Prêmio ANBIMA completa 17 anos de fomento à produção acadêmica sobre mercado de capitais
Ao longo deste período, a associação distribuiu R$ 976.000,00 em bolsas. Foram 53 projetos premiados, sendo 37 de mestrado e 16 de doutorado
Da carência de artigos científicos e textos técnicos que estudassem o mercado de capitais nasceu o que hoje é um dos mais importantes incentivos à produção acadêmica para o mercado financeiro: o Prêmio ANBIMA.
Desde a sua criação, em 2004, a premiação vem cumprindo seu objetivo de fomentar a cultura e a pesquisa sobre o mercado de capitais brasileiro nas universidades e centros de pesquisa do País.

Nosso diretor Luiz Chrysostomo (de óculos) ao lado dos vencedores do Prêmio ANBIMA de 2018 e 2019
O prêmio surgiu em meio a um contexto de mercado financeiro pujante no Brasil. No início da década de 2000, o país estava diante do Novo Mercado e de mudanças nas regras de governança nas empresas e na indústria de fundos — com o avanço da autorregulação e a criação de novos instrumentos regulatórios. Contudo, a pesquisa acadêmica na área não avançava na mesma medida, ainda sendo insuficiente, com bibliografia defasada, poucas contribuições em português, difícil acesso e falta de estímulo público.
“Tínhamos de criar um prêmio de caráter acadêmico e com perspectiva multidisciplinar, abrangendo mais de uma área de conhecimento, porque os temas do mercado de capitais são transversais. Estamos vivendo, há anos, um momento enorme de inovações”,
explica Luiz Chrysostomo, um dos idealizadores do Prêmio ANBIMA e que, à época era diretor da Anbid e, hoje, é diretor da ANBIMA. Assim, a premiação foi desenvolvida para englobar três disciplinas: ciência econômica, administração e direito.
Decididas as carreiras que seriam contempladas, a questão seguinte foi se deveria ser premiada a tese já apresentada para banca ou o projeto dela. Optou-se pela segunda opção, caracterizando o Prêmio ANBIMA como importante estímulo na reta final do mestrado e doutorado. Isso porque o aluno ganhador de mestrado é financiado por um ano e o de doutorado, por dois. Em ambos os casos, eles devem ter feito todos os créditos e, entre os requisitos para submeter a inscrição, está o envio de paper explicando o tema da tese e a perspectiva da pesquisa, cartas de recomendação de professores e orientador, currículo e boletim com notas.
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“O aluno enfrenta grande dilema quando ele precisa fazer a tese. Muitas vezes, há desistência, porque ele precisa sobreviver, começa a trabalhar e não tem tempo. Para tese, é preciso ter tempo, tranquilidade e dinheiro para sobreviver. E foi o que fizemos: com a bolsa damos o mínimo de tranquilidade para o aluno fazer essa jornada, essa travessia”, avalia Chrysostomo.
Dentro desse espírito, são premiadas até duas teses de mestrado e uma de doutorado, totalizando três projetos por ano. “O sistema que bolamos foi, em vez de analisar trabalhos já feitos, porque seria premiar o que passou, criar estímulo para o que vem pela frente, abrindo horizonte. Decidimos premiar propostas de teses”, detalha o economista Edmar Bacha, que também participou da criação do prêmio. Isso envolvia certo risco, por exemplo, de as propostas não se consumarem e as teses não chegarem a serem defendidas. Contudo, nada disso aconteceu ao longo dos últimos 16 anos.
Ainda no processo de criação do Prêmio ANBIMA, os idealizadores conversaram com diversas universidades para explicar o conceito e ouvir questões que fossem relevantes. A recepção foi positiva, principalmente, por representar um complemento para a bolsa de estudos de mestrandos e doutorandos e pelo reconhecimento de mercado.
A Associação buscava também ter acesso ao sistema universitário, a fim de fazer conexão, até, então, inexistente, entre acadêmicos e estudantes com as áreas de administração, contabilidade, direito e economia.
“Era importante mobilizar nas universidades brasileiras e nas escolas o interesse pelo estudo sobre o mercado de capitais no Brasil”, aponta Bacha.
Ele acrescenta que era importante para a ANBIMA ter um canal de comunicação e interação com o sistema universitário brasileiro. “A Associação sempre teve muito orgulho de trabalhar pelo desenvolvimento do mercado de capitais. Para isso, é essencial nos relacionarmos com todos os atores, incluindo a academia”, diz.
