MP 1.103/2022 cria arcabouço legal unificado e de aplicação geral para as empresas do setor
A Medida Provisória (MP) 1.103/2022, que trata do novo marco legal de securitização, incorporou boa parte das sugestões que encaminhamos ao longo da elaboração da proposta no âmbito da IMK (Iniciativa de Mercado de Capitais). Entre as inovações do texto, publicado em 16 de março, estão a expansão da possibilidade de emissão de certificados de securitização para outros setores além do imobiliário e de agronegócio e o aumento da segurança jurídica para essas estruturas.
Após a divulgação da MP, nós também contribuímos com o envio de seis emendas. Elas sugerem:
- Permitir que os ativos sejam registrados em entidade autorizada ou em outra forma decorrente de tecnologia de protocolo de segurança ou de distribuição descentralizada (blockchain);
- Possibilitar que os lastros sejam adquiridos até o momento da efetiva integralização dos certificados (operações pulverizadas);
- Esclarecer que as companhias securitizadoras respondem apenas pela existência dos direitos creditórios e não pela origem deles, como consta no texto atual;
- Harmonizar o tratamento do PIS/COFINS das securitizadoras para qualquer certificado (despesas de captação da base de cálculo);
- Incluir a denominação socioambiental para aqueles que geram impactos sociais ou ambientais positivos, devendo esses impactos estar previstos no termo de securitização;
- Revogar a MP 2.158 para afastar o entendimento de que as despesas de natureza fiscal, previdenciária e trabalhista podem afetar o patrimônio separado das operações de securitização.
Considerando nossas contribuições no novo marco legal de securitização, continuaremos acompanhando as propostas apresentadas.
SXSW 2022: Como se posicionar em um mundo descentralizado
Confira a cobertura especial do maior evento de inovação do mundo
A SXSW 2022 terminou e deixou a certeza de que, para se posicionar em um mundo descentralizado e comandado por IA e por realidades paralelas, a observação, a criatividade e a experimentação são mais necessárias do que nunca.
Aprendizados para além do hype
Dez dias, centenas de horas de palestras e apresentações, muitas buzzwords. Terminou mais um SXSW e agora é hora de digerir o que foi discutido e mostrado no evento. Depois de dois anos de distanciamento físico, participar da SXSW 2022 parecia literalmente como pousar em outro planeta.
Metaverso, cripto, DeFi, Web3, DAOs… o hype sobre essas tendências pode ter atingido seu ápice na última semana. Sim, ainda há muita especulação a respeito desse novo mundo impulsionado pelas Big Techs e VCs receosos pelo excesso de regulação e ansiosos por dinheiro novo.
Mas também há, ao menos, uma certeza: antes de mergulhar de cabeça, ou rejeitar por completo essas tendências e taxá-las de exageradas, convém ajustar as lentes da observação, exercitar a criatividade e experimentar muito, para encontrar os caminhos que mais façam sentido para o seu negócio e a sua marca.
A curiosidade é um dos principais motores da inovação. Mas a curiosidade também é um desafio. Exige que questionemos nossas próprias crenças e nos conscientizemos que as rápidas iterações de novas tecnologias, mudanças sociais, valores e expectativas redefinidas das pessoas podem requerer novos movimentos.
A verdade de ontem pode não ser necessariamente relevante amanhã, e permanecer no jogo certamente exigirá ajustes constantes, como deixaram claro as grandes estrelas do evento. Amy Webb chamou esse exercício de re-percepção. Prática recorrente de Scott Galloway, Rohit Bhargava, e até do próprio Beeple (Mike Winkelmann).
O que podemos extrair da fala de cada um, para nos ajudar a ir além do hype?
- Para chegar a conclusões acionáveis, temos que pensar em cenários e no que eles podem significar para nossas marcas, indústrias, grupos-alvo ou até mesmo para a sociedade como um todo, sinaliza Amy Webb. O brilho excessivo dos NFTs, criptomoedas e imóveis digitais, hoje, pode estar nos distraindo do verdadeiro valor do metaverso, amanhã.
- O potencial de criar experiências mais imersivas por meio de wearables e novas interfaces, enquanto a tecnologia Blockchain serve como ferramenta de identificação com vários aplicativos e sistemas, pode ser o futuro da web. Mas para isso será preciso superar a desconfiança na IA e na biologia sintética, a falta de interoperabilidade entre os aplicativos do metaverso, a necessidade de gerenciar várias versões do próprio eu digital em espaços virtuais e o risco da falta de governança, caso as DAOs instituam o caos.
