Carlos Ambrósio, nosso presidente, e Zeca Doherty, nosso superintendente-geral, falaram do cenário macroeconômico, diversificação de carteira, open finance, ASG e outros assuntos que estarão em pauta nesta semana
Em que pese toda a insegurança trazida pela pandemia, muitos brasileiros aproveitaram as taxas de juros na mínima histórica para poupar e diversificar os investimentos, como forma de obter melhores retornos em suas carteiras. No atual momento, apesar das seguidas altas da Selic como forma de domar uma inflação crescente, a tendência de diversificação deverá ser mantida. A opinião é de Carlos Ambrósio, nosso presidente, que participou nesta segunda-feira, 25, da abertura do ANBIMA Summit ao lado de Zeca Doherty, nosso superintendente-geral, e da jornalista Juliana Rosa.
“Acredito que haverá um rebalanceamento das carteiras, com mais demanda por renda fixa, mas a tendência de interesse e procura (por outras classes de ativos) continua”, disse Ambrósio. A diversificação dos investimentos foi apenas um aperitivo dos grandes temas que serão discutidos nos próximos cinco dias de evento, a exemplo da adoção da agenda ASG (ambientais, sociais e de governança) pelo mercado de capitais, as novas regras para a indústria de fundos, o open finance e a popularização dos influenciadores digitais de investimento.
Sobre o desenvolvimento das práticas ASG, nosso superintendente-geral Zeca Doherty entende que o tema não está maduro o suficiente, no Brasil e no exterior, e que o estágio atual é de entendimento e aprendizado para a aplicação dos princípios nas diferentes indústrias – incluindo o mercado financeiro e de capitais. A ANBIMA está antenada a essa agenda. Desde 2008, fundos ASG contam com uma classificação própria. No início de 2020, foi lançado um guia ASG para a indústria de asset management com os principais princípios a serem seguidos. “Com a pandemia, o tema esquentou. Lançamos recentemente a agenda Anbima ESG que trata da avaliação de maturidade dos agentes de mercado. Incluiremos conteúdo ASG nas nossas certificações para os profissionais de mercado e, também, nos conteúdos e treinamentos para investidores”, conta Doherty.
De olhos nos influenciadores
Carlos Ambrósio destacou o interesse da Associação em entender a fundo quem são os influencers de investimento, quais os temas mais abordados e como interagem com seus públicos. Em parceria com o IBPAD (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados), foi publicado no início de 2021 um estudo inédito que mapeou 266 influencers e uma audiência de 74 milhões de seguidores. “Em um cenário de juros mais baixos, as pessoas procuram trabalhar seus recursos de maneira mais eficiente e o influenciador ajuda a atender essa demanda, essa sede por informação e conhecimento”, pontua
O monitoramento desse universo, destaca nosso presidente, é uma forma de levantar insumos para auxiliar a própria ANBIMA a trabalhar um de seus pilares: a educação financeira. “Vários desses agentes fazem um ótimo trabalho, mas infelizmente temos que prestar atenção em alguns poucos que podem ultrapassar a questão da informação e da educação financeira e caminhar para a área de aconselhamento e recomendação, o que não é exatamente o papel de um influenciador”, conta, explicando que não existe uma discussão sobre regulação dos influenciadores nesse momento.
Oportunidades com o open finance
Durante o painel de abertura, nosso superintendente-geral também destacou as vantagens do open finance, inovação que permitirá o compartilhamento de informações dos investidores entre diversas instituições, garantindo uma oferta mais assertiva de produtos e serviços. “A primeira oportunidade para as instituições é melhorar o relacionamento e a comunicação com o cliente. A instituição também poderá sair do básico e conhecer melhor o perfil do investidor, oferecer novos produtos e uma carteira diferenciada. Uma terceira oportunidade é que a própria instituição pode ter no open finance uma nova forma de receita, fazer parcerias com fintechs e com empresas de informação”, opina Zeca Doherty.
Fim da assimetria regulatória
Em um momento em que cresce o apetite dos investidores brasileiros por ativos no exterior, as expectativas são otimistas em relação à revisão das regras dos fundos a cargo da CVM. Especificamente, pelo fim da assimetria regulatória entre os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) e os fundos de índices locais. Pelas regras atuais, o investidor de varejo pode alocar 100% dos seus recursos em BDRs, mas só pode investir em fundos que alocam 20% dos recursos no exterior. “A expectativa é que acabe essa assimetria. Acreditamos que é muito importante dar ao gestor profissional a possibilidade de oferecer ao investidor de varejo um fundo 100% alocado no mercado externo, o que pode ser uma porta de entrada para uma diversificação muito eficiente”, afirma Carlos Ambrósio.
+ ANBIMA Summit: confira a programação completa e cadastre-se para participar gratuitamente.
ANBIMA Summit: começa hoje evento gratuito e online que reunirá os maiores especialistas do mercado
Abertura da programação, às 18h30, apresenta os temas que serão abordados durante esta semana, como gestão de recursos, aconselhamento de investidores, sustentabilidade e tendências globais
Tem início nesta segunda-feira, 25, às 18h30, o ANBIMA Summit, que acontece até sexta, 29. O evento, gratuito e com transmissão online, foi criado a partir da tradição de 20 anos do nosso Congresso de Fundos de Investimento.
Na abertura do evento, será apresentada uma prévia do que está programado para a semana. Para isso, nossas duas principais lideranças, o presidente Carlos Ambrósio e o superintendente-geral Zeca Doherty, trarão uma visão de temas ligados a gestão de recursos, recomendação e aconselhamento de investidores, entre outros.
