Implementação do plano econômico fez a bolsa do Brasil crescer quase seis vezes em valor de mercado
Dois dos nomes mais relevantes na criação do Plano Real, o ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o ex-presidente do Banco Central (BC), Gustavo Franco, concordam que a moeda brasileira tornou-se o padrão monetário mais comportado que o Brasil já teve e que o controle da inflação é uma prioridade para a maioria da população.
“A moeda é a coisa mais social, mais inclusiva que existe”, disse o economista Gustavo Franco, durante painel no MKBR24, evento realizado pela ANBIMA e pela B3.
Ele e Malan lembraram a construção do Plano Real desde a nomeação de Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda pelo então presidente Itamar Franco. “Cada dia foi uma encrenca, mas também uma revelação”, disse Gustavo. Depois da implantação do Real, o valor de mercado da bolsa brasileira, que era cerca de US$ 300 bilhões, saltou para US$ 1,7 trilhão. “Criou-se riqueza de uma forma muito superior à do crescimento do PIB. É isso que o bom comportamento fiscal pode causar”, acrescentou.
Malan, que também foi presidente do Banco Central, ressaltou ainda o efeito sobre o poder aquisitivo da população. “Talvez nem todos lembrem da marcha insana da hiperinflação, mas o Brasil foi recordista mundial de inflação nas três décadas de 1960 a 1990”, lembrou.
A preservação da inflação baixa, sob controle, é aspiração da maioria da população, como forma de não corroer seu poder de compra. “Quem quiser o contrário disso não tem credibilidade, inclusive eleitoral”, disse Malan.
O ex-ministro lembrou que, além dos 30 anos do Real, estamos comemorando 25 anos e meio de um regime de taxa de câmbio flutuante, 25 anos do regime de metas de inflação e 24 anos e 1 mês da Lei de Responsabilidade Fiscal.
O MKBR24 é um evento bienal sobre o mercado de capitais, realizado desde 2018, numa parceria entre a ANBIMA e a B3. Reúne grandes nomes do Brasil e do exterior para debater o cenário atual e as iniciativas que estimulem o crescimento sustentável do mercado de capitais brasileiro.
MKBR24: Brasil precisa criar narrativa sólida de crescimento para atrair investidores globais
Apesar de avanço nas reformas e inflação na meta, insegurança jurídica e tributária são barreiras à chegada de dinheiro estrangeiro
Se quiser atrair a atenção (e os recursos) dos investidores globais, o Brasil precisa criar uma sólida narrativa de crescimento econômico de longo prazo, sustentada por juros estruturalmente mais baixos e um ambiente com segurança jurídica e tributária. “O país precisa demonstrar aos estrangeiros a força de seu crescimento em setores importantes para o crescimento global, como a segurança alimentar e energética”, afirmou Axel Christensen, estrategista-chefe de investimentos para a América Latina da BlackRock, durante painel no MKBR24, evento realizado pela ANBIMA e pela B3. “Para que o capital externo chegue ao Brasil, é necessário que o país una esses pontos para criar uma história atraente”, acrescentou.
Mesmo com avanços recentes em reformas estruturais, o Brasil ainda fica atrás de outros países emergentes na hora de os investidores globais tomarem decisões de alocação. “Mesmo com desempenho positivo em aspectos como as contas externas equilibradas, a agenda de reformas que vem sendo implementada desde 2016 e a inflação na meta, o Brasil ainda tem desempenho pior do que o de outros emergentes em várias classes de ativos”, observou Cassiana Fernandez, economista-chefe da América Latina do J.P. Morgan.
“Seria interessante o Brasil criar essa narrativa para de fato participar do ciclo de crescimento global. Nesse sentido, as reformas trabalhista e tributária adicionam valor para o país”, avaliou Daniel Popovich, portfolio manager da Franklin Templeton, lembrando também da vantagem da localização geográfica, que isola o Brasil de conflitos geopolíticos e evidencia os benefícios de segurança energética e alimentar.
