Novo sistema de supervisão da CVM permite análise mais ampla de risco de liquidez em fundos abertos
Em webinar, representantes da autarquia explicaram o funcionamento e esclareceram dúvidas do mercado
A CVM apresentou seu novo sistema para análise de gestão do risco de liquidez em fundos abertos (que sejam não exclusivos). Para esclarecer as dúvidas do mercado, apoiamos o webinar da autarquia nesta quinta-feira, 6, sobre o tema, assistido por mais de 250 pessoas.
“A gestão de risco de liquidez sempre foi um tema importante para a CVM e se tornou ainda mais relevante nos últimos três anos, em função das circunstâncias macroeconômicas”, disse Daniel Maeda, superintendente de Relações com Investidores Institucionais. Com a taxa de juros em queda, a indústria vem caminhando para uma carteira com liquidez cada vez menor.
“Com isso, vem a nossa preocupação natural de que esse processo ocorra da forma mais segura e prudente possível, com boa gestão de riscos de liquidez. Garantimos isso atuando por meio da supervisão e acompanhando a indústria”, explica Maeda. Além disso, a iniciativa reflete um “casamento de agendas entre a CVM e a ANBIMA”, avalia Ricardo Mizukawa, coordenador da nossa Comissão de Gestão de Risco, que mediou o bate-papo.
O sistema permite uma análise mais ampla das informações: a CVM utilizará dados de diversas fontes e informes que os administradores fiduciários já fornecem à autarquia.
Foram três os índices de liquidez apresentados pelo regulador. O primeiro (IL1) se refere ao procedimento atual de gestão, ou seja, aquele já calculado pelos administradores. “Os índices 2 e 3 são as novidades que vão nos ajudar a encontrar as divergências entre as informações divulgadas”, conta Vera Lúcia Simões, superintendente de Fiscalização Externa da CVM. Esses índices serão calculados pela própria CVM com base nas informações que recebem dos fundos. Sempre que necessário, a autarquia entrará em contato com a instituição para entender a situação e fazer uma avaliação ainda mais completa.
Atuação
“Por enquanto, o sistema trabalhará com ativos mais transparentes, mas há uma meta de aprimoramento para incorporar outros ativos”, explica Jorge Casara, gerente de Inteligência em Supervisão de Riscos Estratégicos da CVM.
O novo sistema é de uso interno da autarquia, e as instituições não terão que reportar nenhuma informação diferente das que enviam hoje. No entanto, os representantes da autarquia enfatizaram que os dados encaminhados para a CVM devem ter o máximo de exatidão para evitar erros que podem prejudicar a todos. “Uma informação preenchida de forma errada gera ruído desnecessário e induz a supervisão a erro, é ruim para todo o mercado”, avalia Maeda.
O vídeo completo do webinar será disponibilizado em nosso canal no YouTube.
Investimentos financeiros dos brasileiros totalizam R$ 3,3 trilhões em 2019
Crescimento das aplicações das pessoas físicas é de 12% na comparação com 2018 e foi impulsionado pela valorização dos ativos de renda variável
Os investimentos dos brasileiros chegaram a R$ 3,3 trilhões em 2019. O crescimento é o maior desde 2015 e 12% superior ao ano anterior, de acordo com nosso boletim, que consolida as aplicações de 83 milhões de contas dos segmentos de varejo e de private das instituições financeiras. O varejo – segmento dividido entre tradicional e alta renda – acumula R$ 1,9 trilhão, com crescimento de 6,8%, enquanto o private totaliza R$ 1,3 trilhão, evolução de 20,9%.
+ Leia nosso Boletim de Private e de Varejo
+ Confira as estatísticas de private e de varejo
“Com o cenário macroeconômico estável, a retomada da atividade econômica e as consecutivas quedas da taxa de juros, os ativos de renda variável tiveram ótimo desempenho. Eles impulsionaram os resultados da indústria de investimentos, principalmente no private”, explica José Ramos Rocha Neto, presidente do nosso Fórum de Distribuição.
Entre os produtos preferidos pelos investidores do private (engloba clientes com, no mínimo, R$ 3 milhões aplicados em ativos financeiros) estão os fundos multimercados (R$ 415 bilhões) e de ações (R$ 104 bilhões), as ações puras (R$ 224 bilhões) e os fundos imobiliários (R$ 16 bilhões), que mesclam renda fixa e variável. Juntos, eles representam 56,9% da carteira do segmento e registraram avanços de 22,8%, 58,1%, 52,1% e 42,1%, respectivamente, influenciados, principalmente, pela alta de 31,6% do Ibovespa em 2019. A previdência registrou crescimento de 20,5%.
Os clientes de varejo mantiveram a preferência pela caderneta de poupança (R$ 783,2 bilhões). O crescimento de 7,2% deste produto foi impulsionado pelos saques do FGTS (Fundos de Garantia do Tempo de Serviço) em 2019 que caíram automaticamente na conta poupança dos clientes, impactando o varejo tradicional. Na sequência, aparecem os fundos de investimento com crescimento de 10% e total de R$ 655,3 bilhões. Os fundos de ações cresceram 158,6% e os fundos imobiliários subiram 135,9%.“O investidor conservador começa pela poupança, pula para o CDB e o passo seguinte é o fundo de investimento, que conta com um gestor treinado para escolher os melhores papéis. É um movimento natural quando o cliente é bem assessorado”, afirma Rocha. Na lanterna, estão os títulos e valores mobiliários com alta de 2,6%, totalizando R$ 517,7 bilhões.
O varejo alta renda se destaca com a maior alocação de ativos de renda variável e menor fatia de produtos considerados conservadores: apenas 12,5% dos recursos está alocado na poupança, enquanto as ações saltaram de 3,4%, em 2015, para 7,2%, em 2019, totalizando R$ 84,3 bilhões. “Apesar da carteira do investidor do varejo permanecer conservadora, há um movimento claro de maior tomada de risco, mesmo que ainda com pequenos volumes”, afirma Rocha.
Saldo por região
O Sudeste permanece com o maior volume e o maior número de contas do país, tanto no varejo quanto no private. A região concentra R$ 1,2 trilhão de investimentos no varejo e 42,8 mil contas. O estado de São Paulo representa, sozinho, 39,1% de todos os investimentos dos brasileiros. Na sequência, aparecem a região Sul, com R$ 336,3 bilhões em investimento e 12,8 milhões de contas; o Nordeste, com R$ 215 bilhões e 16,5 mil contas; o Centro-Oeste, com R$ 118,1 bilhões e 6,3 milhões de contas; e o Norte, com R$ 422 bilhões e 4,1 milhões contas.
No private, mais de 120 mil contas somam patrimônio de R$ 1 trilhão no Sudeste. As demais regiões se dividem em: 15,6 mil contas no Sul (R$ 177,4 bilhões), 8,8 mil contas no Nordeste (R$ 63,9 bilhões); 7,2 mil contas no Centro-Oeste (R$ 32,5 bilhões), e 1,1 mil contas no Norte (R$ 8 bilhões).
Fonte: ANBIMA, em 06.02.2020