Diferença entre aportes e resgates atingiu R$ 658,2 milhões no mês
Os Fiagros (Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais) apresentaram em abril a maior captação líquida registrada em 2023. De acordo com dados da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), a diferença entre aportes e resgates atingiu R$ 658,2 milhões.
A captação líquida dos Fiagros começou a se recuperar em março, quando alcançou R$ 376,8 milhões. Nos dois primeiros meses de 2023, havia ficado negativa. No acumulado em 2023, a diferença entre aportes e resgates ultrapassa R$ 1 bilhão.
Em termos de emissões, foram levantados R$ 630,2 milhões em ofertas públicas em abril em dois fundos imobiliários. Em março, o valor atingiu R$ 1,13 bilhão nos dados revisados, envolvendo ofertas de seis fundos, dos quais cinco eram imobiliários.
“Os Fiagros FII, focados em ativos imobiliários, têm se destacado desde o fim de 2022. Em abril, eles também dominaram as ofertas públicas”, afirma Sergio Cutolo, vice-presidente da ANBIMA.
Considerando o volume total registrado pelas ofertas públicas em abril, 98,3% foram dirigidas a pessoas físicas. O restante (1,7%) ficou com investidores institucionais.
Desde agosto de 2021, quando os Fiagros começaram a ser comercializados, o total de emissões ultrapassa R$ 12,3 bilhões.
O patrimônio líquido também apresenta alta. O acumulado em abril chegou a R$ 12,6 bilhões.
+ Confira as estatísticas sobre Fiagros
Especial Web Summit Rio: evento mira na jornada futura do consumidor financeiro
Debates trouxeram para a mesa elementos importantes como inclusão financeira, acesso a serviços, regulação, novas tecnologias, neobancos e fintechs
A jornada do consumidor é fator-chave para o desenvolvimento e sucesso dos negócios, especialmente na área financeira. Permitir maior inclusão e que todos tenham acesso a serviços financeiros de forma conveniente e integrada em experiências cotidianas deixou de ser tendência para se tornar a mola mestra de bancos, neobancos e fintechs. Com uma regulação favorável, o único impedimento é a própria capacidade no desenvolvimento das melhores soluções que permitam conquistar e fidelizar clientes. Pelo menos foi esse o entendimento geral da trilha de finanças do Web Summit Rio, que aconteceu de 1º a 4 de maio no Rio de Janeiro.
Acompanhamos o evento como uma das iniciativas da agenda estruturante do ANBIMA em Ação, conjunto de prioridades que elegemos para o biênio 2023/2024.
Embedded finance, pagamentos instantâneos (com ou sem o Pix), BaaS (banking as a service) são todos conceitos suficientemente amplos para acolher soluções inovadoras capazes de mudar a forma como as pessoas desempenham atividades financeirashoje, oferecendo maior conveniência e melhores experiências.
Serviços financeiros everywhere
“O banco do futuro? É o banco que vai estar onde o cliente precisar”, afirmou Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, no palco do Web Summit Rio. “Entendendo os diversos comportamentos, entendendo as diversas necessidades dos clientes. Temos trabalhado muito forte nesse sentido. Tenho tratado disso em todo lugar. É um mantra: entregar um banco para cada cliente. Hiper personalizar o relacionamento”, completou.
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, foi na mesma toada. Na opinião dele, já não é possível seguir com um modelo de negócios em que a empresa ofereça um tipo de produto ou serviço para todos os clientes sem levar em conta as diferenças entre os consumidores. “O banco do futuro vai ser do tamanho que o cliente quiser”, disse ele.
+ Cripto em 2023: o ano da regulação e da recompensa
Inclusive, incorporado a outros produtos e serviços digitais, opina Marcelo Jaques, diretor de estratégia da Doca, para quem embedded finance “é muito mais sobre a experiência do usuário do que sobre o produto financeiro real associado a essa experiência”. Portanto, a nova fronteira no aprimoramento do relacionamento entre clientes e serviços financeiros. Um jogo no qual todos ganham – clientes, provedores de serviços financeiros, provedores de infraestrutura e software e, no fim, toda a sociedade – com o aumento da produção econômica que vem da inclusão financeira.