- Uma relação consumidor-marca em mudança, com um foco muito mais forte nas necessidades individuais, já está em marcha, pontuou Rohit Bhargava. E o metaverso tem tudo para ser a consolidação dessa “Identidade Ampliada”. Atingir grupos-alvo com ofertas e conteúdos relevantes torna-se ainda mais complicado e a divisão acelerada de identidade do consumidor de amanhã é algo para o qual temos de nos preparar.
- Não por acaso, na opinião de Scott Galloway, os estágios iniciais do metaverso serão construídos em torno de conteúdo que gere intimidade e engajamento. O que, inicialmente, será mais fácil de construir com áudio, em vez de apelos visuais e táteis aprimorados. E os NFTs serão expressões da personalidade e satisfação da propriedade. Instrumentos de status e capital social, à medida que a vida se move mais para a Web3, nem tão descentralizada quanto pregam.
- Levará tempo para que as pessoas entendam e apreciem a propriedade virtual, alertou Beeple, que acaba de inaugurar uma exposição física, em uma galeria de Nova York, batizada de “Uncertain Future“, na qual exibe impressões de obras que fez digitalmente, com o objetivo de incentivar o diálogo sobre o papel que as grandes empresas de tecnologia desempenham em nossas vidas e o poder que elas têm na sociedade moderna. Ele também acredita que parte da promessa dos NFTs é que eles permitirão que as pessoas tenham mais propriedade sobre seus eus virtuais.
ANBIMA em Austin: uma playlist
Durante dez dias, a ANBIMA esteve presente no SXSW 2022, acompanhando a programação e produzindo conteúdos reflexivos sobre o maior evento de inovação do mundo. Confira:
- Diversidade racial e de gênero é fundamental para a inovação e a sustentabilidade dos negócios. Com Amanda Brum e Lucas Lucena.
- Como ficam as relações humanas nessa nova era da internet? Reflexões e lições tiradas do maior evento de inovação do mundo.
- As Decentralized Autonomous Organizations (DAOs) apareceram na maioria dos painéis de finanças. Amanda Brum, conta tudo em vídeo.
- Os NFTs (Non Fungible Tokens) devem impactar outros setores, para além da arte. O foi dito no Summit Finance 3.0 sobre o tema.
- O metaverso entrou na pauta cheio de promessas. Lucas Lucena conta o que líderes do mercado financeiro pensam sobre essa tecnologia.
- ESG é um caminho sem volta, e temas associados à diversidade, inclusão e sustentabilidade proliferaram. Amanda Brum, conta tudo o que viu.
- As finanças descentralizadas (DeFi) e seus ativos estavam por todo lado. Mas faltou o contraponto nas conversas.
- Nick de la Mare, líder da Fjord, braço de inovação da Accenture, destacou os cinco comportamentos que irão desafiar as empresas nos próximos anos.
- A futurista Amy Webb falou ao vivo e aqui tem um resumo dos pontos mais marcantes que, segundo ela, precisam ser acompanhados de perto.
- O SXSW 2022 mostrou o poder da inovação do marketing, da indústria da arte até alimentos. As marcas impactaram o público por meio de experiências inovadoras e imersivas. Confira o vídeo!
OLHAR DO MERCADO – A SXSW 2022 e o shift da Internet
A SXSW 2022 apresentou novas tendências ao mundo da tecnologia. Acompanhei toda a trilha Tech da conferência e vejo, em um futuro breve, um grande movimento de desaprender e aprender novamente. Observando as sessões de Amy Webb, Scott Galloway, Mark Zuckerberg e Joost van Dreunen, entre muitas outras apresentações de personalidades marcantes, vejo uma nova disrupção à frente. A Internet vai, mais uma vez, avançar para um novo modelo.
A Web vai passar por um novo grande shift, uma nova grande revolução. No seu início, que ficou conhecido como Web 1.0 (ou Web1) o grande impacto foi a distribuição da informação. Nessa época nos tornamos a Sociedade da Informação, democratizando o acesso a um grande volume de dados para todos que podiam se conectar a ela. As discussões sobre inclusão digital começaram a se formar, lá atrás, por conta da falta de acesso para todos.
