Índices de títulos públicos e debêntures têm os melhores resultados do ano
IMA-Geral e IDA-Geral refletem melhora no mercado secundário em abril
Os índices que acompanham os papéis de renda fixa apresentaram os melhores resultados do ano no mês de abril. As rentabilidades do IMA-Geral, que reflete a trajetória dos títulos públicos federais, e do IDA-Geral, que representa os títulos corporativos, foram de 0,51% e de 0,91%, respectivamente. No resultado acumulado do ano, o IMA-Geral tem variação negativa de 0,82%, enquanto o IDA-Geral tem ganho de 1,69%.
“Em abril, as expectativas em relação à trajetória da inflação foram menores e o teto de gastos foi mantido no orçamento deste ano. Esses fatores influenciaram o desempenho das carteiras, especialmente as de títulos públicos”, avalia Hilton Notini, nosso gerente de Preços e Índices.
Títulos públicos: reflexos nos prazos
Entre os títulos públicos, o melhor desempenho de abril foi do subíndice IRF-M1+, que espelha as NTN-Fs e LTNs acima de um ano de vencimento. A carteira registrou ganho de 1,12% no mês, diminuindo sua desvalorização no ano para 3,70%. Em seguida veio a carteira das NTN-Bs de até cinco anos de vencimento, refletidas no IMA-B5: o índice encerrou abril com 0,87%, apresentando a melhor performance acumulada em 2021 (0,72%).
O IMA-B5+, que reflete as NTN-Bs com mais de cinco anos de vencimento, ainda segue com resultado modesto, com ganho de 0,45% no mês e perda de 4,67% no ano. Só no último dia útil de abril, a carteira registrou um recuo de 0,72%, reduzindo a tendência de valorização no mês. “Os papéis de vencimentos mais longos são muito influenciados pela percepção dos investidores em relação ao cenário econômico de médio e longo prazos, por isso os efeitos da pandemia na economia e as dúvidas em relação ao orçamento de 2022 podem ter contribuído para essa volatilidade”, explica Notini.
Entre os papéis de prazos mais curtos, o IRF-M1, constituído por LTNs de até um ano de vencimento, subiu 0,27% no mês, acumulando uma variação anual de 0,40%. Já o IMA-S, que espelha o comportamento das LFTs em mercado, variou 0,07% e 0,52% no mês e no ano, nesta ordem.
Dívida corporativa: melhora em abril
Em relação aos títulos corporativos, representados pela família IDA (Índice de Debêntures ANBIMA), o melhor resultado foi o do IDA-IPCA Infraestrutura, com retornos de 1,44% (mensal) e 0,97% (anual). Já o IDA-DI, formado por debêntures remuneradas por essa taxa, encerrou o mês com ganho de 0,56%, registrando 2,09% de variação em 2021.
+ Confira a íntegra do Boletim de Renda Fixa
Investimentos dos brasileiros ultrapassam R$ 3,9 trilhões no primeiro trimestre
Segmento de private puxou a subida do volume financeiro, com alta de 5% até março
O volume total dos investimentos das pessoas físicas no Brasil cresceu 1,9% no primeiro trimestre de 2021 e atingiu R$ 3,9 trilhões. De acordo com nossas estatísticas, os segmentos de private e varejo alta renda puxaram a alta, com crescimentos de 5% e 2%, nesta ordem. Esses aumentos compensaram a queda de 2,6% no varejo tradicional. No mesmo período do ano passado, o volume financeiro dos três segmentos havia registrado queda de 5,3%, movimento influenciado pelo início da pandemia de Covid-19.
Private: recuperação das ações
O destaque do private ficou com os fundos de ações, cujo patrimônio líquido avançou 19,3% — até março de 2020, haviam registrado queda de 27,1%. O resultado contribuiu para a maior participação na carteira desses investidores: no primeiro trimestre de 2021, responderam por 9,1% do volume aplicado pelo private, frente a 8% em dezembro do ano passado.
+ Confira as estatísticas do private
As ações também brilharam no início do ano, com um aumento de 10,1% no volume financeiro — no primeiro trimestre de 2020, esses papéis registraram queda de 26,5%. Com o resultado de 2021, elas passaram a responder por 27,5% do portfólio desse segmento. "É um movimento importante a se observar, especialmente se considerarmos o fraco desempenho do Ibovespa nos primeiros meses deste ano. Por outro lado, tivemos um novo recorde do número de pessoas físicas na bolsa de valores, chegando a 3,5 milhões de contas, o que certamente impactou o resultado do trimestre", avalia José Ramos Rocha Neto, presidente do nosso Fórum de Distribuição.
As debêntures avançaram como alternativas de renda fixa: o volume financeiro nos títulos de dívida corporativos, que havia crescido 0,5% até março de 2020, registrou alta de 5,5% até o mesmo período de 2021.
Varejo: impactos na poupança
Entre os clientes do varejo, a poupança foi impactada pela conjuntura: houve redução tanto no volume financeiro (2,1% na soma dos segmentos) como no número de contas do varejo tradicional (retração de 18% no segmento). "A queda no patrimônio líquido e o aumento do número de contas fechadas podem refletir o resgate dos recursos mantidos como reserva financeira para fins de despesa e consumo pelos brasileiros", explica Rocha.
+ Veja as estatísticas do varejo na íntegra
Entre os produtos que mais cresceram em participação no portfólio, estão os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários): passaram de 13,6% na carteira do varejo (tradicional e alta renda) em dezembro de 2020 para 14,1% em março, um aumento de 0,5%. Já em variação percentual, o volume financeiro do produto cresceu mais no alta renda (4%) que no varejo tradicional (0,7%).
As ações foram outro destaque. O recorde de pessoas físicas na B3 também teve reflexos no varejo: a participação desses papéis na carteira subiu de 5,7% em dezembro para 6% em março. Na variação do volume financeiro, as ações tiveram crescimento considerável no trimestre tanto no varejo tradicional (passou de uma redução de 24,1% em março de 2020 para uma alta de 6,1% em março de 2021) quanto na alta renda (indo de uma queda de 23,2% para uma alta de 4,1%, na mesma base de comparação).
Investimentos do varejo por regiões do país
Os estados do Sudeste concentram o maior volume financeiro (R$ 1,4 trilhões) e a maior participação de clientes (62,6%) em relação ao total de investimentos feitos pelo segmento de varejo (tradicional e alta renda) no país. Em 12 meses, as regiões Norte e Nordeste aumentaram a participação. O Norte foi de 2,2%, no ano passado, para 2,4% em março de 2021, e o do Nordeste de 11,1% para 11,4% na mesma base de comparação. O Sul caiu de 17,3% do total de aplicações para 16,9% e o Centro-Oeste avançou de 6,2% para 6,8%, nos mesmos períodos.
Fonte: ANBIMA, em 07.05.2021