Futurista destaca o aprimoramento da vida cotidiana na mídia, nas finanças e na biologia
Os líderes de empresas devem estar atentos não apenas às tendências do futuro, mas também “ensaiá-lo” e se perguntar quais serão os impactos das mudanças em seus negócios. É o que pensa Amy Webb, fundadora da consultoria Future Today Institute, palestrante do painel “O futuro é logo ali”, que ocorreu na noite desta quarta-feira, 27, durante o ANBIMA Summit. A discussão também contou com a participação de Ronaldo Lemos, advogado especialista em tecnologia.
Webb se define como uma “futurista quantitativa”, que trabalha com a identificação e quantificação de tendências. Ela considera que seu papel não é prever o futuro, e sim traçar futuros plausíveis baseados em dados e evidências para basear a tomada de decisões. Webb abordou tendências em três aspectos (mídia, finanças e biologia), que são de longo prazo e costumam ficar fora do escopo dos líderes.
Essas tendências estão de acordo com o que ela chama de “década sintética”: “Nos próximos dez anos, vamos começar usar tecnologia para sintetizar e aprimorar vários aspectos da vida cotidiana. O mundo de negócios vai usar essas tecnologias para sustentabilidade e objetivos ESG, e isso vai ter grande impacto sobre o setor financeiro”, afirmou.
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Com relação à “mídia sintética”, exemplos são os aplicativos que criam ou modificam vozes, imagens e gestos, e tecnologias mais avançadas como a inteligência artificial, aprendizagem da máquina e linguagem natural (pela qual é possível gerar imagens as partir de textos ou comandos de voz, por exemplo).
Outro possível uso da “mídia sintética” é a criação de humanos “sintéticos” ou digitais (avatares) que interagem, treinam e conversam com as pessoas reais. Ou, ainda, os óculos inteligentes (“smart glasses”) desenvolvidos por companhias como Facebook e Google, que, por meio da realidade aumentada, usam filtros para modificar o modo como as pessoas se enxergam e veem o mundo, ou, da realidade reduzida, permitem a retirada de objetos ou pessoas do campo de visão. Trazendo essas tecnologias para o mundo dos negócios, Webb diz que os executivos devem tentar refletir sobre possíveis novos tipos de riscos, como elas mudam a jornada do consumidor, e como podem ser usadas para melhorar a produtividade ou o alcance das metas ESG.
Finanças sintéticas — Com relação às “finanças sintéticas”, ela considera que algumas tendências que precisam ser observadas são o aumento dos investimentos em criptomoedas e o ativismo dos investidores – um exemplo foram as compras coordenadas de ações da empresa americana Game Stop, que visavam provocar prejuízo em fundos de investimento vendidos no papel. Webb diz que essas tendências devem levar os executivos a se perguntar, por exemplo, o que aconteceria se houvesse uma mudança de comportamento dos investidores, ou seja, quais seriam os impactos se eles deixassem de contribuir para a previdência privada ou para fundos de investimento e aplicassem tudo em criptomoedas. Isso quebraria os modelos preditivos dos investidores institucionais?, questionou.
A futurista pontuou que a tecnologia está evoluindo mais rápido que os reguladores, o que traz desafios sobre como taxar novos investimentos. Algumas questões que os líderes da área podem se perguntar são os impactos das finanças descentralizadas (DeFi), as criptomoedas e tokens, como a incerteza acerca da regulação dessas novidades impacta a todos e para onde o crescimento deve se dirigir. Webb considera que há enormes oportunidades em investimentos temáticos para investidores de longo prazo.
Mas a tecnologia que deve trazer mais mudanças e implicações sobre a sociedade é o da “biologia sintética”, considera a futurista. Trata-se do redesenho de organismos e a programação de estruturas biológicas. Um exemplo é a produção de carne em laboratório, que consome de 35% a 60% menos energia.
ANBIMA Summit: empresas buscam definir modelo híbrido de trabalho
Flexibilidade entre home office e idas ao escritório é tendência, mas o melhor formato ainda está longe de ter uma resposta
Um dos legados da pandemia de Covid-19 foi a descoberta de que é possível trabalhar remotamente e com eficiência. Forçadas pela necessidade de distanciamento social, as empresas adotaram o home office às pressas e, em muitos casos, o trabalho remoto se mostrou viável. Em diversos setores da economia, são consideradas improváveis tanto a volta integral das equipes aos escritórios quanto a continuidade 100% do trabalho remoto integral.
Durante o painel do ANBIMA Summit “Transformação no trabalho: tendências para não ficar para trás”, realizado nesta quarta-feira, 27, Liz Fealy, vice-líder global de Consultoria e Gestão de Pessoas da EY, disse ainda não ter sido encontrada a resposta sobre o melhor formato de trabalho. Segundo ela, as empresas estão tentando entender para onde caminham as novas tendências e como lidar com elas. “Nós temos visto um esforço dos clientes em reimaginar o novo ambiente pós-pandemia. A Covid-19 nos ensinou que buscar um novo jeito de trabalhar, e de forma eficiente, é totalmente possível”, comentou, acrescentando o dado de uma pesquisa em que 90% dos colaboradores afirmaram que desejam ter flexibilidade na forma de trabalhar.
Na visão da especialista, a tendência é uma combinação entre trabalhar virtualmente e, em alguns momentos, no escritório, mas o desafio é entender como fazer isso. “As empresas tentam definir quando é importante estar junto, em que momento, e que tipo de serviço pode ser feito virtualmente ou não”, destacou. Ela acrescentou ainda que as respostas também precisam incluir uma solução para potencializar o trabalho no escritório e torná-lo atrativo.
A diretora de Risco de Mercado e Liquidez do Itaú-Unibanco, Tatiana Grecco, que mediou o painel, citou que, como líder, percebe dificuldade também entre os colaboradores quando questionados sobre o quanto querem flexibilizar o trabalho e em qual formato. “A maioria deles não consegue precisar e talvez a gente possa testar modelos diferentes para achar algum que seja bom para ambos os lados”, comentou Tatiana.
Para a executiva da EY, o equilíbrio entre o que espera a organização e o que demandam os funcionários é o ponto-chave neste debate. Ela propôs algumas perguntas que devem ser feitas. A primeira delas: “o que estamos entregando para nossos clientes é realmente feito melhor se estivermos trabalhando juntos?”. O segundo questionamento proposto por Liz é se o escritório no formato atual estimula a inovação e possibilita um ambiente colaborador. “O que está claro é que precisamos estar juntos em alguns momentos, talvez quatro vezes na semana, muitos falam em dois ou três dias remotos. Mas este momento juntos tem que ser proveitoso”, completou.