Em seguida evoluímos para Web 2.0 (Web2), um período marcado pela migração dos negócios para o mundo digital, e nos tornamos a Economia da Informação. Empresas, marketplaces e instituições financeiras incorporaram a internet aos seus negócios, o e-commerce se fortaleceu, e novos modelos digitais nasceram. Avançamos nossos processos, crescemos a nossa produtividade por meio da tecnologia, mas os processos tradicionais de negócios e transações financeiras permaneceram ainda, na grande maioria, centralizados em grandes corporações e regulados por governos.
A nova transformação da Internet será na Web 3.0 (Web3). Com tecnologias como Blockchain, Metaverso, NFT (Non-fungible token), entre outras, nasce um novo modelo - a Propriedade da Informação. A Web3 cria uma nova infraestrutura de transparência, confiança e controle da informação, na qual os pilares básicos são descentralização, privacidade, identidade digital, comunidade, dados abertos e finanças descentralizadas.
Mas o que é a Web3? É um novo ambiente no qual a imersão sensorial (visão, audição, tato, olfato e paladar) nos permitirá interagir de forma mais humanizada com pessoas e “Inteligências Artificiais (IA)” usando dispositivos computacionais. Você terá controle de seus dados por meio de uma identidade digital, e não precisará ter diferentes logins para diversos sites e aplicativos. Os usuários passam a ter a posse e o controle do uso dos seus dados pessoais, apoiados fortemente por novas regras como a LGPD e a GPDR.
Uma nova infraestrutura de tecnologia e padrões abertos trará um revolução enorme para os negócios, marketing digital e transações financeiras. Haverá mudança nos processos centralizados nas instituições tradicionais para descentralizados. Organizações Autônomas e Descentralizadas (DAO – Decentralized Autonomous Organization) com objetivos definidos, serão formadas com o senso de comunidade e propósito.
Processos descentralizados e governança permitirão que essas organizações estabeleçam objetivos de maior impacto no planeta para além dos resultados de negócios apenas. As Finanças Descentralizadas (DeFi – Decentralize Finance) estarão muito mais alinhadas às DAOs, criando um sistema financeiro global, descentralizado, independente, mais barato, menos burocrático e acessível a todos, impactando significativamente as verticais de finanças, varejo, saúde e educação.
Uma revolução tecnológica será iniciada com a Web3, já que o uso do Metaverso, NFT e Blockchain implicarão em novos aplicativos e dispositivos. Novos serviços e arquiteturas serão desenvolvidos. Trabalhar com dados pessoais privados será bem diferente, uma vez que o controle e a posse do dado passam para os usuários, que podem conceder ou não seu acesso e uso para diferentes organizações.
Visualizar e entender comportamentos dos usuários será um novo desafio para o Marketing Digital. Descobrindo um novo mundo digital de possibilidades para comércio, moda, educação etc., onde o limite é somente a imaginação. O ponto importante aqui é a experiência. A Web3 abrirá uma nova fronteira de experiências digitais sem precedentes através do uso do Metaverso.
Moda, mídia, shopping e varejo são apenas exemplo de segmentos que terão suas experiências totalmente alteradas. O mais interessante aqui será observar como esses novos ambientes se conectaram ao mundo físico. Por exemplo, entrar num shopping no Metaverso e experimentar um tênis com seu avatar. Comprar o tênis virtual para utilizar em eventos no Metaverso e, em paralelo, receber o mesmo tênis físico por drone na sua casa de forma rápida. Será muito interessante observar essa conexão nos diversos segmentos de negócio. Tornando o mundo virtual cada vez mais próximo do real.
A Web3 está só começando. Embora já tenhamos vários exemplos de ambientes operacionais, ainda há muito por desenvolver. O choque de paradigma de modelos centralizado vs descentralizados será ainda um grande impasse para atingirmos o potencial que essa tecnologia pode proporcionar. Mesmo assim, ainda temos que evitar o uso inadequado desse novo ambiente visando privilegiar poucos, tentando ainda manter o modelo centralizado. É nossa responsabilidade desenvolver uma novo ambiente que beneficie todas as pessoas. Esse certamente será o legado que deixaremos para futuras gerações.