Garantindo a independência
Para garantir a independência, a coordenação de todo o projeto ficou a cargo do Instituto Estudos de Política Econômica Casa das Garças (IEPE/CdG). “Queríamos que o prêmio fosse perene. A parceria favorece a sustentabilidade e a longevidade da iniciativa”, justifica Chrysostomo. O centro de estudos tem a responsabilidade de organizar todo o processo em conjunto com a Associação, incluindo a banca de avaliação para todos os projetos analisados.
Desde 2014, a banca é composta por Luiz Chrysostomo (presidente), Edmar Bacha, Armando Castelar, Nelson Eizirik e Jose Carlos Carvalho. Da criação, em 2005, até agora, já fizeram parte da bancada membros como Dionísio Dias Carneiro, Eduardo Loyo, Ilan Goldfajn e Monica de Bolle. A banca tem a liberdade absoluta de tomar as decisões seguindo o que está definido no regulamento.
Ao longo dos últimos 15 anos, foram distribuídos R$ 976.000,00 em bolsas para todas as categorias. Foram enviados e analisados 274 projetos, sendo 177 de mestrado e 97 de doutorado, submetidos por alunos de 35 universidades de 11 estados.
Desse total, 53 foram selecionados e premiados, sendo 37 de mestrado e 16 de doutorado; dos quais 28 eram de economia, 15 de administração e nove de direito. Entre as unidades federativas, São Paulo foi a mais premiada (33% do total), seguida do Rio de Janeiro (26%), Minas Gerais (10%) e Rio Grande do Sul (9%). Com relação a gênero, os homens ainda são maioria, tendo levado 36 prêmios; as mulheres responderam por 17.
Para além do prêmio, a meta era promover o conhecimento acerca do mercado de capitais de forma ampla. Assim, foram elaborados três grandes seminários que resultaram em três livros publicados ao longo de cinco anos, até 2008. “Naquela ocasião, pensamos: por que não dar um passo adiante e promover algo mais?”, conta Bacha. “Queríamos seminários com base em apresentações e experiência das pessoas, algo acadêmico como contratar acadêmicos importantes para escreverem papers e ter discussões que levassem a seminários anuais e publicação de livros sobre mercado de capitais”, lembra Bacha.
Jornada de sucesso
O alto índice de teses premiadas que foram defendidas demonstra o sucesso do Prêmio ANBIMA. Além da conclusão dos trabalhos, a inovação e a contribuição ao mercado de capitais também atestam que a qualidade dos projetos atendeu às expectativas da banca.
As metas traçadas lá em 2004 foram atingidas. “Conseguimos alcançar os objetivos. O primeiro foi de reconhecimento do prêmio junto a universidades e departamentos de pesquisas; e o prêmio só chegou até aqui, porque existe esse reconhecimento institucional. Desde o seu início, ele foi prestigiado por todos os centros de pesquisa do Brasil”, pondera Chrysostomo.
Tanto o número de candidatos quanto a qualidade das teses comprovam o impacto significativo e positivo que o prêmio teve no mercado. “Minha impressão é que houve aumento progressivo na qualidade das teses e buscamos aquelas que possam ter aplicação direta, como, por exemplo, as da área de direito discutindo questões complexas que são levadas à CVM”, aponta Bacha.
Tem gente do Brasil todo se inscrevendo. Além disso, muitas das teses produzidas estão disponíveis nos sites da Associação e da Casa das Garças. Geramos enorme produção que não tínhamos no passado. O prêmio gerou contribuição tanto ao pensamento, como à criação de volume maior à bibliografia”, completa Chrysostomo.
Prêmio ANBIMA aponta que estudantes estão na direção correta
Premiação contempla pré-projetos e proporciona respaldo financeiro para estudantes
Os motivos que levam estudantes de mestrado e doutorado a inscreverem seus projetos de teses para concorrer ao Prêmio ANBIMA variam, mas têm em comum o reconhecimento, o suporte financeiro e a indicação de que a pesquisa está indo na direção certa.
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“Um dos elementos centrais do prêmio é seu caráter financeiro, mas ele também significa prestígio e mostra que o aluno está com a cabeça estruturada”, aponta o orientador da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro Caio Ibsen de Almeida, que teve quatro orientandos ganhadores da premiação: Rafael Moura Azevedo, Kym Marcel Martins Ardison, Fernando Ferreira da Luz Barbosa e Gustavo Bulhões Carvalho da Paz Freire. “Todos os alunos que ganharam eram excepcionais”, diz o professor que atualmente está nos Estados Unidos, na Universidade de Princeton.
