Fundos de investimento registram captação líquida de R$ 205,7 bilhões até setembro
Resultado se aproxima do recorde de 2017, quando foram alcançados R$ 224 bilhões em nove meses
Os fundos de investimento acumulam captação líquida de R$ 205,7 bilhões entre janeiro e setembro deste ano. O resultado se aproxima dos R$ 224 bilhões atingidos no mesmo período de 2017, volume recorde da nossa série histórica, iniciada em 2002, e supera a média dos últimos cinco anos, de R$ 120,9 bilhões. Em relação aos nove primeiros meses de 2018, o avanço foi de 180%.
No ano, os ingressos líquidos dos fundos de ações e dos multimercados se destacam entre as demais classes: até setembro, registraram R$ 47,7 bilhões e R$ 56 bilhões, respectivamente, com altas de 156,7% e de 32,3% sobre igual intervalo de 2018. “Com a Selic mais baixa, desde o ano passado temos acompanhado um ritmo de crescimento mais acentuado em renda variável e multimercados. Os investidores estão buscando diversificar suas carteiras”, diz Carlos André, nosso vice-presidente.
Os fundos de renda fixa reverteram os resgates líquidos de R$ 2,1 bilhões dos nove primeiros meses do ano passado para captação positiva de R$ 13,1 bilhões em 2019. Na mesma base de comparação, os fundos de previdência avançaram 84,2%, para R$ 26 bilhões, e os ETFs tiveram alta de 1.519,4%, para R$ 7,4 bilhões.
+ Confira o boletim de fundos na íntegra
A sinalização do Banco Central de cortes adicionais na Selic impactou positivamente as rentabilidades dos ativos no mercado: todos os tipos de fundos encerraram setembro em alta. No acumulado de 2019, os fundos de ações apresentam os maiores retornos. Os tipos Índice Ativo (cuja gestão tem o objetivo de superar o benchmark, como o Ibovespa) e Ações Livre (que não tem o compromisso de seguir uma estratégia específica) tiveram ganhos médios de 24,1% e de 23,5%, respectivamente, superando o Ibovespa, que chegou a 19,2% no período.
Entre os multimercados, o tipo Macro (que realiza operações com estratégias baseadas em cenários macroeconômicos de médio e longo prazos) apresentou retorno médio de 8,6% até o fim do terceiro trimestre. Os fundos com maiores prazos tiveram as melhores rentabilidades na renda fixa. Os tipos Duração Alta Soberano (que investe somente em títulos públicos federais com prazos maiores) e Duração Alta Grau de Investimento (que investe, no mínimo, 80% da carteira em títulos públicos federais com prazos maiores), registraram altas de 15,1% e de 10,3%, respectivamente.
Segmento de investidor
A captação líquida das pessoas físicas em fundos de investimento chegou a R$ 70 bilhões até agosto deste ano. O resultado representa 40% do total da indústria no período (que estava em R$ 177,6 bilhões no acumulado de oito meses). “A tendência é que a participação desses clientes continue crescendo com a ampliação do acesso aos fundos. Também está entre os esforços da ANBIMA contribuir para que indústria se comunique cada vez melhor com o investidor final”, conclui Carlos André.
Classificação de criptoativos facilita análise e entedimento sobre os produtos
Estudo elaborado pela ANBIMA, com base nas experiências internacionais, divide criptoativos em duas categorias
Lançamos um estudo para disseminar conhecimento sobre os criptoativos (ativos virtuais protegidos por criptografia e mantidos por meio da tecnologia DLT – Distributed Ledger Technology) e dar suporte ao avanço do debate sobre o tema no Brasil. O trabalho é o ponto de partida para realização de discussões mais profundas sobre os usos e as responsabilidades destas tecnologias. O debate sobre o perímetro regulatório para as novas tecnologias, entre elas a DLT e os criptoativos, faz parte do nosso plano de ação.
