Resultado da indústria mais uma vez foi puxado pela categoria de renda fixa, com R$ 52,4 bilhões
Os fundos de investimento tiveram entradas líquidas de R$ 52,9 bilhões na semana de 10 a 14 de março, segundo dados da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). No mês, a captação líquida está positiva em R$ 56,1 bilhões.
Mais uma vez a renda fixa foi o carro-chefe desse movimento, com aportes líquidos de R$ 52,4 bilhões na semana. Também tiveram resultados positivos em captação as categorias de FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), com R$ 4 bilhões, e FIPs (Fundos de Investimento em Participações), com R$ 169,5 milhões. Mas, nesses dois casos, as entradas líquidas foram influenciadas por aportes em fundos únicos — de R$ 3,7 bilhões no caso de FIDCs e de R$ 105 milhões no de FIPs.
Na semana, as saídas líquidas mais expressivas foram registradas nos fundos de ações (R$ 1,7 bilhão) e nos multimercados (R$ 1 bilhão). Também fecharam o período com resgates líquidos fundos de previdência, com R$ 548,1 milhões, e ETFs, com R$ 273,7 milhões.
Considerando apenas os fundos de renda fixa, os maiores aportes líquidos ficaram com Renda Fixa Duração Baixa Soberano (investimentos de mais curto prazo em títulos públicos), com R$ 21,3 bilhões, e Renda Fixa Duração Livre Grau de Investimento (investimentos sem compromisso de prazo em títulos públicos e ativos privados com baixo risco de crédito). Entre os fundos de ações, as saídas mais volumosas foram do tipo Ações Livre (R$ 1,2 bilhão) e, no caso dos multimercados, Multimercados Macro (R$ 1,1 bilhão).
Temas relacionados a fundos de crédito privado lideram atividades de supervisão em 2024
Iniciativas de inovação e inteligência de dados apoiaram ações da área
As atividades de supervisão avançaram especialmente nos temas que envolvem crédito privado. Esse trabalho vem sendo aprimorada com o uso de tecnologia para garantir maior agilidade e segurança às instituições que seguem nossos códigos de boas práticas. “Ao longo do ano de 2024 foram desenvolvidas novas ferramentas de inteligência de dados para monitorar e avaliar os fundos que investem nesses títulos, melhorando a governança dos processos e facilitando a supervisão desse produto”, observa Guilherme Benaderet, nosso superintendente de Supervisão de Mercados.
+ Confira o boletim com as principais atividades de supervisão em 2024
Nos fundos financeiros o destaque foi para a atuação em temas relacionados ao controle de liquidez, enquadramento e precificação, que são exigidos dos administradores e gestores que alocam nessa modalidade de ativo. Já em relação aos fundos estruturados, o foco ficou nos FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), com destaque para a supervisão de processos que envolvem o controle da PDD (Provisão de Perdas dos Direitos Creditórios) realizada pelos administradores e na análise de crédito esperada dos gestores.
A ANBIMA também intensificou seus esforços na supervisão de temas relacionados com a Resolução CVM 175, o chamado marco regulatório dos fundos de investimento. “No último ano, tivemos um trabalho preventivo mais intensivo, principalmente por conta da adaptação dos fundos às novas regras”, acrescenta Benaderet.

* As cartas de orientação foram substituídas por cartas de prevenção e cartas de alerta
Ainda no universo de fundos, entre as iniciativas para levar às instituições orientações para o cumprimento das nossas regras, promovemos no primeiro semestre a live “No Radar da Supervisão de Fundos” , que, até o momento, registra mais de 3 mil visualizações no YouTube. Na conversa, abordamos o que se espera das instituições em assuntos como liquidez, enquadramento, publicidade, ESG, certificação, cadastro e precificação dos fundos, entre outros temas.
Inovação
Com uma média de 3 mil acessos por mês, o dashboard com dados das instituições, dentro do SSM (Sistema de Supervisão de Mercados), se consolidou como uma importante ferramenta. A plataforma facilita o acesso às informações sobre protocolos, cartas e multas enviadas às instituições, permitindo uma gestão dinâmica desse processo. “Essa iniciativa visa otimizar o trabalho de supervisão e reduzir o custo de observância para os aderentes à nossa autorregulação”, ressalta o superintendente.
“Acompanhando as inovações trazidas pela tecnologia, continuamos aumentando e implementando iniciativas para a utilização de machine learning e inteligência artificial nas atividades de supervisão. São novidades com potencial para poupar horas de análises diárias e auxiliar nos processos de decisão do time”, explica Guilherme Benaderet.
+ Fale com a Supervisão pelo SSM
Entre os convênios que temos com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o destaque no último ano foi o convênio de análise de ofertas públicas para a obtenção de registro automático, que teve seu rol de produtos passíveis de análise pela ANBIMA ampliado com o FII-Agro e os fundos incentivados de infraestrutura. Em 2024 foram analisadas 15 ofertas pela ANBIMA - o maior número de análises em 7 anos.
Planos para 2025
As atividades de supervisão relacionadas à implementação da Resolução 175 continuarão no radar, principalmente por conta de prazos finais importantes no meio de 2025. A transparência na remuneração também será uma prioridade, abrangendo tanto fundos quanto a distribuição, de acordo com Guilherme Benaderet.
Os FIDCs seguem como ponto de atenção, especialmente agora com o acordo de cooperação para aproveitamento de autorregulação da indústria de fundos assinado no início desse ano de 2025 com a CVM que incluí esse tipo de fundo e que vai possibilitar uma maior sinergia entre as atividades da autorregulação e do regulador.
Na frente do convênio de análise prévia de ofertas públicas, a expectativa em 2025 é que a matriz de ofertas elegíveis possa ser novamente ampliada, dada a demanda para a utilização do convênio pelos participantes para outros valores mobiliários e o feedback positivo sobre a atuação da Associação.
Outro ponto relevante é a continuação do fortalecimento das ações relacionadas ao uso de tecnologia e inteligência artificial no dia a dia da Supervisão não só facilitando a tratativa das informações recebidas do mercado, mas também com o objetivo de agregar valor para as instituições supervisionadas. “Essas iniciativas estão alinhadas com o trabalho da ANBIMA em buscar uma redução do custo de observância para as instituições que seguem voluntariamente nossos códigos de melhores práticas”, acredita nosso superintendente.
+ Acesse aqui o boletim de atividades de supervisão em 2024
Fonte: Anbima, em 20.03.2025.