Clique para ver a apresentação do Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no evento “Dois anos de autonomia do BC: lições para o futuro”, promovido pela Folha de S.Paulo, em São Paulo.
BC debate digitalização da economia
Workshop sobre 'tokenização' reuniu especialistas do país e do exterior em Brasília. Elogios à posição de vanguarda do BC na geração e promoção da inovação financeira foi recorrente durante o evento. Sucesso do Pix, com adoção extremamente rápida pela população, também foi muito elogiado.
Para debater o futuro e o presente do sistema financeiro nacional, o Banco Central (BC) reuniu na última terça-feira (16), em Brasília, especialistas nas áreas de tecnologia, economia e direito, do Brasil e do exterior. Diversas experiências e ações, algumas já em andamento e outras em estudo, foram debatidas durante o Workshop ‘A Tokenização das finanças: dos criptoativos às moedas digitais de bancos centrais’, realizado em parceria com a Fenasbac.
Temas como moedas digitais de bancos centrais; dinheiro programável; ecossistemas de pagamentos instantâneos; operações transfronteiriças; regulação financeira da economia digital e impactos sociais decorrentes; soluções tecnológicas voltadas para a inovação das finanças; e inclusão e educação financeira estiveram no foco do debate.
Apesar da variedade de temas, um entendimento foi unânime: a robustez do processo de inovação no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e o papel de protagonista desempenhado pelo BC na promoção desse ambiente inovador, com destaques para a implementação pelo BC do Pix, Open Finance e Real Digital. Foi valorizado inclusive o papel histórico do BC na promoção da eficiência financeira, com a criação da TED em 2002, que introduziu, à época, transferências quase instantâneas no sistema financeiro.
“A adoção do Pix pela sociedade brasileira foi impressionante, com uma expansão extremamente rápida (da sua utilização), sem comparação internacional em termos de sucesso. E consigo ver mais possibilidades com o Open Finance”, disse o professor Robert M. Townsend, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), convidado de honra do Workshop.
Para ele, a sociedade mundial tem se deparado com uma nova realidade baseada na economia digital. “Por isso, a importância de um evento como esse, que tem aspectos e atores-chave envolvidos no debate. Esse é um esforço crítico, que é necessário ser feito para que os atores de cada uma das áreas – tecnologia da informação, direito e economia – possam entender melhor as particularidades da perspectiva das outras áreas, o que não é fácil”, completou.
Sistema financeiro do futuro
Diretor de Regulação do BC, Otávio Damaso, afirmou que a promoção da concorrência foi o principal fator levado em conta pela instituição no desenvolvimento ou incentivo de projetos inovadores.
"O que buscamos é um SFN cada vez mais eficiente, que traga resultados concretos para a sociedade brasileria em todas as suas dimensões, considerando que vislumbramos a completa digitalização da intermediação financeria. Além de mais competição, trabalhamos por um SFN do futuro, com ampla inclusão das diversas camadas da sociedade, com menor custo de intermediação, redução das barreiras à entrada, eficiência tempestiva do controle de risco e monetização dos dados", disse
Otávio Damaso, diretor de Regulação do Banco Central.
Ele completa que “haverá, naturalmente mais à frente, a ‘tokenização’ completa de ativos financeiros e de contratos” - “tokenização” é o processo de representar digitalmente um ativo ou propriedade de um ativo.
Abertura e inovação
Damaso afirmou que o BC tem trabalhado arduamente para criar as bases que incentivem todo esse processo de inovação, por meio da sua agenda tecnológica para o sistema financeiro, voltada para garantir o acesso democrático de agentes e usuários. Ele ressalta que a busca de um sistema financeiro eficiente foi alavancado pelo processo de abertura do BC, que vem conversando com todos os operadores e usuários financeiros, para além do segmento bancário. Tal abertura realmente favorece a promoção da inovação financeira e o entendimento dos desafios tecnológicos e de segurança envolvidos.
O grande caso de sucesso é a popularização intensa do Pix –, que já tem benefícios econômicos e sociais concretos e mensuráveis – e que continua em evolução. A adesão ao Open Finance também tem ocorrido de forma muito satisfatória e vem ganhando relevância internacional como um ecossistema inovador, robusto e eficiente, que democratiza conveniências para os usuários.
Especificamente sobre o Real Digital (a nossa Central Bank Digital Currency - CBDC), o Diretor afirmou que o projeto tem fases muito bem definidas até sua implementação, prevista para fim de 2024. “Esse Workshop funcionou como uma etapa de interlocução com todos os atores interessados na CBDC brasileira”. Tal visão se alinha com a do coordenador da Iniciativa do Real Digital, Fabio Araujo – consultor do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban). “O Workshop foi muito importante no sentido de troca de experiências, seja com atores nacionais e internacionais, atuantes em diversas áreas acadêmicas e de negócios. As discussões darão ainda mais solidez para o desenvolvimento do Real Digital”, considerou.
Liderança como inovador
Além de menções às iniciativas Pix, Open Finance, Real Digital e de promoção da internacionalização da moeda brasileira, Damaso e Araujo destacaram o ecossistema LIFT, que promove uma interlocução muito relevante do BC com a sociedade para o desenvolvimento de novos projetos para o SFN. O professor Townsend valorizou a abertura singular do BC para aprender fazendo, criando, interagindo, trabalhando com as ferramentas das finanças descentralizadas para assegurar a democratização das finanças, com destaque para o Lift Challenge. “Essas iniciativas do Brasil estão atraindo a atenção mundial. O Brasil é líder na inovação financeira e se tornou o principal ator internacional na implementação de uma CBDC programável”, concluiu o professor Townsend, do MIT.
Saiba mais
Em breve, o BC irá disponibilizar os vídeos e apresentações das sessões matutinas e a versão mimeo de todos os artigos debatidos durante o evento. Até setembro de 2023, a Revista Lift Papers consolidará os anais do Workshop.
Assista aqui a sessão vespertina do Workshop, denominada “Interoperabilidade, competição e regulação em um mundo de ativos digitais”, e o encerramento do Workshop com a mesa redonda “Inovação e Economia Digital”.
O incentivo à inovação está presente na Agenda BC#, na dimensão Competitividade. Para saber mais sobre o Pix, clique aqui. Sobre o Open Finance, clique aqui. E sobre o Real Digital (CBDC), clique aqui.
Fonte: BCB, em 22.05.2023.