“Estamos falando de acesso, pessoas, conexões”, explica Wagner Ruiz, cofundador e CFO da Ebanx, em referência à tríade de sustentação dos serviços financeiros, principalmente quando se olha para o segmento de pagamentos. “O futuro dos métodos de pagamento é serem alternativos e instantâneos”, diz Ruiz.
Alternativos, porque deixarão de trabalhar com suportes e sistemas tradicionais. Há um enorme potencial para os pagamentos instantâneos na América Latina, já que 54% da população da região não usa meios de pagamentos digitais ou serviços bancários e 70% das transações ainda são feitas com dinheiro – o Brasil é exceção nesse cenário.
ANBIMA no Web Summit: toda empresa será uma fintech?
Especial Web Summit Rio: Cripto em 2023: o ano da regulação e da recompensa
Confira o que foi falado sobre o mundo cripto em um dos maiores eventos de inovação do mundo
Desacelerações do mercado são um momento para reconstrução e reavaliação. É o que vem acontecendo com o mundo cripto hoje. Há muito pragmatismo na fala de referências do setor, como Kathleen Breitman, cofundadora da plataforma blockchain open source Tezos; Sandra Ro, CEO do Global Blockchain Business Council; e Daniel Vogel, cofundador e CEO da Bitso, entre muitas outras personalidades que participaram do Web Summit Rio, de 1º a 4 de maio, no Rio de Janeiro.
Acompanhamos o evento como uma das iniciativas da agenda estruturante do ANBIMA em Ação, conjunto de prioridades que elegemos para o biênio 2023/2024.
Resumindo o sentimento coletivo do evento, podemos dizer que a maioria enxerga os esforços de regulação ajudando a impulsionar produtos extremamente bem projetados e tecnicamente especificados, e a estabelecer a confiança que o mercado cripto tanto precisa, principalmente depois dos escândalos que atormentaram a indústria, como da FTX e do Terra Luna. É hora de pôr os pés no chão, abandonar o tom exagerado característico do mundo cripto e trabalhar para que o sistema financeiro baseado em blockchain possa ser mais acessível e privado que o sistema bancário tradicional.
+ O que o Web Summit Rio trouxe sobre o mundo das finanças
“Há pessoas que querem fazer esse mercado funcionar de forma honesta”, pontua Kathleen Breitman. E há indicadores positivos no setor, na visão de Daniel Vogel. Por exemplo, ao longo do “verão cripto”, em 2021, muitos profissionais foram atraídos para o mercado, e a permanência desses talentos no setor — mesmo depois da queda nos preços — sinaliza uma possível retomada. “Gostamos de rastrear a quantidade de desenvolvedores, profissionais que estão construindo códigos para blockchain, exchanges e projetos DeFi. O que os gráficos mostram é que, embora muita gente tenha desistido, muitos também ficaram”, diz. E 2023 tem tudo para ser o ano da recompensa.
Algumas regulações têm ajudado. “Depois que o México atualizou algumas de suas regras, o volume de dinheiro transacionado pela nossa plataforma aumentou de forma significativa. Em 2021, foram US$ 1,1 bilhão. Em 2022, US$ 3,3 bilhões”, disse o executivo da Bitso, lembrando que a regulação do Brasil, toda feita pelo Banco Central, tem sido apontada por muitos players como referência no desenvolvimento de iniciativas inovadoras no segmento financeiro. “Vemos o Brasil desempenhando um papel de liderança incrível aqui”, afirmou.
+ Web Summit Rio mira na jornada futura do consumidor financeiro
Esta também é a opinião de Sandra Ro, em um debate específico sobre o processo de regulamentação das operações relacionadas a criptomoedas e provedores de serviços de ativos virtuais no Brasil, em revisão pelo atual governo. “O que está acontecendo no Brasil é único”, disse ela. “Ter o regulador e os participantes do ecossistema trabalhando na regulação, buscando soluções inovadoras, é algo novo e muito poderoso”.
