O ano será pautado pela robotização e por iniciativas que envolvem a utilização de inteligência artificial.
Entre as prioridades da agenda institucional, que trata dos assuntos operacionais da Associação, o avanço da utilização de robôs e tecnologias de trabalho automatizado serão destaque da atividade de supervisão. Chamada de Supervisão do Futuro, as iniciativas buscam aumentar a eficiência operacional e avaliar novas metodologias e tecnologias ágeis para trazer maior segurança aos associados e aderentes nossos códigos de boas práticas.
Do lado da certificação e educação o destaque fica por conta do desenvolvimento da plataforma ANBIMA Edu, com o objetivo de fortalecer a educação continuada dentro do nosso processo educacional e de certificação
Como o mercado está evoluindo muito rápido, existe uma necessidade cada vez maior de reciclagem para assimilar novos conceitos e formas de se relacionar com os clientes, seja com novos produtos, serviços ou atendimento.
“Vamos construir uma nova plataforma de educação continuada e certificação, que facilitará o acesso aos nossos cursos e mudará a forma como as pessoas se certificam”, diz Zeca Doherty, nosso superintendente-geral.
+ Lançada nova plataforma educacional
Em 2022, outra prioridade da área de certificação e educação será a avaliação de apoio e parcerias com projetos educacionais e trazer o máximo de novidades aos associados.
Paralelamente, o Cadastro ANBIMA ganhará novas funcionalidades com a inclusão de itens relacionados a ética, conduta e experiência nos processos de certificação. Hoje, o Cadastro ANBIMA é o maior banco de dados gratuito, com informações e o histórico de atuação de mais de mil empresas de investimento, desenvolvido para identificar as instituições comprometidas com a ética e as melhores práticas do mercado.
Desde a sua concepção, a ferramenta busca ser uma aliada no combate às fraudes financeiras ao auxiliar os investidores na tomada de decisão na hora de escolher onde colocar seu dinheiro, explica Carlos Ambrósio, nosso presidente.
+ Banco de dados de instituições é ferramenta de pesquisa para investidores e mercado
O Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), fruto de uma parceria bem-sucedida entre nós e o Banco Central, que em outubro de 2021 completou 42 anos, também terá novidades: planejamos desenvolver uma nova plataforma para divulgação de informações, batizada de Selic Conecta.
A primeira fase da plataforma de integração de dados entre o Selic e os participantes do mercado (via API, como do ANBIMA Feed) deve ficar pronta no quarto trimestre deste ano e vai viabilizar a entrega de conteúdos acessíveis aos profissionais. A iniciativa surgiu a partir de insights dos próprios associados, que buscavam dados de fácil acesso, pontuais e específicos.
O sistema vai rodar dentro da RTM – Rede de Telecomunicações do Mercado, mas será aberto e gratuito aos participantes do Selic. Trata-se de mais um serviço dentro do convênio com o Banco Central para operacionalização do Selic. “O próprio participante vai selecionar os tipos de informações que ele deseja”, explica Zeca Doherty.
Dentro de precificação, trabalharemos na evolução do modelo com a revisão das metodologias utilizadas, melhorias operacionais e avaliação de ativos abarcados (aumentar número de ativos precificados pela ANBIMA).
+ Veja outras prioridades da Associação em 2022
Sustentabilidade, finanças descentralizadas, influenciadores digitais eopen investment estão entre prioridades de 2022
Pelo segundo ano consecutivo, a elaboração do plano de ação contou com a contribuição de instituições associadas que não fazem parte dos nossos fóruns e comissões, além da participação ativa dos nossos fóruns e demais organismos de representação.
Está em andamento nosso plano de ação para 2022, com as prioridades a serem trabalhadas pela Associação ao longo deste ano. A cada exercício, assuntos relevantes são revistos e direcionam as nossas atividades. Desta vez, foram estabelecidos 12 temas dentro de três agendas: positiva, transversal e institucional.

A agenda positiva engloba as necessidades dos segmentos de mercado, com temas como: foco no investidor, mercado de capitais, mercado secundário e gestão de recursos. A agenda transversal trata de assuntos que envolvem as pautas de sustentabilidade, inovação, tributação e resiliência operacional. Por fim, a agenda institucional olha para as questões de supervisão, educação, precificação e Selic.
