deixaram 163 mortos e 2,3 milhões de pessoas afetadas no Rio Grande do Sul, impactaram também o mercado de seguros. O setor registra R$ 1,673 bilhão de indenizações que serão pagas a clientes do estado, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg).
A entidade soma 23,4 mil avisos de sinistro. A maioria é de seguros residenciais, com quase 11,4 mil imóveis com avarias. Além disso, 8,2 mil veículos sofreram danos, conforme as seguradoras. Para o setor, o número ainda pode aumentar.
“A maioria das solicitações de indenizações ainda não foi reportada pelos clientes às seguradoras. Os clientes residenciais, de automóveis, de propriedades agrícolas ou corporativas ainda estão contabilizando suas perdas e não acionaram suas seguradoras”, diz o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira.
Seguros: pedidos de indenização no RS
|
PRODUTO |
Automóveis |
Residencial/habitacional |
Agrícola |
Grandes riscos (corporativos) |
Outros |
|
QUANTIDADE |
8.216 |
11.396 |
993 |
386 |
2.450 |
|
VALOR (R$) |
557,4 milhões |
239,1 milhões |
47,2 milhões |
507 milhões |
322,1 milhões |
Fonte: CNSeg

‘Cemitério de carros’ após enchente no RS — Foto: Reprodução/RBS TV
O que fazer?
A orientação para quem perdeu algum bem é que verifique nas apólices de seguro quais as cobeturas foram contratadas. Se os contratos incluem coberturas adicionais, como vendavais, alagamentos e desmoronamentos, as companhias têm um prazo legal de 30 dias para o pagamento das indenizações, com excessão dos bens financiados.
“A ideia é que as seguradoras, nesse momento, elas flexibilizem a sua forma de atuação. Mas, obviamente, não é algo que é cogente, não é algo que é obrigatório, salvo no caso do seguro habitacional”, explica Júlia Normande Lins, diretora-técnica de Mercado e Supervisão de Conduta da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
O seguro habitacional cobre o pagamento das parcelas de dívida do segurado correspondente ao saldo devedor. Inclui financiamento para aquisição, reforma ou construção de imóvel, ou a reposição do imóvel financiado.
O seguro rural pode garantir a atividade agrícola e pecuária, o patrimônio do produtor rural, seus produtos, o crédito para comercialização desses produtos, além do seguro de vida dos produtores.
O seguro de transportes garante uma indenização pelos prejuízos causados aos bens durante o transporte em viagens por água, terra e ar. Costumam cobrir sinistros causados por fenômenos da natureza.
No RS, os seguros residenciais e empresariais contemplam a cobertura básica, em caso de incêndio, explosão, raio e queda de aeronaves. Enchentes e alagamentos são coberturas adicionais, que podem ser contratadas pelos segurados.
“Aquelas apólices que não dispõem dessa cobertura adicional, a qual vem discriminada na apólice, não terão cobertura nessas situações”, diz a corretora Aline Boff.
No caso dos veículos, a maior parte dos seguros é de ampla cobertura, ou seja, incluem danos em eventos da natureza, como as enchentes. Algumas seguradoras estão dispensando as perícias de veículos.
“Muitas companhias estão flexibilizando as indenizações, buscando fazer uma recolha emergencial desses veículos sinistrados ou até mesmo já procedendo com a indenização através de fotos”, comenta Aline.
Automóveis que estavam em estacionamentos privados são de responsabilidade do local, que deve proceder com a indenização. Caso ocorra demora, o segurado pode proceder com o pedido através de sua apólice de seguro.

Imagem da Avenida Sertório, na Região Norte de Porto Alegre — Foto: Pietro Oliveira/RBS TV
Tragédia no RS é o maior sinistro enfrentado pelas seguradoras no Brasil, diz setor