Na opinião dele, uma narrativa de crescimento poderia mudar a realidade atual em que os gestores de carteiras olham o Brasil apenas de uma perspectiva de investimento tático. “O país não entra nas decisões como um mercado estratégico de longo prazo”, afirmou. Isso acontece a despeito do grande potencial para o crescimento dos segmentos de agronegócio, infraestrutura e tecnologia.
Efeitos dos juros e listagem local
A persistência dos juros altos no Brasil é outro fator que limita a atratividade do mercado brasileiro para ativos além da renda fixa. No cenário de Selic alta, os investimentos táticos dos alocadores globais acabam sendo direcionados para a renda fixa e, em menor medida, para o crédito privado. Esse cenário, por consequência, acaba reduzindo as possibilidades de crescimento no mercado de ações.
Fator que também sempre influenciou a dinâmica de investimentos nos emergentes, a China tem perdido espaço como referência, que persistia pelo menos desde o início dos anos 2000 com a forte demanda por commodities, destacou Fernandez. “A China não é mais o que costumava ser e hoje os investidores olham os emergentes sem necessariamente passar pelo filtro da situação da China. Esses países não precisam mais disso para entrar no radar dos investidores, e isso reforça a importância de o Brasil construir uma narrativa própria de crescimento de longo prazo”, concluiu Christensen.
O MKBR é um evento bienal sobre o mercado de capitais, realizado desde 2018, numa parceria entre a ANBIMA e a B3. Reúne grandes nomes do Brasil e do exterior para debater o cenário atual e as iniciativas que estimulem o crescimento sustentável do mercado de capitais brasileiro.
MKBR24: presidente da CVM vê Brasil com expectativa mais confortável que os demais para ofertas públicas
João Pedro Nascimento afirmou que há uma quantidade expressiva de companhias aguardando uma janela de oportunidade

Os anos de 2022, 2023 e 2024 têm sido desafiadores no Brasil para a realização de ofertas públicas, mas esse é um contexto global. E os efeitos desse cenário são bem menos nocivos no Brasil do que no resto do mundo, disse João Pedro Nascimento, presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)
O Brasil tem hoje aproximadamente 700 companhias abertas com registro na CVM, mas dessas só 420 estão listadas na B3, segundo ele. “Há uma quantidade expressiva de companhias aguardando uma janela de oportunidade, um momento adequado para voltarem a realizar a distribuição pública de valores mobiliários. Esse é um indicador positivo a favor do Brasil”, disse.
Quando se compara o Brasil com a Europa Continental, por exemplo, de 2021 até 2024 a quantidade de cancelamentos de registro nesses países foi muito mais expressiva do que no Brasil, de acordo com o presidente da CVM.
O país espera condições macroeconômicas para grandes ofertas públicas e uma retomada do crescimento econômico por meio do mercado de capitais, segundo ele.
Ele reconhece que o Brasil tem muito a crescer também no índice da população que investe no mercado de capitais. Hoje, o país tem cerca de 5 milhões de investidores pessoa física, mas o número é pequeno como porcentagem da população total.
“Temos que ter um mercado de capitais ainda mais robusto”, disse ele, citando que o crescimento do número de investidores contribuiria em última instância para o aumento do emprego e da arrecadação de tributos.
O MKBR é um evento bienal sobre o mercado de capitais, realizado desde 2018, numa parceria entre a ANBIMA e a B3. Reúne grandes nomes do Brasil e do exterior para debater o cenário atual e as iniciativas que estimulem o crescimento sustentável do mercado de capitais brasileiro.
MKBR24: gostaríamos de ver o mercado de capitais chegar nas PMEs
Desafio é aumentar volume de emissões, dizem profissionais durante evento promovido por ANBIMA e B3 em São Paulo
O mercado brasileiro de capitais, em especial a parte de renda fixa e crédito privado, se desenvolveu muito nos últimos anos. Em 2023, o país conseguiu ter mais de R$ 400 bilhões de emissões e tudo indica que terá um 2024 bastante forte, mas o desafio é aumentar esse volume.