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Outra tendência que avançou durante o período de pandemia, lembrado por Tatiana, é a busca pela aquisição de novas competências. “Os colaboradores têm procurado treinamentos remotos, plataformas digitais para se atualizarem. Muitas organizações estão oferecendo estas nova formas de melhorar as habilidades das pessoas”, comentou. Liz citou uma estatística do Fórum Econômico Mundial de que 50% dos trabalhadores precisam melhorar suas habilidades até 2025. “Nós estamos vendo uma tremenda demanda por habilidades técnicas e interpessoais. Os trabalhadores ao mesmo tempo que buscam a flexibilidade no trabalho sabem que precisam de novas competências no futuro”.
A necessidade de gerar boas experiências nos colabores também foi lembrada pela executiva da EY. “Várias pesquisas mostram que quando uma empresa melhora a experiência do funcionário, também avança a do seu cliente. Acho que o melhor caminho é desde o começo colocar a experiencia do cliente e do colaborador juntas, como importantes”.
ANBIMA Summit: mudanças na regulação devem facilitar acesso a investimento no exterior
Ampliação dos limites para o varejo deve vir com novas regras da CVM
O interesse dos brasileiros por investimentos no exterior vem crescendo de forma acelerada e a expectativa é que mudanças na regulação tornem esse tipo de aplicação bem mais comum e fácil. A popularização de investimentos lá fora foi tema do painel “Democratização dos investimentos internacionais e benefícios para os investidores”, realizado na tarde desta quarta, 27, no ANBIMA Summit.
O Brasil está atrasado e a penetração de investimentos internacionais na sociedade ainda é pequena, considerou Roberto Lee, CEO da Avenue Securities. “Mas a atração é crescente e acelerada. São, atualmente, cerca de 500 mil brasileiros com exposição direta aos mercados americanos”, informou. Lee disse que, desde o ano passado, o crescimento das aplicações de brasileiros no exterior tem sido muito forte e que há algumas peculiaridades nesse movimento. Antes, o acesso aos ativos internacionais ficava restrito a determinados segmentos de investidores. Hoje, eles também estão acessíveis ao público de varejo.
O executivo também notou uma mudança no que diz respeito à busca dos investidores. Se antes eles estavam atrás de oportunidades de aplicações, agora também visam a proteção de capital. Por conta disso, mais recentemente, eles começaram a se interessar também pela renda fixa no exterior (inicialmente, a procura por ações era mais forte).
Lee considera que ainda há zonas cinzentas quando se fala em distribuição de ativos internacionais, mas que a regulação deve mudar isso. A CVM está revisando a norma sobre fundos de investimento e a proposta é dar maior acesso aos mercados de fora por parte de investidores nacionais. Atualmente, os fundos voltados a investidores de varejo podem aplicar até 20% do patrimônio em ativos internacionais. No entanto, esses investidores não encontram restrições quando compram BDRs (Brazilian Depositary Receipts) diretamente. Uma das propostas da CVM é permitir que esses aplicadores também possam acessar fundos que invistam 100% em ativos internacionais, desde cumpridos determinados requisitos.
Daniel Celano, country head da Schroders Brasil, considera que as travas que limitam o acesso do investidor comum aos ativos no exterior vão reduzir à medida que o mercado ganhe mais segurança. Ele pontua que os diferentes reguladores – CVM, Susep (Superintendência de Seguros Privados) e Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) – poderiam harmonizar suas respectivas regulamentações a respeito do tema, conferindo mais flexibilidade para os investidores e dando mais celeridade às mudanças.
Marcus Vinicius Gonçalves, CEO da Franklin Templeton Brasil, afirmou que a indústria também precisa reduzir os custos, de forma a criar escala. Ele lembrou que o Brasil tem mais de 700 gestoras, mas que os custos para o público em geral ainda não são competitivos e que, para popularizar os investimentos, é necessário atacar esse problema.
Educação financeira – Até que todo esse cenário de maior acesso aos produtos externos se torne uma realidade, os debatedores consideram que a própria indústria ainda precisa avançar bastante quando o tema é a educação financeira. “A indústria tem que focar e ajudar a explicar o que quer dizer investimento internacional”, afirmou George Kerr, country head da Compass Brasil. Ele considera que é necessário democratizar a educação financeira e explicar os benefícios trazidos por outros tipos de investimento.
Giuliano De Marchi, responsável pela área de asset management do J. P. Morgan para América Latina, afirmou que os investidores vão precisar buscar informações em fontes confiáveis, e que aqueles que não estão investindo no exterior estão deixando dinheiro na mesa: “investimento no exterior não é bicho de sete cabeças”, concluiu.
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ANBIMA Summit: algoritmos e inteligência artificial ajudam na personalização de produtos financeiros
Tecnologias permitem que gestoras identifiquem necessidades e ofereçam ativos e serviços sob medida para cada cliente
O uso de algoritmos e inteligência artificial no mercado financeiro, como ferramentas de gestão de portfólio e escolha de ativos, muitas vezes com modelos quantitativos para negociações, já é bastante difundido. No entanto, as novas tecnologias estão possibilitando o desenvolvimento das chamadas finanças autônomas, em que estas tecnologias ajudam o investidor a tomar decisões financeiras ou até mesmo agem em nome de um cliente.
Esta é a tese defendida por um dos maiores especialistas no assunto, Jody Bhagat, presidente para as Américas da Personetics, empresa especializada em personalização baseada em dados para serviços financeiros. “As soluções financeiras autônomas podem resolver várias necessidades do cliente ou o que chamamos de tarefas a serem realizadas, por exemplo, economizar para um objetivo ou acelerar o pagamento de dívidas. Considero empolgante ver como os programas financeiros autônomos estão proporcionando experiências personalizadas,” comentou Bhagat ao participar do debate “Tecnologia a favor da gestão de recursos”, realizado no ANBIMA Summit, nesta quarta, 27.
Para Margot Greenman, CEO da Captalys, que conduziu a conversa com o especialista, as finanças autônomas ajudam o investidor a economizar tempo e dinheiro. “É um instrumento que pode antecipar suas necessidades por meio de uma maior customização e personalização com base em seus desejos, crenças, objetivos, padrões de consumo e muitas outras variáveis”. Ela acrescentou que as finanças autônomas vão se transformar em grandes aliadas na gestão de ativos.