Também orientador de alunos vencedores, Rodrigo de Losso da Silveira Bueno, da USP, destaca que ganhar o Prêmio ANBIMA é um marco importante para os alunos e relevante ao longo da vida, além de uma sinalização para o mercado da capacidade do aluno. Para Almeida, da FGV-RJ, o êxito dos alunos ao receber o prêmio significa um reconhecimento para o orientador também.
“É a indicação de que aluno tinha alta capacidade para fazer o trabalho, lembrando que é o julgamento de um pré-projeto e que o comitê não tem como saber com precisão. É prestígio para o orientador”, diz.
“O prêmio identifica gente boa e ele dá o respaldo econômico que alguns usam para fazer ‘um sanduíche’”, completa Almeida. Fazer um mestrado ou doutorado sanduíche significa cursar parte dele em universidade no exterior.
Gustavo Freire foi um deles. Em 2017, entrou no doutorado em economia na FGV-RJ e, no ano seguinte, inscreveu-se no Prêmio ANBIMA. “Eu estava no segundo ano de doutorado e pela metade do ano pedi para o professor Caio Almeida me orientar e ele aceitou. Comecei a fazer a leitura das literaturas e a pensar em ideias de pesquisas. No segundo semestre de 2018, colegas de doutorado me indicaram o prêmio. A partir das ideias que eu tinha, escrevi o projeto de pesquisa para enviar para o prêmio. Mandei e tive meu trabalho premiado”, conta Freire, vencedor com o projeto “Modelos de Fatores, Machine Learning e o Cross-Section de Retornos”.
Para Freire, inscrever-se no prêmio o ajudou a estruturar o projeto, organizando e formalizando as ideias. Ele defendeu a tese em dezembro de 2020. “Além do reconhecimento, o prêmio me deu confiança para evoluir com a pesquisa. Financeiramente também foi bem importante. Primeiro porque a bolsa de doutorado, a Capes, não é muito grande e o prêmio foi um complemento bem favorável. Para mim, foi importante, porque fiz um ano de doutorado sanduíche na Universidade de Princeton, pagando tudo em dólar. A ajuda financeira do Prêmio ANBIMA foi essencial para financiar a ida para os EUA”, relata.
A chancela do prêmio é, em diversos casos, o reconhecimento que os alunos precisam para ter mais confiança em seguir com a pesquisa. É, segundo eles, uma bússola apontando que estão no caminho certo. Fábio Saia Cereda ressalta como ponto positivo do fato da premiação ser para o projeto e não para a dissertação. Ele ganhou em 2018 com o projeto “Impacto de Benchmarks no Mercado de Balcão Brasileiro”, cursando mestrado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade na Universidade de São Paulo (USP).
Cereda ingressou no mestrado com objetivo de aprender a fazer pesquisa e a premiação foi a motivação necessária para seguir.
“No processo de pesquisa, o reconhecimento só vem depois que você defende a tese. Por isso que o Prêmio ANBIMA é legal, porque acredita no projeto”, assinala.
Para ele, mais importante que a parte financeira, foi a motivação que o prêmio lhe rendeu e o reconhecimento do mercado. “Tive mais uma razão para acreditar que o tema tinha relevância. Receber essa validação externa é legal. E isso caminha junto com o prêmio em dinheiro, que praticamente dobra a bolsa durante um ano”, diz. A dissertação de Cereda evoluiu para um artigo publicado no ‘Journal of Financial Economics’. Atualmente, ele trabalha no Banco Mundial para área de pobreza e desigualdade.
O então estudante conheceu a premiação por meio do Nefin — Núcleo de Pesquisa em Economia Financeira, grupo ao qual se juntou com objetivo de pesquisar finanças. Assim como Cereda, Francisco do Nascimento Pitthan também conheceu a premiação por meio do Nefin.
Integrantes do núcleo que haviam ganhado o prêmio recomendaram a inscrição. “Foi muito bom escrever o projeto, porque isso ajuda a segmentar mais o que vai pesquisar depois”, diz Pitthan. Pouco antes de mandar o projeto, Pitthan havia sido aceito na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica
“No fim, recebi diplomas das duas universidades: USP e Louvain. O prêmio me ajudou muito financeiramente”, conta o ganhador do ano de 2016 com o projeto de mestrado “Como o efeito-disposição pode explicar momentum: a relação entre viés de comportamento de investimento e movimentos do mercado brasileiro”, pela Universidade de São Paulo.
Após a conclusão do mestrado, Pitthan trabalhou como consultor em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Chile. No ano passado, voltou à academia e está, novamente, na Bélgica — agora cursando doutorado na Universidade Católica de Leuven. Para Pitthan, o suporte financeiro e o reconhecimento são os principais motivadores para o prêmio. “A bolsa me ajudou a me manter na Bélgica e teve o reconhecimento da qualidade da pesquisa.”, resume.