SXSW 2022: A visão de três lideranças sobre futuro, inovação e diversidade
Confira a cobertura especial do maior evento de inovação do mundo
Em seus últimos dias, a SXSW 2022 trouxe visões de três diferentes lideranças de mercado diversos - games, creator economy e saúde - sobre futuro, inovação e diversidade.
Diversidade é papel da liderança
Reggie Fils-Aimé, que comandou a Nintendo of America (NOA), a maior divisão da empresa de entretenimento japonesa Nintendo Co, entre 2006 e 2919, é o primeiro afro-americano a se tornar presidente de uma empresa tradicional japonesa. Em 2019, ano em que se aposentou, foi convidado a integrar o International Video Game Hall of Fame. É reconhecido no mundo todo por ser um líder inovador e disruptor, com um track recorde de sucesso.
Filho de imigrantes haitianos, Reggie morou no Bronx e recontou, em sua conversa com a jornalista Emily Chang, da Bloomberg, a sua trajetória até chegar à presidência da Nintendo, creditando o sucesso em grande parte ao acesso à educação, que lhe permitiu frequentar a universidade de Cornell por conta de uma bolsa de estudos.
Sobre diversidade e inclusão nas empresas, Reggie é taxativo: cabe à liderança a responsabilidade de estabelecer uma cultura inclusiva nas empresas. "Cultura em uma organização é o ar que os funcionários respiram. É a forma como as pessoas agem quando a gestão não está na sala. E isso é definido pela liderança". E não se trata apenas de estabelecer a inclusão e diversidade dentro da empresa, trata-se de garantir que a empresa vai servir à diversidade dos clientes que estão lá fora, diz Reggie.
Garantir a diversidade, segundo Reggie, é chave para a liderança dessa nova década. "Acreditar fundamentalmente no poder da diversidade e nas equipes diversas, e não apenas usar o termo como conversa fiada. Quando você tem uma variedade de pontos de vista diferentes, seja a orientação sexual, a cultura, a nacionalidade, todas as coisas que nos tornam diferentes, você junta tudo para chegar a melhores soluções".
Durante a conversa, foi inevitável que o assunto Metaverso e o novo momento da indústria de games em torno dos headsets de Realidade Virtual (VR) entrasse na pauta. Em crítica dirigida especialmente a Mark Zuckerberg e à Meta, Reggie foi categórico: "Eu não compro a ideia. Não acredito que a versão deles terá sucesso. Digo isso porque o Facebook não é uma empresa inovadora para além da rede social que criaram há muitos anos. Ou compraram coisas realmente interessante, como a Oculus, como o Instagram, ou são seguidores rápidos de ideias de outras pessoas". Para serem inovadoras, as empresas precisam colocar os clientes em primeiro lugar, diz Reggie, ponderando que a Meta faz o contrário ao colocar a receita publicitária na frente.
Ele não duvida que o Metarverso venha a fazer parte importante da nossa vida - citando exemplos de sucesso como Roblox e Fortnite - mas acredita muito mais na Realidade Aumentada (AR) do que nos headsets de VR como experiências de massa. "Há quatro anos essas tecnologias não existiam e cresceram rápido, portanto, podemos prever que em quatro anos vamos ter diferentes tipos de jogos, diferentes experiências de jogo, diferentes tipos de entretenimento extremamente atraentes". "O entretenimento será muito mais imersivo, uma mistura de mundos digitais e físicos".
ANBIMA em Austin – De olho na diversidade
No SXSW, os líderes foram bem claros: a diversidade racial e de gênero é fundamental para a inovação e a sustentabilidade dos negócios. Amanda Brum e Lucas Lucena contam o que viram e ouviram sobre o assunto.
PIONEIROS DA NOVA ECONOMIA – O peso-pesado da Economia dos Criadores
Por mais que trabalhem, os "creators" - essa categoria de produtores independentes que prosperam criando conteúdos originais para consumo nas plataformas digitais - não vão produzir o suficiente para saciar a voracidade dos usuários online. E poderão ganhar muito dinheiro se conseguirem produzir conteúdos de qualidade no meio de uma tempestade de porcarias.