O executivo da Personetics destacou alguns estágios para que estas soluções atinjam uma curva de maturidade e cheguem ao cliente. O primeiro deles é, na visão de Bhagat, otimizar o dado de transações, o que vai ajudar o cliente a entender o que está ocorrendo. “O segundo estágio é o de insights e recomendações personalizadas para o cliente. O terceiro estágio são os canais de conexão, ou seja, propagar a inteligência sobre os clientes pelos canais digitais, gestores de relacionamento e na plataforma de dados do cliente”, comentou. O último estágio, na visão do executivo, são as finanças autônomas, que significam “agir em nome do cliente para facilitar a vida dele”.
A CEO da Captalys comentou também o crescente interesse em torno do tema, lembrando que a própria SEC, órgão regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos, tem demonstrado interesse nas finanças autônomas. Bhagat será ouvido pela SEC . “A mensagem a ser levada é ‘seja seletivo com regulamentações que promovam, em vez de impedir, a aplicação eficaz de soluções financeiras autônomas’”.
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Bhagat deu exemplos práticos desta forma mais personalizada de oferecer serviços e produtos aos clientes, citando que para um determinado investidor, por exemplo, a informação referente a um determinado pagamento de dividendos pode ser relevante e fazer com que ele redesenhe sua carteira. “Pode ser mais sofisticado também. Se um cliente quer poupar para um determinado objetivo de longo prazo, gestoras podem oferecer um serviço de investimento automático mensal, com o algoritmo entendendo os movimentos financeiros dele para separar um dinheiro que possibilite aquele objetivo”, afirmou, lembrando que 30% das pessoas têm alguma forma de investimento automático, mas sem qualquer inteligência por trás.
Outra possível aplicação, falando especificamente do uso da inteligência artificial, é possibilitar a oferta personalizada para o público em geral. Para o especialista, todos vão se beneficiar com este processo. E cabe aos bancos e gestores decidirem onde querem investir seu dinheiro, falando sobre a incorporação das ferramentas tecnológicas. “Acredito que até o fim de 2023 todas as gestoras e bancos de investimentos terão um nível básico de insights personalizados à sua disposição”.
ANBIMA Summit: investidores de varejo enxergam com bons olhos aplicações no exterior
Relatos destacam, porém, que ainda há dificuldades para comprar os ativos de fora
Muitos investidores brasileiros estão percebendo que a aplicação em ativos no exterior traz benefícios, como a ampliação do leque de oportunidades para suas carteiras. No entanto, ainda há alguns entraves para que eles possam investir lá fora de forma mais assertiva. Participantes do vídeo “Papo reto com investidores sobre produtos no exterior”, produzido especialmente para o ANBIMA Summit, relataram perceber as vantagens desse tipo de alocação, mas que também encontraram dificuldades para realizá-las.
O gerente sênior de vendas Felipe da Silva Fernandes foi um dos investidores que notou as vantagens das aplicações lá fora: ele começou a investir no exterior no ano passado, quando viu seu patrimônio se deteriorar com o impacto da pandemia, que levou a bolsa a ter o pregão interrompido várias vezes por conta dos acionamentos de circuit breakers. “Eu entendi o quão importante era ter esse patrimônio dividido e, por muitas vezes, empregado em moeda forte”, afirmou.
O empreendedor Gleison Farias começou a aplicar em ativos no exterior após a regulação brasileira permitir que os investidores de varejo comprassem BDRs (Brazilian Depositary Receipts), em 2020. Antes, apenas os qualificados (com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras) podiam adquirir esses papéis. Farias disse que essa permissão facilitou o investimento, já que eliminaria a necessidade de abrir conta em corretora no exterior.
A questão acende uma importante discussão para a indústria de fundos: enquanto os investidores de varejo podem aplicar diretamente em BDRs, sem restrições, os investimentos feitos em ativos no exterior via fundos estão limitados a 20% de seu patrimônio líquido. No caso de fundos para investidores qualificados, esse percentual sobe para 40%. A equiparação das regras entre fundos e BDRs poderia ampliar a internacionalização do mercado de capitais brasileiro, atraindo mais investidores para os fundos.
Em agosto deste ano, o patrimônio líquido dos fundos de investimento no exterior totalizava R$ 828 bilhões, o que representava 14,3% do total da indústria. Neste número estão incluídos fundos de renda fixa, ações e multimercados. No entanto, não é possível estimar o percentual dessas carteiras que realmente é aplicado em ativos lá fora.
Ainda existem outros obstáculos a serem vencidos para ampliar o acesso dos investidores a novas opções no mercado externo, como a disponibilização de informações acessíveis e confiáveis. A oficial de justiça Nadia Aparecida Cardoso, por exemplo, disse que gostaria de investir lá fora em busca de mais rentabilidade e segurança, mas que, como o assunto é novo para ela, ainda não há confiança nas fontes de informação sobre esses investimentos. É a mesma percepção de Fernandes: “Eu acho que quando você opera um mercado do exterior você ainda está um pouco no escuro”, concluiu.
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ANBIMA Summit: Brasil enfrentará cenário cada vez mais complexo e desafiador, alerta Nouriel Roubini
Inflação, crescimento e incertezas políticas devem afastar investidor de ativos brasileiros
O mundo enfrentará tempos difíceis pela frente, com um alto risco de estagflação: alta da inflação e baixo crescimento. No Brasil, estas condições são ainda mais complexas com a inflação superando os dois dígitos, o BC respondendo com alta de juros e a economia amargando a forte retração de 2020, disse Nouriel Roubini, economista e professor da New York University, em conversa com a jornalista Patrícia Campos Mello, na tarde desta quarta, 27, durante o ANBIMA Summit.
Hoje, em sua segunda participação no evento, o economista disse que autoridades brasileiras enfrentam decisões difíceis em relação à política monetária e fiscal. “Se não subir os juros para enfrentar a inflação, as expectativas ficam desancoradas. Ao aumentar, o crescimento se desacelera e a pobreza aumenta”.
No passado, o Brasil se beneficiou do aumento das commodities como os vistos hoje. Grande exportador de commodities agrícolas e metálicas, o desempenho do passado impulsionou o crescimento econômico e a redução da desigualdade social. No entanto, a situação atual tende a ser diferente porque as perspectivas de aumento de juros nos EUA, também para conter uma inflação que já supera largamente as metas do Federal Reserve, contribuem para a desvalorização do real e mais pressão sobre os preços. Outro agravante é o pleito presidencial de 2022, que adiciona mais um elemento de incertezas ao cenário.
