O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) vem a público reiterar seu repúdio a publicações na imprensa que têm por objetivo macular a imagem da Medicina como um todo, por meio de um discurso tosco e enviesado, que generaliza os atos desregrados impingidos por estudantes ou médicos que ferem os princípios éticos em sua atuação.
Exemplo disso é o artigo “Refundar o ensino médico no Brasil”, da colunista do UOL, Milly Lacombe, publicado em 20 de setembro. Em seu texto, a jornalista discorre não somente sobre os atos obscenos praticados pelos estudantes de Medicina da Unisa, como também elenca uma série de atitudes impróprias, generalizando-a à medicina praticada no Brasil, que considera “branca, oligárquica, masculina e heterossexual e carrega com ela todas as opressões de raça, classe, gênero e sexualidade”.
Todos os crimes elencados pela colunista foram veementemente repudiados pelo Cremesp na ocasião em que ocorreram, com a cobrança de apuração e pronta punição dos responsáveis.
Ao generalizar as ações impróprias cometidas por alguns a toda a classe médica, a jornalista vilipendia o trabalho de centenas de milhares de profissionais que honram o jaleco que vestem e dignificam a Medicina, atuando diuturnamente para salvar vidas.
A essa publicação, somam-se outras igualmente contestadas pelo Cremesp por afrontar toda a classe médica, como é o caso da charge publicada na Folha de S. Paulo, na mesma data, e o discurso, divulgado em vídeo, do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, sobre a formação médica, que possui viés político e estigmatizante.
O Cremesp ressalta mais uma vez que repudia todo e qualquer ato de desrespeito que firam os princípios éticos, sejam eles praticados por estudantes ou profissionais de qualquer área de atuação. Mas é preciso lembrar que eles não refletem a atitude dos médicos brasileiros como um todo, e sua denúncia deve sempre objetivar a imediata apuração e punição dos responsáveis, e não ferir a imagem da Medicina praticada no País como um todo – o que poderá ocasionar consequências catastróficas -, e que é feita por profissionais dignos que trabalham para salvaguardar a saúde da população.
A promissora Medicina de Emergência é tema da nova edição da Ser Médico
Medicina de Emergência (ME) – a jovem e promissora especialidade médica – é o tema da matéria especial da recém lançada edição 103 da revista Ser Médico. A ME foi moldada e aprimorada ao longo dos tempos, em condições e ambientes sensíveis, que incluem o atendimento de pacientes em estado grave, vítimas de conflitos e desastres, entre outros eventos. Sua trajetória, seja como área de atuação ou especialidade, é permeada também pelos avanços tecnológicos e dos protocolos médicos, além de uma prática baseada em evidências científicas.
A consolidação da especialidade, entretanto, está em curso e ainda faltam políticas de saúde para estruturar e instrumentalizar adequadamente esse setor tão fundamental para o sistema de saúde como um todo.
O tema é abordado sob vários ângulos, disponibilizando aos leitores um panorama abrangente e profundo da ME. Na entrevista, por exemplo, a professora Ludhmila Abrahão Hajjar – primeira mulher a assumir o cargo de docente-titular da disciplina de Medicina de Emergência da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Fmusp) – fala sobre os desafios que enfrentará.
A matéria de História mostra o início da assistência em emergência, incluindo a primeira e a segunda guerras mundiais, bem como as mobilizações dos últimos 50 anos que deram visibilidade e reconhecimento à área, promovendo mudanças e melhorando a vida dos pacientes.
As editorias de Panorama, Em Foco e Vanguarda trazem informações, dados e análises que dão respaldo à crescente importância da ME no Brasil e no mundo, desde o longo caminho para sua consolidação e o percurso da formação dos emergencistas até as perspectivas da especialidade no contexto da assistência médica. A visão e o papel do médico emergencista no sistema de saúde e os avanços tecnológicos e da Inteligência artificial complementam o raio-X da ME.
Ainda relacionada à especialidade, a editoria de Hobby mostra o cotidiano de dois médicos emergencistas e surfistas que se mudaram para o litoral, em busca de uma vida saudável, conciliando o trabalho à prática do esporte radical.
Nas demais editorias – Turismo, Crônica, Agenda Cultural e Resenha – novos e instigantes assuntos são apresentados, como o impressionante patrimônio arquitetônico e cultural, e as belezas naturais da Sicília, na Itália. Já o filme recomendado nesta edição é Oppenheimer, que conta a história do criador da bomba atômica, passando também pelos dilemas éticos que os avanços científicos podem gerar na sociedade. E, não menos importante, a Agenda Cultural traz várias dicas sobre espetáculos de dança, shows, exposições e festival de piano, para todos os gostos.
A revista Ser Médico é uma publicação trimestral do Cremesp. Acesse a versão digital, na íntegra.
Fonte: Cremesp, em 25.09.2023