O papel da CVM na regulamentação do marco legal dos criptoativos também foi elogiado por Marcelo Sampaio, cofundador e CEO da Hashdex. Principalmente por ter focado mais no incremento da governança. Mas ainda é cedo para saber se conseguiremos evitar uma fraude como a da FTX por aqui. Por ora, há apenas a convicção de que a atuação dos reguladores aqui vem criando um ambiente favorável para tornar o Brasil um cripto hub mundial, conectado a outros países ao redor do mundo. “E já estamos vendo isso”, disse Sandra Ro.
ANBIMA no Web Summit: perspectivas para o mundo cripto
Outros destaques de cripto do Web Summit Rio:
- A BRZ (Brazilian Digital Token), stablecoin pareada ao real e emitida pela Transfero, assumirá um papel importante de integração de iniciativas DeFi com o Real Digital, na opinião do CEO da empresa, Thiago César, durante sua palestra sobre adoção de criptomoedas na América Latina. Na opinião dele, a discussão stablecoins versus CBDCs não faz muito sentido. A CBDC precisará de uma stablecoin, a ponte entre finanças descentralizadas e a moeda digital emitida pelo Banco Central. “CDBCs servem a muitos propósitos, mas são controlados pelos bancos e Banco Central. Eles não estarão no DeFi, porque não tem interoperabilidade. Tem que ter uma stablecoin privada para fazer esse gateway”, explicou.
- Praticamente um ano depois de anunciar sua chegada ao Brasil, a fintech britânica Revolut lançou operação por aqui. Os primeiros produtos são câmbio e remessas internacionais em 27 moedas, mas a empresa está em busca de licenças do Banco Central para oferta de serviços como conta corrente e empréstimos.
- Brittany Kaiser (sim, a moça do documentário Privacidade hackeada, sobre o escândalo da Cambridge Analytics), fundadora da Own Your Data, apresentou ao público do Web Summit Rio sua visão do blockchain como arma contra a desinformação e a favor da proteção de dados, suas estruturas de permissão e mecanismos de consentimento. Ela também comentou como tudo isso se relaciona com uma indústria cripto mais verde e sua atuação como presidente do Conselho de Administração da Griffin Digital Mining, apoiadora da iniciativa Sustainable Bitcoin Standard (que busca encontrar investidores para tornar o Bitcoin uma iniciativa sustentável para o clima). “Temos trabalhado nos últimos dois anos e meio na criação de um certificado padrão para que os mineradores de Bitcoin possam provar que somos sustentáveis”, explica.
Conheça o ANBIMA em Ação
ANBIMA em Ação é o conjunto das principais iniciativas da Associação para este e o próximo ano. Esse planejamento estratégico foi elaborado a partir de uma ampla consulta aos nossos associados, instituições parceiras, reguladores e lideranças da ANBIMA e resultou em três grandes agendas de trabalho: Agenda de Desenvolvimento de Mercado, Agenda de Serviços e Agenda Estruturante. Confira cada uma aqui.
Especial Web Summit Rio: o que o evento trouxe sobre o mundo das finanças
Enquanto inteligência artificial rouba a pauta, fica a aposta se embedded finance é o futuro
A primeira edição do festival de inovação Web Summit Rio, realizada no Rio de Janeiro de 1º a 4 de maio, reuniu 21.367 mil visitantes de 91 países, incluindo representantes de 974 startups de 28 segmentos econômicos. O setor financeiro marcou presença com trilhas específicas sobre cripto e finanças. Também estivemos por lá, como uma das iniciativas da agenda estruturante do ANBIMA em Ação, conjunto de prioridades que elegemos para o biênio 2023/2024, e contamos tudo abaixo tudo que foi destaque nesses temas.

A inteligência artificial sequestrou a pauta
Três assuntos foram recorrentes no tema finanças: a consolidação e crescimento do modelo embedded finance; tokenização, incluindo negócios blockchain, Web3, CBDCs (moeda digital do banco central), stablecoins (criptoativo lastreado em outro ativo ou commodity) e Real Digital; e o impacto das altas taxas de juros para a saúde financeira das fintechs. Todos debatidos nos palcos secundários, estandes de patrocinadores e conversas entre players nos corredores do Rio Centro.
