Prefixados de curto prazo lideram retorno entre os índices de renda fixa pelo terceiro mês consecutivo
Com incertezas no cenário, ganhos se concentraram nos ativos de menor duration, enquanto os títulos longos avançaram de forma moderada
As carteiras de renda fixa de menor prazo voltaram a se destacar em julho, conforme mostram os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). O IMA (Índice de Mercado Anbima), que consolida o desempenho dos títulos públicos marcados a mercado, encerrou o mês com alta de 1,07% e acumula 6,97% no ano. O resultado, no entanto, foi puxado pelos papéis de menor duration: o IRF-M 1, composto por prefixados com vencimento de até um ano, registrou alta de 1,26%, seguido de perto pelo IMA-S, que reflete a carteira de LFTs marcadas a mercado, com avanço de 1,23%. No acumulado do ano, os dois indicadores também lideram, com altas de 7,97% e 8,26%, respectivamente.
"Pelo terceiro mês seguido, o investidor tem preferido posições mais defensivas, concentrando a demanda nos papéis de menor prazo. Esse movimento reflete a combinação entre as dúvidas sobre o resultado fiscal em um ano eleitoral e as incertezas no cenário externo, sobretudo com o desenrolar da Guerra no Golfo Pérsico e seus efeitos na economia mundial", afirma Marcelo Cidade, nosso economista.
Na outra ponta, os subíndices de maior duration registraram avanços mais moderados. O IMA-B 5+, composto por NTN-Bs com vencimento acima de cinco anos, rendeu 0,75% no mês e acumula alta de 2,98% no ano, o menor retorno entre os subíndices do IMA em 2026. Já o IRF-M 1+, que reúne os prefixados com vencimento acima de um ano, teve ganho de 0,70% em julho, com rentabilidade acumulada de 5,20% em 2026.
Debêntures
Nos índices que refletem os títulos corporativos, o principal destaque do mês foi o IDA IPCA Ex-Infraestrutura, que replica a carteira de debêntures corporativas. O indicador registrou a maior alta do período: 1,47%, acumulando 7,01% no ano. Já o IDA-DI, composto por debêntures atreladas à taxa DI, subiu 1,43% no mês e lidera o desempenho acumulado do segmento de títulos privados, com 8,62% em 2026. O IDA IPCA Infraestrutura, que mede a performance da carteira das debêntures isentas, teve ganho de 1,02% no mês e mantém variação de 2,46% no ano. No consolidado, o IDA-Geral (Índice de Debêntures Anbima), que reflete o desempenho médio das debêntures marcadas a mercado, avançou 1,23% em julho e acumula 5,69% em 2026.
Estudo ressalta papel da autorregulação e da Anbima no desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro
Modelo brasileiro reúne características únicas no cenário internacional e contribuiu para a estabilidade, integridade e desenvolvimento do mercado

Os mercados financeiro e de capitais brasileiro têm uma particularidade quando comparados às principais economias do mundo: um modelo de autorregulação que combina elaboração de regras, supervisão e enforcement, aliado à cooperação técnica com os reguladores, que contribui para a adoção de elevados padrões de conduta e para o fortalecimento da confiança no mercado.
A conclusão é do estudo Anbima: Pillar of Brazil's Financial Markets, elaborado pelos pesquisadores Mariana Pargendler, professora da Harvard Law School, e Kevin Davis, da New York University School of Law (NYU). O relatório analisa como diferentes mecanismos de coordenação entre participantes contribuíram para a evolução dos mercados financeiro e de capitais brasileiros. Segundo os autores, a experiência do Brasil demonstra como mecanismos de coordenação privada podem complementar a atuação estatal e contribuir para o desenvolvimento de mercados sofisticados, oferecendo aprendizados que podem inspirar outras jurisdições.
“Neste cenário, a Anbima desempenha um papel de coordenação institucional em um mercado caracterizado pela diversidade de participantes, interesses e modelos de negócio. Como articuladora, sua atuação contribui para reduzir assimetrias de informação, disseminar boas práticas e construir consensos em torno de padrões que favorecem a integridade e a eficiência dos mercados financeiro e de capitais”, afirma Pargendler, que apresentou o estudo em primeira mão a uma plateia de associados da Anbima na manhã dessa quinta-feira (13).
O diagnóstico foi elaborado de forma independente pelos pesquisadores com base em entrevistas com reguladores, acadêmicos e participantes do mercado brasileiro, além da análise de informações públicas. A trajetória da associação é utilizada como estudo de caso para referenciar o desenvolvimento do mercado brasileiro. “A Anbima desempenha um papel de coordenação institucional em um mercado caracterizado pela diversidade de participantes, interesses e modelos de negócio. A experiência brasileira demonstra como mecanismos de coordenação privada podem complementar a atuação estatal e contribuir para o desenvolvimento de mercados sofisticados, oferecendo aprendizados que podem inspirar outras jurisdições”, afirma a pesquisadora.