“Hoje o mercado de capitais representa quase 42% do financiamento às empresas de capital aberto, mas como deixá-lo mais aberto?”, questionou Guilherme Maranhão, presidente do nosso Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais e diretor do Itaú BBA, durante o MKBR24, evento realizado pela ANBIMA e pela B3. “Gostaríamos de ver o mercado de capitais chegar na pequena e média empresa, na pessoa física”, disse.

Para Ana Rodela, responsável pela área de crédito do Bradesco Asset, a demanda pelo crédito privado aumentou bastante, o investidor menor está mais confortável, houve uma democratização, mas é preciso simplificar as operações para facilitar a entrada da pessoa física, especialmente em títulos como debêntures, CRI e CRA.
Segundo ela, o topo da pirâmide das empresas está bem atendido, mas as demais camadas não. Isso envolve também municiar os gestores com mais dados. Para empresas de menor porte, é fundamental ter demonstrativos financeiros auditados, dados operacionais claros e acompanhamento mais próximo.
Luciene Machado, superintendente da Área de Soluções para Cidades do BNDES, disse que o banco, por ser atrelado ao governo, conhece bem esse conjunto de potenciais novos emissores e tem o compromisso adicional de fazer o segmento crescer.
O MKBR é um evento bienal sobre o mercado de capitais, realizado desde 2018, numa parceria entre a ANBIMA e a B3. Reúne grandes nomes do Brasil e do exterior para debater o cenário atual e as iniciativas que estimulem o crescimento sustentável do mercado de capitais brasileiro.
MKBR24: presidente do BC fala sobre cenários para inflação e política fiscal
Campos Neto conduziu primeiro painel desta manhã no evento realizado pela ANBIMA e B3
Embora uma provável desaceleração da inflação global ainda dependa do comportamento dos preços dos serviços e da atividade econômica, a expectativa para os juros nos Estados Unidos varia entre uma e duas quedas ainda neste ano, afirmou o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, que fez a abertura do MKBR24, evento realizado pela ANBIMA e pela B3. Mas, para além da questão dos juros, Campos Neto observou que existem outros pontos de atenção na agenda global dos mercados e dos bancos centrais.

Segundo ele, a discussão hoje é se haverá retirada da liquidez injetada pelos governos durante a pandemia e se esse movimento será organizado. “Há um debate, por exemplo, sobre os efeitos do custo da rolagem das dívidas dos países desenvolvidos. O fiscal está mais no foco, o que também tem implicações para o Brasil”, comentou. Campos Neto destacou que os riscos globais mais relevantes hoje estão relacionados à inflação e aos seus efeitos sobre a política monetária e as questões geopolíticas ainda não equacionadas.
Reflexos sobre o mercado de capitais
Esse cenário dos últimos anos teve também reflexos sobre o mercado de capitais brasileiro, que teve que lidar com esse ambiente monetário global e também com questões específicas, como a crise no crédito privado do início de 2023, lembrou o CEO da B3, Gilson Finkelsztain. “Tivemos excelentes notícias em algumas frentes e desafios em outras, mas ficou claro que o amadurecimento do mercado de capitais é fundamental para o país entrar em rota de crescimento”, afirmou Finkelsztain.
Na avaliação do nosso presidente, Carlos André, esses eventos não impediram o crescimento do setor: ao contrário, geraram aprendizados e pavimentaram novos caminhos. “O mercado secundário, por exemplo, alcançou recorde no volume de negociações no ano passado, com aumento de 62%, se mostrando extremamente saudável”, disse.
Campos Neto também destacou o forte crescimento do mercado de capitais, mesmo com o segmento de equities enfrentando um período mais desafiador recentemente, como mostra a parada nas operações de IPO (aberturas de capital). “Mas na renda fixa o mercado está muito forte, inclusive com spreads caindo a preços de 2019 com grande diversificação dos instrumentos. O secundário tem uma boa volumetria e o mercado está saudável”, afirmou.