“Os investidores estão preocupados com as incertezas políticas e econômicas. O debate atual é tão polarizado quanto foi nos EUA. Você pode até ser otimista quanto ao Brasil, mas as dúvidas fazem com que as pessoas busquem outros mercados”, disse o Roubini. “Essas incertezas acabam afetando os preços dos ativos, e por isso muitos investidores decidem se desfazer de investimentos no Brasil e dolarizar suas carteiras. E isso é outra fonte de pressão para a moeda e os prêmios de risco”, analisou.
Para quem não tem essa alternativa de reduzir a exposição a ativos nacionais, Roubini recomenda a alocação de recursos em títulos indexados à inflação. “Os títulos ficam muito voláteis em um cenário como este. Espero que haja uma solução mais positiva para oferecer estabilidade”, afirmou.
Roubini também destacou as condições fiscais do Brasil. Embora tenha dito não estar preocupado com a ruptura do teto de gastos, que para ele tem o mesmo risco de acontecer quanto antes, o aumento de juro e o baixo crescimento, associado a um nível elevado de endividamento público, causa um círculo vicioso. “Não é uma crise, mas os próximos anos não serão fáceis para o Brasil”, concluiu o economista.
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ANBIMA Summit: internacionalização dos investimentos é ainda mais importante em mercados emergentes
Diversificação geográfica otimiza portfólios, diz Scheherazade Rehman, da Universidade de George Washington
A diversificação dos investimentos entre países, indústrias, companhias e moedas traz como principal benefício a construção de um portfólio mais ajustado em termos de risco e retorno, e isso é especialmente verdadeiro para os mercados emergentes, afirmou a professora Scheherazade Rehman, da Universidade de George Washington, durante o painel “Globalização dos mercados: investimentos sem fronteiras”, no ANBIMA Summit. A conversa, transmitida na tarde desta quarta, 27, foi mediada pelo advogado Fábio Cepeda, sócio do Cepeda Advogados.
Scheherazade lembrou que quando os países emergentes são atingidos por crises, os investidores domésticos tendem a sofrer mais nos mercados isolados, nos quais a recuperação pode levar anos em vez de meses. Por isso, ela considera que prender os investidores apenas no mercado local é um desserviço no mundo globalizado, especialmente para os investidores dos países emergentes, e que os reguladores devem ter abordagens mais flexíveis, considerando a popularização da internet e o maior acesso à informação.
Riscos – Scheherazade disse que, além dos benefícios para os investidores, a aplicação no exterior cria oportunidades de funding para empresas, barateia o financiamento e aumenta a transparência do mercado. Apesar de todas essas vantagens, ela pontuou que há riscos e que os principais são os digitais, ligados à cibersegurança. A preocupação com esse tema aumentou após a pandemia de Covid-19, que acelerou o desenvolvimento tecnológico em três a cinco anos, com a migração dos modelos de negócios para o digital. Essa situação também ampliou as notificações de fraudes
A professora disse ainda que a indústria de serviços financeiros deve reconhecer que os hackers sempre acharão um modo de explorar vulnerabilidades e que a construção de um “firewall” é a primeira frente de defesa. Segundo ela, os estudos mostram, entretanto, que o comportamento humano é a parte mais fraca da cibersegurança.
Scheherazade enxerga como tendência a implementação dos aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG) nas estratégias das empresas – tendência que ela considera que está aqui para ficar, especialmente se for considerado que as novas gerações estão dando mais peso ao tema. Outros movimentos, disse a professora, são a disrupção digital (trazida por tecnologias como o 5G e a inteligência artificial) e o dinheiro digital (como as criptomoedas).
ANBIMA SUMMIT: Precisamos separar uma demanda social legítima de uma demanda eleitoreira, diz Stuhlberger
Gestor da Verde Asset criticou as escolhas do governo para financiar programa de transferência de renda
Um dos principais impactos da pandemia sobre a atividade econômica é o forte aumento do desemprego, que atingiu 13,7 milhões de pessoas no trimestre encerrado em agosto, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Até a economia pegar tração, é preciso garantir um auxílio emergencial adicional a esse contingente de pessoas, “por mais alguns meses ou até o fim de 2002”, disse Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset, no painel “A agenda econômica que queremos”, nesta quarta-feira, 27, no ANBIMA Summit. Para ele, a forma como será financiado o Auxílio Brasil, desrespeitando a regra do teto de gastos, não é uma preocupação social do governo e sim um “absurdo populista” que “joga uma incerteza nos gastos públicos muito forte para o futuro”.
“Precisamos separar uma demanda social legítima de uma demanda eleitoreira de quem está no poder. Se o governo pensasse de verdade no social, daria auxílio emergencial por mais um ano”, disse. A principal crítica do gestor recai na decisão do governo Jair Bolsonaro (sem partido), anunciada na última semana, de desrespeitar as regras do teto de gastos para garantir um benefício social de R$ 400 para cerca de 17 milhões de famílias. “A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que visava inicialmente resolver a situação dos precatórios virou um monstrengo que junta aumento do Bolsa Família com recursos para emendas parlamentares visando a eleição”, completou.
Em um debate com a jornalista Catherine Vieira, do Valor Econômico, Stuhlberger lembrou que o Bolsa Família tem um custo aproximado de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) e seu substituto, o Auxílio Brasil, custará o dobro disso aos cofres públicos – e de forma permanente. “Aumentamos em 0,5% do PIB as despesas adicionais em um momento difícil (das contas públicas) que estamos passando. Aumentar os gastos na perpetuidade e romper o teto dessa forma ficou uma coisa muito pior”, disse, completando: “se fosse o mesmo valor apenas em aumento (temporário) de auxílio, o mercado não estaria no pânico que está”, diz.
Stuhlberger lembrou que, no início da pandemia, a expectativa era que o Brasil encerrasse 2022 com uma relação dívida/PIB em torno de 95%, em um cenário de aumento de gastos do governo com medidas de socorro a empresas e cidadãos (a exemplo do auxílio emergencial). Hoje, projeta-se que o indicador encerre o ano em 79% – alinhado às projeções de 80% feitas ainda antes da eclosão da crise sanitária. “Isso mostra que o track record fiscal do governo era muito bom. Se imaginarmos que com tudo o que enfrentamos a dívida está estável, é um milagre o que aconteceu com o Brasil. Haveria espaço fiscal em 2022 para a expansão do auxílio sem criar um problema para a perpetuidade como foi feito”, afirmou.
O olhar do mercado – À medida em que o governo joga os gastos para perpetuidade e rompe o teto, “evidentemente o mercado reage porque questiona se o Brasil será ou não capaz de pagar sua dívida”, opinou o gestor. “Só posso afirmar que concordo com a velha tese do livro “O Valor do Amanhã”, do Eduardo Giannetti: o Brasil não tem valor de amanhã e políticas são feitas para ganhar eleição. Isso (a criação do Auxílio Brasil) foi feito da pior maneira possível”.