Em seguida, o cientista político Ian Bremmer, do Eurasia Group, conversará com a jornalista Patrícia Campos Mello sobre o cenário global no mundo pós-pandemia. O bate-papo tratará de aspectos como os novos eixos de poder que surgem com Joe Biden no governo dos Estados Unidos e a radicalização das disputas políticas em várias regiões do globo.
Ao longo da semana, serão mais de 30 horas de programação divididas em painéis temáticos que contarão com a participação de mais de 80 palestrantes. Entre os destaques, estão confirmadas as presenças da futuróloga Amy Webb, da cientista de dados Cathy O’Neil, do especialista em investimentos sustentáveis Paul Bodnar e do economista Nouriel Roubini.
Todo o conteúdo dos encontros será transmitido ao vivo pelas nossas redes sociais: Twitter, Facebook, LinkedIn e YouTube. Além disso, quem se cadastrar para assistir pelo site do evento terá a possibilidade de enviar perguntas e fazer networking. A programação completa pode ser consultada no próprio site.
Serviço: ANBIMA Summit
Datas: de 25 a 29 de outubro
Horários: às 10h, às 14h e às 18h30
Custo: gratuito
Onde assistir: site do evento, com a possibilidade de enviar perguntas e fazer networking, ou nas nossas redes sociais: Twitter, Facebook, LinkedIn e YouTube.
Programação de hoje (25 de outubro): a partir das 18h30
Abertura – Bem-vindos e bem-vindas ao ANBIMA Summit
Mundo pós-pandemia (Ian Bremmer)
ANBIMA Summit: nova ordem geopolítica impõe desafios na resposta a crises globais, diz Ian Bremmer
Fundador e presidente do Eurasia Group revela sua perspectiva para a corrida presidencial no Brasil no ano que vem
Estados Unidos e China, as duas maiores potências econômicas globais, estão focadas cada vez mais na resolução de questões internas, o que impõe desafios para a coordenação de propostas que envolvam problemas que afetam todo o mundo, como as mudanças climáticas e o aumento da pobreza. A análise é de Ian Bremmer, fundador e presidente da consultoria Eurasia Group, no primeiro dia do ANBIMA Summit, em painel mediado pela jornalista Patrícia Campos Mello.
Os EUA ainda são a nação mais poderosa do mundo, mas também a mais dividida e disfuncional politicamente, além de uma das mais desiguais economicamente entre os grandes países desenvolvidos, disse o cientista político. Ao mesmo tempo, a China é uma das nações autoritárias mais bem consolidadas e politicamente estáveis. E neste cenário, em que as duas maiores potências não confiam uma na outra, fica cada vez mais difícil responder às crises globais que surgem atualmente, seja a pandemia de Covid-19, a resposta ao aquecimento global ou a garantia de estabilidade e desenvolvimento econômico ao redor do mundo.
“Essas duas realidades se tornaram mais evidentes após quase dois anos de pandemia”, afirmou. “Isso não significa que não haverá progresso, mas ele será muito diferente do que víamos décadas atrás, quando organismos como a OMC, o FMI e a ONU tinham uma relevância muito maior na coordenação de ações”.
Para Bremmer, não se pode esperar que as nações mais poderosas do mundo definam juntas estratégias de enfrentamento aos grandes problemas que acometem o planeta, como acontecia no passado com o G7 e o G20. Em compensação, outros agentes estão atuando em resposta a estes desafios: “países europeus, bancos, empresas, ONGs e pessoas já são muito mais ativos do que no passado. Há duas décadas, os governos faziam muito mais do que o setor privado. Hoje, é o setor privado que está na frente”, disse Bremmer.
O foco de Washington e Pequim nas questões internas de seus países, como os investimentos no mercado consumidor doméstico e a melhora dos padrões de vida de suas populações, enfatiza um cenário geopolítico em que as duas nações líderes do mundo seguem valores muito diferentes em relação a diversos aspectos econômicos e sociais. Bremmer ressalta que EUA e China ainda mantêm uma forte interdependência, mas há um processo de desassociação entre eles: “isso não significa que veremos uma guerra fria”.
Para ele, a forte ligação econômica entre EUA e China compõe um cenário em que países em desenvolvimento, como os da América do Sul, não precisam escolher a qual se associar, podendo trabalhar com os dois. Isso não descarta os desafios econômicos que o Brasil deve enfrentar quanto à redução de investimentos externos e crescimento mais lento.
Menor popularidade de Bolsonaro abre caminho para avanço de outros partidos
Ian Bremmer afirmou que a queda da popularidade do presidente Jair Bolsonaro pode dar mais fôlego ao crescimento de outros partidos que não o PT na disputa eleitoral de 2022. Ele mostrou preocupação com a maneira como Bolsonaro tem conduzido esse assunto, nos moldes das estratégias adotadas pelo ex-presidente americano Donald Trump. Para o cientista político, isso enfraquece a democracia brasileira, que não tem instituições tão sólidas quanto as dos EUA.
Segundo Bremmer, a aprovação de Bolsonaro pode melhorar se os indicadores econômicos avançarem positivamente e os riscos, como o de desabastecimento de energia, arrefecerem. Por outro lado, há um crescente descontentamento dos mercados em relação às condições fiscais do país e ao aumento da probabilidade de recessão em 2022.
+ ANBIMA Summit: confira a programação completa e cadastre-se para participar gratuitamente
Fonte: ANBIMA, em 25.10.2021.