“O resultado é um reconhecimento importante do trabalho da associação. Ele nos dá a dimensão da relevância da Anbima para o mercado, ao mesmo tempo que traz reflexões valiosas sobre os desafios que temos pela frente. O mercado evolui rapidamente, as expectativas da sociedade mudam, os reguladores se transformam e novas demandas surgem. Assim, é fundamental olharmos para frente para mantermos a relevância que temos hoje”, afirma José Carlos Doherty, diretor-executivo da Anbima.
SOBRE O ESTUDO
Anbima: Pillar of Brazil's Financial Markets foi elaborado de forma independente por Mariana Pargendler, professora da Harvard Law School, e Kevin Davis, professor da New York University School of Law (NYU). A pesquisa examina a trajetória da Anbima e seu papel no desenvolvimento do mercado financeiro e de capitais brasileiro.
O estudo completo pode ser acessado neste link.
Uma versão resumida em português também pode ser acessada aqui.
Rio Innovation Week: implementação, escala e governança marcam debates sobre o uso da tecnologia no mercado de capitais
No palco Anbima, especialistas discutiram inteligência artificial, tokenização, cibersegurança e qualificação profissional, destacando os desafios da transformação digital no mercado financeiro.
Pelo segundo ano consecutivo, participamos do Rio Innovation Week com um palco exclusivo dedicado aos desafios e oportunidades da inovação no mercado de capitais.
Ao longo da programação, que reuniu especialistas, executivos e representantes do setor, uma mensagem apareceu de forma recorrente: a inovação entra em uma nova fase, marcada pela implementação, pela escalabilidade e pela importância da governança.
Temas como inteligência artificial, tokenização, qualificação profissional e cibersegurança mostraram que o mercado já superou a fase das grandes promessas.
“O que acompanhamos ao longo dos debates foi um mercado cada vez mais preparado para discutir implementação. As conversas estão mais maduras e focadas em temas como escala, integração, governança e desenvolvimento de profissionais capazes de liderar essa transformação”, afirmou Marcelo Billi, nosso superintendente de Inovação, Sustentabilidade e Educação.
Um dos sinais desse amadurecimento apareceu nas discussões sobre inteligência artificial. Durante o evento, apresentamos uma prévia da nossa nova pesquisa de inteligência artificial realizada em parceria com o Datafolha e a MatchIT, que será divulgada na íntegra no próximo mês. O levantamento entre 177 instituições financeiras, mostrou que 92% delas já utilizam IA de alguma forma, enquanto as demais estão se preparando para adotar a tecnologia.
Os debates indicaram que o foco atual do mercado está na integração da IA aos processos das instituições, na geração de ganhos de eficiência e na criação de aplicações com impacto real nos negócios. Ao mesmo tempo, qualidade dos dados, governança e capacitação das equipes apareceram como fatores indispensáveis para que as iniciativas avancem de forma consistente.
A busca por escala também esteve presente nas conversas sobre tokenização. Após os primeiros testes e provas de conceito, o mercado volta suas atenções para desafios como interoperabilidade, integração entre infraestruturas e ampliação de casos de uso. A percepção compartilhada foi que a tecnologia vem ganhando maturidade e que os próximos avanços dependerão cada vez mais da colaboração entre diferentes participantes do ecossistema.
Outro tema recorrente foi o papel das pessoas nessa transformação. Embora novas tecnologias estejam redesenhando processos e modelos de negócio, os debates reforçaram que competências humanas continuam sendo decisivas. Criatividade, colaboração, capacidade de adaptação e aprendizado contínuo apareceram entre as habilidades mais valorizadas para os próximos anos.
A confiança também surgiu como um elemento essencial para sustentar essa evolução tecnológica. As discussões sobre cibersegurança evidenciaram que a digitalização amplia oportunidades, mas também exige atenção permanente aos riscos. Nesse contexto, tecnologia, processos e conscientização precisam avançar juntos para fortalecer a resiliência das instituições diante de ameaças cada vez mais sofisticadas.
Os debates do Palco Anbima apontaram para uma mesma direção. Seja na inteligência artificial, na tokenização, na formação de profissionais ou na segurança digital, a próxima etapa da transformação do mercado financeiro será definida pela capacidade de conectar inovação, governança e pessoas para gerar impacto em escala.
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Conheça o ANBIMA em Ação 2026
O ANBIMA em Ação 2026 é o conjunto das principais iniciativas estratégicas da associação para este ano. Esse planejamento está ancorado em três frentes principais: desenvolvimento de mercados, institucional e transformação. Confira aqui o plano completo.
Fonte: Anbima, em 13.08.2026.