O baile da inflação – O mercado olha o futuro e não o passado, diz Stuhlberger, e a quebra do arcabouço fiscal levou a uma piora acentuada das condições financeiras desde a última semana. Esse cenário contamina ainda mais os índices de inflação, já bastante pressionados. Para Stuhlberger, a inflação “deu um baile” no mercado, nos economistas e no BC.
“No começo, a inflação foi interpretada nos EUA e na Europa como transitória. No Brasil, o imaginário do pensamento econômico é que a inflação de alimentos e de bens e industriais sobe e cai. A inflação ruim é a de serviços e é para essa que a política monetária deve existir e ser mais dura. O problema é que os bens industriais tiveram o dobro da demanda em 2021 e a inflação de alimentos e a alta das commodities se disseminam pela inflação do setor de serviços. Isso não era esperado pelo BC”, disse.
O resultado é que o ciclo de aperto monetário terá que ser mais forte do que o anteriormente projetado. O Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central) anuncia nesta quarta-feira um novo aumento da Selic e o mercado aposta em alta de até 200 pontos. “Vamos precisar de juros altos por um ano. O BC precisa mostrar credibilidade, mas não adianta só subir juro. Precisamos esperar que a irresponsabilidade dos políticos, agora que romperam o teto, não chegue a extremos. Ainda não temos a garantia de que isso não vai ocorrer”, disse.
Espaço para uma terceira via – Com a aposta de que a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é garantida no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, Stuhlberger acredita que ainda há espaço para a chegada de um candidato da terceira via nessa etapa do pleito. Ele se apoia em estimativas de que uma parcela entre 30% e 40% dos eleitores componha o grupo dos “nem-nem” (nem Lula, nem Bolsonaro). “Se pensarmos hipoteticamente que haveria um candidato só (da terceira via) que pegasse todos os votos no primeiro turno, haveria alguma chance de ele passar ao segundo turno. Aí seria uma eleição diferente”.
ANBIMA Summit: empresas de todos os tamanhos tendem a se beneficiar do desenvolvimento de investimentos alternativos
Agronegócio brasileiro deve se destacar nesse cenário
O crescimento da oferta de investimentos alternativos no Brasil tende a beneficiar empresas de todas as escalas. E, com isso, exercer um papel relevante de conexão entre investidores e bons negócios, contribuindo para o financiamento que alavancará o desenvolvimento do país e da economia, de acordo com especialistas que participaram de vídeo preparado para o ANBIMA Summit sobre o tema.
Para Margot Greenman, sócia e CEO da Captalys, os investimentos alternativos são uma oportunidade para a economia real. “O grande desafio do mercado é acompanhar esse movimento e conhecer justamente duas coisas. A primeira é a infraestrutura de tecnologia que permita que isso possa acontecer em escala e para empresas de todos os tamanhos, não somente as gigantes. A segunda é trazer quem vai financiar estes ativos”.
Dentre os vários segmentos em que os fundos alternativos estão mirando, o agronegócio tem papel relevante, inclusive pela importância que ele tem para a economia brasileira e o potencial de avanço com a adoção de tecnologia. A combinação dos Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) com as perspectivas de crescimento na produtividade se torna destaque entre os gestores.
“Se você pegar hoje as grandes propriedades, tem o estado da arte do ponto de vista da tecnologia embarcada, e isso só vai melhorar com o acesso à internet de qualidade”, disse Luiz Maia, consultor de investimentos da Brookfield. “O 5G vai permitir fazer toda a conexão dos maquinários e a internet das coisas, ajudando fortemente essa indústria agrícola a produzir mais, cada vez mais”.
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ANBIMA Summit: ativos alternativos conectam investidor a novos negócios e podem impulsionar economia brasileira
Especialistas preveem expansão desse tipo de investimento no país
O mercado de investimentos alternativos no Brasil está em franco crescimento. O apetite do investidor por maior risco e a demanda por alternativas de maior rentabilidade têm incentivado o desenvolvimento de ofertas mais diversas. E esse é só o início, disseram especialistas que participaram do vídeo “Investimentos alternativos: o que são, onde vivem e como podem ser aliados do mercado”, preparado especialmente para o terceiro dia do ANBIMA Summit.
“No Brasil, os investimentos alternativos ainda são uma modalidade incipiente da indústria do mercado de capitais, com uma fatia pequena da carteira da maior parte dos investidores, principalmente os institucionais. Mas ela vai crescer, nos moldes do que aconteceu no exterior”, prevê Alessandro Horta, sócio e CEO da Vinci Partners.
Para o executivo, o Brasil tem condições especiais que podem favorecer o desenvolvimento deste segmento em larga escala. “O país já tem oportunidades de investimentos bastante diferenciadas nestas classes. Existe uma larga amostragem e um retorno bastante diferenciado, embora ainda com uma penetração muito baixa deste tipo de investimento”.
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Para especialistas, o segmento vai contribuir para o desenvolvimento do país em meio a condições fiscais desafiadoras, dadas as perspectivas incertas quanto ao aumento da inflação e o reflexo disso nas políticas monetária e econômica. “Se a indústria de fundos conseguir fazer o link entre o poupador e os investimentos necessários para o crescimento do país, isso vai ter impacto importante e pode ser a ajuda que a indústria vai dar para o desenvolvimento nacional”, comentou André Freitas, sócio fundador da Hedge Investments.
Há espaço para que novos horizontes sejam explorados no país e, a partir disso, outros produtos sejam desenvolvidos. George Wachsmann, sócio-fundador da Vitreo, contou que a partir do lançamento de fundos abrangentes, abre-se espaço para a criação de outros subtemáticos. “Dá para abrir várias frentes dentro de um universo que é gigantesco e inexplorado. Eu vejo que há novos temas, e há temas que vão destrinchar de outros”, comentou.
ANBIMA Summit: complexidade da economia brasileira abre espaço para desenvolvimento dos investimentos alternativos
Com queda dos juros, investidor entende que pode ter retorno maior e está em busca disso, dizem especialistas
A queda da taxa de juros brasileira nos últimos anos abre um leque de oportunidades de investimentos que vão muito além dos tradicionais títulos públicos ou dos fundos de renda fixa, de ações ou multimercados. Com a complexidade da economia brasileira, que tem suas atividades em diversos setores, o campo de desenvolvimento dos investimentos alternativos é muito amplo.