O nível das águas baixou um pouco e São Leopoldo (RS) no fim de semana, expondo os estragos. Foto: Rodney Costa – O Tempo
A CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) estima que os sinistros já acionados no Rio Grande do Sul em decorrência das enchentes de maio somam um impacto de R$ 1,673 bilhão.
O valor final, porém, ainda é incerto, já que apenas uma pequena parcela dos clientes acionou suas seguradoras que, por sua vez, não conseguiram avaliar de forma adequada o custo real dessas ocorrências. Foram 23.441 sinistros relacionados às enchentes e inundações no RS reportados de 28 de abril a 22 de maio.
“Seguramente, o valor final será muito maior. Sem dúvida, essa é a maior indenização de um único evento que o setor já enfrentou no país”, disse Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, em entrevista a jornalistas nesta sexta-feira (24).
O executivo também pondera que ainda não é possível estimar se o impacto final será maior que o registrado em todos os anos de pandemia. Ao todo, foram R$ 7,5 bilhões pagos apenas em seguros de vida para as vítimas de Covid-19. Nos planos de saúde, o gasto com a doença somou R$ 30,4 bilhões, de março de 2020 a fevereiro de 2023.
“Na pandemia, o setor excepcionalmente ofereceu uma cobertura maior, pois essa cobertura [contra pandemia] não era um produto ofertado no mercado, e o seguro de vida assumiu essa responsabilidade. No caso das enchentes, era um produto ofertado pelo mercado. As pessoas optaram por não contratar”, disse Oliveira.
Segundo a Defesa Civil do RS, o número de mortos em decorrência das enchentes no estado era de 163 na noite de quinta (23). Ainda há 64 pessoas desaparecidas e outras 806 feridas. O órgão aponta que 21,5% dos gaúchos foram afetados pela tragédia, que afetou 95% das cidades do Rio Grande do Sul.
De acordo com a CNseg, o maior impacto material já registrado pelos gaúchos, por enquanto, vem das apólices de automóveis. São 8.216 sinistros acionados, que somam um custo estimado em R$ 557,4 milhões.
O maior número de ocorrências informadas, porém, é em seguros residenciais e habitacionais. São 11.396 sinistros informados, com um custo potencial de R$ 239,2 milhões.
“Em automóveis é mais fácil estimar o impacto, porque o seguro total, que mais de 90% das pessoas contratam, tem cobertura para alagamentos. Em residencial, porém, a cobertura para alagamento é muito baixa”, afirma Oliveira.
O segundo maior custo registrado é no segmento de “grandes riscos”, que são seguros patrimoniais para empresas, instituições ou coletividades, que garantem a integridade de imóveis e seus conteúdos, como máquinas, móveis, utensílios, mercadorias e matérias-primas, com custo total acima de R$ 15 milhões. Até o momento, esses chamados giram em torno de R$ 507 milhões.
Segundo a CNseg, o impacto no agronegócio deve ser menor do que as secas que a região enfrentou nos últimos anos. Por enquanto, são 993 avisos de sinistro, com uma estimativa de impacto de R$ 47 milhões.
“As secas de 2022 foram muito severas no agro, em particular no Rio Grande do Sul. Mas, esse número, certamente, será muito maior à medida que os sinistros forem efetivamente avisados e as indenizações estimadas”, disse Oliveira —naquele ano, o impacto das secas para aoi de R$ 8,8 bilhões.
Apesar dos altos valores, as seguradoras estão com recursos em caixa, com robustas reservas técnicas. “O sistema brasileiro está plenamente preparado. As seguradoras têm recursos o suficiente para arcar com esse evento”, afirmou Oliveira.
Devido à tragédia, o setor prorrogou o vencimento das apólices na região e está concedendo algumas indenizações sem necessidade de averiguação, em poucos dias.
Nota BRASESUL 2024: comitê adia evento em decorrência das fortes chuvas no RS

O BRASESUL 2024 informa a todos os Congressistas, Fornecedores, Patrocinadores e à comunidade que, em função do ocorrido com o estado do Rio Grande do Sul, diante do tamanho do impacto, suas consequências e visando a entrega que sempre primamos, com a qualidade, responsabilidade e respeito a todos, resolve ADIAR o evento que ocorreria nos dias 8 e 9 de agosto de 2024.
Como ainda dependemos de informações da operação do Aeroporto Internacional Salgado Filho e agenda da FIERGS, estaremos definindo uma nova data oportunamente e a divulgaremos.
A certeza é que faremos um evento ainda maior, mais pujante e que muito contribuirá no apoio à reestruturação do Rio Grande do Sul.
Confiamos na força do povo gaúcho para superar este momento difícil e agradecemos as mensagens de apoio, aos seguradores e demais patrocinadores que estão conosco, bem como aos que não estariam no BRASESUL 2024 e agora decidiram, em apoio ao Rio Grande do Sul, patrocinar e participar! Isto nos traz a força que necessitamos!
Seguiremos firmes e fortes no desenvolvimento de nosso evento, que já conta com mais de 30 patrocinadores confirmados e as inscrições a caminho da nossa meta de 3.000 congressistas.
Com o objetivo de qualificar e engrandecer ainda mais o evento vamos incluir uma Arena Temática para as Mulheres, aglutinando os encontros tradicionais existentes nos três estados (Encontro Feminino – RS, Mulheres em Ação – PR e Encontro Catarinense das Mulheres –SC).
Contando com a compreensão e apoio de todos, mais uma vez agradecemos a cada um que tem ajudado e apoiado aos nossos irmãos Gaúchos, demonstrando a maior corrente de solidariedade da história do nosso país!
Nos colocamos à disposição para dirimir quaisquer dúvidas, pelo nosso canal de WhatsApp +55 (51) 99973-4594, site e instagram.
Essor emite comunicado de solidariedade ao povo gaúcho em suas redes sociais
A seguradora vem prestando apoio aos seus colaboradores, clientes e parceiros locais para enfrentamento da catástrofe que atingiu o Rio Grande do Sul

Além do amparo aos seus públicos, a Essor anunciou, nesta terça-feira, 07 de maio, algumas medidas para aliviar os compromissos financeiros dos segurados com a empresa.
A companhia prorrogou por 30 dias da data de vencimento dos boletos de pagamento do prêmio de seguros para os clientes das áreas afetadas e com vencimento entre 1º de maio e 20 de maio de 2024.
No comunicado, a direção da empresa reforça, “o compromisso em ajudar na resiliência da comunidade e da economia do Estado do Rio Grande do Sul”. E se coloca à disposição “para quaisquer necessidades de seguros, incluindo extensão de vigência, esclarecimentos sobre cobertura existente e pagamento de prêmio, através dos seguintes canais de atendimento”:
Segurados:Fonte: ENS, em 27.05.2024.