
O Exame de Proficiência Médicas para Segurança do Paciente foi tema destacado pelo presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Dr. César Eduardo Fernandes, em sua participação na tarde desta quinta-feira, dia 28, na reunião do Conselho Deliberativo da entidade, realizada na capital pernambucana. Após dar as boas-vindas aos presentes, o médico especialista levantou discussão sobre o preocupante futuro da educação médica no Brasil.
Ao longo de sua apresentação, Dr. César mostrou aos participantes alguns dados da Demografia Médica no Brasil 2023, estudo feito pela AMB em parceria com a Faculdade de Medicina da USP, com as principais consequências do impacto da abertura indiscriminada de escolas médicas , com o aumento acelerado da oferta de médicos no país, que chegou a 250 mil nos últimos 13 anos. Há mais de 400 escolas de Medicina em funcionamento espalhadas pelo Brasil, que somam mais de 30 mil profissionais por ano.
Com mais de 560 mil médicos, o Brasil já possui 2,7 profissionais por 1 mil habitantes. Esse índice praticamente dobrou desde 2013 e supera os de países como Japão e Estados Unidos.
O médico alertou que no contexto atual não existem recursos e nem estrutura suficiente para uma avaliação adequada das mais de 400 escolas de medicina instaladas no Brasil, muito menos para a expansão de novas escolas de medicina. Tampouco, existe uma avaliação que garanta o controle de qualidade dos mais de 30 mil novos médicos que são formados a cada ano.
“A abertura indiscriminada de escolas médicas no país não segue roteiro que respeita a qualificação da formação profissional, carece de fundamentação técnica e do conhecimento sobre a realidade do ensino médico e da assistência”, avaliou o presidente da AMB. E ele reforça, “Mais do que isso, passa à população uma ideia equivocada e perigosa de que aumentando de forma absurda o número de egressos dos cursos de medicina traz uma boa e segura assistência médica aos cidadãos brasileiros”.
E o impacto dessa má formação impacta diretamente na qualidade do atendimento à população. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil registrou, em 2023, cerca de 25 mil processos por “erro médico” – ou danos materiais ou morais decorrentes da prestação de serviços de saúde, denominação que passou a ser adotada neste ano pelo Judiciário. O volume representa alta de 35% em relação a 2020.
Dr. César finalizou reforçando a necessidade da implementação da avaliação de proficiência, como já adotado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), com o objetivo de medir a capacidade técnica e garantir a qualidade dos médicos ativos. Além de gerar custos sociais para os sistemas público e privado de saúde, erros de diagnóstico, de prescrição ou de conduta também podem causar danos irreversíveis aos pacientes e até mesmo levá-los à morte.
“Diante desse quadro de precariedade na formação de médicos, o modelo de avaliação de proficiência já adotado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) se mostra necessário à aferição da capacidade técnica e garantir a qualidade dos médicos ativos no país”, conclui o Dr. César.
Para conferir a apresentação clique (Importância do exame de proficiência médica para segurança do paciente).

Assessoria de Comunicação da AMB
Fotos: Giovanni Chamberlain
Diretor científico da AMB relata preocupação sobre os modelos atuais de formação de especialistas no Brasil

A segunda palestra da tarde foi apresentada pelo diretor científico da Associação Médica Brasileira (AMB), Dr. José Eduardo Lutaif Dolci, que falou sobre o tema ‘Modelos de Formação de Especialistas no Brasil’.
Em sua participação, Dr. Dolci apontou sobre os recursos destinados ao financiamento de bolsas de residência médica por meio de instituições da esfera pública, além de destacar a preocupação da AMB com a oferta de vagas disponíveis nas especialidades, com mais de 33% de ociosidade.
“Hoje temos mais de 70 mil vagas autorizadas voltadas para a residência médica, mas apenas 46 mil estão ocupadas. É preocupante a falta de interesse e de informação do médico que tem concluído a graduação nos últimos anos, utilizando cursos de pós-graduação para se intitular como um especialista. Precisamos unir forças e buscar estratégias eficazes para que os profissionais da Medicina tirem o seu título de especialista, com o intuito de proporcionar um atendimento de qualidade aos pacientes do nosso país”, alertou o diretor da AMB.
Durante a apresentação, Dr. Dolci ainda falou sobre o papel das sociedades de especialidade na formação dos médicos e pontuou as propostas elaboradas de forma conjunta pela diretoria da AMB, relacionadas à residência médica no Brasil.
Entre elas, o teste seriado (progresso) para todas as residências, levantamento de todos os centros formadores credenciados pelas sociedades de especialidades médicas, uniformização das avaliações das residências credenciadas pelas sociedades e uma forte fiscalização sobre as “pseudo” residências que se intitulam “cursos de especialização”, sem credenciamento das sociedades.
“Além disso, precisamos discutir a recertificação periódica do título de especialista, a cada 5 anos, através de atualizações, congressos, cursos, publicações, bancas, entre outros”, explicou o diretor científico da AMB.
E o Dr. Dolci fez um questionamento aos presentes. Quais os critérios de avaliação dos serviços credenciados feitos pelo MEC e pelas Sociedades de Especialidades Médicas?
Segundo ele, “o MEC tem seus avaliadores e aqui cabe reflexão sobre o que é oferecido aos avaliadores, com condições, atualmente, longe do ideal. Além disso, a avaliações das sociedades de especialidades tem critérios muito diferentes entre si e, portanto, acho importante a necessidade de uniformização destas avaliações com critérios mínimos”, salientou ele.
Para conferir a apresentação clique (Formação de especialistas no Brasil).