O corte de juro “é como se tivessem cortado o mato, e o investidor passasse a ter chance de olhar alternativas. Antes o CDI alto era uma força gravitacional muito forte que não deixava que ele olhasse no prazo mais longo ou para fora do Brasil”, afirmou George Wachsmann, sócio-fundador da Vitreo, durante o ANBIMA Summit.
Nos últimos anos, o desenvolvimento tecnológico permitiu a entrada de novos agentes e a oferta de diferentes produtos e serviços. Com a redução dos juros, o investidor passou a buscar maior diversificação em suas estratégias de alocação para garantir proteção e crescimento do patrimônio.
“O investidor entende que pode ter uma rentabilidade maior e está em busca disso”, comentou Margot Greenman, sócia e CEO da Captalys. “Surgiram novas tecnologias e novos negócios que buscaram trazer esses investidores para dentro do mercado de investimentos. E, dentro deste mercado, o de fundos alternativos”.
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À medida que novos fundos são lançados e o mercado e os investidores se familiarizam com o leque mais amplo de ativos, a versatilidade ganha tração. Além dos segmentos, que vão de cannabis a games e ativos de recuperação judicial, há uma ampliação também dos tipos de mercados. Dentre os fundos alternativos, investidores já têm diversas opções, como os fundos imobiliários, de infraestrutura, FIPs, fundos de crédito privado e recebíveis (como FIDCs), fundos negociados em bolsa (ETFs) e Fiagros.
Ao buscar retornos mais elevados neste tipo de fundos, é preciso que o investidor tenha clareza das características de cada um. Os fundos de private equity, por exemplo, podem oferecer retornos mais agressivos, mas têm prazos mais longos, risco maior e menor liquidez. Os investimentos levam de três a cinco anos e o desinvestimento de quatro até seis anos, a depender da velocidade com que os gestores encontram compradores para os ativos.
“Existe hoje o entendimento que em uma carteira de longo prazo, obviamente adequando esse portfolio ao tipo de investidor, sua necessidade de liquidez e nível de risco que ele quer correr, a penetração dos investimentos alternativos e de private equity e venture capital é uma realidade crescente”, comentou Alessandro Horta, sócio e CEO da Vinci Partners.
ANBIMA Summit: revisão nas regras dos fundos vai ajudar a indústria a manter crescimento
Criação de produtos, possibilidade de estabelecimento de classes e subclasses nos fundos e alterações nos percentuais para a realização de investimento aqui e no exterior são aguardas com entusiasmo por gestores
A indústria de fundos de investimento, em que pese a volatilidade global dos últimos anos e o cenário doméstico incerto, segue registrando um crescimento robusto e sustentável. A conclusão surgiu em debate entre profissionais do mercado que participaram do ANBIMA Summit na manhã desta quarta, 27. E as perspectivas para os próximos anos seguem muito positivas, puxadas pela maior demanda e consequente oferta de produtos, pelo avanço das plataformas de investimento que facilitam o acesso dos investidores e pelas mudanças regulatórias que estão em debate. Novidades como os fundos ESG, que levam em conta critérios socioambientais e/ou de governança em suas análises de investimento, é um exemplo de produto que ganha espaço e atrai investidores.
Para Cacá Takahashi, nosso vice-presidente e charmain da BlackRock Brasil, o interesse dos investidores e a oferta de fundos ESG pelos gestores avançam a um ritmo forte, o que exige ferramentas que garantam transparência desses produtos. “A ANBIMA desde 2015 tem um grupo de trabalho em ESG e está com uma audiência pública para definir critérios para identificar fundos com essas características. A procura por produtos assim é alta e torna importante definir melhor os critérios de classificação”, comentou. A nova regra de classificação dos fundos ESG, destacou Takahashi, leva em conta aspectos principiológicos, avaliando também as gestoras que integrem questões ESG em sua gestão.
Outro ponto importante destacado durante o debate foi a revisão da regulação de fundos de investimento, em elaboração pela CVM. Para Pedro Rudge, nosso diretor e sócio fundador da Leblon Equities, o movimento é relevante para que a indústria entre em uma nova fase. “A revisão das normas da CVM para os fundos é essencial, será uma oportunidade para avançarmos nas práticas internacionais, de mercados maduros e desenvolvidos”, comentou.
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Cacá Takahashi acrescentou, ao destacar a relevância da revisão em curso, um novo horizonte que se abre em termos de gestão. “Esta modernização se faz necessária. Os mercados evoluíram muito com novos segmentos, ativos e oportunidades, que inclui também a parte offshore. As mudanças devem criar classes de fundos com maior segmentação, alterar limites de investimento aqui e no exterior, enfim, serão avanços importantes”.
As mudanças em análise pelo regulador também devem abrir novas perspectivas para os fundos alternativos, que dão acesso a produtos de infraestrutura, venture capital ou imobiliários. “Para nós, que atuamos com alternativos, é super relevante ver o avanço da regulação. Do ponto de vista dos estruturados, como os FIPs, a expectativa é enorme”, comentou Daniel Sorrentino, gestor do Pátria Investimentos.
Sorrentino também apresentou dados sobre o crescimento dos fundos alternativos, algo entre 12% e 14% ao ano nos últimos cinco anos. “Quando olhamos para a penetração ainda é baixa, dependendo do produto é de 1% do portfólio em outros chega, muito pouco ainda. Há muito que avançar”.
Falando sobre os fundos líquidos, acessíveis ao investidor de varejo, como multimercados ou de ações, Carlos Salamonde, CEO da Itaú Asset, pontuou que as mudanças regulatórias serão relevantes sob todas as óticas, na criação de produtos, de novas classes e na atuação de gestores e administradores. “Claro que todos teremos um período de adaptação, mas a direção é correta e as mudanças necessárias”, comentou. Para ele, são mudanças que colocam o cliente no centro. “Quanto mais acesso a produtos, mais informação para suas decisões o cliente vai demandar. É um conjunto de mudanças no mercado que eleva nossa responsabilidade para garantir transparência e informação de qualidade”, concluiu.
ANBIMA Summit: nova resolução para os fundos de investimento deve ser editada no primeiro semestre de 2022
Presidente da CVM destacou que a modernização das normas traz mais segurança e transparência à indústria
A nova resolução para os fundos de investimento, em curso pela CVM, deve ser publicada no primeiro semestre do ano que vem. A data foi informada por Marcelo Barbosa, presidente da autarquia, durante o painel “O que esperar da nova regulação de fundos”, realizado na manhã desta quarta-feira, 27, no ANBIMA Summit, com a mediação de Luciana Seabra, CEO da Spiti.