O plano, aprovado pela Diretoria em dezembro de 2021, teve colaboração ativa dos membros e lideranças dos fóruns, das comissões temáticas e dos grupos consultivos e, pelo segundo ano consecutivo, contou com a participação de instituições associadas que não integram nossos organismos (fóruns e comissões temáticas e grupos consultivos).
Com o objetivo de cobrir ao máximo os pontos mais importantes para os associados, ao longo do quarto trimestre de 2021, realizamos uma série de conversas com representantes de 24 casas e pudemos conhecer a percepção delas em relação às questões mais urgentes do mercado. “É importante envolvermos também os associados que não têm uma participação direta nos organismos para construção dos temas. Essa iniciativa tem se mostrado cada vez mais efetiva para nos aproximar do mercado e, consequentemente, alinhar nossa atuação ao interesse de todos”, afirma Carlos Ambrósio, nosso presidente.
Parte do plano é uma continuidade de iniciativas que estavam em andamento, mas outros assuntos foram incluídos de acordo com a demanda do mercado, acrescenta Zeca Doherty, nosso superintendente-geral. “Acrescentamos novas iniciativas que acompanham a evolução dos mercados ou que surgiram em função da demanda apresentada pelos associados”, diz Zeca.
Agenda positiva
A agenda positiva mantém o foco no investidor e, entre os assuntos mais relevantes, está a transparência e a revisão das regras de suitability/qualificação (análise de perfil do investidor). Avançaremos nas iniciativas para auxiliar o investidor a identificar melhor como as instituições são remuneradas e aperfeiçoar a recomendação de produtos aos clientes.
O plano prevê ainda o acompanhamento, junto ao Banco Central, das discussões sobre a implementação da segunda etapa do chamado open investment, quarta fase do open banking. No ano passado, o regulador aceitou nossas sugestões sobre quais seriam as informações a serem compartilhadas entre as instituições financeiras, tanto para o escopo de produtos financeiros (que já está em vigor) como para as informações das aplicações dos clientes (que passam a valer a partir de maio). O tema estava entre prioridades da Associação nos últimos anos.
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Além disso, está em pauta a definição de melhores práticas para a atividade de aconselhamento, independente das estruturas utilizadas. Atualmente, esse serviço acontece nas estruturas de distribuição, gestão e consultoria.
Paralelamente, será avaliada a ampliação do escopo do Código de Distribuição, em função da oferta de novos produtos e serviços nos últimos anos – como, por exemplo, a oferta de produtos offshore e a crescente negociação de criptoativos – e a definição de melhores práticas para as casas que contratam influenciadores digitais ou que têm serviços de mídia próprios para oferecer produtos aos investidores. Desde 2020, estamos monitorando o comportamento dos influenciadores que falam sobre produtos e serviços financeiros para milhões de seguidores nas redes sociais. O projeto, que inclusive virou alvo de convênio com a CVM para compartilhamento de informações, contribuirá para o desenvolvimento da iniciativa.
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Com relação à gestão de recursos, faz parte do plano de 2022 a adaptação à nova regulação de fundos, que deve ser divulgada pela CVM neste primeiro semestre. Com a nova regra, os nossos códigos de Administração de Recursos de Terceiros e de Serviços Qualificados serão atualizados para contemplar as mudanças.
Também estão no radar a elaboração de resposta para audiência pública da CVM sobre a regulação do Fiagro (Fundo de Investimento em Cadeias Produtivas Agroindustriais) e uma proposta de comercialização dos FIPs (Fundos de Investimento em Participação) para os investidores de varejo. Atualmente, apenas investidores qualificados (aqueles que têm aplicações acima de R$ 1 milhão) podem comprar esses fundos.
A nossa agenda de internacionalização, que busca facilitar a entrada de capital estrangeiro para o país e descomplicar os investimentos lá fora, continua. As ações serão conduzidas junto a IMK (Iniciativa do Mercado de Capitais), grupo liderado pelo Ministério da Economia com objetivo de promover o desenvolvimento do mercado de capitais.
A geração de dados sobre a indústria de fundos também continua a todo vapor. Está prevista a adaptação de toda base de dados de fundos por conta da nova regulação da CVM e a atualização da base de dados de FIP. O ANBIMA Data também passará por mudanças com uma nova plataforma de recebimento das informações diárias.