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Fotos: Giovanni Chamberlain
Campanha da AMB para valorização do título de especialista é apresentada e aprovada na reunião do Conselho Deliberativo

A ideia de uma campanha de valorização do título de especialista foi apoiada e aprovada por unanimidade entre todas as sociedades, federadas e entidades médicas, presentes na reunião do Conselho Deliberativo da Associação Médica Brasileira (AMB) realizada em Recife, nesta quinta-feira (28). A pauta foi apresentada pelo diretor de Comunicação da entidade, Dr. Luiz Carlos von Bahten, que falou sobre o tema ‘Campanha de Valorização do Título de Especialista’, uma das principais pautas discutidas em 2024 pela classe médica.
O gestor apresentou dados importantes, como as especialidades que possuem o maior número de registros no Brasil. Clínica Médica aparece em primeiro lugar, com aproximadamente 57 mil médicos, seguida da Pediatria (48.654) e da Cirurgia Geral (41.547).
Uma outra informação demonstrada pelo diretor da AMB foi a proporção de médicos especialistas por faixa etária. Em 34 das 55 especialidades, a média de idade é inferior a 50 anos. Em termos de distribuição por região do país, o Sul aparece na primeira posição, com 68% dos médicos com especialidade.
O Dr. Von Bathen elencou os principais objetivos da campanha do Título de Especialidade. Segundo ele, é fundamental ter como foco a valorização do título, alertar a população sobre a importância de escolher um médico especialista certificado, enaltecer a diferenciação do profissional com o título de especialista, e destacar os rigorosos critérios exigidos para obtenção do título de especialista. “Tudo isso para defender o bem mais precioso da AMB e das sociedades”, frisou
A expectativa é que a campanha entre em vigor a partir do primeiro trimestre de 2025, com ações que envolvam a combinação de estratégias em mídias digitais e veículos especializados, focada em anúncios impactantes nas redes sociais, para ampliar o alcance e engajar a audiência com conteúdo envolvente.
Anúncios em veículos de imprensa de credibilidade e grande circulação, para impactar um público diferenciado, divulgação em telas de elevadores comerciais e residenciais, permitindo a flexibilização de conteúdo e sinergia com outras mídias, entre outros. “São processos que se complementam e aos poucos vão sensibilizando a sociedade e os médicos sobre a importância dessa titulação”, explicou o Dr. Luiz Von Bahten.
A ideia da Campanha foi apoiada e aprovada por unanimidade entre todas as sociedades, federadas e entidades médicas, presentes na reunião do Conselho Deliberativo.
Para conferir a apresentação clique (Campanha-de-Valorizacao-do-Titulo-de-Especialista).


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Diretrizes de diálogo entre entidades médicas e representantes da esfera pública é destaque em apresentação no Conselho Deliberativo da AMB

O diretor de Assuntos Parlamentares da Associação Médica Brasileira (AMB), Dr. Luciano Gonçalves de Souza Carvalho e o assessor parlamentar Napoleão Puente de Salles abriram, na manhã desta quinta-feira (28), a grade de programação do Conselho Deliberativo da entidade, que acontece em Recife, nesta quinta (28) e sexta-feira (29). Na oportunidade, os palestrantes falaram sobre o tema “Advocacy e Lobby: Participação nas Políticas Públicas”.
Estratégias de como deve ocorrer o diálogo entre as entidades médicas brasileiras e representantes da esfera pública para a execução de ações efetivas em prol da classe médica e do atendimento de qualidade à população foram explanadas ao longo da apresentação, com abertura de espaço para debate com os participantes. “É fundamental essa interlocução, que flua bem e bastante transparente para podermos defender os pleitos da classe médica”, explicou Dr. Luciano.
Durante sua fala, Dr. Luciano também mencionou o Núcleo de Atuação Parlamentar (NAP), criado pela AMB para servir como porta-voz da classe médica no Congresso Nacional, com atuação em favor de projetos de interesse das Federadas e das Sociedades de Especialidade, além da disponibilidade do serviço de Consultoria de Relações Institucionais da AMB. Ele completou informando que o NAP monitora mais de 1400 projetos no Congresso e Senado, mas a pauta mais emergente é a avaliação dos egressos de Medicina.
Segundo ele, os pleitos patrocinados, em relação ao conteúdo, precisam ser legais e legítimos. Defensáveis ética e moralmente e não devem constituir privilégios ou favores para setores específicos, de preferência, devem coincidir com o interesse público.
“Embora o compromisso do parlamentar federal seja com a nação e não somente com sala, região, eleitorado ou estado, o fato é que os interesses provincianos é que prevalecem”, destacou o assessor parlamentar Napoleão Salles.
Para conferir a apresentação clique (Advocacy e Lobby – Participação nas Políticas Públicas).

Assessoria de Comunicação da AMB
Fotos: Giovanni Chamberlain
Fonte: AMB, em 28.11.2024.