Quem garante é Jack Conte, cofundador da Patreon, uma plataforma de assinatura de conteúdo que permite que músicos, artistas, escritores, cineastas e outros criadores sejam pagos por pessoas que apoiam seu trabalho, em um modelo de financiamento mensal coletivo. "Hoje estamos pagando US$ 1,5 bilhão por ano a pessoas criativas de mais de 100 países", disse Conte à plateia da SXSW 2022 que acompanhou entusiasmada a apresentação “Creating in a Shit Storm". O gancho da conversa: dicas de criatividade para gerar conteúdo cativante. "A conectividade substituiu a conexão. As pessoas se sentem solitárias e os criadores estão se sentindo esgotados", disse Conte.
Embora tenha começado a conversa dizendo que odeia conselhos, Conte entregou pelo menos cinco insights importantes para quem quer prosperar na economia criativa e gerar receita recorrente: Pratique o design personalizado; transforme sua inspiração em uma máquina; menos é mais, sempre; e finalmente, lembre-se que você tem uma plateia potencial de bilhões de pessoas.
Um pouco de background: Conte é músico e usava o YouTube como plataforma de contato com os fãs. Decidiu criar o Patreon em 2013, em parceria com Sam Yam, para resolver o problema de ter milhões de fãs e só receber algumas centenas de dólares em troca.
Atualmente, a Patreon é uma gigante da Creators Economy: tem mais de 8 milhões de usuários ativos mensais, que remuneram mensalmente mais de 250 mil criadores cadastrados. Os números impressionam: mais de US$ 3,5 bilhões transferidos para o bolso dos creators nesse período. E 90% dos assinantes optaram pelo modelo de assinatura mensal, garantindo a recorrência.
Depois da apresentação, Jack Conte deu uma entrevista ao SXSW Studio, que você pode conferir nesse link do YouTube.
ANBIMA em Austin – Relações humanas dentro e fora do metaverso
Depois de uma semana, quais são as principais reflexões e lições tiradas do maior evento de inovação do mundo? Amanda Brum e Lucas Lucena destacam o que se falou sobre as relações humanas na nova era da Internet. Confira o vídeo!
INOVAÇÃO – Lições da pandemia, segundo a Pfizer
Em dezembro de 2020, nove meses após a COVID-19 ter sido declarada uma pandemia, a Pfizer foi a primeira farmacêutica a ter uma vacina autorizada para uso emergencial pelo FDA (agora aprovada para uso aberto). E os créditos à velocidade recorde na produção da vacina devem-se ao uso intensivo de tecnologias emergentes e da resiliência da liderança e das equipes.
Em uma conversa com a jornalista Julie Hyman, âncora do Yahoo Finance, o Chairman e CEO da Pfizer, Dr. Albert Bourla, contou detalhes da história que vão aparecer no seu livro "Moonshot: Inside Pfizer’s None-month Race to Make the Impossible Possible".
- A capacidade de "fazer o impossível possível": por conta da tecnologia e das parcerias inéditas com startups, Bourla considera que a indústria farmacêutica entra nessa década em uma espécie de "novo Renascimento científico", marcado pela biotecnologia. As empresas farmacêuticas vão acelerar as parcerias com universidades ou pequenas startups de biotech para acelerar as descobertas e a inovação.
- Sobre o uso de tecnologia: a Inteligência Artificial foi fundamental para o incremento da velocidade no desenvolvimento da vacina e na acuracidade dos testes clínicos. “Estávamos usando o digital em um grau extremamente alto para projetar a vacina e projetar o ensaio clínico”, disse Bourla. O processo de limpeza de dados de pacientes, por exemplo, foi reduzido de um mês para 22 horas por conta da IA.
- Sobre o poder da liderança: o que você faria se o seu time dissesse que é impossível a tarefa? “Racionalmente, eles estavam certos. Isso não poderia ser feito”, disse Bourla. “Mas tinha que ser feito … Pedi a eles que repensassem tudo desde o início e tornassem o impossível, possível”.
- Sobre resiliência: “Não é sobre você, é sobre o mundo. É aqui que você (desenvolve) essa resiliência que diz, apenas faça.” Mesmo passando por decepções diárias e contratempos que poderiam ter matado a vacina. Bourla lamenta ter "perdido a cabeça" e ter sido "desnecessariamente desagradável" em alguns momentos, gritando com a equipe. Segundo ele, tudo foi perdoado, mas demorou um pouco. Mas o time prevaleceu: “Eles fizeram parte da história que salvou o mundo.”
Fonte: Anbima, em 22.03.2022.