Investimentos dos brasileiros batem recorde de crescimento e chegam a R$ 3,7 trilhões
Avanço de 13,4% foi o maior desde 2014; número de contas também é destaque da série histórica, com aumento de 27,8%
Os investimentos dos brasileiros bateram recorde em 2020: com um crescimento de 13,4%, o maior da série histórica iniciada em 2014, o volume financeiro acumulado pelas pessoas físicas chegou a R$ 3,7 trilhões, de acordo com nossas estatísticas.
Pela primeira vez, o varejo tradicional foi o segmento com maior variação: o aumento de 20,3% levou o montante aplicado a alcançar R$ 1,2 trilhão. Na sequência, estão os clientes do private, com R$ 1,5 trilhão, resultado 13,5% maior que em 2019. O varejo alta renda veio depois, com variação positiva de 6,7% sobre os recursos do ano anterior, totalizando R$ 1,1 trilhão.
“O aumento recorde dos investimentos dos brasileiros foi impulsionado pela poupança, principalmente pelos depósitos do auxílio emergencial feitos na caderneta”, explica José Ramos Rocha Neto (foto), presidente do nosso Fórum de Distribuição. “2020 foi difícil e atípico pra todos, com muitas mudanças de comportamento, mas, ao finalizar o ano, vimos que ele teve resultados melhores do que imaginávamos”, avalia.
Renda fixa
A poupança passou a ocupar uma fatia ainda maior na carteira dos clientes dos segmentos de varejo e varejo alta renda: evoluiu de 40% do total de investimentos, em 2019, para 42,9% no ano seguinte. Olhando para o volume financeiro, são R$ 810,1 bilhões no tradicional e R$ 142,4 bilhões no alta renda, resultados que refletem variações positivas de 22,8% e de 15,5%, respectivamente.
O número de contas que têm dinheiro na caderneta avançou, também com impacto do auxílio emergencial: são 86 milhões no varejo tradicional, o que mostra um crescimento de 30,0%, e 2,9 milhões no varejo alta renda, uma variação de 11,4%. A evolução foi motivada também pela criação de contas para recebimento do auxílio emergencial.
+ Confira os dados completos: varejo e private.
Os fundos de renda fixa, que já estavam tendo resgates desde antes da pandemia, perderam ainda mais participação na carteira dos investidores: corresponderam a 16,1% dos recursos de todo o varejo em 2020, quando eram 23,1% em 2019, e por 5,9% do private, diante de 8,7%, na mesma base de comparação. O volume financeiro do produto teve queda de 28,5% no alta renda, seguida pela retração de 23,3% no private. O movimento se explica pela redução da taxa Selic, que levou à procura por novas alternativas de aplicações que pudessem apresentar maior rentabilidade.
Outra opção de muitos investidores para a reserva financeira, o CDB ganhou espaço em todos os segmentos: passou de 10% da carteira do varejo em 2019 para 13,6% em 2020 e de 2,6% para 4,3%, na mesma base de comparação, das aplicações do private. O total de recursos aplicados no produto teve maior variação entre os mais ricos: cresceu 90% no private, 72,3% no alta renda e 34,1% no varejo tradicional.
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“Com a queda nas taxas de juros, os fundos de renda fixa perderam atratividade. No private, por exemplo, caíram para a menor participação na carteira da série histórica iniciada em 2009. Enquanto isso, o CDB avançou nesse espaço, apresentando melhor rentabilidade para os investidores”, conta o executivo.
Ações
A renda variável caiu no gosto dos brasileiros em 2020. A B3 bateu recorde de 3,2 milhões de contas de pessoas físicas em dezembro e o varejo tradicional despontou, com evolução de 79,2% no número de contas. “A busca por aplicações com maior possibilidade de retorno fez com que os fundos de ações e também a compra direita de ações se tornassem mais atrativas aos olhos dos investidores. É um desempenho notável, considerando que o Ibovespa ficou negativo em grande parte do ano”, avalia.
Contas por região
Outro recorde de 2020, o número total de contas dos investidores cresceu 27,8% e chegou a 105,6 milhões no ano. Vale lembrar que esse número não equivale ao total de CPFs, pois cada pessoa pode ter mais de uma conta. O Sudeste responde por mais de metade do total, com 53,9 milhões de contas, ou 25,5% além do registrado em 2019.
