Inscrições abertas para os exames da CFG
Nova certificação é pré-requisito para profissionais que queiram ter CGA e CGE para atuar como gestores de recursos de terceiros
Estão abertas as inscrições para os exames da CFG (Certificação ANBIMA de Fundamentos em Gestão). Os exames da nova certificação começarão a ser aplicados em 31 de março de 2021 e marcam o início da transição da CGA (Certificação de Gestores ANBIMA) para a nossa nova estrutura de certificações para o mercado de gestão.
Os interessados já podem se inscrever na página da certificação e reservar as vagas para os exames, que serão aplicados quinzenalmente a partir da data do primeiro exame. A prova tem 60 questões, a serem resolvidas em até 3h. Para ser aprovado, é necessário obter no mínimo 70% de acertos.
A CFG faz parte de nossa nova estrutura para certificações para o mercado de gestão de recursos de terceiros. Ela é indicada para quem busca diferenciação profissional para iniciar ou acelerar sua carreira no setor. Não é obrigatória para nenhuma função e nem habilita o profissional para ser gestor, mas será pré-requisito para se certificar com a nova CGA e a CGE (Certificação de Gestores ANBIMA para Fundos Estruturados) e atuar como gestor.
CGE e nova CGA
Em razão do requisito, as inscrições para a nova CGA e a CGE serão abertas apenas em abril, após divulgação dos resultados do primeiro exame da CFG, com aplicação das primeiras provas no dia 29 do mesmo mês.
Os profissionais que já são certificados com a CFA (Chartered Financial Analyst) ou CAIA (Chartered Alternative Investment Analyst) estão dispensados de realizar o exame da CFG e poderão pedir equivalência com a certificação a partir de 31 de março de 2021.
Confira o cronograma completo de lançamento das novas certificações:

Confira o calendário de encerramento do modelo atual da CGA
Certificação será substituída pela CFG, pela CGE e pela nova CGA a partir de março
Os exames da CGA (Certificação de Gestores ANBIMA) no modelo em que são aplicados hoje serão descontinuados a partir de março do ano que vem quando serão substituídas pelas provas de nossas novas certificações para o mercado de gestão de recursos.
Atualmente, para se certificar com a CGA é preciso ser aprovado em duas provas (módulos) de 60 questões cada. Os profissionais que possuem a certificação CFA podem realizar uma prova especial de 50 questões. Os exames neste modelo deixarão de ser aplicados até 28 de julho de 2021.
O período de transição terá dois momentos: até o dia 25/03/2021 qualquer profissional interessado em certificar poderá realizar os módulos do exame tradicional ou a prova exclusiva para CFAs. A partir desta data, no entanto, os exames estarão disponíveis apenas para aqueles profissionais que já foram aprovados em um dos módulos do exame tradicional e ainda precisam concluir o outro para se certificarem. O primeiro exame exclusivo para este público será no dia 8 de abril de 2021.
A realização dos exames está sujeita à disponibilidade de vagas nos centros de teste, o que pode adiantar as datas de encerramento das inscrições em caso de alta demanda. Os profissionais que ainda não realizaram nenhum exame ou ainda não foram aprovados em nenhum módulo são recomendados a iniciar o processo de certificação no novo modelo. Para isso, basta pedir o reembolso da taxa de inscrição para
Confira o cronograma completo de descontinuação dos exames da CGA no modelo atual

Congresso 2020: BNDES muda estratégia e concentra esforços nas MPMEs
Socorro dedicado aos micros, pequenos e médios empresários foi uma decisão nova para o banco de fomento e contribuiu com R$ 92 bilhões em estímulos
Na hora de prestar socorro e amenizar os impactos da pandemia no mercado, o BNDES tomou uma decisão historicamente diferente, reforçando seu papel como banco de serviços. “Pegamos nossos esforços, energia e dinheiro para salvar o micro, pequeno e médio empresário que não tem liquidez e tem mais dificuldade no canal bancário. Eles carregam o Brasil nas costas”, conta Gustavo Montezano, presidente do BNDES, no Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais, evento organizado pela ANBIMA e pela B3, nesta sexta-feira (27).
Fernando Honorato, coordenador do Grupo Consultivo Macroeconômico da ANBIMA, lembra da atuação passada do banco. “Em outros episódios de crise, o BNDES era chamado para salvar empresas. Desta vez, o banco teve atuação cirúrgica”, avalia.
Enquanto isso, as grandes empresas recorreram ao mercado de capitais na hora de buscar recursos financeiros por meio de emissões de ações, por exemplo, transformando 2020 em um ano com bom desempenho a despeito da crise. “2020 foi planejado para ser um belo ano para o mercado de capitais. Quando a sociedade percebeu que teríamos vida pós-pandemia, conseguimos concluir um ano que já era esperado e planejado a despeito desta situação inóspita que vivemos”, afirma Montezano.