Em mercado de capitais também faremos a adaptação da nova regra de ofertas públicas, que deve ser publicada ainda este ano e, com isso, conduziremos a modernização da nossa autorregulação. Paralelamente, evoluiremos na agenda de CRI e CRA com o avanço da padronização desses produtos e da inclusão deles no ANBIMA Data.
Dentre as iniciativas ligadas ao mercado secundário, teremos: implementação das novas regras de derivativos de crédito e COE de Crédito; condução de agenda de fomento às operações short; e o desenvolvimento de um novo produto: stripping de debêntures.

Carlos Ambrósio (presidente) e Zeca Doherty (superintendente-geral)
Agenda transversal
Sustentabilidade é um dos temas relevantes do nosso plano de ação. Presente em grande parte das iniciativas, o assunto ganha tração neste ano com a implementação da identificação de fundos sustentáveis via autorregulação, expandindo-os para outras classes, como FIDC, multimercados e FIPs.
“Sustentabilidade é assunto que permeia todo o mercado. Neste ano, começa a identificação dos fundos sustentáveis e essa iniciativa auxiliará no crescimento robusto destes produtos com propósito ESG (ambiental, social e de governança). Ao mesmo tempo, contribuirá para evitar o greenwashing”, complementa Carlos Ambrósio.
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Ainda sobre os aspectos da sustentabilidade, estão em destaque na nossa agenda: a definição de melhores práticas de sustentabilidade nas ofertas públicas; ações de educação para profissionais da distribuição; e uma agenda forte de diversidade, que envolve elaborar e implementar ações de promoção do tema junto aos mercados representados pela ANBIMA.
A proposta é criar uma rede de fomento da diversidade e inclusão que reúna as instituições associadas e outras entidades com o objetivo de realizar iniciativas que colaborem para tornar o mercado financeiro mais justo, diverso, sustentável e eficiente.
“Acreditamos que o compromisso e intencionalidade dos associados em promover a equidade de oportunidades e desconstruir barreiras culturais e estruturais da exclusão é o caminho para promovermos mudanças significativas, conectando nosso setor com o futuro da sociedade e do mercado,” explica nosso presidente.
O trabalho será desenvolvido com apoio de 25 instituições – integrantes do nosso Grupo de Trabalho de Diversidade e Inclusão – que atuarão como instância estratégica das iniciativas. O plano de trabalho foi desenhado com base em pesquisa realizada em 2021, que mostrou a percepção dos associados sobre diversidade e inclusão, como atuam e como têm evoluído no tema.
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Outro grande tema transversal é inovação,por meio do qual queremos nos aproximar do ecossistema relacionado ao tema. “Temos trabalhado para nos aproximar da comunidade de inovação ao longo dos últimos anos, com o objetivo de sermos referência no assunto para o mercado de capitais”, disse.
De olho nas oportunidades em meio as mudanças tecnológicas, estaremos mais próximos de iniciativas sobre finanças descentralizadas (DeFi), como as criptomoedas, blockchain, smart contracts e tokens.
O assunto, que vem ganhando cada vez mais força no mercado brasileiro, também tem sido pauta frequente do nosso Grupo de Trabalho de Inovação, conta Zeca Doherty. “Vamos olhar o que está acontecendo no mercado e tentar ajudar os associados a entender bem quais são as implicações desses novos jeitos de fazer finanças”, acrescenta nosso superintendente-geral.
Por isso, o plano de ação de 2022 prevê a produção e disseminação de conhecimento sobre cases de uso de finanças descentralizadas e seus impactos nos mercados, bem como a promoção e interação com os novos players desse ecossistema. Nosso objetivo é definir ainda este ano melhores práticas e/ou autorregulação para atividades decorrentes do processo de descentralização financeira.
A prioridade é aproximar as nossas atividades de autorregulação, representação e supervisão desse mundo das finanças descentralizadas.
A cibersegurança, outro tema transversal na Associação, vem ganhando força, conforme demanda do mercado, que enfrentou uma rápida transformação nos últimos dois anos, sobretudo em função das medidas adotadas durante a pandemia de Covid-19.
Com mais pessoas conectadas por mais tempo, cresceu a demanda por segurança cibernética. Assim, daremos prioridade à elaboração de orientações e melhores práticas de cibersegurança, olhando para aspectos como a contratação de terceiros e serviços de nuvem, o desenvolvimento de software e o compartilhamento de informações sobre incidentes cibernéticos.