Muito se ouviu sobre a necessidade de educação financeira, casos de uso que gerem adesão e confiança para o Real Digital e casos de infraestrutura. Não dá mais para encarar DLT, Blockchain, Web3, DeFi, entre tantos outros temas, com visão acadêmica, esperando que um dia realmente aconteçam. O conceito do blockchain com projetos Web3, se utilizando também de ativos digitais, é poderoso. Mas as pessoas só vão se convencer disso a partir da materialização de casos de uso.
ANBIMA no Web Summit: um olhar sobre inteligência artificial, tokenização e sustentabilidade
IA na pauta
Um quarto tema, no entanto, sequestrou a conversa no evento: a IA (inteligência artificial). Algo importante, que vai gerar muita ruptura também no mercado financeiro, para além das aplicações para detecção de fraudes, aprovações de empréstimos, monitoramento de riscos e previsões de investimentos. “O que estamos vendo é uma explosão de avanços reais no campo da IA”, disse Ben Goertzel, fundador e CEO da SingularityNET, ao falar sobre o ChatGPT e similares.
A responsabilização no desenvolvimento da IA e no uso dos dados pessoais dos clientes trouxe o lado crítico da tecnologia para os debates. Questões sobre viés algoritmo e privacidade permearam as conversas no palco, das apresentações de Meredith Whitakker, presidente da Signal, e de Chelsea Manning, especialista em segurança, conhecida pelo vazamento de documentos confidenciais dos Estados Unidos no Wikileaks, até as conversas com Ayọ Tometi, cofundadora do movimento Black Lives Matter, e Brittany Kaiser, fundadora da Own Your Data e ex-diretora da Cambridge Analitica. “Não somos a primeira geração a brigar por questões básicas, mas espero que estejamos entre as últimas”, disse Tometi em coletiva de imprensa realizada no evento.
ANBIMA no Web Summit: regular a IA é evolução ou retrocesso?
Entre os efeitos colaterais dessa explosão de IA, apareceu também o termo AI-washing, que começa pelo uso “marketeiro” da tecnologia para atrair atenção. Marcas não devem usar inteligência artificial na construção do branding ou na descrição de produtos e negócios se não “puderem comparecer” respondendo como, por quê e para quê ela é aplicada e qual resultado gera para o negócio.
Embora a maioria das instituições acredite que IA e machine learning (aprendizado de máquina) possam melhorar a maneira como fazem negócios, dando a elas uma vantagem competitiva, gerir grande volume de dados em si é um desafio complexo. Para que qualquer solução de IA funcione de forma eficaz, as instituições devem ter todos os seus dados em pipelines e silos ordenados, permitindo que o machine learning preveja e preveja mercados com precisão de acordo com objetivos de negócios específicos.
O processamento de linguagem natural e os chatbots também estão se tornando mais comuns no setor de serviços financeiros como forma de melhorar o atendimento ao cliente e automatizar tarefas repetitivas. Mas o uso da IA generativa – e, especificamente, do ChatGPT – requer cautela, principalmente por conta do risco de violações de dados. Existem muitas dúvidas dos limites de uso, de como os algoritmos são criados e como irão se comportar quando parte relevante do conteúdo usado para treiná-los for gerado pela própria IA.
ANBIMA no Web Summit: quatro aspectos para analisar em inteligência artificial
É importante que as instituições financeiras garantam a implementação de protocolos robustos de segurança de dados, concordaram Trisha Kothari, cofundadora e CEO da empresa de software norte-americana Unit21, e Pedro Bramont, CDO (Chief Digital Officer) do Banco do Brasil. A mediação foi da repórter Lucinda Shen, do site Axios, durante o painel “How will AI impact fintech”.
