Representando o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), o diretor 1º secretário, Angelo Vattimo, participou do XII Congresso Paulista de Gastroenterologia, com a palestra Carreira Médica – Por que escolhemos a Medicina?
Em sua apresentação, ele falou sobre os desafios, riscos e oportunidades para os médicos que estão ingressando no mercado de trabalho, destacando a importância de ter claros os objetivos de carreira, buscando escolher criteriosamente os nichos em que se quer atuar, entre eles o SUS, Saúde Suplementar, OSS, clínicas populares, consultório particular ou, ainda, por meio da telemedicina.
Vattimo também comentou sobre os riscos intrínsecos da escolha pela Medicina, ressaltando que, como toda profissão, a área pode representar dificuldades para quem está iniciando na carreira, como, por exemplo, formação insuficiente ou inadequada, inadaptação ao trabalho, arrependimento na escolha da especialidade, burnout, entre outros.
Ele orientou ainda sobre os riscos extrínsecos que o mercado de trabalho pode apresentar. “É importante que o médico fique atento às orientações que o Cremesp disponibiliza, por meio de diversos canais, e saiba como evitar ou se defender de possíveis riscos que a atividade pode trazer, como por exemplo, processos, calote, glosas indevidas, violência, entre outros imprevistos que podem atingir o profissional.”
Também lembrou que para desenvolver plenamente a carreira, é recomendável que o recém-formado busque uma especialização com a qual se identifique e, ao longo de sua atuação, sempre invista na atualização profissional.
E ressaltou a importância de uma atuação ética para o sucesso profissional. “Uma das prioridades é seguir rigorosamente os ditames éticos que regem a Medicina. Além disso, deve-se preservar e valorizar ao máximo a relação médico paciente, buscando sempre uma convivência harmônica e integrada com toda a equipe envolvida no atendimento”, finalizou.
Cremesp lança 2ª. edição do livro sobre Assédio na Formação Médica
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) está lançando o livro Assédio Moral na Formação Médica: conscientizar para combater – 2ª. edição, com dados atualizados nesta área. Sucesso editorial de 2019, a publicação trouxe à tona problema recorrente, e longe de ser solucionado, no âmbito da Residência: a ação destruidora de preceptores com vícios acadêmicos, e chefias que replicam hábitos destrutivos que, pouco antes abominavam. Tal ciclo precisa começar a ser quebrado – e essa é uma das metas da obra.
Organizado pelo psiquiatra Edoardo Vattimo, e pelo anestesiologista Elio Belfiore, com a participação de 13 autores, Assédio Moral na Formação Médica: conscientizar para combater confirma a vocação do Cremesp junto à educação médica, ao entender que só com atenção à formação será possível acreditar no porvir da profissão. O livro tem início com os dados mais recentes em demografia médica. Apenas para dar uma ideia, nos últimos 13 anos mais de 250 mil novos médicos começaram a atuar no País, fenômeno que se deve, em parte, ao crescimento desenfreado de cursos e vagas na graduação de medicina.
O livro traz ainda capítulos sobre as bases histórico-sociais para surgimento e perpetuação das relações de assédio; considerações sobre relações interpessoais no trabalho; assédio em meio a residentes e estudantes de medicina; prevenção do assédio moral: legislação vigente e jurisprudência; e medidas individuais contra o assédio moral: o que os estudantes ou residentes devem fazer quando sofrem abusos durante a época de treinamento?, entre outros.
Assédio Moral na Formação Médica: conscientizar para combater – 2ª Edição, mais uma ação do Cremesp para fortalecer a Residência Médica, será encaminhado via correio a todos os residentes do Estado, juntamente com a 2ª. edição da revista científica Journal of Medical Resident Research, também direcionada majoritariamente ao médico jovem, que se dedica (ou pensa em se dedicar) à pesquisa.
A versão digital da publicação está disponível em Ebooks e Publicações, na página inicial do site do Conselho.
Cremesp realiza 2ª reunião com autoridades da Psiquiatria para discutir resolução do CNJ
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) realizou, nesta quinta-feira (1), por meio da sua Câmara Técnica (CT) de Psiquiatria, nova reunião para discutir com outras Sociedades de Especialidades e autoridades da Psiquiatria a Resolução nº 487 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determina o fechamento dos Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico existentes no Brasil. Estas instituições são destinadas a abrigar pessoas consideradas portadoras de transtornos mentais e que cometeram crimes considerados de alta periculosidade.
Na ocasião, a presidente do Cremesp, Irene Abramovich, citou as iniciativas da atual gestão contra a resolução editada sem a participação ou consulta de qualquer entidade médica especializada, como as associações de psiquiatria e os Conselhos de Medicina. Ela falou sobre o sucesso da primeira reunião realizada pelo Conselho com autoridades da psiquiatria, em abril, que resultou na solicitação de audiência com a Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, após pedido feito ao também Ministro do STF, André Mendonça.
Irene encerrou seu discurso com o seguinte questionamento. “Se não haverá mais perícias psiquiátricas feitas por médicos, o que irá acontecer com os pacientes?”.
Segundo o 1º secretário do Cremesp, Angelo Vattimo, era necessário que fossem dadas respostas à população pelos criadores da resolução. Além disso, falou sobre o quanto a decisão afeta a segurança pública do País. “Quantas pessoas vão cometer crimes e voltar para o convívio em sociedade?”, perguntou.
O corregedor do Cremesp e membro da CT de Psiquiatria, Rodrigo Lancelote, comentou sobre a vulnerabilidade dos pacientes com transtornos mentais e a marginalização destas instituições de saúde. “Falta investimento e contração de profissionais. A solução para melhoria não é o fechamento destes Hospitais”.
O também membro da CT, Quirino Cordeiro Júnior, destacou o fato de que após a resolução do CNJ, as internações destas pessoas serão feitas em Hospitais Gerais e mencionou os efeitos do fechamento dos Hospitais de Custódia. “Quando há redução dos leitos psiquiátricos, há um aumento da população carcerária e de rua”.
O Juiz da Vara de Execuções Criminais, Paulo Sorci, em acordo com o discurso dos demais, falou sobre a não participação dos médicos nas discussões e a ideologia que move a elaboração da decisão. ”A resolução iguala as pessoas que cometeram delitos e as que não cometeram”, completou.
A diretora secretária adjunta da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Miriam Gorender, expressou sua preocupação em relação ao Ato Normativo, que, segundo ela, “não garante adesão dos pacientes com transtornos mentais graves e apenas aumenta a psicofobia”.
Encerramento
Ao fim da reunião, Irene, em nome de toda a diretoria e dos demais participantes, falou sobre a necessidade de elaboração de novo documento com pedido de revogação da resolução ao CNJ e STF. Após a primeira reunião, em abril, o Cremesp produziu uma nota pública em repúdio à normativa. Confira aqui.
O Cremesp reitera seu papel de órgão fiscalizador da atividade médica e se posiciona contrário a qualquer iniciativa que viole as prerrogativas do campo da Medicina, visando assegurar o direito à saúde e à segurança dos pacientes e da população.
Confira a lista de participantes da 2ª reunião da Câmara Técnica de Psiquiatria
Fonte: Cremesp, em 02.06.2023