De acordo com Barbosa, a audiência pública que trata das novas regras é a maior feita até agora pela CVM, com mais de 90 manifestações. “Além dessa audiência, que é bastante complexa e trabalhosa, temos na nossa agenda outras a serem concluídas. Esperamos que em algum momento do primeiro semestre do ano que vem a regulação já esteja editada. Vamos trabalhar para que seja mais perto do início do ano”, disse.
O presidente da CVM destacou que a diversificação está entre os pontos importantes da modernização das regras de fundos e que se dará de várias formas, devendo abrir mais possibilidades para investimentos por meio dos fundos, seja para um público maior, com acesso ampliado aos produtos, seja para mais abertura aos investimentos via fundos no exterior. “Além disso, há uma marca importante de esclarecimento e modernização, de maior transparência e segurança. Estamos tratando, por meio dessa audiência, de equacionar questões históricas importantes que agora, por conta de uma alteração legal recente (Lei da Liberdade Econômica), poderemos tratar da responsabilidade dos cotistas limitada ao valor de suas cotas, da questão da separação de cotas em diferentes classes e da responsabilidade entre prestadores de serviços.”
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Em relação à responsabilidade do fundo dividida entre gestor e administrador, o presidente da CVM destacou que a entidade está, de certa forma, reconhecendo o que a prática já consagra, além de dividir o protagonismo entre esses dois principais prestadores de serviços. “A contratação poderá ser feita pelo gestor ou pelo administrador, conforme a relação do serviço com as atribuições de um ou de outro”, disse. De acordo com a redação da minuta da audiência, em algumas situações a responsabilidade do gestor e do administrador pode ser solidária.
Investimento no exterior – Marcelo Barbosa lembrou que já existiam esforços nos últimos anos para ampliar a possibilidade de investimentos no exterior para várias espécies de ativos. “Estamos permitindo que fundos de varejo invistam até 100% do patrimônio no exterior, sujeitos a alguns requisitos. Os fundos que tenham investimento em BDRs poderão desconsiderar esse produto como investimento no exterior”, explica. A intenção, com essa medida, é fazer um aumento progressivo das possibilidades de investimento fora do país.
Impactos da pandemia de Covid-19 – A pandemia de Covid-19 trouxe uma crise mundial de origem bem diferente de todas as demais, com uma causa distinta, mais difícil de ser lidada. Esse foi um fator que aumentou volatilidade da indústria. Para se ter uma ideia, em março de 2020, a B3 registrou diversos circuit breakers em diferentes pregões, algo que nunca tinha ocorrido. “O que aconteceu aqui foi muito relevante, mas em mercados como Europa e Estados Unidos foi até mais”, disse Barbosa ao destacar que chegamos no fim do ano passado com resultados positivos de captação dos fundos. Por outro lado, ele lembra que os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) tiveram um impacto mais relevante, apesar de representarem apenas cerca de 4% da indústria.
Barbosa comentou ainda sobre a criação do FIDC socioambiental, uma demanda dos investidores de vários tipos, desde os de varejo, que também demonstram interesse na pauta ESG, até os grandes investidores internacionais, que têm revisto suas políticas. “Não vamos criar regras prescritivas para dizer quais créditos vão entrar nessa carteira. Não vamos regular os certificadores. Estamos dizendo que os estruturadores desse tipo de fundo devem usar uma taxonomia reconhecida que possa ser comparada com outros produtos”, explicou.
Futuro – O presidente da CVM considera que os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) vão ter papel de destaque no futuro. Para ele, há demanda para este mercado com a cadeia do agronegócio. “Optamos por fazer algo inovador e, logo depois da edição da lei, trouxemos a resolução para tratar do registro”, disse. São três categorias: investir em imobiliário, recebíveis ou participações. “Logo nas primeiras semanas, registramos 15 Fiagros. Agora, temos que trazer uma regra mais ampla que trate do produto”, finalizou.
ANBIMA Summit: criptoativos e papéis ESG são novas fronteiras para o crescimento da indústria de gestão
Brasil também tem espaço para desenvolvimento em renda variável e crédito, segmentos mais explorados nos EUA e Europa, dizem especialistas
A indústria brasileira de gestão de ativos teve crescimento significativo desde o lançamento do primeiro fundo de investimento no fim dos anos 1950, diversificando produtos e profissionalizando os agentes para que prestassem assessoramento mais eficientes aos investidores na tomada de decisões de alocação. Setenta anos depois, os avanços na regulação e transparência nas negociações com criptoativos e as ações para incentivar o crescimento dos fundos alicerçados em políticas de ESG são fronteiras importantes para que a indústria continue evoluindo.
O Brasil tem hoje mais de 25 mil fundos de investimento, e figura na 11ª colocação global em patrimônio líquido de ativos sob gestão. Mas ainda há um grande potencial de desenvolvimento e expansão da oferta de novos produtos, dizem especialistas que participaram do vídeo “A evolução da indústria de investimentos”, preparado especialmente para o terceiro dia do ANBIMA Summit.
Desde o seu surgimento, a indústria de gestão de recursos esteve muito focada na compra de títulos públicos e no financiamento dos déficits do Estado. O crescimento em novas categorias, voltadas para o financiamento do setor privado, devem acelerar à medida que os governos implementarem reformas estruturais e o risco-país cair.
Gilberto Duarte de Abreu Filho, nosso vice-presidente e CEO da Asset Management do Santander, destacou duas principais reformas que devem ser encaminhadas e que teriam grande impacto na indústria financeira e na economia como um todo. A primeira é a reforma política, que vem sendo pouco discutida, mas que é fundamental, segundo ele. “Ela está na base de toda a dinâmica econômica e política do país. Precisamos repensar como criar um equilíbrio de forças e como queremos novos incentivos para que a classe política atue em prol do Brasil”.
A outra reforma relevante é a administrativa, considerada essencial para que o Brasil incorpore uma situação de gastos mais sustentável no longo prazo, em que o país defina uma “nova equação fiscal que permita que o país cresça e que não tenhamos um estado competindo com a produção pelos recursos para financiar sua dívida”, disse o Gilberto.
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Criptoativos no centro da diversificação – A diversificação da oferta de produtos passa pelos criptoativos, em especial, as criptomoedas. Estes produtos, no entanto, precisam de uma regulação para proporcionar maior segurança e também para permitir que investidores tenham acesso e se beneficiem dos ganhos que eles podem oferecer. “O tema é delicado, mas é preciso urgência na discussão, porque o número de investidores cresce rapidamente”, disse Roberto Paolino, nosso diretor e managing diretor – head of securities services do Citibank no Brasil.