Na opinião de Fabiano Cruz, a sociedade segue em direção ao que ele chama de “digital AI cash”, em que big data e IA serão fundamentais para ditar o movimento do dinheiro global. Os consumidores poderão fazer pagamentos instantâneos dos dispositivos móveis e outros gadgets, sem a necessidade de dinheiro físico ou cartões de crédito, por exemplo. “Os sistemas baseados em IA também poderão orientar nossas decisões de compra, reabastecer nossas prateleiras e responder a perguntas financeiras que tivemos na última década”, disse ele, considerando um futuro não mundo distante.
Perspectivas do embedded finance
Nesse momento, 70% da população da América Latina ainda permanece fora do sistema bancário e as fintechs continuam sendo apontadas como solução para a ampliação da inclusão financeira, mudando a forma como os serviços bancários são oferecidos. O modelo de embedded finance (quando serviços financeiros são incorporados em áreas sem conexão direta com o universo financeiro) pode se tornar a próxima fronteira no aprimoramento do relacionamento entre clientes e instituições financeiras. Por quê?

Porque “é muito mais sobre a experiência do usuário do que sobre o produto financeiro real associado a essa experiência”, explica Marcelo Jaques, diretor de estratégia da Dock. Embedded dinance vai além dos clientes, envolvendo todos os stakeholders conectados ao ecossistema do qual a empresa faz parte, diz ele.
O modelo é sobre tornar a jornada do cliente mais fluída e eficiente. Como? Por meio da oferta de soluções financeiras cada vez mais complexas, que vão além dos pagamentos, incluindo seguros, crédito, consórcio e, mais adiante, até investimentos. O que ficou muito claro nas conversas, nos palcos e nos corredores do Web Summit Rio.
“Nos últimos anos, o mercado de serviços financeiros passou por uma onda de plataformização, por assim dizer, com grandes serviços financeiros atrelados a outros modelos de negócio, como o das empresas varejistas que possuem uma grande base de clientes. Isso permitiu que tivéssemos melhor experiência na última milha, com redução atrito onde antes existia muita fricção, com modelos de receita que escalam rápido. Mas veio o open finance, as APIs abertas e novos modelos começaram a surgir. E entramos na era da hiper personalização”, comentou Thiago Rolli, sócio da KPMG.
De fato, se antes o contexto era o do trabalho com cluster de clientes, agora o contexto para a prestação do serviço passa a ser o da individualização do cliente, em diferentes situações e modalidades de negócios. E aí a tendência é escalar para investimento e outros produtos que estão na jornada, como tokenização e cripto. E que abarcam componentes que ainda não foram endereçados, como liability e educação financeira dos clientes.
Acrônimos como BaaS (Banking as a Service) e CaaS (Credit as a Service) são exemplos de modelos de negócios que permitem a experimentação e validação de teses pelas empresas de origem não financeira. E que escalam o modelo embedded Finance fambém para o mundo B2B.
ANBIMA no Web Summit: toda empresa será uma fintech?
A premissa e o contexto que formam a base dessa oportunidade são o desenvolvimento de plataformas e a exposição dos serviços de maneira intuitiva, em que os aplicativos e o ecossistema de serviços são potencializados em uma experiência inovadora integrada às ofertas originais da empresa.
“O modelo de finanças embarcadas tem potencial para gerar diversos casos de uso, possibilitando que empresas não financeiras desenvolvam novos modelos de negócios na oferta de serviços financeiros, como CaaS e BaaS, facilitados pela utilização de APIs e de infraestruturas reduzidas com o apoio de prestadores de serviços de tecnologia”, começou Rolli.
Por tudo isso, embedded finance representa um mercado global potencial estimado em US$ 7,2 trilhões até 2030, conforme relatório produzido pela Mambu, em parceria com a AWS. Só no Brasil estamos falando em geração de receitas adicionais de cerca de R$ 24 bilhões até 2026 para os setores de varejo, bens de consumo e outros serviços que, juntos, movimentam mais de 35% do PIB brasileiro, conforme estudo divulgado no fim de 2022 pela consultoria Deloitte.
Outros destaques no Web Summit Rio
- Binge watching de inovação: praticamente toda a programação do palco principal foi transmitida pela internet, ao vivo, e continua disponível em quatro vídeos no YouTube. Parte das palestras paralelas no estande da B3 também.
