Copom mantém a taxa Selic em 15,00% a.a.
O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,0% e 3,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,2 % no cenário de referência (Tabela 1).
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho.
O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
Variação do IPCA acumulada em quatro trimestres (%)
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Índice de preços |
2026 |
3º tri 2027 |
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IPCA |
3,4 |
3,2 |
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IPCA livres |
3,5 |
3,1 |
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IPCA administrados |
3,0 |
3,3 |
No cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de R$5,35/US$, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). O preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses e passa a aumentar 2% ao ano posteriormente. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela" em dezembro de 2026 e de 2027. O valor para o câmbio foi obtido pelo procedimento usual.
Banco Central abre inscrições para o projeto Geotec
Curso vai capacitar nas técnicas mais modernas de fiscalização de operações de crédito rural e do Proagro. Ação é voltada a instituições financeiras, cooperativas de crédito,
universidades, órgãos públicos, entre outros. O treinamento é gratuito, online e está com inscrições abertas.
O Banco Central (BC) está com inscrições abertas para ação de capacitação nas tecnologias mais avançadas e eficientes para o monitoramento das operações de crédito rural e do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), ministrada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo e por um consultor externo. Batizada de projeto Geotec, em razão do forte uso de geotecnologias e de imagens de satélite, a iniciativa recebe o registro dos interessados até 2 de fevereiro. As inscrições podem ser feitas por aqui.
A iniciativa é resultante da parceria do Banco Central com a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GmbH (GIZ), no âmbito do Projeto Finanças Brasileiras Sustentáveis (FiBraS) da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento, apoiado pelo Ministério Federal Alemão de Cooperação Econômica e de Desenvolvimento.
O público-alvo da capacitação são ténicos de instituições financeiras, cooperativas de crédito, universidades, órgãos públicos (como BC, TCU, Polícia Federal, Ibama, entre outros), institutos públicos de pesquisa e organizações da sociedade civil e pessoas interessadas em se aprofundar no tema. Mil e setecentas pessoas já se inscreveram na capacitação.
Cronograma
A aula inaugural do curso (aula magna) será em 3 de fevereiro. O evento será às 14h30, no Auditório Denio Nogueira e será transmitido pelo Teams – o link da transmissão estará disponível na véspera, no dia 2 de fevereiro, nos perfis do BC no Linkedin e no X. Ele contará com a participação do Diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vivan, e do Chefe do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro (Derop), Cláudio Filgueiras, que proferirá a aula magna. Também estará presente o Secretário de Agricultura Familiar e Agroecologia do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Vanderley Ziger.
O curso, com carga horária de 160 horas e 79 horas de atividades pedagógicas e mentorias, começa no mesmo dia. As aulas (virtuais e transmitidas por meio da plataforma Teams) acontecerão entre 3 de fevereiro e 29 de maio deste ano.

Temas
A ação de capacitação integra conteúdos de sensoriamento remoto e geotecnologias, governança territorial e meteorologia, oferecendo uma base abrangente para análises espaciais e de governança territorial para a tomada de decisão na concessão de crédito.
A disciplina Sensoriamento Remoto e Geotecnologias aborda temas como bancos de dados espaciais, sistemas de informação geográfica, programação aplicada, uso de dados Sicor, impedimentos socioambientais, séries temporais e classificação de imagens, e análise de uso e cobertura da terra com os sistemas Prodes, Deter, TerraClass e MapBiomas.
Em Governança Territorial, são apresentados os fundamentos fundiários, os sistemas cadastrais brasileiros – Cadastro Ambiental Rural (CAR), Sistema de Gestão Fundiária (Sigef), Sistema Nacional de Certificação de Imóveis Rurais (SNCI) e os sistemas cadastrais de unidades de conservação, terras indígenas e assentamentos rurais –, suas limitações e desafios, além de métodos para tratar sobreposições e construir indicadores fundiários, cadastrais, ambientais, econômicos e de contexto.
Já a disciplina Meteorologia traz os fundamentos de risco agrícola, fenômenos meteorológicos críticos, técnicas de interpolação e estatística espacial, análise de sinistros e modelagem de perdas, integrando dados meteorológicos e territoriais para embasar decisões técnicas e operacionais.
Crédito rural
O crédito rural representa um montante próximo de 13% de todas as operações de crédito do país, impulsionando o setor agropecuário, que segue como um dos principais motores da economia brasileira e vem apresentando forte contribuição direta e indireta para o PIB.
Segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agropecuária cresceu 12,2% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior e 10,2% na comparação anual, impulsionando 1/4 de todo o crescimento da economia no período, mesmo representando cerca de 6,5% da estrutura produtiva nacional.
Em 2024, o agronegócio respondeu por 23,2% do PIB brasileiro, com valor total estimado em R$2,72 trilhões, conforme cálculos da CNA/Cepea. Projeções mais recentes indicam que a participação poderá atingir 29,4% em 2025, o maior nível em 22 anos, impulsionada pelo desempenho da produção de grãos, da pecuária e dos segmentos agroindustriais e de agrosserviços. Esses números reforçam o papel estrutural do agro na geração de renda, no equilíbrio da balança comercial e na sustentação do crescimento econômico nacional.
Fonte: BC, em 28.01.2026.