Revisão das prioridades da Associação para 2020 reflete cenário econômico
Crise muda ordem de prioridades, com foco no papel que o mercado de capitais terá para a retomada do crescimento
Foi concluída a revisão do nosso plano de ação para 2020. O ajuste foi necessário para acomodar os novos desafios impostos ao mercado pela pandemia de Covid-19. A nova versão foi dividida em dois blocos. Um deles traz temas que foram priorizados tendo em vista as necessidades surgidas em razão da crise, que chamamos de “agenda positiva”. O outro incorpora iniciativas relacionadas às atividades rotineiras da ANBIMA.
"No primeiro momento, nossas ações foram focadas em medidas emergenciais para reduzir os impactos da pandemia sobre o dia a dia das instituições, dada a situação de contingenciamento. Buscamos atender às necessidades com prontidão por meio de ajustes nas nossas regras e procedimentos, além de levar pleitos aos reguladores. Mas já estamos olhando para a frente, a médio e longo prazos, para dimensionarmos o que precisa ser feito para que os nossos mercados tenham papel decisivo na retomada do crescimento”, explica Carlos Ambrósio, nosso presidente.
A revisão contou com a colaboração dos membros dos nossos fóruns e comissões, organismos formados por representantes das instituições associadas. O resultado foi um plano de trabalho que reflete as demandas do próprio mercado e o papel que o mercado de capitais certamente terá na retomada do crescimento econômico do país.
A participação dos associados é sempre essencial na construção do plano de ação, mas neste momento de crise foi fundamental entender seus anseios e preocupações diante dos enormes desafios que o Brasil tem pela frente”, fala Zeca Doherty, nosso superintendente-geral.

AGENDA POSITIVA
Liquidez
O tema já estava na pauta e foi priorizado em função dos efeitos gerados pela crise. Dentre as iniciativas, destacam-se as discussões para aprimoramento na regulação com a inclusão de mecanismos de liquidez e a atualização das diretrizes na autorregulação. Também estão previstas ações para o desenvolvimento dos fundos de crédito privado, a modernização do nosso processo de precificação e o fomento das negociações do mercado secundário.
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Distribuição
As iniciativas estão centradas em dois aspectos: suitability e transparência. O primeiro tem relação direta com a queda dos juros, que estimulou a procura por investimentos mais arrojados, o que evidenciou a necessidade de aprimorar o processo de suitability. A busca por transparência é uma pauta recorrente na nossa agenda, agora focada em dar ao investidor informações sobre a remuneração dos agentes e sobre os custos envolvidos nas suas aplicações.
Investimento cross border
O cenário atual, com juros baixos e crise, evidencia ainda mais a importância da diversificação das carteiras. E, para diversificar, o investidor deve ter a possibilidade de aplicar em produtos diferentes, com riscos diferentes, inclusive de mercado. Para os brasileiros, uma das barreiras é regulatória.
Por isso, nossas iniciativas buscam facilitar o acesso aos investimentos no exterior, além de simplificar regras para trazer os investidores estrangeiros para o Brasil. Outra frente é relativa ao câmbio, tendo em vista o projeto de lei que flexibiliza as regras deste segmento e impacta diretamente as transações com investimentos com moedas internacionais.
Mercado de capitais
A agenda para mercado de capitais tem objetivo de melhorar o processo para as empresas buscarem capital, atuando com a CVM na revisão das regras para lançamento de ofertas públicas. Também trabalhamos em uma proposta de classificação das ofertas de CRI e CRA para dar mais transparência a estes produtos e fomentar a negociação dos ativos de securitização. Em paralelo, atuamos junto à CVM para publicar recentemente a norma que permite a votação a distância em assembleias de debêntures, com o intuito de aumentar a participação dos investidores. Agora, estamos estudando a melhor forma para propor melhores práticas para a implantação deste novo modelo.
INSTITUCIONAL
Autorregulação
A agenda de autorregulação não mudou com o cenário de pandemia, os objetivos permanecem os mesmos. Uma das ações é modernizar os processos de supervisão do mercado para aumentar sua eficiência, intensificando do uso de tecnologias como automatização de alguns processos, utilização de inteligência artificial e inclusão de novas tecnologias.
Adicionalmente, foi elaborado o plano de trabalho anual para a supervisão da atividade de distribuição de produtos para fortalecer a nossa autorregulação.
Também deverá ser aprimorado o processo sancionador, onde avaliamos a revisão dos limites de valores das multas e dos tipos de penalidade aplicadas nos casos de descumprimento dos nossos códigos de autorregulação pelas instituições autorreguladas.
