Banco Central realiza primeiro teste para leilão de compra de debêntures
Instituições devem se cadastrar no modo de homologação do Selic para participar. Ensaio servirá para que elas conheçam o sistema e o fluxo das operações
O Banco Central, por meio do Selic, fará um teste de leilão de compra de debêntures nesta sexta-feira, dia 21, às 15h. A compra de ativos no mercado secundário é uma medida para dar liquidez às negociações, diante dos impactos da pandemia, e foi autorizada pela Emenda Constitucional 106, em maio deste ano.
“O intuito de testarmos o leilão é mostrar ao mercado como será o fluxo das operações e como está estruturado o sistema”, explica Francisco Vidinha, superintendente do Selic. “Assim poderemos tirar dúvidas ou fazer ajustes na dinâmica, caso necessário”.
Quem pode participar
O teste será feito com instituições registradas no ambiente de homologação do Selic. Aquelas que não estejam, mas queiram participar do ensaio, podem entrar em contato com o Demab (Departamento de Operações do Mercado Aberto) pelos telefones (21) 3506-8990 ou (21) 3506-5331. Ainda não há data definida para a realização de leilões definitivos.
Entenda o fluxo
O BC divulga com antecedência os papéis que pretende comprar – no caso, serão 16 debêntures (confira aqui). São títulos com risco de crédito BB- ou superior, não conversíveis em ações, com prazo de vencimento igual ou maior que 12 meses e registrados na B3.
+ Saiba mais sobre os critérios do BC para compra de ativos no mercado secundário
As instituições que possuem esses ativos entram no sistema Selic, no módulo de oferta pública, e têm 30 minutos para fazerem suas propostas, mencionando quantos papéis têm e qual o preço, no limite de 10 propostas por papel.
O BC analisa as ofertas, considerando os preços de referência divulgados pela ANBIMA e pela B3, e informa o resultado resumido do leilão até às 17h, com a quantidade e os vendedores escolhidos. No caso de propostas com condições equivalentes, têm preferência as debêntures emitidas por micro, pequenas ou médias empresas. O volume máximo a ser negociado é de R$ 1,5 bilhão.
As instituições escolhidas, então, devem registrar, até as 18h30, os dados dos vendedores finais no módulo lastro, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. A liquidação das operações na B3 será opcional por se tratar de um teste, mas poderá ser feita no dia 24 de agosto.
Saiba mais
Outros detalhes podem ser encontrados nos Informes Selic 36 e 37. Mais informações relacionadas ao teste serão divulgadas no dia 24, por meio de um Informe Selic. Se você não recebe a publicação, cadastre-se gratuitamente aqui.
Investimentos em projetos estruturados de longo prazo somam R$ 38,3 bilhões em 2019
Resultado representa alta de 6,1% sobre o ano anterior. Participação do BNDES nos financiamentos cai para 37,9%
Os investimentos em projetos estruturados de longo prazo (na modalidade de Project Finance) somaram R$ 38,3 bilhões no ano passado. O total representa avanço de 6,1% na comparação a 2018, de acordo com nosso Boletim de Financiamento de Projetos.
A maior parte do volume registrado vem de financiamentos via contratações de dívidas, que cresceram pelo quarto ano consecutivo e atingiram R$ 28,5 bilhões em 2019 – alta de 27,1% sobre 2018. Já os recursos de capital próprio usados pelas companhias nas operações caíram 28,3% em relação ao ano anterior, para R$ 9,8 bilhões.
Entre as dívidas contratadas, a participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como fonte de financiamento diminuiu mais uma vez em 2019, para 37,9%. O movimento, entretanto, foi em menor escala na comparação aos anos anteriores: a redução verificada entre 2018 e 2019 foi de 2,7 pontos percentuais, enquanto de 2017 para 2018 havia sido de 32,6 pontos percentuais.
O BNB (Banco do Nordeste do Brasil), instituição que também é controlada pelo governo federal, segue aumentando sua participação: passou de 20,6% em 2018 para 26,3% em 2019. A utilização dos instrumentos do mercado de capitais nos financiamentos, que tinha crescido para 30,6% em 2018, concentrou 29,5% dos recursos de 2019.
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Setores
Os projetos estruturados de longo prazo se concentraram em dois setores em 2019: energia elétrica e transporte e logística. O primeiro deles deteve 73,1% do total de investimentos, que equivalem a R$ 20,8 bilhões. Já o segundo ficou com participação de 26,9% (R$ 7,7 bilhões).
+ Confira a íntegra do Boletim de Financiamento de Projetos
Debêntures atreladas ao DI retomam rentabilidade positiva no ano
IDA-DI, índice que acompanha esses papéis em mercado, tem primeira alta no resultado acumulado de 2020 após o início da pandemia de Covid-19
As debêntures atreladas ao DI registraram nesta semana rentabilidade anual positiva pela primeira vez desde o início da pandemia de Covid-19. Na terça-feira, 18, a variação do IDA-DI (Índice de Debêntures ANBIMA), que acompanha esses papéis, retomou ao patamar positivo (0,0046%), devolvendo parte da perda acumulada desde março.
O resultado acumulado do IDA-DI no ano havia sido positivo pela última vez em 19 de março, quando a deterioração da percepção dos riscos associados ao mercado e, consequentemente, das debêntures, fez os prêmios de riscos desses papéis atingirem taxas recordes. Em 13 de abril, foi registrada a maior perda acumulada do ano, de -5,73%.
O movimento de recuperação proporcionou também a redução do prêmio de risco embutido na carteira do IDA-DI. Vale lembrar que o prêmio de risco calcula a diferença de taxas entre debêntures e títulos públicos (de risco soberano) que tenham prazos e remunerações semelhantes – por isso, quanto menor for o prêmio significa que o risco atrelado aos papéis corporativos também é menor. O resultado, entretanto, ainda não atingiu o patamar de antes da pandemia: hoje, o prêmio de risco do IDA-DI é de 2,05%, mais de um ponto percentual acima do registrado no fim de fevereiro (1,04%), porém já está abaixo dos 3,67% apurados em 13 de abril.
A recuperação também pode ser avaliada pela diferença entre as performances do IDA-DI e do IMA-S, índice que reflete as LFTs, que são ativos remunerados pela Selic e possuem trajetória similar ao DI. Se acompanharmos duas aplicações hipotéticas de mil reais no IDA-DI e no IMA-S feitas no início de 2020, embora ainda se observe diferença equivalente a mais de 2% de retorno entre as duas, o investidor de debêntures teria recuperado o valor inicial, a partir do resultado acumulado em 18 de agosto (vide gráfico).
As diferenças entre as rentabilidades dos dois índices, principalmente a partir da segunda quinzena de abril, é outro ponto de destaque. O movimento ilustra a possibilidade de o investidor, sabendo dimensionar os riscos de suas aplicações, ter retornos acima dos benchmarks.

Fonte: ANBIMA, em 20.08.2020