Balanço da gestão
O presidente do BC, que está em final de mandato, apresentou alguns avanços e desafios de sua gestão, a primeira experiência de uma autoridade monetária autônoma no Brasil. A agenda microeconômica incluiu aspectos como melhoria de recuperação de crédito; potencialização do mercado de capitais, com ações voltadas a securitização e novas ferramentas; implementação do Pix; desenho do Drex (a moeda digital do país); redução de assimetria de informações; fomento ao mercado de home equity; desenvolvimento do open finance e incentivo à criação de marketplaces de finanças.
Em termos macro, as preocupações atuais continuam relacionadas à trajetória da inflação, mas com componentes adicionais como as incertezas em relação ao custo da reconstrução do Rio Grande do Sul. “A questão do Rio Grande do Sul adiciona um fator de incerteza para a trajetória da inflação”, afirmou Campos Neto. Outro ponto de atenção do BC tem a ver com potenciais ruídos no Congresso para a aprovação de medidas importantes para o governo. “Temos hoje uma inflação corrente comportada, mas com expectativas do mercado desancorando. Estamos olhando de perto para esse ponto”, disse.
Como balanço de sua atuação no BC, Campos Neto ressaltou a importância do planejamento das ações, ao que ele credita parte do sucesso de iniciativas como o pix e o open finance. “Houve muitos entraves, uma pandemia, um problema interno de engajamento das equipes do Banco Central. Dicas que deixo para o meu sucessor são saber dizer não e ter a consciência de que não existe desenvolvimento sem inclusão”, disse.
Para Campos Neto, a intermediação financeira do futuro será mais digitalizada e mais tokenizada, com as instituições concorrendo num marketplace de soluções financeiras. O mercado de capitais, disse o presidente do BC, vai ser mais favorecido quanto menos o governo interferir nos mercados. “Cabe ao governo apenas fornecer condições, como uma boa regulação. O papel do governo deve ser específico, de fomento. A solução no mercado de capitais deve ser sempre privada”, completou.
O MKBR24 é um evento bienal sobre o mercado de capitais, realizado desde 2018, numa parceria entre a ANBIMA e a B3. Reúne grandes nomes do Brasil e do exterior para debater o cenário atual e as iniciativas que estimulem o crescimento sustentável do mercado de capitais brasileiro.
MKBR24 reúne grandes nomes do mercado de capitais
Evento promovido pela ANBIMA, em parceria com a B3, reúne profissionais do Brasil e do exterior para debater o cenário atual
A terceira edição do MKBR reúne hoje, na capital paulista, grandes nomes do Brasil e do exterior para debater o cenário atual e iniciativas que estimulem o crescimento sustentável do mercado de capitais brasileiro. Na abertura, nosso presidente, Carlos André, e o CEO da B3, Gilson Finkelsztain, falaram sobre desafios e oportunidades no mercado no Brasil.

“Desde a última edição do MKBR, em 2022, até hoje, muita coisa aconteceu. Testemunhamos uma verdadeira prova de resiliência do mercado. Iniciamos 2023 com um evento inesperado no mercado de crédito corporativo, que trouxe um desafio muito grandes”, lembrou nosso presidente, Carlos André. No entanto, na visão dele, foi possível comprovar a maturidade do segmento de crédito privado e o processo de desenvolvimento com a chegada de novos emissores e participantes.

Hoje, o mercado de capitais representa 32% dos recursos usados para financiamento de projetos e negócios das companhias abertas. “Isso representa cada vez menos dependência do sistema bancário e dos créditos subsidiários pelo governo para o desenvolvimento econômico do país”, pontuou Carlos André.
Gilson Finkelsztain, por sua vez, destacou que, além das novas ofertas, o desenvolvimento do mercado de capitais pode ser medido por mudanças estruturais nos últimos cinco anos, seja por reformas, por tecnologia ou educação financeira dos investidores.
Apesar disso, o CEO da B3 observou pontos de atenção como as altas taxas de juros, incertezas sobre polícia econômica fora do Brasil e tensões geopolíticas mundo afora. “Temos discutido muito a sustentabilidade fiscal do Brasil frente a tudo isso”, acrescentou.