Paolino ressalta que estes ativos têm características específicas e oferecem riscos totalmente diferentes de outros, e é preciso que as informações disponíveis tenham clareza e abrangência para que os investidores tomem decisões de alocação conscientes. “É realmente um ambiente novo para todo mundo, participantes e investidores, mas a capitalização desse mercado é enorme, vale trilhões de dólares globalmente, e a gente não participar disso como indústria significa se ausentar de uma parte que naturalmente tende a ser relevante”, comentou.
Crescente demanda por ativos com responsabilidade social e ambiental – Outra frente de crescimento são os ativos com responsabilidade ambiental e social, demandados em escala cada vez maior pelos investidores. As sociedades estão buscando políticas públicas e empresariais que garantam melhor condição de vida para as populações e que busquem crescimento sustentável, como destacou o economista Nouriel Roubini em painel do ANBIMA Summit de terça-feira, 26.
A indústria de fundos está atenta a isso. A ANBIMA criou recentemente critérios para identificar fundos que tem por objetivo alocar recursos em investimentos sustentáveis ambientalmente e com responsabilidade social.
“A gente tem que saber que para a indústria de fundos ter sucesso, ela tem que oferecer aos clientes produtos compatíveis com as necessidades que eles têm nos seus diversos ciclos de vida”, comentou Roberto Paris, nosso vice-presidente e diretor executivo adjunto do Bradesco. “É evidente a necessidade de que a indústria financeira, incluindo os fundos de investimento, ajude no desenvolvimento de empresas que utilizem os recursos naturais de forma mais saudável e adequada e que incentivem não só a questão ambiental, mas também o desenvolvimento social na região onde atua”, concluiu.
ANBIMA Summit: regulação e certificação de profissionais serviram de base para salto de crescimento da indústria de gestão de ativos
Patrimônio líquido sob administração cresceu perto de vinte vezes desde o nosso primeiro congresso, realizado em 2001
A indústria de gestão de ativos aumentou em quase vinte vezes o patrimônio sob administração nas últimas duas décadas. Os avanços na regulação e os esforços na preparação de profissionais foram essenciais para essa expansão, dizem especialistas que participaram do vídeo “A evolução da indústria de investimentos”, preparado especialmente para o terceiro dia do ANBIMA Summit.
“Depois da estabilização da moeda, começamos a migrar dos títulos públicos para o mundo de ativos mais amplos, diversificados e de riscos maiores, o que inclui o mercado acionário, de securitizações e os produtos de longo prazo”, disse Luiz Chrysostomo, nosso diretor.
O crescimento irregular da economia e a instabilidade das políticas públicas ao longo das últimas décadas não impediram que a indústria se desenvolvesse e ampliasse sua atuação. No primeiro Congresso de Fundos de Investimento, que realizamos em 2001, a indústria era responsável por administrar um patrimônio líquido de R$ 344 bilhões. Vinte anos depois, esse número já saltou para mais de R$ 6,8 trilhões, com crescimento da oferta de ativos que vão além dos títulos públicos.
“Apesar de muitas vezes termos vivenciado políticas econômicas equivocadas, a indústria mostrou um crescimento muito sustentável e muito positivo e avançou em várias áreas, inclusive na internacionalização dos investimentos, até atingir o estágio em que estamos”, comentou Sérgio Cutolo, nosso vice-presidente e sócio do BTG Pactual.
O primeiro fundo surgiu no país no fim dos anos 1950. Desde então, a indústria de gestão de ativos brasileira deu um salto e hoje está em 11º lugar em volume de ativos sob gestão no mundo. Ao longo dos anos, a evolução tecnológica permitiu que novos agentes entrassem para o segmento e novos modelos de negócios fossem implementados. Isso foi possível com o desenvolvimento da regulação do segmento e por um esforço que capitaneamos em certificar e preparar os profissionais que atuam no setor.
“O primeiro ponto que eu destaco para a evolução da indústria é a preparação dos profissionais do mercado. Quase vinte anos atrás começamos o processo de certificação, com a CPA-10 e a CPA-20, e depois fomos evoluindo. Hoje temos 12 mil profissionais CEA (Certificação ANBIMA de Especialistas em Investimento) e praticamente 3.800 profissionais com a CGA (Certificação de Gestores ANBIMA)”, lembrou Luiz Sorge, nosso vice-presidente e CEO do BNP Paribas Asset Management. “Isso possibilitou não só o preparo do profissional, mas a proteção da indústria contra alguns riscos sistêmicos, a ajuda ao investidor para que ele tomasse decisões de alocação corretamente, e permitiu que a indústria evoluísse como um todo”, concluiu.
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Convênio firmado com a CVM irá monitorar influenciadores de investimento
Acordo entre as entidades visa a cooperação e o intercâmbio de experiências relativos a provedores de conteúdo que tratam sobre finanças
Firmamos um novo convênio com a CVM, desta vez para acompanhar a atuação dos influenciadores de investimento. O acordo prevê, entre outras medidas, o uso de uma ferramenta de gestão de informações para o monitoramento de publicações sobre investimentos e finanças nas redes sociais.
O convênio foi instituído considerando o aumento expressivo do número de investidores pessoa física no Brasil e a capacidade dos criadores de conteúdo de investimento em influenciar a tomada de decisão de seus seguidores. Na esfera de atuação da CVM, o monitoramento poderá observar o cumprimento das regras previstas na Instrução CVM 8 e na lei 6404/76, que veda o uso de informação relevante para obtenção de vantagens no mercado financeiro.
O tema entrou na agenda da Associação no ano passado, com o início do monitoramento dos influenciadores digitais, incluindo desde perfis que abordam educação financeira e explicam os produtos de investimento até traders e outros tipos de profissionais do mercado. Com o apoio de uma empresa especializada na análise de dados, foram identificados cerca de 265 influenciadores ativos falando sobre investimentos e finanças pessoais, com um alcance médio de 74 milhões de seguidores.
“Os influenciadores são agentes com papel relevante no mercado por contribuírem com a educação financeira e a disseminação de informações mais acessíveis sobre o mercado financeiro para a população em geral. Essa atuação é ainda mais importante no cenário atual, de baixa taxa de juros e diversificação de carteiras”, afirma o nosso presidente Carlos Ambrósio. Ele explica que o convênio com a CVM poderá identificar aqueles que acabam ultrapassando o limite da educação financeira e avançam na recomendação de produtos ou carteiras, atividade para a qual é preciso ter habilitação da autarquia.
Confira a íntegra do novo convênio no site da CVM
Fonte: Anbima, em 27.10.2021.