Importante elo
Ainda que, no Brasil, o nível de integração entre universidades e a esfera privada não exista tão fortemente e estruturado como nos Estados Unidos ou alguns países da Europa, Caio Almeida disse acreditar ser uma questão de criação de hábito para que isso se fortaleça aqui. “Nos EUA, é hábito para empresas irem às escolas; elas querem e buscam essas interações. O Prêmio ANBIMA ajudou o desenvolvimento disso no Brasil nos últimos 15, 20 anos; e tem sido um estímulo para integrar o mercado e a academia”, diz.
Segundo o orientador, a ANBIMA vem contribuindo para aproximar academia e indústria; e hoje já existem exemplos de projetos integrados, com empresas contratando pessoas da academia para prestar consultoria e dar apontamentos para determinado mercado.
Gustavo Freire diz enxergar a área de mercado de capitais mais ativa no Brasil. “Tenho certeza de que um prêmio como esse atrai mais pessoas a estarem interessadas a trabalhar na área e a submeterem trabalho. É um fomento importante para uma área que está bem ativa no Brasil”, resume. Freire seguiu a carreira academia e iniciou um pós-doutorado na FGV de São Paulo para dar seguimento à pesquisa que iniciou.
As inscrições para o Prêmio ANBIMA estão abertas
Reconhecimento e bolsa: conheça as vantagens de concorrer ao Prêmio ANBIMA
Prestígio acadêmico, reconhecimento pelo mercado e incentivo financeiro para conclusão da tese: em sua 17ª edição, o Prêmio ANBIMA vai premiar com uma bolsa de R$ 17 mil cada projeto de dissertação de mestrado escolhido e de R$ 34 mil para o melhor projeto de tese de doutorado. “Quando ganha o prêmio, recebe um selo da ANBIMA e da Casa das Garças que está dizendo que aquele aluno ou aluna, naquele ano, entre diversos outros concorrentes, se sobressaiu. É um enorme reconhecimento e tem ainda a parte financeira que é muito importante para dar tranquilidade em um momento crucial”, destaca o nosso diretor Luiz Chrysostomo, presidente da banca julgadora e um dos idealizadores do prêmio.

Para o economista Edmar Bacha, que também esteve envolvido na criação do prêmio, a bolsa é um respaldo essencial para o mestrando e doutorando, principalmente, em um período no qual há incertezas em relação ao suporte dado por Capes e CNPq.
“O prêmio dá ao aluno a perspectiva de ser financiado por mais um ano. Outra vantagem é o reconhecimento: colocar no currículo que ganhou o Prêmio ANBIMA faz muita diferença, ainda mais para quem está começando a vida profissional. Para professores e orientadores, ter a tese premiada também significa ser reconhecido na vida acadêmica”, diz.
Desde a sua criação, a premiação vem cumprindo seu objetivo inicial de fomentar a cultura e a pesquisa sobre o mercado de capitais brasileiro nas universidades e centros de pesquisa do País. Os projetos de dissertação são analisados por uma comissão julgadora indicada pelo Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças (IEPE/CdG).
A atual banca é presidida por Luiz Chrysostomo e tem como membros Edmar Bacha, Armando Castelar, Nelson Eizirik e Jose Carlos Carvalho. De acordo com Chrysostomo, todos os membros recebem os projetos de teses e é realizada uma reunião para debates. “Cada um tem tempo de ler e fazer comentários, Na primeira reunião, que, normalmente, leva um dia inteiro, cada um aponta a visão sobre as teses e fala sobre as que acreditam que terão maior contribuição para o mercado”, explica.
+ Inscreva-se no Prêmio ANBIMA
As inscrições começaram no dia 3 de maio e seguem até 29 de outubro de 2021. Para participar, o candidato deve estar matriculado em uma instituição com programa de mestrado ou doutorado dos cursos de Economia, Administração de Empresas ou Direito, reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC) e atender às demais condições previstas no regulamento.
Entre os requisitos, é necessário preencher a ficha de inscrição online; anexar à ficha de inscrição documentos como histórico escolar atualizado e carta de recomendação do orientador acadêmico da dissertação ou tese. Como o Prêmio ANBIMA contempla projetos de dissertação — e não a tese defendida —, o candidato deve apresentar um resumo do trabalho com um máximo de dez páginas, incluindo referências bibliográficas, tabelas, ilustrações e anexos, além do cronograma trimestral das etapas a serem percorridas até a conclusão da dissertação ou tese.
Fonte: ANBIMA, em 20.05.2021