O MKBR é um evento bienal sobre o mercado de capitais, realizado desde 2018, numa parceria entre a ANBIMA e a B3.
+ Confira a abertura do MKBR24 aqui.
Iosco apresenta temas estratégicos para o biênio 2024-2025 durante conferência anual
Principais agendas são ligadas a inteligência artificial, tokenização, green finance, finfluencers e precificação de fundos de investimentos
Estivemos na conferência anual da Organização Internacional de Valores Mobiliários (Iosco, na sigla em inglês), na semana passada, na Grécia, quando a instituição apresentou sua estratégia e plano de trabalho para 2024-2025. Entre os temas estratégicos estão inteligência artificial e tokenização (no âmbito da Força-Tarefa de Fintech), planos de transição e green finance na área de sustentabilidade, influenciadores digitais de investimentos (assuntos do investidor de varejo) e precificação (valuation) sobre fundos de investimentos.
Na ocasião, também foi apresentada a agenda conjunta com o FSB (Financial Stability Board), que inclui temas da intermediação financeira não-bancária (NBFI, na sigla em inglês), como a revisão em curso do receituário para gestão de liquidez em fundos abertos e a consulta sobre margens e gestão de colaterais desses participantes.
Além de apresentar iniciativas em andamento no Brasil, que podem contribuir em diversas dessas novas frentes globais, Zeca Doherty, nosso diretor- executivo, participou da reunião do Comitê Consultivo de Membros Afiliados da Iosco (AMCC, na sigla em inglês). “Nossa participação no AMCC tem sido estratégica para o reconhecimento de iniciativas do mercado local, como é o caso de nossa experiência recente com a agenda de finfluencers e a pauta de fundos sustentáveis”, observa ele.
Em assembleia geral, o comitê de presidentes apresentou a nova diretoria da Iosco, com recondução do atual presidente, Jean-Paul Servais, chairman da autoridade regulatória de serviços financeiros da Bélgica. A próxima conferência da Iosco será em maio de 2025 no Qatar.
Grupos de trabalho
A ANBIMA participa do grupo de trabalho em inteligência artificial do AMCC, que, em breve, vai apoiar um extenso levantamento de casos de uso e riscos dessa tecnologia em diversos países. A ANBIMA também vai contribuir para atividades relacionadas à frente de finfluencers, que terão início com uma mesa redonda a ser realizada em setembro.
Em relação a fundos de investimento, foi apresentado o andamento do trabalho sob sua liderança da ANBIMA, em parceria com a ICI Global, sobre questões de conduta provenientes da interação entre provedores de índices e gestores de fundos. O AMCC foi consultado quanto a boas práticas já utilizadas por esses participantes e possíveis recomendações adicionais da Iosco na gestão dessas questões. Esse grupo de trabalho ficou encarregado de averiguar mais a fundo as questões levantadas pela organização e retornar no ano que vem com o resultado de suas averiguações junto aos representantes desses segmentos.
Os membros do AMCC também discutiram iniciativas sobre coleta de subsídios sobre riscos emergentes para auxiliar o planejamento da entidade para 2025-2026 por meio do exercício conhecido como “Risk Outlook”. Na ocasião, dados da pesquisa de Raio X do Investidor e a nossa experiência na autorregulação de criptoativos foram analisados pelo grupo.
Paralelamente, workshops reuniram representantes de mais 100 jurisdições em todo mundo em prol de temas como mudanças climáticas, emissão de títulos verdes (green bonds), a reestruturação de bolsas em países emergentes e o uso de ferramentas de tecnologia para supervisão (Suptech). Segundo Guilherme Benaderet, nosso superintendente de Supervisão de Mercados, foi possível notar que a incorporação de ferramentas que utilizam inteligência artificial para coleta de informações e verificação de requisitos pela supervisão já é realidade para vários reguladores e autorreguladores.