Fatores externos contribuíram para os bons resultados, como os juros mais baixos, a continuação do alívio monetário, o estímulo fiscal nas pequenas empresas, estados e municípios e a migração do capital privado da renda fixa para a variável.
O Fundo Garantidor de Crédito teve importante atuação. “Esse fundo, até o fim de novembro, terá originado R$ 92 bilhões para pequenos e médios empresários no Brasil e algumas poucas grandes empresas. O mercado de MPME é da ordem de R$ 600 bilhões, ou seja, contribuiremos com 15% do mercado em apenas cinco meses”, conta.
Sustentabilidade
Outro produto criado pela instituição financeira neste ano foi a letra financeira verde. O banco emitiu R$ 1 bilhão, com lançamento no mercado doméstico brasileiro, com vencimento de dois anos. “Vamos ajudar o Brasil a desbravar as fronteiras das finanças verdes”, afirma o presidente do BNDES. A sustentabilidade está na pauta do banco e Montezano fez um chamado para a sociedade: “todos são convidados a participar dessa agenda. Cada um toma decisões em sua empresa e é um agente de transformação. Quer coisa mais divertida do que fazer o que somos apaixonados e mudar o Brasil?”, finaliza.
Congresso 2020: Recuperação econômica será desigual no mundo
Para Mohamed El-Erian, mercados ainda enfrentarão vulnerabilidades e recuperação será em formato de raiz quadrada: queda forte, seguida de alta e longo platô
Uma recuperação econômica profundamente desigual entre os países e em formato de raiz quadrada – queda forte, alta e depois um platô longo de estabilidade. É este o cenário traçado por Mohamed El-Erian, presidente do Queen’s College (Universidade de Cambrige) e conselheiro econômico da Allianz, ao comentar as perspectivas dos mercados pós-Covid-19.
Para El-Erian, o mercado terá, daqui em diante, uma vulnerabilidade gigantesca. “Países como Brasil, México e outros emergentes precisam absorver uma mudança de liquidez que pode ocorrer rapidamente. No fim das contas, para passar desta jornada e se beneficiar do destino final, só tendo resiliência para superar o momento ruim e voltar de cabeça em pé”, comenta o executivo ao participar do painel de encerramento do Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais, evento organizado pela ANBIMA e pela B3, nesta sexta-feira (27). O executivo se referia à instabilidade no fluxo global de recursos na direção dos emergentes: “esses dólares não são residentes, são turistas e, como todo turista que curte lugar ensolarados, se as condições mudam ele vai embora”, compara.
Apesar do ano difícil, o mercado de ações de 2020 marca um recorde de IPOs (ofertas públicas iniciais de ações), conforme lembra o presidente da B3, Gilson Finkelsztain, ao falar sobre os juros de 2% ao ano e com taxas reais negativas. “Muitas gerações nunca viram juros neste patamar, o que empurra para cima todo o mercado de capitais. Foram 25 IPOs no Brasil, um recorde, mas ainda não vimos a volta do investidor estrangeiro”, comenta.
O Brasil tem motivos para comemorar. Segundo El-Erian, mesmo com os juros caindo tanto, não houve um colapso da intermediação financeira nem setores permanentemente afetados por aqui. “No câmbio, a relação de R$ 6 por dólar não gerou uma crise ou quebradeira de empresas. A capacidade do Brasil de enfrentar toda esta flutuação nos últimos 12 meses é algo muito importante”, afirma. Sobre o lento retorno do estrangeiro, El-Erian afirma apenas que o Brasil “não se vende muito bem, não faz boas sinalizações que são demandadas pelo estrangeiro”, avalia.
A política de estímulos monetários adotada pelos bancos centrais ao longo do ano, na opinião do presidente da B3 e de El-Erian, em algum momento será revista, mas ambos não visualizam quando isto ocorrerá. “Hoje riscos estão se acumulando, mas toda vez que BCs deram um passo atrás os mercados reagiram mal. A única forma de os BCs começarem o caminho de volta é se a situação melhorar rapidamente impactando no preço dos ativos”, comenta El-Erian. “E não vejo isto no curto prazo.” O presidente da B3 concorda: “por aqui a tendência é esta também, de adiar e adiar a retirada de estímulos.”