O maior crescimento, entretanto, foi no Norte: a região bateu 6,0 milhões de contas em 2020, 46,6% a mais que no ano anterior. O Nordeste subiu 31,7%, chegando a 21,7 milhões de contas, e o Centro-Oeste avançou 31,1%, alcançando a marca de 8,3 milhões. O Sul responde por 15,7 milhões de contas, aumento de 23% no período.
Novos produtos na estatística de varejo
A letra de câmbio, a LIG (Letra Imobiliária Garantida) e a LAM (Letra de Arrendamento Mercantil) são os três produtos que passam a integrar as estatísticas de varejo da ANBIMA e respondem por volumes de R$ 1,6 bilhão, R$ 724,8 milhões e R$ 128,7 milhões, respectivamente. “A LIG é um instrumento relativamente novo no mercado e que ajudará no financiamento do setor imobiliário”, explica Rocha.
Os dados da Associação trazem ainda um maior detalhamento de outros três tipos de produtos: títulos públicos, debêntures e ETFs (Exchange Traded Funds). Os papéis do governo federal somam R$ 43,7 bilhões no varejo, divididos em 50,9% de títulos híbridos (indexados pelo IPCA), 29,1% de pós-fixados e 20,0% de pré-fixados. Entre os R$ 11,5 bilhões de títulos corporativos de dívida, 83,9% são de debêntures incentivadas e 16,1% correspondem a debêntures tradicionais. Já os ETFs acumulam R$ 2,9 bilhões, com a maioria (91,4%) de renda variável.
Cadastro ANBIMA permite consulta a empresas de investimento fiscalizadas
Ferramenta auxilia no reconhecimento de empresas comprometidas com a ética e a segurança dos investidores
Para auxiliar os investidores na prevenção a fraudes e golpes financeiros, acabamos de lançar uma ferramenta de consulta a informações das empresas de investimento que seguem nossas normas de boas práticas e estão comprometidas a atuar com ética, respeitando o mercado e os investidores.
O Cadastro ANBIMA de Instituições e Profissionais de Investimento tem como objetivo se tornar uma aliada no combate às fraudes financeiras ao auxiliar os investidores a tomarem melhores decisões de investimento. “Em cenário de juros baixos, é natural que os investidores busquem por mais diversificação e risco em seus investimentos, mas isso os deixa também mais suscetíveis aos golpes financeiros”, explica Carlos Ambrósio, presidente da ANBIMA. “Por isso, disponibilizamos publicamente as informações de todas as empresas que seguem nossos códigos de boas práticas e são fiscalizadas constantemente, oferecendo insumos para que os investidores tomem decisões melhores na hora de aplicar o seu dinheiro.”
Reunimos hoje 1061 empresas de investimentos que seguem, voluntariamente, códigos com regras e boas práticas que tem como objetivo principal garantir a segurança e a sustentabilidade do mercado. São bancos, gestoras, corretoras, distribuidoras e administradoras que são supervisionadas pela associação e estão suscetíveis a punições caso descumpram as regras de conduta expressas pelos nossos códigos.
Cada uma dessas empresas possui um perfil na plataforma, no qual são exibidos seus dados cadastrais, quais códigos ANBIMA segue e o número de profissionais certificados que possui em seu quadro de funcionários. “Queremos que o investidor tenha uma visão transparente do compromisso das empresas em seguir as boas práticas de mercado”, explica Ambrósio.
Nos próximos meses, a ferramenta receberá novas informações. “Estamos trabalhando para incorporar novos dados ao Cadastro ANBIMA, valendo-se de informações disponíveis nos sistemas da ANBIMA e de nossos parceiros, tornando-o uma fonte ainda mais robusta de informações”, explica Guilherme Benaderet, superintendente de Supervisão de Mercados.
O Cadastro ANBIMA de Empresas e Profissionais de Investimento pode ser acesso pelo site da Associação ou pelo link http://anbi.ma/cadastro
Fonte: ANBIMA, em 04.02.2021