A ANBIMA, em parceria com ICI Global, Efama e IA, respectivamente associações de fundos dos EUA, Europa e Reino Unido, organizou uma conversa com reguladores da União Europeia e do Comitê de Investimentos Coletivos da IOSCO. No encontro, foram discutidos temas da agenda regulatória de fundos de investimento, inclusive a pauta com o FSB, a revisão das recomendações da IOSCO para gerenciamento de liquidez em investimentos coletivos, que ocorrerá em 2024, e a consulta em curso da Comissão Europeia sobre uso de políticas macroprudenciais na intermediação financeira não bancária. Tatiana Itikawa, nossa superintendente de Representação Institucional, observou que a implementação do novo arcabouço regulatório de fundos no Brasil, por meio da Resolução CVM 175, já posiciona a indústria local de forma adequada em relação a esse debate.
Carteiras de renda fixa de longo prazo apresentam recuperação em maio
Indicadores da ANBIMA mostram rentabilidade positiva em todos os tipos de títulos
Em maio, todos os nossos indicadores de renda fixa registraram crescimento. O mês foi marcado pela recuperação dos títulos de prazos mais longos, que apresentavam quedas consecutivas desde fevereiro.
“A recuperação das carteiras mais longas sugere mais um ajuste técnico do que uma melhora nas expectativas em relação à inflação e aos juros, já que permanecem dúvidas sobre trajetória dessas variáveis no médio e longo prazo” explicou Marcelo Cidade, nosso economista.
O destaque entre os títulos públicos foram as NTN-Bs (papéis indexados à inflação) com prazo acima de cinco anos. O índice IMA-B 5+, que acompanha esses títulos, teve crescimento de 1,59% no mês, depois de apresentar perdas mensais durante março e abril.
Enquanto isso, as NTN-Bs com vencimento em até cinco anos, refletidas no IMA-B 5, variaram 1,05% em maio.
Nos prefixados, o IRF-M 1, índice de títulos com prazo de até um ano, avançou 0,78% no mês. A carteira desses papéis com vencimentos acima de um ano (IRF-M 1+) variou 0,60%.
Já o IMA-S, que acompanha as LFTs (Letras Financeiras do Tesouro) com duração de um dia útil, variou 0,83.
No geral, os títulos públicos marcados a mercado cresceram 0,95% em abril e acumularam 2,37% de rentabilidade no ano, mostrou o desempenho do IMA, nosso Índice de Mercados.
Títulos corporativos
A melhor rentabilidade do mês foi do IDA-IPCA ex-Infraestrutura, que representa as debêntures sem incentivo fiscal, que apresentou crescimento de 1,62%. Já os papéis com isenção fiscal (espelhados no IDA IPCA Infraestrutura) avançaram 1,36%.
Enquanto isso, o IDA-DI, que contempla os papéis indexados ao DI, teve retorno de 0,96%.
O IDA Geral, que acompanha todas as debêntures marcadas a mercado, variou 1,13% no mês e 4,77% no ano, respectivamente.
ANBIMA Data: transformando dados em decisões
Esses dados também podem ser encontrados no ANBIMA Data, nossa plataforma gratuita que concentra informações dos mercados financeiro e de capitais. Agilize suas análises e matérias com dados confiáveis e atualizados de títulos públicos e privados, fundos e índices em um só lugar.
Cibersegurança: publicado questionário para contratação de terceiros e serviços em nuvem
Documento entra em vigor em 1º de julho
Publicamos hoje o QDD (Questionário de Due Diligence) para contratação de terceiros e serviços em nuvem. Com o questionário, buscamos auxiliar as instituições a definirem boas práticas de cibersegurança.
O QDD é recomendado para organizações entenderem e mensurarem os riscos associados à prestação do serviço e garantirem um padrão mínimo de segurança cibernética entre as empresas contratadas. São cerca de 80 perguntas relacionadas à estrutura, políticas, procedimentos e controles de cibersegurança.
O documento, que esteve em audiência pública até a última semana (31 de maio), entra em vigor em 1º de julho e passa a fazer parte das nossas Regras e Procedimentos de Deveres Básicos.
Fonte: Anbima, em 06.06.2024.