- Identidade digital: o Brasil desperdiça, no mínimo, R$104,4 bilhões por ano pela falta de métodos digitais de identificação. Esse valor pode chegar a R$174,2 bilhões (2% do PIB), disse Diego Martins, CEO e fundador da Unico, no painel “Além da tecnologia biométrica”. Na matemática da Único, cada brasileiro gasta até R$830 por ano para se identificar, ter acesso a produtos e serviços e poder exercer a própria cidadania. “No futuro, acreditamos que uma ID global permitirá que as pessoas comprem, adquiram serviços e acessem locais a partir da biometria facial”.
- Shopstreaming: “A compra ao vivo é a maneira mais humanizada de comprar e vender online”, afirmou Monique Lima, cofundadora e CEO da plataforma de shopstreaming Mimo. “Oferece interação com a marca em tempo real, mais confiança no processo de compra e oportunidade para demonstrar produtos”.
- Produtividade movida a IA: imagine 10 dias de trabalho em um único dia, 10 horas de trabalho em uma única hora e 10 minutos de trabalho em um único comando de prompt. Este é o futuro da programação, segundo o CEO do GitHub, Thomas Dohmke, que provou a tese ao criar um game durante palestra de 20 minutos no palco principal do evento. A aposta é que, em média, 46% do código de qualquer aplicação pode ser escrito pelo novo assistente de IA habilitado para GPT-4 do GitHub, o Copilot X.
- Cripto: “As criptomoedas geralmente prosperam em jurisdições onde existem problemas que precisam ser resolvidos”, disse Thiago Cesar, CEO da Transfero. “A América do Sul tem isso.” E o Brasil parece preparado para assumir algum protagonismo. “Em termos de gestão de riscos, o Brasil é um dos sistemas financeiros mais fortes do planeta”, disse Marcelo Sampaio, cofundador e CEO da Hashdex. “Da forma como estamos estruturados, é muito improvável que algo como o FTX tivesse acontecido [se fosse no Brasil].” Será.
- Inclusão: “Se quisermos fazer diferença, precisamos trabalhar não só com diversidade, mas também com inclusão. Temos que oportunizar espaços para mulheres poderem aplicar seus talentos”, disse o CEO da Vibra, Ernesto Pousada, em uma masterclass ao lado de Tânia Cosentino, CEO da Microsoft Brasil. Pousada prometeu destinar uma parte dos R$ 150 milhões do CVC Vibra Ventures para investir em startups fundadas por mulheres, em áreas como transição energética, mobilidade, obs o encia, obs o e meios de pagamento.
- A explosão dos trabalhos de IA: ela tira, mas ela também dá. Segundo a Deel, unicórnio de RH para trabalho global que estava no Web Summit, posições ligadas à IA, como engenheiro, designer, gerente e analista cresceram 461% entre janeiro e dezembro de 2022. O número de empresas contratando também cresceu no período, em 300%.
- Crise do bem? Um dos principais painéis do Web Summit Rio discutiu a crise bancária nos Estados Unidos e possíveis desdobramentos no cenário internacional. A conversa não foi no palco principal, e juntou Juca Andrade, Chief Product Officer da B3, e Don Muir, CEO da Arc. "A tecnologia é a salvadora do ecossistema bancário", disse Muir. Para ambos, o sistema bancário global não entrará em colapso, mas definitivamente veremos quem está nadando nu, com problemas no gerenciamento de exposição a riscos.
Para terminar: outros olhares no evento
- Web Summit veio ao Rio e não foi à toa: a América Latina tem muito potencial em tecnologia aberta, mas ainda explora pouco ferramentas de IA, sobretudo no mercado financeiro.
- O mundo cripto vive um sobe-e-desce de escândalos e colapsos, mas ainda prevalece a crença de que a blockchain pode ser mais acessível que o sistema bancário tradicional.
