
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) realizará, no próximo dia 21 (sábado), o Fórum Relações de Consumo na Carreira Médica, evento destinado aos médicos e advogados do Estado de São Paulo.
O primeiro bloco trará um panorama sobre a remuneração profissional e discutirá a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) neste sentido, bem como a fiscalização do Conselho e novos modelos existentes de remuneração, contando com a participação de diretores do Cremesp; do diretor da ANS, Alexandre Fioranelli; do conselheiro suplente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Leonardo Emílio da Silva, e dos membros da Comissão de Carreira do Médico do Conselho, Marcos Loreto e Flávio Takaoka.
Em seguida, no segundo bloco, os erros médicos e a repercussão criminal serão abordados, e temas como a garantia contratual de resultados, o Código de Defesa dos Direitos do Consumidor, limites éticos e o Transtorno Dismórfico Corporal serão debatidos. O debate ficará a cargo da diretora adjunta de programas especiais do Procon, Maria Cristina Favoretto; do desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), Álvaro Augusto dos Passos; dos cirurgiões plásticos, André Cervantes e Luciano Chaves; e das psiquiatras Maria Alice Scardoelli — vice-presidente do Cremesp — e Natália Soledade.
O evento híbrido (presencial, com 60 vagas) e online (transmitido ao vivo pelo canal do YouTube do Conselho), faz parte de uma série de ações que a autarquia vem realizando com o objetivo de promover informações aos médicos e defender a boa prática médica.
“Muitas vezes o médico acaba se prejudicando por desconhecer regras e procedimentos legais. Desde que assumimos a gestão da Casa, nosso trabalho é focado em oferecer ao médico um apoio que vai além das questões ético-profissionais”, comenta Joaquim Claro, coordenador do Departamento Jurídico do Cremesp.
Para a presidente do Conselho, Irene Abramovich, a atual gestão tem realizado o maior movimento de defesa do ato médico do Estado de São Paulo.
Inscrições
O evento acontecerá das 8h30 às 13h30 e é gratuito. Os interessados em participar presencialmente do Fórum (rua Frei Caneca, 1282) devem fazer a inscrição até 20/05 (sexta-feira), 16h, por meio do link https://forms.gle/Du6eeyMbeafovnXv6. Para participação online, basta acessar https://youtu.be/ybc6wCMialY
Presidentes do Cremesp e CRF-SP falam sobre prescrição médica para estudantes de Medicina e Farmácia
Os aspectos éticos e técnicos da prescrição médica foram temas de palestras da presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado São Paulo (Cremesp), Irene Abramovich, e do presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Marcelo Polacow Bisson, no Simpósio de Farmácia e Medicina do Centro Universitário FAM. Dirigido a estudantes de Medicina e Farmácia, o evento foi realizado em 11 de maio, no auditório da FAM, na rua Augusta, na Capital.
A presidente do Cremesp chamou atenção para alguns cuidados que os médicos devem ter na prescrição. “É fundamental que a prescrição seja legível, clara e que o paciente entenda o que está escrito”, ressaltou Irene, alertando também para os graves problemas que podem decorrer de uma prescrição mal interpretada. Ela lembrou, ainda, que existem diversos trabalhos acadêmicos e teses apontando os problemas relacionados a erros na administração ou dosagem de medicamentos em UTI, decorrentes da falta de clareza na prescrição. A presidente do Cremesp também discorreu sobre a prescrição por meio do uso de computadores, destacando a importância de se conhecer as normas e os sistemas digitais disponibilizados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) aos médicos brasileiros.
A parceria entre o Cremesp e o CRF no enfrentamento dos problemas comuns também foi destaque da palestra de Irene Abramovich. “Nosso trabalho conjunto demonstrou como é importante para os resultados, quando duas categorias profissionais se unem em benefício da saúde da população”, afirmou. Dentre as parcerias, destaca-se um parecer conjunto do Cremesp e CRF-SP, que levou a Câmara dos Deputados a votar contra a emenda que previa a alteração da Lei nº 5.991/1973 para permitir a prestação de serviços de telessaúde em farmácias e drogarias.
O presidente do CRF-SP também enalteceu o trabalho conjunto das duas instituições, como o realizado quando ocorreram desabastecimentos de medicamentos, insumos e EPIs no início da pandemia de Covid-19. Em relação à atuação do farmacêutico, diante de uma dúvida sobre a prescrição médica, Polacow considerou ser importante contatar o médico para esclarecê-la, antes de entregar o medicamento ao paciente. “Nas nossas profissões não existe espaço para o erro”, alertou ele, complementando que uma dosagem errada pode significar a morte para um paciente.
O simpósio foi organizado por Rodrigo Varotti e Fábio Ribeiro, respectivamente, coordenadores do curso de Medicina e de Farmácia da instituição. Tanto Varotti como Ribeiro abordaram o caráter multiprofissional da assistência à saúde, destacando a importância da interação no trabalho dos profissionais da Medicina e da Farmácia.
Cremesp repudia veementemente artigo intitulado “Agora só vou com mulher”
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) vem a público se manifestar sobre o lamentável artigo de opinião intitulado “Agora só vou com mulher”, escrito pela psicóloga Vera Iaconelli e publicado pela Folha de S. Paulo, no último dia 9.
No texto, a profissional relata que, ao realizar exame de ultrassom, o “técnico” que o estava conduzindo “apoiou o braço sobre seu seio, roçando em seu mamilo” e que, em decorrência deste comportamento “abusivo”, supostamente fruto do “show de horror misógino e militar que é a formação médica”, ela passaria a consultar-se apenas com mulheres.
Em primeiro lugar, é extremamente errônea a afirmação feita pela profissional em relação à formação médica, que, essencialmente, é pautada pela ética e pela ciência, tendo, como principal objetivo, a preservação da saúde e segurança da população. Desta forma, um fato isolado não pode ser utilizado como subterfúgio para desmoralizar toda uma classe profissional, conforme defende o artigo de Iaconelli.
É fato que há pessoas mal intencionadas na Medicina, assim como há em toda e qualquer profissão. Condutas antiéticas, imorais, devem ser denunciadas, de modo que os órgãos competentes — como o Cremesp — as apurem e, posteriormente, as punam, e não utilizadas para desmoralizar uma profissão e provocar uma descabida distinção entre profissionais homens e mulheres, como fez a autora.
O modo jocoso e tendencioso utilizado por Iaconelli para descrever os “fatos” é um verdadeiro desserviço para a sociedade, pois gera um pânico despropositado na população em relação aos médicos e à Medicina. Mais uma vez, o Conselho reitera que condutas antiéticas devem ser denunciadas, para que as medidas cabíveis sejam devidamente tomadas, e que repudia veementemente as afirmações lamentáveis e inadmissíveis feitas pela autora.
Fonte: Cremesp, em 13.05.2022