Por fim, estamos estudando a ampliação dos convênios mantidos com a CVM para outros temas.
Inovação
No início do ano, elaboramos o posicionamento e a estratégia de inovação da ANBIMA, trabalho desenvolvido com suporte da consultoria EY. No entanto, a implementação foi adiada por conta da quarentena. A prioridade foi fortalecer as plataformas digitais de relacionamento com associados, como o Workplace, rede social corporativa, e o WhatsApp. No momento de isolamento social, tornou-se essencial estarmos próximos dos associados, levando informação de forma rápida e prática. O resultado foi positivo: a participação dos associados nestes canais cresceu exponencialmente nos últimos meses.
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Ainda no campo da inovação, queremos mapear as novas formas de sugestão de alocação de investimentos: além dos players de mercado, como agentes e consultores, houve um boom de influenciadores digitais, profissionais de comunicação, publishers, entre outros, recomendando aplicações financeiras. É preciso identificar esses novos agentes, que influenciam o processo de distribuição, para saber como atuar com relação ao assunto.
Outras duas ações relacionadas à inovação focam na atividade de precificação e no processo de certificação e educação continuada. A divulgação de preços diários para títulos públicos, debêntures e, recentemente, CRIs e CRAs é uma atividade histórica na Associação. A ideia é modernizar os processos que envolvem a apuração e o recebimento das informações prestadas pelas instituições, e identificar possíveis melhorias.
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A reformulação do nosso braço de certificação e educação continuada permanece no plano de ação, mas foi adiada por conta da pandemia. Foram tomadas ações pontuais como a liberação gratuita de toda a nossa grade de cursos sobre o mercado e a suspensão dos exames de certificação seguindo as recomendações das autoridades para segurança da população. Estão sendo estudadas formas alternativas de aplicação dos exames e um plano de retomada das atividades dentro de padrões seguros para os candidatos.
Tributação
O andamento da pauta tributária foi pausado para priorização de outros temas mais urgentes diante da crise, sem prejuízo de terem sido endereçadas questões relacionadas à pandemia. Serão retomadas duas ações para o segundo semestre: a construção de um posicionamento sobre a tributação de investimentos; e a manutenção de um canal de interlocução formal e constante com a Receita Federal, o que inclui avaliar a construção de uma proposta tributária.
Mudança na classificação do investidor e internacionalização pautam discurso de Carlos Ambrósio na MoneyWeek
Vídeo com a íntegra da participação do nosso presidente no evento fica disponível no YouTube até domingo (28)
As tendências e os desafios do mercado de capitais e da indústria de gestão de recursos pautaram o painel do nosso presidente, Carlos Ambrósio, na MoneyWeek, evento online sobre investimentos organizado pela empresa Transformação Digital e pelo site Eu Quero Investir. Na terça-feira (23), Ambrósio representou a Associação em bate-papo ao vivo aos profissionais do mercado e investidores. “Nosso papel na ANBIMA é ter certeza de que haja as condições necessárias para que o mercado continue evoluindo e crescendo”, disse.
A proposta de mudança na classificação do investidor foi um dos temas abordados. Nosso presidente explicou que hoje o brasileiro vive uma realidade de juros baixos que, aliada à volatilidade do cenário pela pandemia de Covid-19, evidencia a importância da diversificação das carteiras. Segundo ele, para que possa ter acesso a produtos cada vez mais sofisticados, o suitability deve levar em conta perfil, conhecimento e necessidades e não mais apenas o tamanho do bolso. “No aconselhamento dos produtos financeiros, os objetivos do cliente devem estar no centro”, disse.
Ambrósio também comentou sobre a importância da flexibilização das regras para aportes dos investidores locais no exterior e dos estrangeiros no Brasil. “Está na agenda da Associação para este e o próximo ano a discussão das alterações regulatórias necessárias. Também buscamos mensurar os benefícios dessa abertura para o nosso mercado”, comentou. Para ele, a internacionalização é irreversível e os clientes brasileiros terão que olhar mais para produtos de fora, assim como nossas instituições deverão receber os clientes estrangeiros por aqui.
O vídeo completo da participação de Carlos Ambrósio no evento está disponível no YouTube até domingo (28). Clique aqui para assistir.
A MoneyWeek acontece até sexta (26). A participação é gratuita pelo site do evento.
Fonte: ANBIMA, em 24.06.2020