Congresso 2020: BDRs impulsionam internacionalização do investidor de varejo
Número de pessoas aplicando no produto saltou de 13 mil para 50 mil em um mês
A mudança estrutural no patamar de juros levou o investidor de varejo a diversificar a carteira em busca de melhores retornos. Em 2020, a principal novidade é que essa estratégia foi além das fronteiras brasileiras. Com a publicação da Resolução CVM 3, em agosto, pessoas físicas passaram a ter acesso a recibos de ações de empresas estrangeiras negociados na bolsa local, os chamados BDRs (Brazilian Depositary Receipts). E esse é só o começo de um processo de internacionalização que promete decolar nos próximos anos.
“Os juros baixos causam transformações comportamentais e o processo de diversificação é inescapável para todo o espectro de investidores. O momento é favorável para a incorporação de ativos internacionais na construção de portfólios, ajudando qualquer perfil de investidor a atingir seus objetivos”, afirma Carlos André, vice-presidente da ANBIMA. Ele participou de painel no Congresso Brasileiro de Mercado de Capitais, evento organizado pela Associação e pela B3 nesta sexta (27).
Os BDRs caíram no gosto dos investidores pouco mais de um mês após a regra da CVM entrar em vigor. Antes da liberação para o público do varejo, a média de negócios com BDRs na bolsa brasileira era de 1,4 mil por dia, com um volume financeiro de R$ 84 milhões. Hoje, são 23 mil negócios diários, com giro financeiro de R$ 220 milhões.
O número de investidores acompanha esse movimento: saltou de 13 mil para 50 mil – atualmente, são 670 BDRs de ações internacionais disponíveis para o varejo. A resolução beneficiou também os emissores e permitiu que eles alcançassem novos bolsos, aponta Flavia Mouta, diretora de Emissores da B3. “Isso porque os papéis de empresas brasileiras que optaram pela listagem no exterior também podem ser negociados no mercado brasileiro por meio de BDRs”, diz.
Novos produtos e menos barreiras
A expectativa é que novos produtos que facilitem o acesso local a ativos no exterior estejam à disposição dos investidores nos próximos meses. Uma das novidades desembarca nesta segunda-feira (30), quando serão lançados 37 BDRs de ETFs (Exchange Traded Funds) na B3. Na prática, são recibos de ações com lastro em fundos que acompanham o desempenho de um índice.
Carlos André lembra que o movimento de internacionalização do mercado brasileiro é um fenômeno recente, com regras datadas de 2008. As alocações no exterior, entretanto, começaram efetivamente em 2013, com investidores institucionais, como os fundos de pensão, buscando ativos internacionais para diversificar seus portfólios. A meta, a partir de agora, é ampliar cada vez mais o cardápio de aplicações no exterior para diferentes públicos, incluindo o investidor de varejo. “Não dá para ‘condenar’ o investidor não-qualificado a rentabilidades menores por falta de acesso a ativos e instrumentos que permitam uma alocação ótima do portfólio”, diz.
Ele comenta que a ANBIMA apresentou à CVM propostas de flexibilização das regras dos fundos para garantir maior acesso desses veículos a ativos internacionais. Entre elas estão: permitir que os fundos apliquem até 100% em ativos que possam ser lastreados por BDRs e dar acesso ao varejo para os fundos que tenham 67% do patrimônio no exterior – seguem regras específicas da Instrução CVM 555 –, retirando a exclusividade do qualificado. Além disto, pelas regras atuais, fundos voltados ao investidor de varejo podem alocar até 20% do patrimônio líquido em ativos no exterior, enquanto aqueles destinados aos investidores qualificados podem aplicar até 40%. A sugestão é aumentar os limites para 40% e 60%, respectivamente.
+ Proposta para CVM pede redução da assimetria entre fundos e BDRs para investimento no exterior
A volta dos estrangeiros
O processo de internacionalização do mercado brasileiro passa também pela criação de um ambiente propício para a atração do investidor estrangeiro. Nesse cenário, é primordial desobstruir os canais de acesso, o que significa derrubar barreiras (operacionais, tributárias e cambiais) e criar regras mais amigáveis que possibilitem que fundos soberanos, gestoras de recursos e até pessoas físicas enxerguem o Brasil como um mercado atrativo entre os países emergentes.
Marcus Vinicius Gonçalves, CEO da gestora de ativos Franklin Templeton, citou o Projeto de Lei 5.387, que moderniza o mercado de câmbio e revoga algumas leis da década de 1920. “Temos um arcabouço legal arcaico e anacrônico. Sempre fomos um país muito isolado e, com a oportunidade apresentada por essa grande liquidez global, o Brasil deveria aproveitar a chance para se inserir nas cadeias globais. Hoje competimos com asiáticos como Malásia, Singapura e Tailândia, que têm regulação amigável e regras de câmbio transparentes. Precisamos tornar as coisas mais simples e amigáveis”, opina.
Fonte: ANBIMA, em 30.11.2020