Conheça o ANBIMA em Ação
ANBIMA em Ação é o conjunto das principais iniciativas da Associação para este e o próximo ano. Esse planejamento estratégico foi elaborado a partir de uma ampla consulta aos nossos associados, instituições parceiras, reguladores e lideranças da ANBIMA e resultou em três grandes agendas de trabalho: Agenda de Desenvolvimento de Mercado, Agenda de Serviços e Agenda Estruturante. Confira cada uma aqui.
ANBIMA participa de consulta sobre regras de padronização de divulgação de informações sobre sustentabilidade
Recebemos o ISSB, principal órgão internacional ligado ao tema, para conversar com nossos associados sobre questões do mercado brasileiro e próximos passos
Participamos de uma reunião com o ISSB (Conselho Internacional de Padrões de Sustentabilidade, na sigla em inglês) na última quinta-feira, dia 11 de maio, sobre uma consulta pública que a entidade está organizando a respeito da padronização de divulgação de informações sobre sustentabilidade de maneira geral e especificamente sobre clima. As diretrizes deverão ser seguidas por empresas emissoras de títulos do mercado de capitais em todo o mundo. Participaram do encontro representantes de 13 instituições associadas, Verity Chegar e Arturo Rodriguez, do ISSB, e Tadeu Cendon, do IFRS.
Na reunião, expusemos questões e desafios do mercado brasileiro em relação à padronização. Também conhecemos em mais detalhes as atividades da entidade e falamos sobre a nossa resposta à consulta pública internacional feita pelo conselho no ano passado sobre publicação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e ao clima.
+ Confira nossa resposta, em inglês, à consulta pública do ISSB em 2022
Próximos passos
Os padrões formulados pelo ISSB serão divulgados em junho deste ano e passarão a valer a partir de 2024. No Brasil, a CVM dispõe que, no Formulário de Referência, as empresas tragam informações sobre sustentabilidade, com base em uma abordagem chamada de “pratique ou explique”. Ou seja, as empresas devem falar quais foram as divulgações de sustentabilidade feitas com base nas recomendações da TCFD (Força-Tarefa de Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima, na sigla em inglês) ou de outros organismos internacionais, ou então explicar por que não o fizeram.
Os representantes do organismo explicaram que as diretrizes em elaboração devem abarcar outras padronizações preexistentes e também devem estar em linha com as regras europeias para esse tema atualmente em vigor. Também contaram que estão buscando integrar esses padrões aos que já existem para a divulgação de demonstrações financeiras por meio de um projeto conjunto entre a IFRS (Padrões Internacionais para Relatórios Financeiros) e SASB (Conselho de Padrões Contábeis de Sustentabilidade).
Entre os próximos passos da entidade, estão a busca de que a Iosco (Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários) aprove e recomende os padrões de divulgação em desenvolvimento, consolidando-os como a recomendação oficial para reguladores de valores mobiliários em diversos países.
Entenda o que é o ISSB
O ISSB é um organismo internacional criado na COP 26 (edição de 2021 da principal conferência mundial sobre as mudanças do clima) para desenvolver padrões internacionais para a divulgação de informações sobre sustentabilidade por empresas. A padronização é importante para estabelecer definições comuns, conteúdos e métricas comparáveis e consensuais guiando empresas emissoras em publicações sobre sustentabilidade e auxiliando reguladores na criação de normas com base em referências comuns em diferentes países.
Como a ANBIMA acompanha o tema
Um dos organismos que apoiou a criação do ISSB foi a Iosco, que tem na pauta de finanças sustentáveis uma de suas prioridades. Como somos integrantes do AMCC (Comitê de Membros Afiliados da Iosco) e, mais especificamente, do grupo de trabalho de sustentabilidade do comitê (que apoia e contribui para as ações da Força Tarefa de Sustentabilidade da Iosco), acompanhamos o debate em torno da padronização e participaremos da próxima conferência da Iosco em que essa iniciativa deve ser analisada, com objetivo de trocar ideias sobre o avanço dessa pauta internacionalmente, antecipar os impactos dela e assegurar a representatividade do mercado local nos debates.
+ Confira o plano de trabalho da Iosco para o biênio 2023/2024
Fonte: Anbima, em 17.05.2023.