+ Confira estudo sobre criptoativos
O documento foi elaborado com base na experiência dos mercados internacionais e traz uma classificação inédita para esses produtos. Eles foram divididos em dois grupos: utility tokens (aqueles que têm utilidade em si mesmos, sem representar nenhum objeto além deles próprios, por exemplo, as criptomoedas e platform tokens) e proxy tokens (representam digitalmente um bem ou direito, por exemplo, o token RMG da Royal Mint, que retrata um grama de ouro). O objetivo da classificação é apoiar análises sobre os tratamentos legais e regulatórios sobre o tema, que ainda é incipiente no Brasil.
+ Conheça nosso grupo que discute inovação
Também são detalhados os conceitos gerais associados aos criptoativos, às tecnologias envolvidas – caso da DLT – e aos aspectos regulatórios no Brasil e no exterior, especialmente no Reino Unido, país no qual a discussão sobre o assunto está mais evoluída.
Histórico
O documento foi construído pelo Grupo de Trabalho ICO (Oferta Inicial de Criptomoeda) & Cripto, ligado ao Grupo Consultivo de Inovação, e foi tema de discussão com o Banco Central.
Foco nas necessidades dos clientes é peça-chave para fortalecer indústria de investimentos
Conferência da CVM discutiu como olhar para o comportamento dos brasileiros na hora de investir pode ajudar as pessoas a pouparem e até mesmo aprimorar a regulação do mercado
Entender os aspectos comportamentais do investidor é importante para que o regulador crie normas mais alinhadas ao racional das pessoas no momento de escolher onde colocar seus recursos. Daí a relevância do envolvimento da CVM em estudos e eventos relacionados às ciências comportamentais, destacou Marcelo Barbosa, presidente da autarquia, na cerimônia de abertura da 7ª Conferência de Ciências Comportamentais e Educação do Investidor. O evento aconteceu na última sexta-feira, 4, no Rio de Janeiro, organizado pela CVM com o apoio da ANBIMA e da B3.
“A regulação deve ser mais normativa ou principiológica?”, questionou Barbosa, complementando que não existe resposta certa: a decisão deve ser tomada caso a caso. Para optar entre uma norma mais detalhada ou algo mais flexível, vale a experiência e a percepção do regulador quanto à forma como o investidor deve reagir.
Carlos André (foto), nosso vice-presidente, apontou o foco nas necessidades do cliente como a chave do sucesso para os negócios no longo prazo. Sem esquecer o desafio imposto pelo atual cenário econômico, que leva à busca de produtos mais sofisticados para manter a rentabilidade, ele destacou que o brasileiro ainda investe pouco – só 8% da população fez algum tipo de aplicação em produtos financeiros em 2018 – e investe mal, já que a maior parte desses recursos está na poupança.
+ Pesquisa faz um raio x dos investimentos dos brasileiros
“Os números mostram que não é suficiente ajudar as pessoas a pouparem mais, mas também precisamos ajudá-las a aplicar melhor”, disse Carlos André. Ele reforçou a importância de a indústria de investimentos se comunicar melhor, com uma linguagem mais clara e direta.
+ Indústria de fundos precisa de simplicidade para se aproximar do investidor
“Esse desafio não é só das instituições financeiras e dos profissionais que atuam na distribuição de produtos. É um desafio também para o regulador e para o autorregulador, já que esse trabalho de simplificação passa por um exercício de empatia. Precisamos ter o olhar ‘do’ investidor e não ‘no’ investidor”, afirmou.
Brasileiro não entende os fundos
Para exemplificar a dificuldade das pessoas em entender os produtos, Ana Leoni (foto), nossa superintendente de Educação e Informações Técnicas, apresentou o estudo que mostra a percepção do brasileiro em relação aos fundos de investimento. Ao desenhar a jornada do investidor, nosso levantamento mostra que as pessoas não sabem o que é um fundo. Mesmo aquelas que têm alguma familiaridade com esse mundo acham o produto complexo.
+ ANBIMA Debate discute a jornada do investimento em fundos
O resultado da pesquisa está orientando conversas com a CVM sobre possíveis mudanças na documentação dos fundos.
Segundo Ana, a Associação tem como prioridade dar continuidade a este tipo de pesquisa como forma de conhecer melhor o brasileiro e suas motivações em relação a dinheiro e investimentos. “Queremos compartilhar isso com nossos associados e a sociedade em geral”, afirmou.