A manutenção e o aprimoramento do canal de interlocução da ANBIMA com o governo continuam em pauta quando o assunto é tributação. Serão realizadas atividades em três frentes ao longo deste ano: promover a interlocução, atuar nas propostas do governo e do Legislativo e construir agenda propositiva de ações que contribuam com o desenvolvimento dos mercados representados pela Associação.
+ Conheça os detalhes da agenda institucional
De desconfiadas a engajadas: instituições financeiras estão em diferentes estágios de implementação de aspectos ESG, segundo nossa pesquisa
Na jornada da sustentabilidade, o aumento da compreensão sobre o tema leva à tomada de atitudes mais concretas
Identificamos cinco perfis distintos entre as instituições financeiras em relação ao entendimento e à prática dos princípios ESG (ambiental, social e governança, na sigla em inglês) em seus negócios. Os padrões de comportamento foram revelados em pesquisa com apoio da consultoria estratégica Na Rua. Convidamos executivos de bancos, corretoras e gestoras de recursos a compartilharem detalhes do entendimento e das ações adotadas sobre o tema. Na sequência, o Instituto Datafolha quantificou a presença de cada um desses perfis no mercado brasileiro.
“Conhecer os diferentes modelos mentais existentes sobre sustentabilidade que prevalecem entre os players é parte essencial para traçarmos uma agenda de trabalho eficiente”, afirma Cacá Takahashi, nosso vice-presidente e coordenador do Grupo Consultivo de Sustentabilidade da Associação.
+ Confira os resultados na íntegra na nossa página especial de sustentabilidade
O perfil desconfiado, que corresponde a 4,2% do mercado e, entre as assets, tem média de ativos sob gestão de R$ 1,4 bilhão, vê a sustentabilidade como uma ameaça, um entrave para o desenvolvimento do negócio. Quase sempre usa critérios subjetivos para determinar o que é sustentabilidade e ainda não se movimentou para implementar ações concretas de ESG.
O denominado distante lidera o ranking, com 35% do mercado e, entre as gestoras, média de ativos sob gestão de R$ 2,3 bilhões. Ele é formado, em sua maioria, por assets (85%). As empresas nesse perfil têm uma visão simplificada sobre o tema e o percebem como um compromisso exclusivo com o meio ambiente. Elas concluem ainda que o assunto está distante de seus negócios, especialmente quando se trata de um escritório pequeno, que não causaria impacto relevante ao planeta.
O iniciado corresponde a 32,1% do mercado e, entre as gestoras, tem média de ativos sob gestão de R$ 4,3 bilhões. São casas que também têm uma ideia de sustentabilidade relacionada a questões ambientais, mas que realizam ações internas, por enxergarem possibilidades de causar transformação dentro do negócio, mesmo que seja pequeno. São exemplos de ações de impacto: uso de lâmpadas de led no ambiente de trabalho, instalação de temporizadores nas torneiras, uso eficiente do ar-condicionado, e prática de coleta seletiva no prédio. “São atitudes positivas, mas que não extrapolam o ambiente do escritório nem influem diretamente na atividade principal da companhia”, afirma Cacá.
O emergente, com 21,5% do mercado e, entre as assets, média de ativos sob gestão de R$ 7,2 bilhões, enxerga a sustentabilidade como um compromisso amplo que engloba as áreas ambiental, social e de governança. Mostra um desenvolvimento maior, com implantação de um ou mais itens de ESG. Em alguns casos, incentivam os funcionários a participar de trabalhos sociais e iniciativas voluntárias. No entanto, os aspectos ESG não influenciam na prática do negócio em si – exceto no caso dos aspectos de governança. “As questões relacionadas à governança corporativa são priorizadas por serem vistas como uma preocupação cara para instituições que cuidam do dinheiro de terceiros e precisam de transparência e de uma política anticorrupção”, diz Cacá.
O perfil engajado, com 6,8% do mercado e, entre as assets, média de ativos sob gestão de R$ 2,8 bilhões, vê a sustentabilidade como parte da estratégia da instituição – um compromisso importante e rentável. Mostra total coerência entre conceitos e ações para trabalhar com sustentabilidade e tem totalmente implantadas as principais práticas ESG. Esses aspectos permeiam ainda as decisões estratégicas e exigem da liderança critérios transparentes sobre o que é feito, que tipo de clientes atende e com quem firma parcerias.
Fonte: Anbima, em 31.01.2022.